terça-feira, janeiro 17, 2017

HOJE PNE É O OUTRO, AMANHÃ PODE SER VOCÊ.


HOJE PNE É O OUTRO, AMANHÃ PODE SER VOCÊ - Imagem: Hiroshima, do artista francês Yves Klein (1928-1962). - A arrogância dava de ombros: - Tudo meu! E para si a abastança, pros outros as ninharias, presepadas, zombarias. Repetia para todos: - Cuspiu pra cima e não saiu, o cuspe na cara caiu! Chacota afiada, arremedava da Dalva que nem sabia: - Não pode chegar aos astros, quem leva vida de rastros, quem é poeira de chão! Às mungangas, até a porca torcia o rabo. Tudo quietinho ao seu conforme: bolsos estufados de cédulas de todas as quantias, posses de gente e instrumentos. Escasseasse algo do inopinado, cacundas servis pros mínimos esforços. Umbigo ufano, comando inexorável: sarcasmo por toda dificuldade alheia, asco de pobreza, desdém por coletividade. Não precisava nem dependia de ninguém, comprava o que e a quem quisesse. Deus na barriga e pisadas firmes sobre olhos vidrados, boca aberta e mãos espalmadas: todas as línguas babando seus testículos. Dava quantas voltas no mundo quisesse, desfazia se contrariado. Seguro de si e de tudo, esbanjava saúde, valentia e impropérios. Invulnerável, desafio era pouca bobagem: ninguém tinha tope para competir. Insuperável, quanto mais tivesse, mais queria: obnóxios na ponta dos dedos, bastava mexer um deles e tudo de prontidão. Assim foi, sempre. Vai que um dia abusa da sorte na maior extravagância: duela de venta empinada com o destino. Sabia-se ancho previamente vitorioso, mas não. Estendido no chão e na maca por meses em coma. Aos olhos da consciência, paraplégico. Cirurgias reparadoras até no exterior não lhe restituíram a autonomia, estava dependente de uma cadeira de rodas. Triste e falido, não lhe sobrara vintém nem um pé de gente por atenção. Dos que lhe serviam, nem rastro da debandada. Solitário, lutava para apagar o passado, aprendera a lição. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui

Curtindo o álbum Great Pianists of the 20th Century, Volume 76 (Philips Classics Records, 1999), da pianista portuguesa naturalizada brasileira Maria João Pires. Veja mais aqui, aqui e aqui.

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Eu te amo no Crônica de amor por ela, Darel Valença Lins, Laura Finocchiaro, Adolfo Sánchez Vázquez, José Craveirinha, Calderón de la Barca, Alejandro Amenábar, Nicole Kidman, Rogério Manjate, A pequena sábia & Fátima Maia aqui.

E mais:
A poesia de João Cabral de Melo Neto aqui.
A poesia veio dos deuses & Patrick Louth aqui.
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A família, Entidade Familiar, Paternidade/Maternidade e as relações afetivas aqui.
Literatura de Cordel, Mulher Escandinava, Shaktisangama, Etore Scola, Francisco Julião, Sophia Loren, Jarbas Capusso Filho & Fetichismo aqui.
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DESTAQUE: SEM PALAVRAS DE GREGORY CORSO
É melhor homem uma palavra alongada
E depois comer o que o outro haja falado
Pois nenhum homem é palavra suficiente
Ao fazer sua queixa, acertar com a bota
A palavra comida estava sem gosto talvez
É melhor o homem esquecer sua dicção
Ficar sem a boca
É melhor que um outro homem, eu mesmo,
Aceite a restrição dele
Não conheço nenhuma palavra que seja minha
E estou cansado das dele
É melhor costurar sua boca
Dinamitar seus ouvidos até a surdez
Afogar seu palavrório
É melhor
Que seus olhos falem e escutem, além de enxergar.
Sem palavras, poema extraído do livro Gasolina & Lady Vestal – Poesia Urbana (L&PM, 1985), do poeta estadunidense da geração beat, Gregory Corso (1930-2001). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista francês Yves Klein (1928-1962)
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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segunda-feira, janeiro 16, 2017

AINDA ASSIM É UMA HISTÓRIA DE AMOR


AINDA ASSIM É UMA HISTÓRIA DE AMOR - Pela beira do rio lá estava Japaranduba pelas bandas do Riacho dos Cachorros e eu via da ponte lá estava ela bela com seus olhos enormes debruçada como quem espera a minha passagem entre cruzes como estaca no chão de barro batido e o cheiro da cana no massapê, a carniça de quantas manhãs pelas gambiarras do que foi pra existir pelos bairros com tantos nomes de santos, tanto pecados para cometer do que mais cometido, injúrias, luxúrias, agiotagem, quantas promessas para pagar por tantas tardes que se perdiam entre farmácias e movelarias, angustias enfincadas na fotografia de quantas noites o cúmulo do mau gosto nas fachadas e ruas das praças com o ar envenenado por afetos diversos, ódios nas esquinas do perigo com toda sujeira e fuligem, procissão de almas assassinadas e as reputações de areia que viram poeira na gente que quer viver melhor sem saber como e vota e erra e acerta errando e erra acertando tudo sem prever nada e só servem de cobaias para desgovernos e propagandas baratas, tratados como bexigas tontas abandonadas ao próprio destino ou bonecos calungas ocrídios nas façanhas de mané-gostoso, bumerangues do tempo do ronca feito pipas no ar trajados de transeuntes cabeças de vento absortos cai, cai balão, absenteístas constrangidos com todo desdém e desconfiança das conspirações na epidemia da cegueira do sombrio golpe dos interesses entre a vida e a morte ao sabor das misérias a cutucar com inconveniência os desertores de si mesmos a botar o bloco na rua e a quebrar o que pensam que vale e o pau cantou pros heróis salvadores do oitão que enlouqueceram na sua claustrofobia de peitos rasgados e os seios cheios da dona bela debruçada no muro sestrosa com o adeus de quem vai e o alvoroço de quem chega para esquecer de ontem tão hoje e nem dá fé da população descartada de todo jogo tramado no tapetão e não há compaixão por nada nesse mundo a não ser pelas cenas espetacularizadas da televisão. E tudo é habitável apesar de não parecer, tudo padece e eu enlouqueço nesse arrastão a me levar pros olhos da bela debruçada no muro a espera de que eu seja seu príncipe encantado perdido nos sonhos que nunca existiram, acho, a reinventar minha cidade perdida no tempo, como quem fugiu do Alcatraz com meus passos erráticos que não sei pra onde vão nem onde chegar. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui

 Curtindo a Sinfonia nº 2 – Mhatuhabh, do compositor e educador Mário Ficarelli, pela Tonhalle-Orchestrer Zürich, sob regência do maestro Roberto Duarte.

Veja mais sobre:
O culto da rosa na Crônica de amor por ela, As mil e uma noites, Ezra Pound, Almeida Prado, Heráclito de Êfeso, Dermeval Saviani, Vittorio Alfrieri, Washington Maguetas, Gilian Armstrong, Cate Blanchett, Alfred Cheney Johnston & Myrna Araujo aqui.

E mais:
Gilles Deleuze, Susan Sontag, Dian Fossey, Sigourney Weaver, Washington Maguetas, João Pinheiro & Padre Bidião aqui.
Big Shit Bôbras, Cícero & Crônicas Palmarenses aqui.
Educação Cidadã: Educação para vida e para o trabalho aqui.
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DESTAQUE: O ANJO SILENCIOSO DE HENRICH BÖLL

[...] Talvez fosse o número de passos que deviam ser dados a partir do cruzamento, ou alguma coisa na disposição do toco das árvores, que antes haviam formado uma alameda alta e bonita: algo o fez parar de repente, olhar para a esquerda e lá estava ela: ele reconheceu os restos do vão da escada, subiu lentamente os escombros: estava em casa. [...] Ele colocou seu braço em torno do ombro dela, atraiu-a para bem perto de si e adormeceu, seu rosto colado ao dela. Durante o sono, trocaram os movimentos quentes de sua respiração como se fossem carícias [...].
Trechos do romance O anjo silencioso (Estação Liberdade, 2004), do escritor alemão, tradutor e autor teatral Nobel de Literatura de 1972, Henrich Böll (1917-1995).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 A arte do artista plástico João Câmara.
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sábado, janeiro 14, 2017

QUANDO ALGUÉM SE PÕE À SOMBRA, NÃO PODE INVOCAR O SOL


QUANDO ALGUÉM SE PÕE À SOMBRA, NÃO PODE INVOCAR O SOL -  Imagem: Insula Dulcamara (1938), do pintor e poeta suíço naturalizado alemão Paul Klee (1879 - 1940). - Sabe, até um dia desse eu pensava e agia segundo meus próprios desejos, sentimentos e necessidades. Queria estar na chuva sem me molhar, andar por cima das águas sem me afogar, estar à sombra com o brilho Sol. Tudo ao meu umbigo e confortável. Enganava a mim mesmo e não sabia. E se sabia, fazia que não. Não queria saber do insidioso obstáculo sempre na culatra da trama se eram ou não as minhas próprias armadilhas. E mesmo que só me visse pelas desditas dos esquemas desconexos e imperfeitos que funcionavam como propósitos conflitantes, levava na conta como se fosse apenas fruto das desvantagens do destino de um deus injusto e eu aprisionado na teia cármica. Vivia eu às trevas em pleno Sol que não via, desorientado como quem procura dissipar nuvens escuras. Não havia jeito, sabia, sempre a adversidade opondo-se à felicidade, tudo ironicamente apropriado, como se pagasse na mesma moeda tudo que tivesse feito ou não, como se estivesse sempre do lado oposto à Regra de Ouro. Assim, muitas vezes sucumbi aos escarnecimentos e ao troco equivalente exposto ao escárnio ou na pose do ridículo, expiando infortúnios na história natural da minha calamidade. A vida uma incógnita: estava de olhos vendados e pensava que via e sabia de tudo. Só me dei conta aos tropeços do que fiz a mim mesmo e aos outros, desonesto comigo mesmo, acreditando em minhas próprias mentiras, me encarcerando com minha própria escravidão, como se todo obstáculo fosse intransponível, todo desespero fosse a última gota, todo fardo fosse irremovível, toda opressão fosse sem saída, todas as tribulações fossem eternas, toda dor não pudesse suportar, toda ansiedade fosse uma agonia, todo castigo não tivesse salvação, todo desejo fosse irrealizável, todo contratempo fosse uma punição, todo nó não fosse desatável, se tudo que visse fosse escuro breu, todo comestível fel ao paladar, todas as metas fossem inalcançáveis, toda ferida não sarasse, todas tentações fossem dominantes, todo prazer fosse insignificante e eu incapaz de visualizar meus ideais, tudo impedindo seguir adiante com meu coração esvaziado. Foi então que um dia, à sombra de uma amendoeira, percebi que nem tudo estava perdido: um pássaro atendeu ao meu assobio e veio pousar à minha mão com a total ausência de medo. E me fez ouvir a música da passarada que gorjeava ao redor, os ventos, as ondas, as cachoeiras, as folhas nos galhos, os abismos das grandes montanhas, as correntes dos rios, a brisa nas colinas e vales floridos. E ao ouvir tudo isso me veio uma alentadora compreensão espiritual, como se ali estivesse em frente a uma fogueira com sua brasa incandescente a me clamar pra viver de forma construtiva, sem ter que destruir qualquer ser vivo e na fé primitiva de que ninguém ousará mal contra nada. Ouvi indizível entre os chiados das labaredas na lenha e o piado do passarinho, e aprendi a colher o bem do bem e do mal, recebendo as bênçãos disfarçadas de infortúnios: as perdas ensinaram mais que tudo que possuísse, tornou-se meu mais verdadeiro ganho. Entendi que se o problema era estar à sombra, a solução era só buscar a luz do Sol. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui

Curtindo o talento musical da violinista e professora sérvia Milena Aradski.

Veja mais sobre:
Ah, esses lábios na Crônica de amor por ela, Molière, Eduardo Souto & Clara Sverner, Tácito, Washington Irving, Gladys Nelson Smith, Carl Franklin, Meryl Streep, Renée Zellweger, Bill Ward, Argemiro Corrêa & Samdra Fayad aqui.

E mais:
Georges Bataille, John dos Passos, Heitor Villa-Lobos & Kiri Te Kanawa, Berthe Morisot, Alain Robbe-Grillet & Marie Espinosa aqui.
Cordel na escola aqui.
Cidadania & direito aqui.
Ralf Waldo Emerson, Spencer Johnson, Gabriele Muccino, Nicolletta Tomas, Monty Alexander, Felipe Cerquize, O Teatro, Nicoletta Romanoff, A escola, a sociedade e a formação humana & Onde há fumaça há fogo aqui.
A sedução da serpente aqui.
O lobisomem zonzo aqui.
Nega besta aqui.
De perto ninguém é mesmo normal aqui.
Tem dia pra tudo, até pro que eu não sei aqui.
A vida por uma peínha de nada aqui.
Cantilena na Crônica de amor por ela, Goethe, Pierre-Joseph Proudhon, Fodéba Keïta, José Régio, Alexandre Dumas Filho, Nick Cassavetes, Tears For Fears, Robin Wright, Jean-Francois Painchaud, Lev Tchistovsky & Graça Lins aqui.
Egberto Gismonti & Naná Vasconcelos, Martin Luther King Jr, Débora Arango, Maria Lenk, Greta Garbo, Marie Duplessis & A dama das camélias aqui.
Teoria geral do crime & Direito Penal aqui.
Fecamepa; o Brasil holandês aqui.
Direito de Família, Psicologia Escolar, Pedofilia, Liderança & Psicose Puerperal aqui.
O pensamento de Darcy Ribeiro aqui.
Direito Autoral, Psicologia Social, Trabalho & Doenças Ocupacionais aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
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DESTAQUE: PENSAMENTO DE EMERSON
[...] Se induzimos forte magnetismo num extremo de uma agulha, o magnetismo oposto se manifesta no outro extremo. Se o sul atrai, o norte repele. Para esvaziar aqui, temos de condensar ali. [...] Mesmo que não se manifestem repressões a um novo mal, essas repressões existem e se manifestarão. Se um governo é cruel, a vida do governante não é segura. Se os impostos forem pesados demais, não haverá receita pública. Se a legislação criminal for sanguinária, os jurados não condenarão. Se a lei é por demais branda, a vingança particular é praticada [...] A retribuição é inseparável daquilo que retribuído, mas às vezes está distribuída num longo período e, assim, não se torna evidente senão após muitos anos. [...]. certa compensação equilibra cada dom e cada efeito. Para cada coisa que perdemos, ganhamos uma outra coisa; e para cada coisa que ganhamos, perdemos alguma coisa. Assim como nenhum homem teve um motivo de orgulho que não lhe fosse prejudicial, nenhum homem teve um defeito que em algum momento não se lhe tornasse útil. Todo homem, no curso de sua vida, deve agradecer suas imperfeições. [...].
Trechos extraídos da obra Ensaios (Imago, 1994), do escritor e filósofo estadunidense Ralf Waldo Emerson (1803-1882). Veja mais aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor e poeta suíço naturalizado alemão Paul Klee (1879 - 1940)
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: Inner peace, art by Felicia Yng.
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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