quinta-feira, janeiro 18, 2018

WILLIAM BLAKE, CARLOS NEJAR, FLORESTAN, ORIDES FONTELA, LEON ELIACHAR, REGINA SILVEIRA, LOUIS MALLE, LUCIANO MAGNO & LIAH SOARES

AJUSTE DE CONTAS – Imagem: Abissal (2010), da artista plástica Regina Silveira. - Tirando por mim, a vida é curta e vale muito, a gente pouco e ela é demais pro que se quer. Pelejei muito, agora sozinho na noite só resta escrever cartas e mais cartas e colocá-las no fundo das garrafas para jogá-las às correntes dos rios, quem sabe, ou gravar versos confessionais às areias das praias entre sargaços ou nas encostas, nas rochas, estradas, para serem levados aos ventos à qualquer beira de fim, ou riscar meus sentimentos mais íntimos nas bordas do tempo, em voz alta no alto de um morro, ah, como agora escrevo nada que se aproveite porque nunca fiz nem fui nada, mesmo na tentativa de fazer nada melhores a todo instante e momento, mesmo que pra nada servissem nem sirvam meus préstimos, nunca serviram, valho-me da indolência de inventar histórias com os malassombros do mundo e fantasmas frequentes que rondam minha insônia a roubar meus pesares e anseios numa brincadeira sem fim. Só me resta de mesmo sentar num banco de praça a debulhar meus prantos e lavar-me a alma por ter sido vítima do injusto, a perdoar-me pela sordidez dos meus atos e vexames, como ajuste de contas pelo que fui e deixei de ser, ah, isso não, jamais. Certamente nunca fui lá achegado a lamúrias, pois ri demais e me esbaldei oportuno às condições favoráveis, quando permite uma folga por instantinho de nada que fiz valer séculos, confesso. Por isso, sempre me achei mal-agradecido, cada qual experimenta do doce e amargo, o castigo do remorso silencioso de quantos suicidas, solitários, eu mesmo nada disso, apesar das sobradas, eu morri muitas vezes e das cinzas renasci mais de mil vezes e cá estou prestando contas pra ver do que devo e do que sou credor, se é que crédito algum ainda me reste completamente ao rés do chão, reles espantalho, homiziado de pernoite, a me fazer débil entre moucos e cegos maçantes com seus parvos alcunhas e reuniões mundanas e secretas, grupelhos de interesses a ouvirem e espiarem para tudo e nada distinguirem, meros substantivos sem significado nem vergonha em seus rostos amargurados, arrogantes, cínicos, indóceis, portadores da palavra sem verdade e a rogarem favores em nome da graça de Deus e de clemência por seus degradantes dissabores, na voz gutural de duas dissimulações, sem pressa para fazer as malas enquanto se assustam com o fim do mundo daqui a pouco. Ignorado por todos sou na generosidade do sossego sem escapar de mim mesmo, no desabafo de sentimentos enterrados no mais profundo do íntimo, um acerto de contas feito e refeito comigo mesmo, já que dos outros paguei tudo até o pato alheio, foi tudo preto no branco, um ou outro, talvez, lembre tenha sido com folga, na maioria das vezes era ali mesmo justado e pesado com percentagem de usura por impagáveis falhas e deslizes, mal-entendidos, e levasse a sério era estouro das coronárias e eu já era esquecido e desmemoriado, sem buscar o muito e de tudo que persegui a vida toda, augurando êxito aqui e ali, lavando a alma e peito ao flagrar alguma cena na paisagem, sempre um vulto de mulher a chamar atenção na calçada, maravilha da vida a me empolgar e a confirmar que Deus existe naquela majestosa assimetria bem distribuída no balanço das ancas, no perfil gracioso dos seios, a cadência dos passos no mundo das pernas e coxas, o olhar fascinante que vê e não me reconhece atordoado, o prêmio do sorriso nos lábios de festa a confirmar que sou eu o premiado. Graças! Louros e salvas pra mim, pelo que escapei de traições e perigos, pelo que perdi e nem precisava, pelo que ganhei de afeto e me fez pronto pra seguir adiante, perseguir e perseverar, resiliente, pelo menos, até amanhã, se Deus quiser. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com o guitarrista, compositor, cantor, arranjador e produtor musical Luciano Magno: A máquina, Marco Zero/Carnaval do Recife & De Olinda a Los Angeles; da cantora e compositor Liah Soares: Quatro cantos & As melhores; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Baratas e formigas nos sobreviverão. Quando os átomos desintegrarem cidades e corpos, com capacetes de fereza, esses prestimosos insetos saberão o que fazer da terra, já que nós não sabemos. E talvez a concha perdida na praia restaure a última senha. [...] Toda barbárie principia na linguagem. E caminha para os gestos, fecundando a cotidiana convivência. Impõe-se uma tácita comunidade. A mais brutal selvageria é a da alma. [...] Toda ideologia é uma neblina. Envelhece à morte de um dia. [...]. Trechos extraídos da obra O túnel perfeito (Relume Dumará, 1994), do poeta, ficcionista, tradutor e crítico literário Carlos Nejar. Veja mais aqui.

REFLEXÃO PARA OS TEMPOS ATUAIS - [...] O recuo no tempo constitui uma função da cadeia de determinações causais e genéticas com que se opera. Raramente é aconselhável forçar a mão, na suposição de que “o passado explica o presente”. A sociedade se reconstitui e, se importa não perder os elos com o passado, nunca se deve perder de vista que é no presente que se encontram as determinações essenciais, que regulam a reprodução das estruturas e profundidade, a rapidez e a amplitude das transformações históricas em processo. No Brasil, porém, como em muitos outros “países capitalistas dependentes e atrasados” [...] O passado não se “repete” pura e simplesmente. Exigências e necessidades novas condicionam ou determinam a reprodução de comportamentos coercitivos e violentos, arcaicos ou semi-arcaidos, o que instaura um paradoxo histórico. [...] Assim, a violência institucional se cruza com a submissão reativa, a produção de apatia generalizada e a exclusão sistemática dos dominados, oprimidos e explorados. [...]. O que fica claro – e que as elites das classes possuidoras e dominantes procuram salvar do “caos” das mudanças – é que a monopolização do poder (de todas as formas de poder e, no caso, do poder especificamente político) se decide em um patamar pré-político. Os partidos apenas contam como agência de fruição, distribuição e centralização do poder entre facções dos estratos sociais privilegiados e “dirigentes”. [...] Os estudiosos do preconceito e da discrimanção raciais descobriram a essência de uma tradição mistificadora, arraigada no Brasil: o preconceito de não ter preconceito – uma fragilidade humana aparentemente universal, que deveria ser inerente a qualquer forma de ideologia e até mesmo ser assimilável aos mores inabaláveis de uma sociedade de origem escravista. É possível que a contradição entre o império da fé e as iniqüidades da escravidão tenha forjado uma espécie de entorpecimento infantil da consciência social e produzindo essa tendência complacente de dissimular as misérias humanas, transcendndo aos limites e às necessidades das ideologias. [...] De outro lado, embora não se possa separar o referido preconceito de não ter preconceito da violência sublimada e da violência elementar subjacente às relações estamentais-escravistas e às relações de classes de uma sociedade multiracial com fortíssima concentração racial da riqueza, do prestigio social e do poder, é evidente que o paradigma que vale para a representação do “não-preconceito” vale igualmente para outras representações essenciais à humanidade dos “mais humanos” (no calo, do que diz respeito à “não-violência”). A violência incorporada aos mores dos que se atribuem a responsabilidade da defesa da ordem, da moralidade ou da religião e de todo um padrão de civilização, objetiva-se como um direito natural – ou, na pior das hipóteses, como uma coação “legítima” e “necessária”, que se justifica por si mesma, por prevenir irrupções destrutivas da violência e por se institucionalizar como um “direito sacrossanto”. [...]. Trechos da obra A ditadura em questão (T.A. Queiroz, 1982) do

CASAMENTO DO CÉU E DO INFERNO – [...] As religiões dualistas sustentam que o homem possui dois princípios reais de existência, um corpo e uma alma; que a energia provem apenas do corpo, enquanto a razão, inteiramente da alma; e que Deus atormentará o homem por toda a eternidade por ele seguir suas energias. A verdade é que o homem não possui corpo distinto da alma – o chamado corpo é uma porção da alma discernida pelos cinco sentidos; que essa energia é a única vida que provém do corpo; que a razão é o limite externo ou circunferência da energia; e que a energia é o deleite eterno [...]. Extraído da obra O matrimônio do céu e do inferno (Iluminuras, 1995), do poeta, tipógrafo e pintor inglês William Blake (1757-1827). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

TALENTOQuando completou dezoito, Ingrid saiu de casa com a disposição de entrar para o teatro: - Hei de vencer, custe o que custar. Não foi mole. Durante dois meses freqüentou tudo quanto é restaurante onde vão jantar os artistas, depois do espetáculo. Só que ela não jantava: roubava uma batatinha aqui, outra ali, e ia fazendo os contatos, que hoje chamam de relações públicas. Até que um dia surgiu a primeira oportunidade e arranjou sem primeiro emprego: tinha de bater palmas, de vez em quando, pra incentivar a plateia. Mas não durou muito: uma vez bateu palma fora de hora e acabou indo pra rua. Pra arranjar colocação em outro teatro, foi duro, pois essa é uma das raras profissões que não possibilitam a tal carta apresentação. – Mesmo assim, hei de arranjar. E arranjou mesmo, porque sempre aparece um brincalhão para tirar partido da agonia alheia. O fato é que Ingrid conseguiu uma carta nos seguintes termos: “Prezado diretor, pela presente quero lhe recomendar o extraordinário talento da jovem portadora desta carta, excelente batedora de palmas de nossa ‘claque’, com uma folha de serviços digna dos maiores elogios. Graças às suas palmas, sempre estridentes e oportunas, nossas peças têm sido muito bem aceitas, tanto pelo público como pela crítica ainda não se acostumou a gostar das peças aplaudidas. De qualquer forma, como o nosso objetivo direto é o público, peço-lhe que ouça com atenção as palmas desta jovem, cujo futuro está em suas mãos (dela é claro)”. – O senhor acha mesmo que posso fazer carreira? Ingrid tremia, quando o direitor lhe pediu para bater palmas. – O senhor gostou mesmo? – Demas. Agora pode vestir a saia e passe para a outra sala pra assinar o contrato: a senhoria será a nossa principal vedete. O que é o destino. Ingrid ingressou no teatro através das mãos, mas o seu talento estava todo nas pernas. Extraído da obra A mulher em flagrante (Círculo do Livro, 1986), do escritor e jornalista Leon Eliachar (1922-1987). Veja mais aqui e aqui.

AXIOMASSempre é melhor / saber / que não saber. / Sempre é melhor / sofrer / que não sofrer. / Sempre é melhor / desfazer / que tecer. / Sem mão / não acorda / a pedra / sem língua / não ascende / o canto / sem olho / não existe / o sol. Extraído da obra Teia: poemas (Geração, 1996), da poeta Orides Fontela (1940-1998).

ADEUS, MENINOS
Adeus, meninos foi inspirado na lembrança mais dramática da minha infância. Em 1944, eu tinha 11 anos e era interno num colégio católico, perto de Fontainebleu. Um de meus colegas, que havia chegado no começo do ano, me intrigava muito. Ele era diferente, discreto. Comecei a conhece-lo, a amá-lo, quando, certa manhã, nosso pequeno mundo desabou. Esta manhã de 1944 praticamente decidiu minha vocação de cineasta. É a minha fidelidade, minha referência. Deveria tê-la feito a matéria de meu primeiro filme, mas hesitava, esperava. O tempo passou, a lembrança se tornou mais aguda, mais presente. No ano passado, após dez anos nos Estados Unidos, senti que era chegado o momento e escrevi o roteiro de Adeus, meninos. A imaginação utilizou-se da memória como um trampolim, reinventei o passado, além da reconstituição histórica, em busca de uma verdade ao mesmo tempo lancinante e intemporal. Através do olhar desse garotinho que se parece comigo, tentei reencontrar esta primeira amizade, a mais forte, bruscamente destruída, e a descoberta do mundo absurdo dos adultos, com sua violência e preconceitos. 1944 está longe, mas eu sei que um adolescente de hoje pode partilhar a minha emoção. Louis Malle.
Extraído do livro Adeus, meninos (Bertrand Brasil, 1987), com o roteiro do premiado drama Au revoir les enfants (1987), dirigido, escrito e produzido pelo cineasta Louis Malle (1932-1995), baseado na própria infância ocorrida durante o inverno de 1943-44, quando na II Guerra Mundial a França é ocupada e dividida entre os invasores nazistas entre os “colaboracionistas” (cidadãos franceses que ajudam os alemães), os opositores resistentes e demais habitantes, meninos de diferentes idades assustem aulas dadas e organizadas por padres cristãos, descobrindo que um dos mais inteligentes e introspectivos alunos, veste solidéu e reza em língua hebraica. O filme revela a crueldade da guerra e a ocupação. Veja mais aqui, aqui e aqui.

Veja mais:
O mundo parou pro coração pulsar, o pensamento de Sêneca, a música de Liah Soares & a pintura de Jean Fautrier aqui.
Por você na Crônica de amor por ela, Safo, Gilles Deleuze & Félix Guattari, Autran Dourado, Regina Silveira, Khadja Nin, Alexandre Dáskalos, Sam Taylor-Wood, Erika Leonard James, Eduardo Schloesser, Dakota Johnson & Kel Monalisa aqui.
Darcy Ribeiro, Autran Dourado, Damaris Cudworth Masham, Loius Claude de Saint-Martin, Juan Orrego-Salas, Irina Vitalievna Karkabi, Doença & Saúde aqui.
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Educação por água abaixo pra farra dos mal-educados aqui.
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A ARTE DE REGINA SILVEIRA
A arte da artista plástica Regina SilveiraVeja mais aqui.



quarta-feira, janeiro 17, 2018

BUKOWSKI, MELO E CASTRO, JORGE MAUTNER, MICHÈLE PETIT, ARISTÓTELES, SIMONE SIMONS, SOPHIE SAINRAPT & OH! CALCUTTA!

ATÉ QUASE, ENTÃO – Imagem: arte da pintora, gravurista, desenhista e ceramista francesa Sophie Sainrapt. - Duas opções apenas: viver ou. Morrer, por enquanto, fora de cogitação. Quem não? Muito por fazer, ora, intensamente: projetos por realizar – quase todos engavetados, encolhidos, adiados -, anseios preteridos por ser muito pouco o dia; a noite, muito menos. Sobreviver e tocar pra frente, afazeres por aqui, ó! Pois é, comissivo no que nunca quis; omissivo no que precisa, quem não? Tudo às avessas, sempre pra rever. Ainda ontem planejamento de mudança na virada do ano, urgências em pauta, agora vai. Ah, o mês já meiou de quase virar carnaval e a agenda pra amanhã, quem sabe março, lá pra depois da vintena oriental, como verdadeiro. Um de cada vez, não, melhor um pouquinho de cada um na maciota, conta-gotas, aí quando menos esperar, tudo pronto, hem? Que seja. Eu sei e todo mundo sabe: o que tem de fazer precisa ser feito, ponto final. Não, ponto e vírgula – sempre vírgulas e uma dúvida em dia, é isso que mata e muito, sempre um “se” ou e ou. Bah! Fazer o que der, ninguém é perfeito. Sem mais desculpas, eleger prioridades. Ora, afinal tudo é prioritário, iminente. Era pra ontem e até hoje, nada. Sei não, quase jogar tudo pro ar. Quase, tudo na base do quase. O que deu, deu; o que não deu, paciência, fica pra depois. Eu mesmo tanto faço e me pego sem ter feito nada. Afora não poder dormir no ponto, senão passa batido. É o que vigora. Quem não? Ih, já foi, é tudo tão rápido, babau. E assim, quase. Quase vivo quase morto, nada demais, eu herdo as desproporções da percepção por não sacar que tudo medra na largura, cumprimento e altura dos esconderijos das coisas que são quando não são e seus secretos truques validados pela exceção das molésticas vigentes, regra inefetiva a servir apenas pros que não sabem da burla na arma dos sabidos. O ilegal na sua teia engole a mim e a todos, vira consuetudinário fora do positivado, uma outra lei oculta e além só pra quem manja, a validar a estupidez e ninguém é besta de remar contra a maré, cada qual uma simples gota a se diluir no lodo da esperteza, apodrecendo tudo com a erosão que mofa a vida e tudo tomba e tosca se dissipa na lei da oferta e da procura com seus sons volantes e anúncios de féretros, queimas de estoques promocionais, última oportunidade, agora ou nunca, shows dançantes, cortes de energia, você não pode ficar de fora, falta d’água, missas e procissões, pressas e gritos, fisionomias que não reconheço, olhares farejadores, alguns tímidos que não sabem o que está acontecendo, outros nem tanto cegos no tiroteio das notícias escandalosas, muitos de cenho franzido ao lado dos de pálpebras pesadas de esperas e mágoas, porfiadores e surpresos obstinados e abstêmios manhosos, ah, tudo passa e o burburinho do dia só ganha o silêncio tarde da noite. Afinal, sou excêntrico e largo a voz no alvo pra todos, eis rejeitada vira bumerangue por não ter pouso no coração alheio, senão retornar pra mim e não era pra voltar. Quase deu certo, por pouco, e ninguém pergunta o havido e haveres, anestesiados pela celeuma feita alarido mantido a distância, como um fogo bom queimando só pela redondeza e nunca chegar aqui, só porque Deus é brasileiro, senão corre daqui pra bem longe, melhor precaver, senão, senão. Até agora é assim, gangorra de gente enquanto bole vivo, pra não findar duro na cova. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com o compositor, instrumentistas, cantor e escritor Jorge Mautner: O filho do holocausto & Bomba de Estrelas; a cantora lírica e instrumentista neerlandesa Simone Simons: Épica, Headbanging & The Hauting/The Black Halo & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIANão é tarefa do artista contar as coisas como sucederam, mas como poderiam ter sucedido. Pensamento do filósofo grego Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

OS JOVENS & A LEITURAA leitura tem o poder de despertar em nós regiões que estavam até então adormecidas. Tal como o belo príncipe do conto de fadas, o autor inclina-se sobre nós, toca-nos de leve com suas palavras e, de quando em quando, uma lembrança escondida se manifesta, uma sensação ou um sentimento que não saberíamos expressar revela-se com uma nitidez surpreendente. [...]. Ao compartilhar a leitura, ao contrário, cada pessoa pode experimentar um sentimento de pertencer a alguma coisa, a esta humanidade, de nosso tempo ou de tempos passados, daqui ou de outro lugar, da qual pode sentir-se próxima. Se o fato de ler possibilita abrir-se para o outro, não é somente pelas formas de sociabilidade e peçlas conversas que se tecem em torno dos livros. É também pelo fato de que ao experimentar, em um texto, tanto sua verdade mais intima como a humanidade compartilhada, a relação com o próximo se transorma. Ler não isola do mundo. Ler introduz no mundo de forma diferente. O mais intimo pode alcançar neste ato o mais universal. Trecho da obra Os jovens e a leitura (34, 2008), da antropóloga, professora e pesquisadora francesa Michèle Petit, que coordena um programa internacional sobre A leitura em seus espaços de crise, no Laboratório de Dinâmicas Sociais e Recomposição dos Espaços, do Centre National de la Recherche Scientifique, na França. Veja mais aqui.

MISTO QUENTE – [...] Lila Jane era uma das garotas bonitas que eu via na escola. Era uma das mais lindas e estava morando na casa ao lado. Um dia quanto estava no quintal ela apareceu na cerca e permaneceu ali olhando pra mim. [...] Continuou olhando para mim e eu sentei na grama e retribuí o olhar. Então disse: - Você quer ver minhas calcinhas? – Claro – eu disse. Ela ergueu o vestido. As calcinhas eram cor-de-rosa e limpas. Pareciam bonitas. Ela continuou com o vestido erguido e então se virou para que eu pudesse ver a parte de trás. Sua parte traseira era bonita. Então abaixou o vestido. – Até logo – disse e se foi. – Até logo – respondi. Isso acontecia todas as tardes. – Quer ver minhas calcinhas? – Claro. As calcinhas eram quase sempre de uma cor diferente e cada vez pareciam mais bonitas. Uma tarde, depois de Lila Jane ter me mostrado suas calcinhas, eu disse: - Vamos dar uma volta. – Está bem. Encontrei com ela em frente e caminhamos juntos rua abaixo. Ela realmente era adorável. Nós fomos andando sem dizer uma palavra até que chegamos a um terreno baldio. A grama estava crescida e verde. – Vamos entrar nesse terreno – eu disse. – Está bem – Lila Jane respondeu. Nós caminhamos no meio daquele mato alto. – Mostra suas calcinhas outra vez. Ela ergueu o vestido. Calcinha azul. – Vamos dar uma esticada aqui – eu disse. Nós nos abaixamos na grama e eu agarrei seu cabelo e a beijei. Então tirei seu vestido e olhei para sua calcinha. Coloquei minha mão por trás dela e a beijei outra vez. Continuei beijando e passando-lhe a mão. Fiz isso por um bom tempo. Então disse: - Vamos fazer. Eu não tinha certeza do que era pra se fazer mas sentia que era mais do que isso. – Não, eu não posso – ela disse. – Por que não? – Aqueles homens irão ver. – Que homens? – Lá – apontou. Olhei entre a grama alta. A meio quarteirão de distância talvez, alguns homens trabalhando no conserto da rua. – Eles não podem ver a gente! – Sim, eles podem! Levantei-me. – Ora, dane-se! – saí do terreno e voltei para casa. [...]. Então Lily Fischman se levantou. Ela ergueu a saia e puxou uma de suas meias de seda. Ajustou a liga e nós pudemos ver aquela carne branca. Então trocou de perna e ajustou a outra meia. Uma visão que nós nunca tínhamos tido, e nem Stanhope jamais havia visto algo como aquilo. Lily sentou e todos nós terminamos nossos exames com os livros abertos. Stanhope sentou atrás de sua mesa, completamente derrotado. [...]. Às quatro em ponto nós encontramos Pete e Lilly no carro. – Oi – disse Lily. Ela parecia fogosa. Pete fumava. Estava com cara de tédio. – Oi, Lilly – eu disse. – Oi, Lilly, gracinha – disse Carequinha. Havia uns sujeitos jogando futebol em uma outra quadra, mas era até melhor, servia como uma espécie de camuflagem. Lilly ficou andando, respirando forte, os seios subindo e descendo. [...] Pete tirou a saia de Lilly pela cabeça. Suas pernas, ela estava de meias até os joelhos, eram muito brancas e a gente podia ver sua calcinha. Excelente. Pete abraçou Lilly e beijou. Então a empurrou. – Sua vagabunda! – Seja educado comigo, Pete! – Sua puta vagabunda! – ele disse e lhe deu um tapa bem forte no rosto. Ela começou a choramingar. – Não, Pete, não faça isso... – Cala a boca, sua babaca! Pete começou a arrancar a calcinha dela. Estava tendo dificuldades. A calcinha era apertada demais, também com aquela bundona toda... Pete deu um violento puxão, ela rasgou e ele a puxou pelas pernas, sobre os sapatos. Atirou no chão. Então começou a brincar com a sua buceta. Ele meseu e mexeu naquela buceta enquanto beijava ela sem parar. Aí, encontou-se no banco do carro. Seu pau ainda não estava completamente duro. Lilly olhou para baixo. – O que é que há? Você é viado? – Não, não é isso, Lilly. É que estou achando que esses caras não estão vendo direito se alguém vem vindo. – Está tudo limpo, Pete – eu disse – nós estamos vigiando! – Nós estamos vigiando! – disse Carequinha. – Eu não acredito neles – disse Pete. – Tudo o que eles estão vigiando é a sua buceta, Lilly. – Eu sei o que é pra fazer – ela disse. Lilly se abaixou e passou a língua no pau de Pete. Passou a língua em volta da cabeça monstruosa. Então o colocou na boca. – Lilly... Cristo – dizia Pete -, eu te amo... Lilly, Lilly, Lilly... ho, oh, oooh, oooh... – Henry! – Carequinha berrou – Olhe! Eu olhei. Era Wagner que vinha vindo direto para nós atravessando o campo e atrás dele os caras que estavam jogando futebol, mais uns outros que estavam assistindo, garotos e garotas. – Pete! – eu gritei. – É Wagner que vem vindo com umas 50 pessoas! – Merda! – respondeu Pete. – Oh, merda – disse Lilly. Carequinha e eu desaparecemos. Saímos correndo pelo portão até meio quarteirão de distâsncia. Olhamos pelo muro. Pete e Lilly não tiveram chance alguma. [...]. Trechos extraídos da obra Misto quente (Brasiliense, 1984), do escritor estadunidense nascido na Alemanha, Henry Charles Bukowski Jr (1920-1994). Veja mais aqui, aqui e aqui.

DOIS POEMAS – Orgassema: de semântica sêmea / se insinua o sêmen / na lacona lagoa lacunar / e da sádica sede se ressente / o sentido / no sentido cunar. / se sádica ou sábia / quem o saberá? / Se salubre salgado / o teu sabor a odre / é a onda do útero / é terra que remorde / a espera de esperma / nas ásperas paredes. / e o significado vem / da fricção rítmica e formal / entre as mucosas rubras / do pênis, da vulva, da boca / ou da anal. Mais difícil é falo: mais difícil é falo/ que falá-lo / mais difícil é língua / do que lua / mais difícil é dado / do que dá-lo / mais difícil vestida / do que nua / mais fácil é o aço / do que achá-la / mais fácil é dizê-la / que contê-la / mais fácil é mordê-la / que comê-la / mais fácil é aberta / do que certa / nem difícil nem fácil / nem aó nem licor / nem dito nem contacto / nem memória de cor / só mordido só tido / só moldado só duro / só molhada de escuro / só louca de sentido / fácil de falá-lo / difícil de contê-lo / o melhor é calá-lo / o melhor é fodê-lo. Poemas (Covilhã, 1932), do escritor, ensaísta, artista plástico e engenheiro português E. M. de Melo e Castro (Ernesto Manuel Geraldes de Melo e Castro ComIH).

OH! CALCUTTA! OH! CALCUTÁ!
A revista teatral de vanguarda Oh! Calcutta! (Oh! Calcutá! 1969) criada pelo crítico de teatro britânico Kennet Tynan, estreou na Broadway, consistinbdo de tópicos sobre sexo e assuntos relacionados, tornando-se o espetáculo de revista mais longo na história. O show provocou uma considerável controvérsia na época, porque ele apresentava extensas cenas de nudez, tanto masculino e feminino. O título é retirado de uma pintura Clovis Troiulle, por si só um trocadilho sobre "O quel'cul t as!", francês para "Que bunda você tem!".

Veja mais:
Hoje PNE é o outro, amanhã pode ser você, a poesia de Gregory Corso, a música de Maria João Pires & a pintura de Yves Klein aqui.
Eu te amo na Crônica de amor por ela, Darel Valença Lins, Laura Finocchiaro, Adolfo Sánchez Vázquez, José Craveirinha, Calderón de la Barca, Alejandro Amenábar, Nicole Kidman, Rogério Manjate, A pequena sábia & Fátima Maia aqui.
A poesia de João Cabral de Melo Neto aqui.
A poesia veio dos deuses & Patrick Louth aqui.
Responsabilidade civil, dano estético & erro médico aqui.
A família, Entidade Familiar, Paternidade/Maternidade e as relações afetivas aqui.
Literatura de Cordel, Mulher Escandinava, Shaktisangama, Etore Scola, Francisco Julião, Sophia Loren, Jarbas Capusso Filho & Fetichismo aqui.
Paulo Freire: pedagogia do oprimido e da autonomia aqui.
Psicopatologia & Direito Autoral aqui.
A teoria de Erich Fromm & A dialética do concreto de Karel Kosik aqui.
Absolutismo aqui.
O pensamento de Theodor Adorno aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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A ARTE DE SOPHIE SAINRAPT
A arte da pintora, gravurista, desenhista e ceramista francesa Sophie Sainrapt.
 

terça-feira, janeiro 16, 2018

BORGES, MARTHA MEDEIROS, CHLOË HANSLIP, TOYNBEE, MUMFORD, JEAN-MICHEL JARRE, JO HOWELL, CANAVIEIROS & EDUCAÇÃO AMBIENTAL

SALVE A VIDA! - Imagem: arte da artista visual e fotógrafa britânica Jo Howell. - Era cedo na vida e escurecia pra todo lado. Desde sempre aprendi com a noite. Já de dia quantas portas eu bati no meu desespero, nenhuma abriu. Um ou outro ombro amigo, vez ou outra, quando em vez. A dor era minha, paredões intransponíveis e o mundo uma caixinha de surpresas, repetia o meu nome muitas e mais de mil vezes, premido nas sombras. Era só o início e eu não sabia de nada, segredos inconfessáveis, gestos insuspeitos de degredo, porque a um só tempo ninguém sabia nada, ninguém entendia nada, ô gente mais desligada e a vida e o que der, conversa fora, lorotas, intrigas, opiniões canhestras senão equivocadas, falam de si e do que são, apenas, mais nada vale a pena, outras escuridades que eu nem sabia. Cada um sonhava mais do que podia e ainda sonham o que não podem, arrogando nobreza pra não dizer de patifarias, expunham santidades e se dizem espada da justiça, na verdade só e tão somente enredamentos malévolos pra rirem sem graça e para mostrarem o ideal do que não são, como se ricos mais abastados na soberba ao invés de miseráveis, pobres de espírito, só sabem de suas ladainhas de unhas encravadas na peleja do jogo pra gastar o tempo, a novela da desgraça alheia, o noticiário sanguinário, a dor de cotovelo, carestia na folga do domingo – aprendi a ver o pretume por trás dos agradáveis sorrisos. Pra mim, uma esfinge dita o enigma, uma cena – o blecaute do humano em nome da razão - e toda vida é só o estalar dos dedos ou basta apertar um botão, pronto, como se num toque de mágica da caligem pro céu azul ensolarado. Isso eu sabia e aprendi com a vida na cara e sei da efigie do embusteiro – pra quem vende gato por lebre, golpes na leseira alheia - e, ao menor aperto, ah, já vi muito e em todo momento cai uma e as tantas máscaras do rei ficar nu e o estupor é pra valer. Nem adianta abanar os olhos paralisados da face desmascarada, remorsos de prontidão, sequer podem levantar a vista, só ao rés do chão. Recorre-se a tudo, nada a mitigar o aturdido, o próprio nem sabe o que faz e fez. Como não tenho do que fugir já elegi a vigília dentro do meu desterro e o que virá depois é previsível por tanto golpe como se nada modificasse agora o de antes, nada deu certo, esforços inúteis, como se apenas nascesse pro arrependimento, todos nós. No mundo mesmo se tudo mudou sem medidas, nada mais que hálito de ontens, pretexto de nada. É nesse pé que as coisas estão, ao cabo de não sei quantas horas ou dias, assim o desconforto. Olho pro amanhã e sei quão grave tudo pode ser e será justo pra mim que perdi a minha mãe dentro de mim mesmo, órfão na interminável tortura e não posso me esquivar por não querer e nem ter do quê, apenas vivo e vou adiante pro que der e vier, direto ao assunto. É possível supor ser melhor agir e calar por enquanto – nem adianta falar, melhor não dizer nada pra não empiorar as coisas tão saturadas de carradas de razões e um abismo no meio entre o que é de lá e o de cá e o dali e o daqui, chegando ao ponto em que não posso mais me demorar em contornar desde já o absurdo abissal de ser eu próprio e outro e muitos que de mim emergem ao paradoxo diante de toda e qualquer rede ortodoxa, toda e qualquer insana heterodoxia. Deus salve a vida! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com o instrumentista, compositor e produtor musical francês Jean-Michel Jarre Live in Monaco & The Conection Concert; a violinista britânica Chloë Hanslip interpretando Mozart, Cinema Paradiso de Ennio Morricone & Fantasy de Franz Waxman & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - A autocritica e a autocorreção, que são muito raras nos seres humanos e são manifestações de uma maturidade e de uma força espiritual que representam uma garantia de sucesso para o futuro. Pensamento do historiador britânico Arnold Toynbee (1889-1875).

A CIDADE – [...] devemos fortificar-nos para uma tortura: para gozá-la, devemos ficar de olhos abertos, mas aprender a fechar o nariz ao mau cheiro, os ouvidos aos berros de angústia e terror, a goela às convulsões do nosso estômago.  Acima de tudo, devemos ficar com o coração de gelo e conter qualquer impulso de ternura e piedade, com uma verdadeira rigidez romana. Todas as grandezas serão aumentadas: não menos as grandezas da mesquinhez e do mal. Apenas um símbolo pode fazer justiça ao conteúdo daquela vida: uma fossa aberta. E é pela fossa que iremos começar. [...]. Trecho extraído da obra A cidade na História (Martins Fontes, 2008), do historiador, professor, escritor e crítico literário estadunidense Lewis Mumford (1895-1990), apresentado um retrato arrojado e imaginativo do desenvolvimento humano como ser religioso, político, econômico, cultural e sexual.

DELIA ELENA SAN MARCODespedimo-nos numa das esquinas do Onze. Da outra calçada toprnei a olhar; você se tinha virado e dava-me adeus com a mão. Um rio de veículos e de gente corria entre nós; eram as cinco de uma tarde qualquer; como iria eu saber que aquele rio era o triste Aqueronte, o insuperável. Não nos vimos mais, e um ano depois você tinha morrido. E eu, agora, busco essa recordação, e olho-a e penso que era falsa, e que por trás da despedida trivial estava a infinita separação. Na noite passada não saí depois de jantar e reli, para compreender estas coisas, o último ensinamento que Platão põe na boca de seu mestre. Li que a alma pode fugir quando morre a carne. E agora não sei se a verdade está na aziaga interpretação ulterior ou na despedida inocente. Porque se as almas não morrem, é perfeitamente justo que em suas despedidas não haja ênfase. Dizer-se adeus é negar a separação, é dizer: Hoje bricarmos de nos separar, mas amanhã nos veremos. Os homens inventaram o adeus porque se sabem de algum modo imortais, ainda que se julguem contingente e efêmeros. Delia: um dia continuaremos – junto de que rio?  - este diálogo incerto e nos perguntaremos se alguma vez, numa cidade que se perdia numa planície, fomos Borges e Delia. Entraído da obra O fazedor (Bertrand Brasil, 1987), do escritor, tradutor, crítico literário e ensaísta argentino Jorge Luis Borges (1899-1986). Veja mais aqui.

POEMA 122você pra lá com seus cachorros / sua insônia de madrugada / sua mania de roer as unhas / suas brigas pelo telefone / e seus acessos de fúria e nostalgia / eu pra cá com minhas doses de uísque / meus porta-retratos, meus diários / minha luz acesa até tarde / minha tosse e meus suspiros / meu amor e loucura, minha alergia / você pra lá com seus sonhos de cowboy / com suas entranhas, sua família / eu pra cá com minhas filhas / meus desmaios e suor / você pra lá / eu pra cá / enfim, sós. Poema extraído da Poesia reunida (L&PM, 2011), da poeta gaúcha Martha Medeiros. Veja mais aqui e aqui.

CULTURA CANAVIEIRA & MEIO AMBIENTE
[...] um resgate histórico sobre as formas de introdução da cana-de-açúcar em território nacional a partir de seus interesses mercadológicos, demarcados por uma colonização orientada pela exploração que, organizada aos moldes do plantation – monocultura, exploração e exportação – e com vistas à geração de lucro, rompeu o equilíbrio natural. A instauração da monocultura comprometeu a qualidade ambiental e humana, as quais, há mais de quinhentos anos, ainda repercutem de maneira consolidada em nossa atualidade, indicando que o passar dos anos não deu início a uma nova história. Esta é a realidade que se reflete na pele, nos corpos e nas mentes dos cortadores de cana. Estes se submetem aos limites de suas forças físicas, agora em concorrência com os caprichos da tecnologia via mecanização no campo, e acabam por recorrer, de maneira inédita ou não, à Educação de Jovens e Adultos, como fonte de alimento para novas perspectivas de vida menos degradantes do que as encontradas nos canaviais. Nesse contexto, tendo em vista a relevância de se tomar a realidade cotidiana como ponto de partida, para o desenvolvimento de percepções mais amplas acerca da problemática socioambiental, pudemos entender que a Educação Ambiental crítica e dialógica emerge como elemento primordial na construção de valores éticos, norteados por olhares políticos capazes de promover uma formação pautada no rompimento de relações exploratórias, tanto no convívio social, referente ao ser humano com o seu semelhante, quanto na apropriação desigual dos recursos ambientais. [...]
Trechos extraídos da dissertação de mestrado Educação ambiental e monocultura canavieira: desvendando a compreensão sobre a interação do ser humano com o meio ambiente em alunos da Educação de Jovens e Adultos, apresentada em 2015, pela pedagoga pós-graduada em Ética Valores e Cidadania na Escola pela USP, Simone Franzi, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência da Unesp. A autora é participante do Grupo de Pesquisa em Educação Ambiental (Gepea). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

Veja mais:
Ainda assim é uma história de amor, a literatura de Henrich Böll, a música de Mário Ficarelli & a arte de João Câmara aqui.
O culto da rosa na Crônica de amor por ela, As mil e uma noites, Ezra Pound, Almeida Prado, Heráclito de Êfeso, Dermeval Saviani, Vittorio Alfrieri, Washington Maguetas, Gilian Armstrong, Cate Blanchett, Alfred Cheney Johnston & Myrna Araujo aqui.
Gilles Deleuze, Susan Sontag, Dian Fossey, Sigourney Weaver, Washington Maguetas, João Pinheiro & Padre Bidião aqui.
Big Shit Bôbras, Cícero & Crônicas Palmarenses aqui.
Educação Cidadã: Educação para vida e para o trabalho aqui.
O sonho de Desidério aqui.
As mil faces do disfarce aqui.
A mulher fenícia & os fenícios aqui.
Sonho real amanhecido aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
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A ARTE DE JO HOWELL
A arte da artista visual e fotógrafa britânica Jo Howell.
 

segunda-feira, janeiro 15, 2018

CAIO ABREU, MARIANNE MOORE, BERGMAN, BOAVENTURA SANTOS, RICHARD FORD, CELSO VIÁFORA, BAHMAN JALALI & KARINA BUHR

A CHEGADA DELA E VIVI – Imagem: arte do fotógrafo iraniano Bahman Jalali (1944-2010).- O que houve não sei, nem poderia, só dela a chegada inesperada, meu coração aos pés de quase sair pela boca, a surpresa demais da conta, o vulto inteiro nada mais vi, lívido, perdido, só ela nos meus olhos parados no ar, somente ela, de nem ver fui levado mãos dadas pelas ruas e esquinas, subir a escadaria, abrir a porta e me empurrar pra cadeira e sentar atordoado como se o mundo girasse e eu extraviado de mim, cabeça a rodar e nada sabia, nem poderia embasbacado enquanto ela desafivelava o cinturão para desabotoar minhas calças e caçar o meu sexo dilatado só por vê-la inteiramente sensual e amante, a saia do vestido puxada das pernas pras coxas a me surpreender com seu ventre nu invadido por meu desejo à sua vontade. Nada sabia, nem poderia entre o espanto e o delírio fui levado por sua cavalgada, qual não fui espaventado ao seu trote ritmado até ao êxtase dos píncaros de todas as maravilhas universais, até descansar a sua cabeça ao meu ombro depois da viagem, a carícia dos meus dedos entre seus cabelos e dorso, seus devaneios abraçados a mim como desolada e à deriva encontrou, finalmente, seu porto seguro. Nada sabia, nem poderia dela me ninar a mimar da minha pele à essência, eu todo a envolvê-la desprotegida, língua a lamber seu agitado coração. Nada sabia mesmo, nem poderia e me contou dos seus dias e a eterna solidão no escuro embaraçoso, olhos de velas acesas nos castiçais e a ameaça da aranha invisível a atormentá-la. Não tenha medo, estou aqui, e me disse ao seu modo como era e tudo se repete como se nunca tivesse ocorrido, como se as narrações de Sheherazade enovelassem nossas falas e entregas, como se revivêssemos o reencontro de outras existências. Nada sabia e me falou do que não tinha mais, do que possuia de si, notícias que não tardam a chegar e os destinos são diversos nos acenos e adeuses, o destino feito de atos, erros e acertos, e tudo segue pelas triviais despedidas, nas constantes desditas. Ainda ontem ao chegar do trabalho ficou entretida arengando com as formigas malditas invasoras do seu bolo predileto, roubando-lhe até os farelos. Esconjurou, maldisse a vida e chorou sozinha num casa da sala. Não chore, estou aqui. Se nada sabia, nem poderia, ela me falou de ouvir vozes injuriosas inauditas de seres enlutados com seus rostos inexpressivos e as deferências de ocasião, as falsas amabilidades, impostores de plantão. Compungia-se com tudo, gente de conversatório cochichado, cheiradeira da vida alheia, só de ver pelas costas. Engolia esses desaforos, quanta remoeta, retalhos inúteis, ô povinho ofendido e afobado. Ah, se verdade ou exagero, era ela comigo em carne viva, beijos de sonhos na alma e eu mais rendido que nunca. Aí me pediu para eu roubar a Lua e não demorasse pra ela fazer um anel e selar nossa união ressuscitada com a quebra do feitiço de Áquila. Éramos um, corpo a corpo, nossas mãos, braços e abraços, beijo a beijo, somos um. E me contou das peraltices de infância, moça menina no vento caingang e perguntou de mim, eu sempre lembro, mas esqueço. A La Ursa com papangus quebraram o silêncio na cadência do frevo, ela nunca vira, quase amedrontada, carnaval caeté. E desandei a falar, fui tão longe, acho, muito longe, atos públicos, efemérides vazias e decadentes, era só pra salvar minha pele, nada mais que isso, fui de arranco, mesmo não sendo esse balaio todo, nem se sou protegido por qualquer anjo da guarda ou desviado arcanjo, pelas beiradas e entrelinhas o mundo todo. Já andei um bocado de légua e não cheguei a lugar algum, tenho a impressão de não ter saído do mesmo lugar até hoje. Não sei quantas vezes quase não fui fulminado por um raio, mais de uma vez, na verdade. Muita coisa de colosso eu já vi, sempre enjeitado daquele sempre a mandar lembranças, pra ver botarem depois tudo abaixo, desabado, ao emburacar no troço haviam virado a casaca, nada mais, a coisa toda espalhada, ruínas e miséria. Deixa eu cá com meu roçado, meu teretetê, a estrada é longa, o caminho esburacado e carregado de surpresas nada alvissareiras nesses tempos de desumanidade, mesmo que se vá eu vou, chego nela e tudo é real, os dentes do sorriso, o brilho do olhar. Se lá ou cá, eu sou nela, do que fui e serei, nela eu sou. Foi a chegada dela e me fez viver de verdade. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com Amores absurdos e show do cantor, compositor e arranjador Celso Viáfora; e Selvática, Longe de onde & Eu menti pra você da cantora, compositora, percussionista, poeta e atriz Karina Buhr & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIANão sabemos tudo. A vida tem mais significados do que parece. É preciso estar atento. Trecho extraído da obra Uma situação difícil (L’Olivier, 1998), do escritor estadunidense Richard Ford.

CIÊNCIA & SENSO COMUM – [...] A revolução científica que atravessamos ocorre numa sociedade ela própria revolucionada pela ciência. O paradigma a emergir dela não pode ser apenas um paradigma científico, tem de ser também um paradigma social, de vez que o conhecimento científico ensina a viver e traduz-se num saber prático. Consequentemente, temos de perguntar pelo papel de todo conhecimento acumulado no enriquecimento ou no empobrecimento prático das nossas vidas, ou seja, pelo contributo positivo ou negativo da ciência para nossa felicidade. [...] Na ciência moderna o conhecimento avança pela especialização e o conhecimento é tanto mais rigoroso quanto mais restrito é o objeto sobre que incide... A ciência moderna legou-nos um conhecimento funcional do mundo que alargou extraordinariamente as nossas perspectivas de sobrevivência. No futuro não se tratará tanto de sobreviver como de saber viver. Para isso é necessária uma outra forma de conhecimento compreensivo e íntimo que não nos separe e antes nos uma pessoalmente ao que estudamos. [...] A ciência pós-moderna tenta dialogar com outras formas de conhecimento e a mais importante de todas é o conhecimento do senso comum, o conhecimento vulgar e prático com que no quotidiano orientamos as nossas ações e damos sentido à nossa vida. [...]. Trechos extraídos da obra Um discurso sobre as ciências (Cortez, 2003), do jurista e professor Boaventura de Sousa Santos, também autor da obra Introdução a uma ciência pós-moderna (Graal, 2003), apresentando uma reflexão crítica com objetivo de compreender a prática científica para além da consciência ingênua, ou oficial, dos cientistas e das instituições da ciência, e aprofunda o diálogo dessa prática com as demais práticas de conhecimento de que se tecem na sociedade e no mundo. O autor submete as correntes dominantes da reflexão epistemológica sobre a ciência moderna a uma crítica sistemática, recorrendo à dupla abordagem - suspeição e recuperação. Veja mais aqui, aqui & aqui.

PRELÚDIO & ALEGRO AGITATONo entanto (até no-entanto dizia agora) estava ali assim que se movia. Era dentro disso que precisava mover-se sob o risco de. Não sobreviver, por exemplo – e queria? Enumerava frases como é-assim-que-as-coisas-são ou que-se-de-fazer-que-se-há-de-fazer ou apenas mas-afinal-que-importa. E a cada dia ampliava-se na boca aquele gosto de morangos mofando, verde doentio guardado no fundo escuro de alguma gaveta. [...] mas não é no cérebro que acho que tenho o câncer, doutor, é na alma, e isso não aparece em check-up algum. Mal do nosso tempo, sei, pensou, sei, agora vai desandar a tecer considerações sócio-político-psicanalíticas sobre. O Espantoso Aumento da Hipocondria Motivada Pela Paranóia dos Grandes Centros Urbanos, cara bem barbeada, boca de próteses perfeitas, uma puta certa vez disse que os médicos são os maiores tarados (talvez pela intimidade constante com a carne humana, considerou), e este? Rápido, analisou: no máximo chupar uma boceta, praticar-sexo-oral, como diria depois, escovando meticuloso suas próteses perfeitas, naturalmente que se o senhor pudesse diminuir o cigarro sempre é bom, muito leite, fervido, é claro, para evitar os cloriformes, ar puro, um pouco de exercício, cooper, quem sabe, mais pensando no futuro do que em termos imediatos, claro. Mas se o futuro, doutor, é um inevitável finalmente alguém apertou o botão e o cogumelo metálico arrancando nossas peles vivas, bateu com cuidado o cigarro no cinzeiro, um cinzeiro de metal, odiava objetos de metal, e tudo no consultório era metal cromado, fórmica, acrílico, anti-séptico, im-po-lu-to, assim o próprio médico, não ousando além do bege. Na parede a natureza-morta com secas uvas brancas, peras pálidas, macilentas maçãs verdes. Nenhuma melancia escancarada, nenhuma pitanga madura, nenhuma manga molhada, nenhum morango sangrento. Um morando mofado – e este gosto, senhor, sempre presente em minha boca? Azia, má digestão, sorriso complacente de dentes no mínimo trinta por cento autênticos (e o que fazer, afinal? Dançar um tango argentino, ou seria cantar? [...] tinha versos à espreita, adequados a qualquer situação, essa uma vantagem secreta sobre os outros, mas tão secreta que era também uma desvantagem, entende? Nem eu, versos emboscados da nossa mais fina lira, tangos argentinos e rocks dilacerantes, com ênfase nos solos de guitarra). Um tranquilizante levinho levinho aí umas cinco miligramas, que o senhor tome três por dia, ao acordar, após o almoço, ao deitar-se, olhos vidrados, mente quieta, coração tranquilo, sístole, pausa, diástole, pausa, sístole, pausa, diástole, sem vãs taquicardias, freio químico nas emoções. Assim passaria a movimentar-se lépido entre malinhas 007, paletós cardin, etiquetas fiorucci, suavemente drogado, demônios suficientemente adormecidos para não incomodar os outros. Proibido sentimentos, passar sentimentos, passear sentimentos desesperados de cabeça pra baixo, proibido emoções cálidas, angustias fúteis, fantasias mórbidas e memorias inúteis, um nirvana da bayer e se é bayer. [...]. Trechos extraídos da obra Morangos mofados (Agir, 2003), do escritor, jornalista e dramaturgo Caio Fernando Abreu (1948-1996). Veja mais aqui, aqui e aqui.

O SICÔMOROContra um céu mais escuro / vi uma girafa albina / sem folhas, a modificá-la. / Branca – camurça como disse - / embora parcialmente malhada junto à base / erguia-se sobranceira onde a corrente / de alpondras se lançava / numa torrente próxima. / Elegância capaz de despertar a inveja / de anônimos mais coloridos / Procos de Hampshire, viva pedra da sorte, / mariposa ou borboleta. / Bem: digressão, de animal a parecença - / mas não de flores que não murcham; / elas devem morrer / e um pincel de nove cabelos / do camelo fêmea ajuda a memória. / Digno de Imami - / o persa – agarrando-se a um ramo mais duro / havia uma pequenina coisa seca / da grama em forma de Cruz de Malta / retirando-se formal como a dizer: / “E ali estava eu / como um rato do campo em Versailles”. Poema da escritora modernista estadunidense Marianne Moore (1887-1972).

CENAS DE UM CASAMENTO SUECO
[...] Se não fosse por outra razão, pelo menos teria servido para irritar as pessoas artisticamente ultra-sensíveis que por aversão a esta obra, completamente compreensível, vão começar por ter vômitos estéticos já na primeira cena. O que é que resta mais para dizer? Este opus levou três meses para escrever, mas representa um período bastante longo da minha vida em experiência. Não estou certo se teria sido melhor ser ao contrário, embora talvez tivesse ficado mais refinado. Eu senti uma espécie de dedicação por esses seres humanos durante todo o tempo que trabalhei com eles. Tornaram-se bastante contraditórios, por vezes infantilmente angustiados, outras vezes bastantes adultos. Dizem um bom bocado de coisas insignificantes, por vezes dizem algo de importante. Mostram-se angustiados, felizes, tolos, bons, inteligentes, insuportáveis, e amoráveis. Tudo de uma vez só. Agora vamos ver como é que vai sair.
Trecho do prefácio da obra Cenas de um casamento sueco (Nórdica, 1975), do dramaturgo e cineasta sueco Ingmar Bergman (1918-2007), dividido em seis cenas: Pureza e pânico, A arte de varrer para baixo do tapete, Paula, Vale de lágrimas, Os analfabetos & No meio da noite numa casa escura em algum lugar do mundo. O premiado drama intitulado originalmente como Scener ur ett äktenskap (1974), conta a vivência de 10 anos de um casal aparentemente bem-sucedidos (ele professor, ela advogada na área de direito de família), entrevistados por uma repórter para falar a respeito do sucesso do matrimônio. Depois de recepcionar um casal em crise, ela descobre que está grávida e ele não demonstra nenhum contentamento, ao mesmo tempo em que uma senhora casada há 20 anos a procura para se divorciar, motivada pela inexistência de amor no seu casamento, provocando uma atrofia nas suas emoções. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Veja mais:
Quando alguém se põe à sombra, não pode invocar o sol, o pensamento de Ralf Waldo Emerson, a música de Milena Aradski, a pintura de Paul Klee & a arte de Felicia Yng aqui.
Ainda assim é uma história de amor, a literatura de Henrich Böll, a música de Mário Ficarelli & a pintura de João Câmara aqui.
Ah, esses lábios na Crônica de amor por ela, Molière, Eduardo Souto & Clara Sverner, Tácito, Washington Irving, Gladys Nelson Smith, Carl Franklin, Meryl Streep, Renée Zellweger, Bill Ward, Argemiro Corrêa & Samdra Fayad aqui.
O culto da rosa na Crônica de amor por ela, As mil e uma noites, Ezra Pound, Almeida Prado, Heráclito de Êfeso, Dermeval Saviani, Vittorio Alfrieri, Washington Maguetas, Gilian Armstrong, Cate Blanchett, Alfred Cheney Johnston & Myrna Araujo aqui.
Cantilena na Crônica de amor por ela, Goethe, Pierre-Joseph Proudhon, Fodéba Keïta, José Régio, Alexandre Dumas Filho, Nick Cassavetes, Tears For Fears, Robin Wright, Jean-Francois Painchaud, Lev Tchistovsky & Graça Lins aqui.
Egberto Gismonti & Naná Vasconcelos, Martin Luther King Jr, Débora Arango, Maria Lenk, Greta Garbo, Marie Duplessis & A dama das camélias aqui.
Gilles Deleuze, Susan Sontag, Dian Fossey, Sigourney Weaver, Washington Maguetas, João Pinheiro & Padre Bidião aqui.
Georges Bataille, John dos Passos, Heitor Villa-Lobos & Kiri Te Kanawa, Berthe Morisot, Alain Robbe-Grillet & Marie Espinosa aqui.
Cordel na escola aqui.
Cidadania & direito aqui.
Ralf Waldo Emerson, Spencer Johnson, Gabriele Muccino, Nicolletta Tomas, Monty Alexander, Felipe Cerquize, O Teatro, Nicoletta Romanoff, A escola, a sociedade e a formação humana & Onde há fumaça há fogo aqui.
A sedução da serpente aqui.
O lobisomem zonzo aqui.
Nega besta aqui.
De perto ninguém é mesmo normal aqui.
Tem dia pra tudo, até pro que eu não sei aqui.
A vida por uma peínha de nada aqui.
Big Shit Bôbras, Cícero & Crônicas Palmarenses aqui.
Educação Cidadã: Educação para vida e para o trabalho aqui.
O sonho de Desidério aqui.
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Teoria geral do crime & Direito Penal aqui.
Fecamepa; o Brasil holandês aqui.
Direito de Família, Psicologia Escolar, Pedofilia, Liderança & Psicose Puerperal aqui.
O pensamento de Darcy Ribeiro aqui.
Direito Autoral, Psicologia Social, Trabalho & Doenças Ocupacionais aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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A ARTE DE BAHMAN JALALI
A arte do fotógrafo iraniano Bahman Jalali (1944-2010).

WILLIAM BLAKE, CARLOS NEJAR, FLORESTAN, ORIDES FONTELA, LEON ELIACHAR, REGINA SILVEIRA, LOUIS MALLE, LUCIANO MAGNO & LIAH SOARES

AJUSTE DE CONTAS – Imagem: Abissal (2010), da artista plástica Regina Silveira . - Tirando por mim, a vida é curta e vale muito, a gente ...