sábado, fevereiro 18, 2017

SOU DESTE CHÃO COMO A TERRA, O FOGO, A ÁGUA E O AR!

Veja a Fanpage aqui , os vídeos aqui e os textos  aqui

SOU DESTE CHÃO COMO A TERRA, O FOGO, A ÁGUA E O AR! - Sou deste chão como a água que desce das nuvens sem calças para irrigar a Terra, para matar a sede na sobrevivência dos seres e plantações, a escorrer por córregos para ser rio ao mar, onde sou maior que a mim mesmo pelos oceanos e continentes. Sou deste chão como o fogo alumia com o clarão a purificar ao calor das labaredas que queimam a pele o que é de Sol, a incendiar o que sou e não sou, e renasço das cinzas a todo momento. Sou deste chão como os ventos do sopro de Deus no invisível dos pulmões, a levitar pelas rajadas sobre montanhas e vales, pelas ventanias dos desertos, pelo voo inimaginável de tudo que vai com as poeiras e sementes, em movimento ubíquo pra mudança do tempo e clima em que sou veloz tropical longe das tempestades e furacões. Sou deste chão como a Terra que brota raiz pras plantas de tudo por solo e relevos nos mais diferentes ecossistemas e habitats, para todos os vegetais e animais, além dos passos e pisadas por sobre pedras e cristais, pelas veredas, vulcões, cânions até ser-me o que sou deste chão minha vida. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

Curtindo os álbuns Vida adentro (2005), Outras Mulheres (2012) e Sorria (2016) e o talento musical da cantora, compositora e professora de canto Carol Andrade.

Veja mais sobre:
Da semente ao caos, Lasciva na Ginofagia & a arte de Vanice Zimerman aqui.

E mais:
Toni Morrison & A Filosofia de Schelling aqui.
O Princípio Federativo de Proudhon & a poesia de Ione Perez aqui.
A obra de Hermes Trismegistos & o cinema de István Szabó aqui.
Aleister Crowley & Regina Spektor aqui.
Alan Watts & O Sétimo Selo de Ingmar Bergman & Bibi Anderson aqui.
O Novo Organum de Francis Bacon & a poesia de Marinez Novaes aqui.
A Filosofia de Deleuze & Guattari, O Umbigo de Rubens Rewald & Anna Cecília Junqueira aqui.
Clarice Lispector & Helena Blavatsky aqui.
Duplo engano aqui.
André Breton, Marlos Nobre, Nikos Kazantzákis, Toni Morrison, Milos Forman, Adolf Ulrik Wertmüller, Natalie Portman & Tanussi Cardoso aqui.
Carson McCullers, Nicolau Copérnico, Max Klinger, Rogério Tutti, José Carlos Capinam, Alberto Dines, István Szabó & Krystyna Janda aqui.
Crença: pelo direito de viver e deixar viver aqui.
A injustiça braba de todo dia aqui.
Musa Tataritaritatá aqui.
As trelas do Doro: o bacharel das chapuletadas aqui.
William James & Roubaram a tenda de Sherlock Holmes aqui.
Três poemínimos de amor pra ela aqui.
A Ilha Deserta de Deleuze & Guattari, a piada Será que tá morto aqui.
O consolo da paixão aqui.
O nome dela é amor aqui.
O Seminário do Inconsciente de Lacan & O Caso Schreber de Freud aqui.
Saúde no Brasil aqui.
A rapidinha pro prazer dela aqui.
Fernando Melo Filho, o primeiro parceiro na música aqui.
Lasciva da Ginofagia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

DESTAQUE: SE O GRÃO NÃO MORRE
[...] Nossos atos mais sinceros são também os menos calculados; a explicação que se lhes procura dar posteriormente continua vã. Uma fatalidade me conduzia; e talvez também a secreta necessidade de lançar um desafio à minha natureza; porque, em Emmanuèle, não era a própria virtude que eu amava? Era o céu, que o meu insaciável inferno desposava; mas esse inferno eu o omitia no mesmo instante: as lágrimas do meu luto tinham-lhe apagado todas as fogueiras; eu estava como que deslumbrado de azul, e o que eu não consentia ver mais tinha cessado de existir para mim. Acreditei que podia dar-me a ela todo inteiro, e o fiz sem reserva de coisa alguma. Noivamos pouco tempo depois.
Trecho da autobiografia Se o grão não morre (Nova Fronteira, 1982), do escritor francês Prêmio Nobel de Literatura de 1947, André Gide (1869-1951). A obra descreve a vida do autor da infância até o noivado com sua prima. Na primeira parte ele traz lembranças da infância, a família, a expulsão da escola por maus hábitos, as primas, o adultério da tia, lições de piano e a descoberta da literatura e do teatro, traição e receio das prostitutas, a pensão, as ligações adúlteras e a arte e a música influenciando a literatura. Na segunda parte conta a primeira viagem à Argélia, a descoberta da homossexualidade, o encontro com Oscar Wilde, redescoberta da religião, a morte da mão e o noivado com a prima. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor estadunidense Brian Smith.
Veja Fanpage aqui & mais aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: arte do pintor e arquiteto austríaco Friedrich Hundertwasser (1928-2000).
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.
 

sexta-feira, fevereiro 17, 2017

SOOU A VIDA O PARAÍSO DO AMOR

Veja a Fanpage aqui , os vídeos aqui e os textos  aqui

SOOU A VIDA O PARAÍSO DO AMOR – Imagem: foto/arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez. - Jamais soubera a vida depois de tantos tormentos, possível fosse amar outra vez naquela manhã de dezembro, ao vê-la rosa dos ventos em plena aracê-poronga surgir ornada de poemas e flores de todos os matizes, a descer tal caá-iari do tope azul do Marumbi a me dizer Muna, xuma xô. Ah, tantó manacá jurucê, afilhada do Peruda com sua face mimosa na brisa da alvorada, vamos sim, vem comigo cairé, catiti, olhos vivos de bússola pra minha desorientada travessia e com o seu riso de Sol a me dar o que nem mereço de tão bom por todos os pontos cardeais. Às suas mãos estendidas eu voo abraço amante de cunhã caingangue, como quem foi enfeitiçado na tarde ensolarada do céu límpido de seu jeito deusa-índia, a recitar versos apaixonados por quem bate meu coração caeté andarengo, deserdado do mundo e abrigado na sua carne carijó, pra ser seu abá iba na nossa quiçaba. Vou ao seu chamamento como marujo insone ao encanto das sereias, pra ver-me navio perdido nas rotas de suas águas que brotam da cascata rumorejante do seu ventre apetitoso, a ver-me estendido nas terras perdidas do seu rincão e de alma lavada por seus beijos e afagos, ajoelhada à beira de límpido e murmurante regato que divisa as escarpadas serranias, a fazer de mim sua cobaia no reino das suas explorações e a prover da sua fartura na ventura do entardecer, como se eu fosse o escolhido entre todos e o meu sexo fosse o seu talismã, a sua salvação. Assim me doou e sou dela ao tê-la minha escrava e criatura na noite perfumada pelas coloridas e delicadas flores da quaresmeira, a me dizer aos sussurros carinhosamente xê pocê o quê. Sim, eu vou e soou a vida preu ir procê dormir e acordar ao prazer de amar e fazer nocê o paraíso do amor. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

 Curtindo os álbuns Caminhada (Kriok, 2014) e Tibério Gaspar canta (Independente, 2002) do amigo violonista, compositor e produtor musical Tibério Gaspar (1943-2017).

Veja mais sobre:
O cis, o efêmero & eu aqui.

E mais:
Cancioneiro da imigração de Anna Maria Kieffer & Ecologia Social de Murray Bookchin aqui.
A poesia de Sylvia Plath & a Filosofia da Miséria de Proudhon aqui.
Antonio Gramsci & Blinded Beast de Yasuzo Masumura & Mako Midori aqui.
Mabel Collins & Jiddu Krishnamurti aqui.
Christiane Torloni & a Clínica de Freud aqui.
Paulo Moura, Pedro Onofre, Gustavo Adolfo Bécquer, Marcos Rey, Mihaly von Zick, Marta Moyano, Virna Teixeira aqui.
A irmã da noite aqui.
A obra de Tomás de Aquino & Comunicação em prosa moderna de Othon M. Garcia aqui.
Essa menina é o amor aqui.
Uma gota de sangue de Demétrio Magnoli & mais de 300 mil no YouTube aqui.
A filosofia & Psicologia Integral de Ken Wilber & o Natal do Nitolino aqui.
Possessão do prazer aqui.
Roberto Damatta & o Seminário do Desejo de Lacan aqui.
A febre do desejo aqui.
A nova paixão do Biritoaldo: quando o cara erra a porta de entrada, a saída é que são elas aqui.
A ambição do prazer aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

DESTAQUE: PATTY, A MULHER PROIBIDA
O longo metragem Patty, a mulher proibida (1979), um filme do escritor e cineasta Marcos Rey dirigido por Luis Gonzaga dos Santos, conta a história de um anão influente e rico que comanda um programa de TV e é assediado por uma belíssima vedete disposta a tudo para se tornar uma estrela. Com a ajuda do seu secretário que é um escritor fracassado e ex-militante socialista, o anão consegue atrair a estonteante mulher pra sua casa, quando ocorre a vingança do subalterno que vê seu patrão no afã de salvar a beldade, morrer afogado na piscina. O destaque do filme fica por conta da voluptuosa beleza da atriz Helena Ramos, a musa da pornochanchada. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
____Ah, tristes mulheres que nascem e morrem sem saber o que é ser fêmea!
Sem saber o que é esse mistério que acende e faz arder corpo e alma.
Ah, tristes mulheres presas em corpos inertes acalentam homens sem sonhos e sem brio.
Eu não sou triste______sou fêmea!
Sou fêmea quando me vejo em seus olhos mulher sua que sou_______sou fêmea sua que aos seus carinhos se entrega e no seu prazer se realiza como mulher!
___Ah, feliz de mim, que sou sua mulher!
Fêmea/Mulher, poema/imagens da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez.
Veja Fanpage aqui & mais aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: Peace, art by Catherine Nolin
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.


quinta-feira, fevereiro 16, 2017

NA VIDA, COMO NO SONHO, NÃO HÁ LÓGICA!

NA VIDA, COMO NO SONHO, NÃO HÁ LÓGICA! - Imagem: Étude pour un portrait de Van Gogh (1957), do pintor abglo-irlandês Francis Bacon (1909-1992). - Naquela noite Gesildo sonhara. Coisa tão absurda, que nem se lembrava direito. Dizia pra si: a gente sonha cada coisa, mais sem pé nem cabeça. Tem lógica um negócio desse? Só pra quem vive no mundo da lua. Riu-se, meio atarantado. Levantou-se como de costume, fez o que devia e foi trabalhar. Envolvido nos afazeres, finalmente esquecera de tudo, se sonho ou pesadelo, não soubera. A manhã inteira, vez ou outra, passava-lhe à cabeça o ocorrido. Ora, coisa de pouca monta não merece gastar neurônio. Principalmente o que não sabia o que era, nem o que entendia disso. Almoço servido, dera tudo por perdido. Veio a tarde, concentrado nas tarefas, deixou-se levar sem pensar em nada. Quando a sirene tocou, correu pro ponto e esperou a condução. Olhou pro céu carregado de nuvens escuras, deu-se consigo: uma chuvada boa estava prestas a desabar do céu. Convinha buscar abrigo. A condução chegou e aboletou-se logo fechando as janelas. Cochilou por instantes e tudo lhe veio à mente. Acordou assustado com uma movimentação barulhenta: o ônibus havia quebrado. Olhou em volta, tudo escuro. Choviscava. Desceu para aguardar o próximo transporte quando o toró despencou. Foi surpreendido com a falta de espaço na marquise. Procurou refugio, só havia uma craibeira do outro lado da rua. Não pensou duas vezes, livrou-se do tráfego dos automóveis e serviu-se do valhacouto. Sem iluminação, apesar de resguardado da bátega, viu-se inseguro. Não havia muito o que fazer no meio daquela procela. Percebeu apoio para sentar-se nas raízes, na verdade, não era pau o assento, eram pedras, conferiu ao tato. Um relâmpago e a quimera ficou real, lembrava-se. Uma mulher numa túnica transparente, esbelta e nua, apontava-lhe o lugar. Intrigado, seguia o indicador dela: as pedras? Ela em nuto afirmativo. Remexeu entre elas com a mão e viu a mulher sorrir-lhe com isso. O sorriso e o sonho todo na cabeça por instante. É isso. Pegou uma pedra, duas, muitas, o quanto pôde. Olhou pra ela, um riso lindo confirmando tudo. Olhou pra elas, parecia seixos em suas mãos, não era. Pedregulho estranho. Procurou a bela, não mais estava, sumira. Outro relâmpago e o sonho se esclarecera: com essas pedras ficarei rico, foi o que ela mesma dissera no sonho, muito embora, agora só sorrisse, nada dissesse. O trovão estremeceu a terra e ele saiu como louco atrás de um ourives. Não havia ali, talvez um joalheiro. Nada, àquela hora tudo já estava fechado. Pensou ir pra casa e foi. Andou que só a má notícia, ensopado, nem sabia onde estava, tudo como no sonho: as pedras aos bolsos, três ou quatro, parece mais. Já alta madrugada, chegou à sua residência, sacou dos bolsos e fitou direito: nada mais que pedras. Despiu-se jogando as vestes molhadas do lado enquanto mantinha conferindo cada uma delas, abriu umas gavetas, agasalhou-se, tremia de frio e não tirava os olhos daquelas pedras. Sem saber se cochilara ou dormira, percebeu o dia amanhecido. Embecou-se e foi pra joalheria mais próxima. Chegando lá, mostrou ao primeiro que encontrou, pra conferência especializada. Hum. São pedras. Pedras? Pedras. Comuns? Sim. Não pode.Ué? Algo me diz que vou ficar rico com elas. O homem riu da sua leseira e indicou uma consulta com um ourives ou gernólogo, ou lapidário, ou galvanoplasta, uma coisa dessa. Como? Ah, só na capital, se desconfia que tem algum valor, vá pra capital, pra mim é pedra, se acha que é ouro ou coisa que valha, pra mim se for alguma coisa é o mesmo que ouropel. Como? Vá lá, confira, é minha palavra final. Saiu cabisbaixo, desanimado, nem se lembrou de trabalhar. Foi até um negociador de pedras preciosas, o mesmo diagnóstico. Ah, dali foi prum velho pai de santo que soubera: o ancião pegou, conferiu, ronronou e falou prele procurar um velho pajé numa tribo distante que só ele daria o veredicto. E foi, andou como a praga, o dia todo e mais meio, nem quisera comer e, depois do meio dia, estava às portas da tribo procurando pelo tal pajé. Depois de muito puxa e encolhe, levaram-no à presença dele. De tão velho nem enxergava, abriu um riso enorme quando as teve na mão e começou a falar coisas incompreensíveis. Um índio traduziu: ele está perguntando onde encontrou. Por que? É uma pedra rara e antiga cujo nome se perdeu. E o que tem? O pajé disse que o possuidor dessas pedras é um homem muito venturoso, feliz e rico, nunca será acometido por doença grave, nem será atacado por qualquer ser vivo. Gesildo não quis mais saber de nada, tomou de volta e sacou as pedras nos bolsos, dali saindo sem saber nem pra onde ia. Tentou voltar ao local onde as encontrara e se perdera. Seguiu aleatório, ora ia, ora voltava, anoitecera e a fome consumia o tino. Nada além das pedras nos bolsos, tentou vendê-las para comer, ninguém queria. Oferecera a tantos, maior desinteresse, davam-no por birutado. Chegou ao ponto de gritar bens tão valiosos e ignorados por todos. Ao cabo de dias, sucumbiu inane. Nessas horas, deu-se uma enchente do rio invadir a cidade e toda rodovia, trazendo prali um arqueólogo que viajava em férias, completamente aborrecido por ter que desviar seu trajeto. O doutor esbravejou com todos, amaldiçoou sua sorte e só faltou desafiar deus e o mundo de tanta raiva. Sem ter o que fazer, restou-lhe apenas sentar e esperar pacientemente as águas baixarem. Foi de relance que viu uma das pedras caídas do Gesildo e saiu perguntando a todos onde tinha mais daquela, resposta obtida que só um doido que vagava que tinha umas delas. Cadê-lo? Procuraram que só. Ao achá-lo, já agonizava com três pedras nas mãos, outras duas no bolso, umas outras espalhadas ao chão. Isso é quase ouro, disse o arqueólogo, valiosíssimo! Tentou recobrar os ânimos de Gesildo, de nada adiantara, perguntou pra um e para outro, virou-se pra todos: onde tem dessas pedras? Ninguém sabia, só ele que finalmente morrera acreditando que estava rico e não sabia mais nada. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

 Curtindo os álbuns do grupo Algaravia, formado pelo quinteto Eloá Gonçalves (piano/acordeon), Ricardo Lira (baixo), Rafael Thomaz (violão/guitarra), Fabio Augustinis (bateria/percussão) e Bruno Cabral (saxofones), propondo a reflexão sobre as fronteiras entre a música erudita e a popular, por meio de arranjos de obras do repertório camerístico erudito para a formação de quinteto de música popular instrumental e interpretando compositores como Villa Lobos, Marlos Nobre, Debussy, Paizzolla, Ravel, Camargo Guarnieri, entre outros.

Veja mais sobre:
Imprensa Brasileira aqui e aqui.

E mais:
As pernas no Cinema & o Seminário – A relação do objeto, de Jacques Lacan aqui.
As pernas de Úrsula de Claudia Tajes & Mil Platôes de Gilles Deleuze & Félix Guattari aqui.
Marlene Dietrich & Hannah Arendt aqui.
Diálogos sobre o conhecimento de Paul Feyerabend & a poesia de Lilian Maial aqui.
As pernas da repórter Gracinaura aqui.
A tragédia humana de Imre Madách, a música de Pierre Rode, o cinema de Robert Joseph Flaherty, a pintura de Franz West, a arte de Vera Ellen & Anne Chevalier & Sarah Clarke aqui.
Educação, orientação e prevenção do abuso sexual aqui.
Segmentação do mercado na área de serviços aqui.
Das bundas & outros estudos bundológicos aqui.
Aristóteles, Rachel de Queiroz, Chick Corea, Costa-Gavras,Aldemir Martins, Teresa Ann Savoy, José Terra Correia, Fernando & Isaura, Combate à Corrupção & Garantismo Penal aqui.
Presente dela todo dia e o dia todo aqui.
O caboclo, o padre e o estudante, Lendas Nordestinas & Luiz da Câmara Cascudo aqui.
As obras de Gandhi & Programa das Crianças aqui.
Os lábios da mulher amada aqui.
Ritual do prazer aqui.
Funções do superego e mecanismos de defesa aqui.
Memória e esquecimento aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

DESTAQUE: MÁQUINAS SEMIÓTICAS
[...] As mensagens das mídias voltam-se mais e mais para as mensagens da mídia cuja origem tornou-se crescentemente difícil de discernir. Filmes transformam-se em metafilmes, romances viram metarromances, nas artes visuais, o artista e seu eu encarnado tornaram-se tópicos centrais de sua arte, a televisão faz da televisão seu tema nuclear e a publicidade começa a perpetuar os mitos de sua própria criação sobre os valores insuperaveis de seus produtos em vez de informar ou apresentar o que é novo no mundo das mercadorias. [...].
Trecho extraídos de Máquinas semióticas (Galáxias, 2001), do linguistica e semiótico alemão Winfried Nöth.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor abglo-irlandês Francis Bacon (1909-1992)
Veja Fanpage aqui & mais aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: Sea Of Hull Installation Sees Thousands Of Naked People Painted Blue
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.


quarta-feira, fevereiro 15, 2017

DOS REVEZES QUE NÃO POUPAM A AMIZADE E O AMOR

DOS REVEZES QUE NÃO POUPAM A AMIZADE E O AMOR – Imagem: Love and violence (1963), da artista plástica, escultora, escritora, dramaturga e roteirista Rosalyn Drexler. - Os pariceiros João e José, carne e unha, pacto de sangue, amigos à toda prova. Tudo dividiam e se completavam: goles, boias, putas e apuros. João casou-se com Maria, José com Joana: quarteto perfeito. Uns aos outros família mais que unida, necessidade de um, ação de todos. Ele, fanático de paixão, aprontava das suas: não largava um rabo de saia, Maria que não soubesse. Com José, sumiam nas capoeiras do mundo. Fora de hora chegava em casa, a mulher mãos no quarto: isso são horas? Não passava aperto, uma saída pronta na ponta da língua, ostentava maior lábia, carregado de ademanes. Ela fingia tudo bem e dormiam o sono do fica pra outra, não será dessa vez. No outro dia, a ferrenha competição: Maria ficou cabreira, e a comadre Joana? Oxe, virou mulher de bigode, nem o diabo pode. E aí? Macho é rei, faz e acontece. Assim a coisa ia por anos, até o dia, durante uma farra domingueira, embaixo da mesa os pés de Maria na virilha de José. Ele teve um baque, quase cai morto. O que é isso? O nome não faz a santa, pensou. Maria minimizou: estava cutucando Zé para mangar de Joana. A intervenção da comadre deixou tudo em pratos limpos: amigas inseparáveis, brincadeiras de casal. Desculpas esfarrapadas, sacou a mulher assustada, trêmula e hesitante; a comadre passava a mão na cabeça dela, fazia de conta pra atenuar o perigo; o amigo, olhos arregalados, balbuciava sem jeito, sem conseguir esboçar nada que explicasse aquilo. Ah, tá, ficou assim não, destá. A desconfiança descia como um réptil pelas ocasiões daí por diante, não descansava no quengo nem no coração dele: logo a sua mulher e o melhor amigo. Que coisa! Não, ele agora não era tão mais digno de sua amizade como pensara por esses anos todos. Agora, de mesmo, ele só queria flagrar ambos em intimidades e dar um fim a tudo isso. Para tanto, chegava intempestivamente em casa, dizia que ia fazer uma coisa pros dois e voltava antes do previsto, atocaiava ambos, não tinha sossego. Não fosse uma tarde inesperada o flagrante de Maria nua e aos beijos na kombi de Zedinaldo, ele manteria o amigo ainda de soslaio. Foi pior. Baixou a crista, separou-se dela e nunca mais foi o mesmo com os compadres: desconfiava conluio dos dois, ambos escondiam as safadezas dela, tinha ele certeza na sua dúvida, o último sempre a saber. Escondeu-se do mundo e de si, a insincera capa da hipocrisia denegriu sua reputação. Por conseguinte, perdeu o entusiasmo e não se importava mais com o que diziam dele, sempre pedras na sua direção. Ninguém se lembrava dele como trabalhador, o craque dos tacos e das porrinhas, o vencedor de todo vamos ver. Não, agora era outro, antes a pecha incomodava, agora não mais. Entrementes, mantinha-se cabisbaixo, exangue, buscava forças dentro de si, tentando se reencaixar ao molde como o mundo funciona, havia perdido o jeito. Não sabia o que fazer para resgatar a vitalidade, via-se indigno ou inaceitável, indesejável, suprimido, rejeitado, impotente e incapaz de retomar a vida, não sabia mais como operar o mundo conformado a padrões e modos de comportamento, os seus limites todos estreitos e insatisfatórios fizeram-no render-se à consternação da desventura, vítima de um doloroso teste, de uma lição muito amarga, o perfeito desprezo vingativo de uma mulher. Mudo e rígido, pensou seguir pelas ruas, sem paradeiro, andrajoso, o esvaziamento e a depressão. O seu inflado orgulho estava ferido, pelo menos de mãos limpas entre lamas e detritos. As coisas não são tão facilmente maravilhosas como se pensa e ele sabia que mergulhara no caos, o qual não sabia nem como dissipá-lo. Só seguia sem nem mais saber quem era, nem quem poderia ser ou para onde ir. Seguia. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

 Curtindo os álbuns Mundo Verde Esperança (2002), A Música Livre de Hermeto Pascoal (1973), Zabumbê-bum-á (1979) e Cérebro Magnético (1980), do compositor, arranjador e multi-instrumentista Hermeto Pascoal. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

Veja mais sobre:
Fernando Pessoa & Albert Einstein aqui.

E mais:
Isadora Duncan & Simone de Beauvoir aqui.
Hilda Hilst & Zygmunt Bauman aqui.
Renata Pallottini & Carl Rogers aqui.
Daniela Spielmann & Eric Kandel aqui.
Bertolt Brecht, Nise da Silveira, Egberto Gismonti, Galileu Galilei, Irena Sendler, Michelangelo Antonioni, Charles André van Loo & Anna Paquin aqui.
A folia do prazer na ginofagia aqui.
Fecamepa & a Independência do Brasil aqui.
Têmis, Walter Benjamim, Luís da Câmara Cascudo, Sandie Shaw, Patrícia Melo, Marie Dorval, José Roberto Torero, Julia Bond & Iracema Macedo aqui.
Nise da Silveira & Todo dia é dia da mulher aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

DESTAQUE: O MORRO DE MAMBIALA
[...] Havia alguns dias, que o negro e os seus se deitavam sem nada comer, e naquela manhã que foi a de um Domingo de Ramos, Serápio despertou lembrando-se que sonhara estar metido dentro de uma abóbora, da mesma maneira que a criatura ainda não nascida, no ventre materno: e com todos os dentes intactos mordia-lhe na polpa, e a abóbora saltava e corria, aflita, gritando: “Socorro! Socorro!” – que lhe faziam cócegas; que acabaria louca... – Será um aviso do céu: - conjeturou o negro, persignando-se. – Se encontrasse hoje na Mambiala essa abóbora! E depois de contar – muito alegre – o sonho á família, subiu para o alto da ladeira, e esteve muito tempo procurando-a com grande afinco. Folhas,. Talos, e mais folhas! Em todo o denso, peludo e entrançado aboboral, não havia uma só abóbora minguada: e não ficou lugar onde não procurasse. De procura em procura, soaram as doze horas do dia; a hora em que outros homens se estavam sentando para almoçar. Serápio chorou, implorando a Deus e a Mambiala. Voltou pacientemente a explorar, canto por canto, de ponta a ponta, o aboboral. [...] Já estava caído, mas antes de abandonar a última esperança, postou-se de joelhos e ergueu os braços para o céu. Lembrou-se de uma estampa sagrada que contava um milagre, e se pôs a invocá-la. O céu não lhe fez o menor caso. Não choveu sobre a sua cabeça nenhuma abóbora. No auge da aflição, caiu de bruços. Quando, depois de haver chorado todas as lágrimas dos seus olhos, levantou-se para ir embora, viu ao seu lado uma panelinha de barro vermelho, em cujas extremidades o sol brilhava como um ouro úmido. A mais fresca e graciosa que saiu jamais das mãos de um artífice. Tão simpática, que sentiu alegria e um desejo de acariciá-la... Como se fosse natual que ela o pudesse entender, e ainda mais natural que o pudesse consolar, assim falou: - Ah, como é tão bonita, e como é redonda e novinha! Quem a trouxe para cá? Algum desgraçado como eu, procurando uma abóbora? – perguntou-lhe, suspirando: - Como se chama, negrinha gorda? A panelinha, movendo-se sobre as suas bordas, com justa garridice, respondeu: - Eu me chamo Panelinha Cozinha Bem. – A fome me faz ouvir disparates – pensou Serápio – Como se chama? É você quem fala, ou sou eu mesmo que sou dois, um em bom juízo e outro louco, e os dois famintos? – Panelinha Cozinha Bem. – Pois cozinhe para mim. A panela fez uma volta no ar. Sobre a relva apareceu uma branquíssima toalha de mesa, e em vasilha fina, faca e garfos de prata, foi servido um almoço delicioso, ao desgraçado, que não sabia usar de outros talheres que não fossem os seus próprios dedos; mas ele comeu até dizer não posso mais, e bebeu até sentir que o morro de Mambiala começava a bambolear... [...].
O morro de Mambiala, conto extraído da obra Contos negros de Cuba (Cuentos negros de Cuba – Universal, 1986), da antropóloga e escritora cubana Lydia Cabrera (1899-1991).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do escultor neoclássico estadunidense Hiram Powers (1805-1873).
Veja Fanpage aqui & mais aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: Yoga Mudras I (Carved stone Spiritual Hands sculptures), da escultora inglesa Nicola Axe.
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.