quinta-feira, novembro 23, 2017

GALEANO, BOLDRIN, FLORA PURIM, CAMPBELL, JACI BEZERRA, BRAGINSKY, ADONIRAN, INGRID PITT, RESILIÊNCIA & QUIPAPÁ

A ESCRITURA DO VISINVISÍVEL – A arte do pintor ucraniano Arthur Braginsky. – O que vejo a lágrima embaça porque tudo é muito adverso e aversivo, quantas turbulências de ânimo para sucumbir às chateações dos que querem por que querem, dos que se acham donos do mundo, as arengas pelos esconderijos familiares, entre conhecidos como rejeitado, a quem recorrer diante de tantas ciladas: extraio a flor dos meus infernos, sorvo meu próprio veneno, a culpa é minha, somente minha! Transito o centro da gravidade: todos os destroços em minha direção, atraio toda sorte bregueços antipáticos, sou soterrado por meus próprios desvarios, fracassos, idiosincrasias: punhais que golpeiam da aurora ao crepúsculo. Resto-me em remendos os quais me desfaço em trapos: a mendicância é o meu auto-retrato, meu flagelo, sou desordenado porque revelei apenas umbigo, sobram-me ruínas e de que fui burlado desde sempre. As pálpebras pesam as sombras que me assombram, poemas se dissolvem nas pulsações e eu traço tudo que me surge e não pretendo sequer negar o indesejável, vela ao vento, sem remo, âncoras, tudo está no código das coisas, e se de outra coisa tampouco seja qualquer uma ou nenhuma, pra mim opinião alguma ou juízo de valor jamais, melhor brincar de cabra cega para descobrir amanhã e me divertir com meu esforço de nada e o meu esboço de mundo que não é nada se esvai aos garranchos e guardo nas mãos o significado de tudo. Sigo distribuindo acenos e afetos, beijabraços. Valho-me do oxigênio dos vegentais, sou mais canhestra que presumo, apenas dois dedos de altura e dissidente de minha própria inutilidade, de qualquer maneira ao deus-dará. E o que se passa comigo pouco importa, o que penso estraga a surpresa, jogo-me e tudo tem seu limite, menos eu, que morro e renasço a cada instante, e se não vi ou vivo nada igual, permito-me dizer o que nunca fora ou o que já não seja tarde demais pra desvaloirizar o preço de nada, abandonado sem despedida, como se jogado na lata de lixo, pra viver na sarjeta e saber o oco mútuo, via de regra pronto pra devorar os tabus e andando e desandando e deixando passar o infinito até que tudo seja um dia revelado e descoberto dos tremores da Terra e cada um, de dois em dois, de três em três, ou muitos tremores mais temores e se tenho cada aprendizado na ponta da língua ou dos dedos, erro de mim bem mais que caminho ido, corrido e batido que saiu do lugar e hoje nem sei por onde vai. Lembranças quase muitas esborram mais que esquecimento, é triste perder a memória ou não existir mais na memória dos outros, pros que jogado na vala abandonado, insepulto, como dejeto, coisa de quem cai do afeto pra nunca mais. Ontem era tudo vivo, hoje não mais, a morte ronda, já nem o menino escapa, filho que se foi e teimo em viver, persevero e sou-me embaixo do travesseiro olhos acesos para prosseguir firme ao amanhecer. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a cantora Flora Purim & músicas dos seus principais álbuns como Stories to Tell (1974), Butterfly Dreams (1973), MPM (1964), Encounter (1976), Open your eyes can fly (1976), & show ao vivo com Airto Moreira no Ohne Filter, entre outros. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Temos guardado um silêncio bastante parecido com a estupidez [...], trecho da Proclamação Insurrecional da Junta Tuitiva na cidade de La Paz, em 16 de julho de 1809, extraído da obra As veias abertas da América Latina (Paz e Terra, 1979), do jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano (1940-2015).  Veja mais aqui.

RESILIÊNCIA – [...] Como uma planta vivaz, a resiliênci apode se desenvolver. Ela depende de vários fatores que estão frequentemente reunidos numa conjunção de acontecimentos e encontros, que parecem depender daquilo que chamamos de acaso. Em função desses encontros, de uma disposição interna e de acontecimentos particulares, a trajetória de vida de um ser humano pode ser profundamente modificada. [...] Na trajetória da resiliência, há frequentemente uma oportunidade fugidia e imprevisível, uma chance que pode ser aproveitada, mas não provicada, e que a capacidade de ter esperança de querer seguir em frente permite perceber em meio às provações da vida [...]. Trechos extraídos da obra A resiliência: a arte de dar a volta por cima (Vozes, 2007), de Rosette Poletti e Barbara Dobbs, considerando que a resiliência é a capacidade de manter-se, de 'proteger a integridade sob fortes pressões', assim como fazem os heróis de tragédias gregas, galãs da sétima arte, os líderes de empresas e chefes de exércitos: usam as dificuldades como trampolim para se fortalecer e vencer na vida. Veja mais aqui e aqui.

QUIPAPÁ – A origem do nome Quipapá possui diversas versões, entre elas, a de origem indígena dá conta de que se trata de uma planta tupi-guarani, da família das cactáceas, o quipá. Que no plural seria quipaquipá, resultando, por fim, em Quipapá que é a nomeação de umas das serras e de um dos rios que circundam a localidade; a de origem africana oriunda da palavra quipacá, significando asilo de fugitivos. Trata-se de um município que teve origem com a povoação ao redor de uma capela na freguesia de Quipapá, sendo desbravada por volta dos anos de 1630 a 1697, pelos negros foragidos que faziam parte do Quilombo dos Palmares. Ergueu-se oficialmente entre 1795/96, com a instalação da Fazenda das Panelas, sendo criado o distrito de Quipapá por força da Lei Provincial 432, de 23 de junho de 1857, ficando submisso ao município de Panelas. Alcançou a categoria de vila com a Lei Provincial 1402, de 12 de maio de 1879, e instalada em 18 de julho de 1879. A ascensão ao município ocorreu em 19 de maio de 1900, com a edição da Lei Estadual 432, separando-se de Panelas, e ganhando o distrito de Pau Ferro pela Lei 54, de 23 de nobembro de 1905. Assim sendo, é constituído dos distritos sede, Barra de Jangada, Jurema, Pau Ferro, Queimadas e São Benedito, onbde mais tarde o distrito de Jurema é também elevado à categoria de município. Em 1938, atravé do Decreto-lei nº 235, de 9 de dezembro de 1938, o distrito de São Sebastião da Barra foi extinto, sendo seu território anexado ao distrito de Quipapá e São Benedito, passando a ser constituído, a partir de 1939 até 1943, de quatro distritos: sede, Igarapeba, Pau Ferro e São Benedito. Em 1963, desmembra-se do município de Quipapá os distritos de Iraci e Igarapeba, para formar o novo município de São Benedito do Sul, ex-Iraci. Neste sentido, a divisão territorial de 31 de dezembro de 1963, consta o município constituído apenas de 2 distritos: sede e Pau Ferro, até os dias atuais. O município está situado na microregião da Zona da Mata Sul ou Mata Meridional pernambucana, fazendo divisa com os municípios de Panelas, São Benedito do Sul, Jurema e Canhotinho, municípios pernambucanos, e ainda Ibateguara e São José da Laje, municípios alagoanos. Veja mais aqui.

SEGUIR POR SUAS PRÓPRIAS PERNAS – [...] somos todos heróis ao nascer, quando enfrentamos uma tremenda transformação, tanto psicológica quanto física, deixando a condição de criaturas aquáticas, vivendo no fluido amniótico, para assumirmos, daí por diante, a condição de mamíferos que respiram o oxigênio do ar e que, mais tarde, precisarão erguer-se sobre os próprios pés [...]. Trechos extraídos da obra O poder do mito (Palas Athena, 1990), do estudioso estadunidense de mitologia e religião comparada Joseph Campbell (1904-1987). Veja mais aqui.

A MULHER QUE MORREU DUAS VEZES - [...] o enterro pela rua abaixo rumo ao cemitério que ficava há uns bons par de caminho. Quando de repente o Nhô Joaquim, que era quem estava na alça direita, trupica numa pedra no meio do caminho, se desequilibra todo, fazendo com que os outros carregadores do caixão perdessem o rebolado. E lá vai o caixão pro chão, abrindo-se em seguida. E, para grande surpresa geral, a defunta tava viva. A cumadi tinha sofrido nada mais nada menos do que a tal de catalepsia. Aquele ataque onde a gente pensa que morreu mas não morreu. Surpresa e alegria, todos correm com lençóis para cobrir a dita defunda e poupá-la desse choque de morta. Levam-na pra casa e, à noite, foi uma grande festa de retorno, com direito à banda de música, chope e outros bichos. Afunal, a cumadi tinha voltado a viver noarraial do Pau Torto, junto com o cumpadi e para a alegria de todos. Passam-se anos e mais anos até que um dia a nossa personagem morre de novo. Agora de verdade. E lá vai o cortejo, rumo ao cemitério. Na alça esquerad, como da outra vez, o pesaroso marido. Na alça direita, o mesmo cumpadi de fé, Nhô Joaquim. Ao se aproximarem do mesmo lugar, onde o cumpadi Nhô Joaquim havia trupicado da outra vez da catalepsia, que era onde tinha uma pedra com a ponta pra cima, o marido olha de esguêio para o tal Nhô Joaquim e sentencia: Oh, cumpadi Joaquim! Vê se dessa vez ocê óia onde pisa. Se ocê trupicá de novo, eu te arrebento! Extraído da obra Contando causos (Nova Alexandria, 2001), do músico, ator e apresentador de tevê, Rolando Boldrin. Veja mais aqui.

TEMA PARA UMA CANÇÃO LÍRICA - No verão dos teus olhos não escondas / a água da praia, clara: / se ondulas e ondeias, tu és onda / e, apenas onda, vagas. / Não magoas se feres como a lâmina / de uma navalha aberta: / a onda que és é o dia que me chama / entre as brancas cobertas. / Onda asstando a onda que nos cerca, / nos deixas fundas marcas: / a pedra que o olhar afoga e onde começas, / a onda que a nós desgasta. / Tua onda de andorinhas desmanchada / entre os alvos lençóis, / que constrói e desmancha, onda, a abrasada / onda que abrasa a nós. Poema do livro A onda construída, extraído de Linha d’água (CEPE, 2007), do poeta Jaci Bezerra. Veja mais aqui e aqui.

TIRO AO ÁLVARO
De tanto levar
"frexada" do teu olhar
Meu peito até
Parece sabe o que?
"táuba" de tiro ao "álvaro"
Não tem mais onde furar
Teu olhar mata mais
Do que bala de carabina
Que veneno estriquinina
Que pexeira de baiano
Teu olhar mata mais
Que atropelamento
De automóver
Mata mais
Que bala de revorver
.
Música de Adoniran Barbosa & Oswaldo Molles (Fromatado Brasil/Seresta Edições Musicais), gravada pela imortal musestrela, Elis Regina (Elis, 1972).

Veja mais:
A poesia de Paul Celan aqui.
O pensamento de Caio Prado Júnior aqui.
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TODO DIA É DIA DE INGRID PITT
Hoje é dia da atriz polonesa Ingrid Pitt (1937-2010).

A ARTE ARTHUR BRAGINSKY
A arte do pintor ucraniano Arthur Braginsky.


quarta-feira, novembro 22, 2017

OSWALD, FOUCAULT, ELIANE ELIAS, WHITEHEAD, FESTIVAL ARTE NA USINA, GRIMM, TERRA CHAPMAN, AGLAURA CATÃO & SÃO JOAQUIM DO MONTE

A MÚSICA É DELA – Imagem: art by Terra Chapman. - Lá vem ela cabelo ao vento com sua chuva de verão e ilha de Gauguin a embalar meus sonhos nascidos dos abismos, a me fazer Orfeu esculpindo música no seu ser. Vem com seus olhos de esfinge numa avalanche de beijos para que eu me molhe na tempestade da sua entrega, minha anfitriã da música que é dela ao desabotoar a blusa e me mostrar a fera esguia que faz do seu corpo o meu assombradado, casa de muitos lugares para eu me arranchar como quiser e aprouver. É na música de sua carne que percorro suas avenidas e vou de uma a outra de suas ruas para beber o dia no seu ventre porque é meu abrigo e encantado a lamber suas siuosidades e sorver suas bordas lúbricas, seus contornos deleitosos, seu lascivo tatear a remover pedras e areia do que sou e nem tenho mais. A música é dela para me dar e se doando se cala sobre o meu falo por suas entranhas de vulcão movente e propício à mão que não se detém e dou fé da sua nudez que mastigo a soberania da fonte de mel silvestre no gozo de não sei quantas reencarnações vida afora e toco sua pele e ela é minha lira e me aposso de suas raízes expostas, abro suas coxas até ver-lhe o átrio para o fervedouro das minhas libações nos seus quadris que se fazem viola pro meu canto quando ela é a medusa que me enrijece o sexo entre as pernas com circunvoluções e não me escapa o seu dorso nu como meu piano para recolher a canção no fogo da dança do seu ser e eu sob a sua sobre ela e suas curvas pra gruta áurea na relva úmida, meus dedos mergulhados por entre suas amarras às minhas epifanias e sua língua no pêndulo do prazer a rastejar acordes, a decifrar tons no meu diapasão pro combate que é pacífico porque o que se quer é o mesmo que de mim pra ela e dela pra mim. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.  Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a premiada pianista e cantora Eliane Elias, reunindo seus álbuns Made in Brazil (2015), Swept Away (2012), Light My Fire (2011), Bossa Nova Stories (2008), Brazilian Classics (2003), Sings Jobim (1998) e apresentações ao vivo em Festivais de Jazz. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] um moleiro pobre havia morrido, deixando o moinho para seu filho mais velho, um sno para o segundo e apenas um gato para o terceiro. Nem um tabelião bem um advogado foram chamados. Eles teriam devorado o pobre patrimônio. [...]. Trecho extraído da obra O gato de botas (Kuarup, 1987), dos Irmãos Grimm. Veja mais aqui.

EDUCAÇÃO & SABEDORIA -  [...] O perimeiro passo da sabedoria consiste em reconhecer que os principais avanços da civilização representam processos que quase destroem as sociedades em que ocorrem. Pensamento do filósofo e matemático britânico Alfred Whitehead, fundandor da filosofia do processo e autor da obra Os fins da educação e outros ensaios (Nacional/Edusp, 1969), da qual recolhemos o seguinte excerto: [...] A educação é a aquisição da arte da utilização do conhecimento. Esta arte é muito difícil de comunicar. Sempre que um livro de real valor educativo é escrito, é certo e sabido que um crítico virá dizer que é difícil de ensinar através dele. Claro que será difícil ensinar através dele. Se o livro fosse fácil deveria ser queimado, pois se o é, não pode ser educativo. Na educação, como em tudo, o caminho mais largo e fácil leva a um mau lugar. Este mau caminho é representado pelo livro que apenas habilite o estudante a aprender de cor as questões que, muito provavelmente, serão perguntadas no próximo exame externo.

O SISTEMA ESCOLAR - [...] O sistema escolar é também inteiramente baseado em uma espécie de poder judiciário. A todo momento se pune e se recompensa, se avalia, se classifica, se diz quem é o melhor, quem é o pior. [...] Por que, para ensinar alguma coisa a alguém, se deve punir e recompensar? [...]. Trechos extraídos da obra A verdade das formas jurídicas (Nau, 2002), do filósofo, historiador, filólogo, teórico social e crítico literário francês Michel Foucault (1926-1984), reunindo conferência sobre as condições políticas e econômicas que formam os sujeitos de conhecimento e, consequentemente, as relações de verdade, defendendo que: [...] Poder e saber encontram-se assim firmemente enraizados; eles não se superpõem às relações de produção, mas se encontram enraizados muito profunda mente naquilo que as constitui [...]. Veja mais aqui e aqui.

SÃO JOAQUIM DO MONTE – O município pernambucano São Joaquim do Monte é constituídos pelos distritos sede, Barra do Riachão e Santana do São Joaquim. Começou a ser povoado em 1896, com a construção da Casa Nova na Aba de Serra, que se tornou o primeiro nome do lugarejo por estar ao pé da serra, hoje Serra do Monte. Em 1912, quando foi criado o distrito no município de Bonito, o povoado recebe este nome. O distrito foi elevado à categoria de município com a denominação de São Joaquim, pela Lei estadual 1931, de 11 de setembro de 1928 e pelo Decreto-lei estadual 952, de 31 de dezembro de 1943, o município passou a chamar-se Camaratuba. Pela Lei estadual nº 416, de 31 de dezembro de 1948, passou a denominar-se São Joaquim do Monte, localizada no Planalto da Borborema e na área das bacias hidrográficas dos rios Una e Sirinhaém, tendo como principais tributários os riachos Seco e do Sapo, dispondo da Barragem Cianinha. Veja mais aqui.

A NAMORADA DO CÉU - [...] - Corno de padre! Lírio passara a cerca que separava a casa da chácara plantada. Na paz vegeral, sentiu o labor construtivo da mão imigrante. O brasileiro era uma vítima do latifúndio. Nunca aprendera oficio nenhum. A fazenda era um núcleo de vida autônoma que dispensava a própria cidade. Sobre o solo terroso e vermelho, abria-se nítida e negra a sombra das laranjeiras pequenas, carregadas de frutos prematuros nas precocidades de abril, quando já a luz equinocial enviesava nas manhãs enxutas. De um ninho oculto, partiu de repente o ruflar de asas. Eucaliptos esguios indicavam o ribeirão que ia desaguar longe nos pântanos de Bartira. O horizonte alinhava-se de mangueiras preguiçosas. O negro teve uma vontade ancestral de ficar ali, desitado à sombra da gigantesca árvore e deixar tudo correr – o sogro, o padre, o japonês e os agudos de Ludovica. Trecho extraído de A revolução melancólica (Civilização Brasileira, 1974), do escritor, ensaísta e dramaturgo do Modernismo brasileiro, Oswald de Andrade (1890-1954). Veja mais aqui e aqui.

SORRATEIRAMENTENão que fossem frágeis / a voz, os gestos, / mas sorrateiramente ele chegou, / como folhas de canela / que recendem em dias de festa / como algodão doce em mãos infantis / enfeitando a tarde. / Eu que guardava o coração / a tantas chaves, / que trazia as mãos vazias / e o vestido junto a rosas, / no rosto a palidez da espera, / no corpo o segredo das conchas... / não que fossem frágeis / a voz, os gestos, / mas sorrateiramente ele chegou. Poema da poeta Aglaura Catão, extraído da antologia Poetas no Século XXI (Recife, 2004), organizada por Benito Araújo.

HERMILO NO FESTIVAL ARTE NA USINA
Na última segunda, 20/11, aconteceu uma mesa de diálogo com o tema Hermilo Borba Filho e a cultura popular, com o mediador e curador do evento José Rufino (PB), o professor de História e Pedagogia do Teatro na UFPE, Igor de Almeida, Luiz Alberto Machado, de Palmares, e os professores de literatura Admmauro Gommes e Antonino Matias, de Xexéu, no Festival Arte na Usina – Safra 2017, na Usina Santa Tereza, em Água Preta – PE. O evento acontece até o dia 25;11, com oficinas, mesas de diálogos, shows, circuitos culturais, exibição de filmes, exposições, performances, passeios, entre outros, com a proposta de transformar a cultura em uma nova oportunidade de sustentabilidade para a região.

Veja mais:
A literatura de Aldous Huxley aqui e aqui.
A literatura de André Gide aqui.
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A literatura de Jack London aqui e aqui.
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A ARTE DE TERRA CHAPMAN
Art by Terra Chapman


terça-feira, novembro 21, 2017

HAROLDO DE CAMPOS, MAGRITTE, GISMONTI, KUNDERA, CÉLIA LABANCA, POESIA ABSOLUTA, PRAIEIRA & CORTÊS

O VÔO DE MAGRITTE - Imagem: The Kiss (1951), do pintor belga Rene Magritte (1898-1967). - Um salto e sei a minha pequenez: quero voar. Antes me fosse possível abrir os flancos, projetar o espaço e ser-me além do tempo. Um pulo e os tropeços, um passo e os baques, um pinote e as quedas, degraus, atropelos, escadas e correiras, ladeiras e embaladas: humano sou, quero mais. O sonho do voo: cadê minhas asas! Num esforço abro minhas portas, estavam trancadas, tenho de escancará-las. Se assim não fizer, serei só fracassos. Forço meus flancos, braços abertos: sou maior que a mim mesmo, posso ir prali, pracolá e voar. Sei disso, posso, vou. Os pássaros passam e a sua ascensão na minha quimera: as nuvens às mãos, pro alto eu vou de olhos fechados e visualizo descampados, planícies, maravilhas, torpezas, calamidades. Hei de melhorar a mim para compreender o que posso. Quisera ensinar a olhar daqui de cima, quão ínfimos, quão íntimos somos tudo e todos. Aprendo a arte, sou o dom: o coração alado e o universo nos olhos – vejo que posso ser mais que sou, ainda, ir além, alcançar a imensidão. Aprendo mais: pra guerra faço Paz, sorrio e aprendo o Sol. Sei de ontem, sou hoje, vivo amanhã. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial do compositor, arranjador, cantor & multinstrumentista Egberto Gismonti, reunindo seus álbuns Em família (1981), Feixe de Luz: todo começo é involuntário (1988), Fantasia (1992), e apresentações ao vivo com a Orquestra Corações Futuristas, com trio no Montreal Jazz Festival, com Jane Duboc, Al Di Meola, John McLaughlin, Paco De Lucia, Hermeto Pascoal, Naná Vasconcelos e Hamilton de Holanda. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIAO eterno retorno é uma ideia misteriosa, e Nietzsche, com essa ideia, colocou muitos filósofos em dificuldade; pensar que um dia tudo vai se repetir tal como foi vivido e que ssa repetição ainda vai se repetir infinitdamente! O que significa esse mito insensato? [...]. Trecho extraído da obra A insustentável leveza do ser (Rio Gráfica, 1983), do escritor tcheco Milan Kundera. Veja mais aqui.

A REVOLUÇÃO PRAIEIRA – [...] Muitos sacrifícios custou realmente a luta da Praia ao povo pernambucano. O número de mortos e feridos excedeu o que se havia registrado nas revoluções anteriores. Depredações, perseguições, prejuízos de toda sorte atingiram a população da província. Entre os próprios chefes da política, opu entre os comandavam a revolução, não foram pequenas as baixas, nem faltou para eles o castigo imperial. [...] No processo do Recife, foram pronunciados 54 indiciados no movimento, sem contar os condenados em outras comarcas da província. [...]. Trecho de A revolução praieira, extraída de Assuntos pernambucanos (Tempo Brasileiro/Fundarpe, 1086), do jornalista, advogado, escritor, historiador e ensaísta Barbosa Lima Sobrinho (1897-2000). Veja mais aqui, aqui e aqui.

CORTÊS – O município de Cortês é forado pelo distrito sede e pelos povoados Agrovila, Barra de Jangada e Usina Pedrosa. Surgiu a partir do sítio homônimo, em 1872, localizado às margens do Rio Sirinhaém, no então distrito de Ilha de Flores, comarca de Bonito. Em 17 de abril de 1875, ocorreu a passagem da estrada de ferro de Ribeirão a Bonito, mas a construção foi interrompida, sendo em Cortês a estação terminal. Em 1892 instalou-se na região a Usina Pedrosa, impulsionando o desenvolvimento local. Em 5 de janeiro de 1911 foi criado o distrito, pertencente ao distrito de Amaraji e o povoado tornava-se vila. O município foi criado em 29 de dezembro de 1953. Veja mais aqui.

DAS COISAS DA MINHA TERRA - [...] Como se vê, por lá havia mesmo de tudo. passavam até boiadas! [...] Seríamos medo das boiadas, invariavelmente, todo fim de tarde, durante o ano inteiro, assume ela. Na época de Carnaval, amedrotavam-nas os caboclinhos, que, sendo lindos manifestantes da resistência cultural do estado, ao chegarem àquela ruam em seus típicos trajes de índios, correndo com passos firmes de ir e vir, para frente e para trás, sempre em filas indianas, frenéticos e fortes, marcadas pelos tacapes que portavam e com seus enormes cocares, quase as levavam, à morte. Por aflição [...] nenhuma delas tinha medo, no entanto, quando também aos domingos de todos os carnavais, à tardinha, por lá passava o Maracatu de Dona Santa cumprindo seu itinerári. Maracatu-rei, referencia para todas as nações. Dona Santa era negra simpática e enorme de gorda. Segurava a boneca do maracatu que tinha saia longa, ricamente bordada com fitas coloridas, enfeitada de babados e de bicos de organdi e bordado inglês, que lhe encobria a mão esquerda. [...] Ela e seu grupo na dança de rodas cantavam e dançavam as eternas modinhas infantis: “Atirei o pau no gato”, “Eu vim de tororó”, “Terezinha de Jesus”, “Eu sou pobre, pobre, pobre”, “Une-dune-tê” e “Escravos de Jó”, quando não jogavam pedrinhas sentadas na calçada, ou pulavam academia, cujos traços eram feitos na calçada a giz [...] Quando lhes sobrava energia, jogavam ainda, e como sempre no meio da rua [...], meninas contra meninos, o jogo de espião, que também chamavam queimado. [...]. Trechos extraídos da obra Aminta (Bagaço, 2008), da escritora Célia Labanca. Veja mais aqui.

AUTO DO POSSESSOCENA 1 – UM GIGATE SUGA A NOITE PELOS EUCALIPTOS – O AMANTE Dá-me, ó amada de olhos vítreos, / que eu te celebre nos jardis suspensos / onde o delírio abriu as pétalas do álcool! A AMADA Ouve: / agora, junto ao mar / um enxadrista joga. O AMANTE O outono junto ao mar... / amiga, parte a cápsula do sábado, / e vê que dancem no ar os dervixes do vento. A AMADA Odeio o mar. / Odeio o ruído do mar. O vento. / Olha a porfia dos cavalos pretos / no teu vizinho que jogou xadrez! O ENXADRISTA (para o Amante) Que fazer dos peões do levante / e do velho rei calvo? / Que fazer da rainha branca / apavorada entre os roques? A AMADA Jogá-la ao mar, / eu disse: é jogá-la ao mar. O AMANTE Amiga, dá-me que eu cante / à luz de uma estrela crua; / onde teu corpo jazia, coalhado de rosas mornas; / onde os rostos dos suicidas entrementes se devoram; / onde nasce um lírio adunco, à luz de uma estrela crua. CENA II – O ESPELHO DIANTE DO MAR – O POSSESSO A que vai morrer naságuas / vestiu-se de insônia e tule, / fiou seus cabelos verdes / na roda do vento sul. / A que vai morrer nas águas / caminha entre lampadários, / fugida do ás de espadas, / é a doida que vem do sul. O EXORCISTA No sexto dia tu eras / a voz que imprecava ao céu. / Eras o bruxo e sentavas / à esguelha de Capricórnio. A AMADA ... Jogá-la ao mar. O EXORCISTA Colheste o lótus salobro / no turvo arrioi da frebe / que desce um monte calvo / por sete bocas de treva. O POSSESSO Que pode a face da lua / contra sua tépida face / de lua mal-sazonada? / Que podem os olhos d’água / contra seus olhos que acenam / fanais e espumas à água? AMADA E O EXORCISTA (a um tempo) Em disse: é jogá-la ao mar! O EXADRISTA Modera, ó bispo noturno, / a faina em meu tabuleiro / e atende: um poeta nasce / nos bulbos do mês de agosto. CENA III – A MONTANHA E O VALE – O ENXADRISTA Teu filho nasce do vente / duma virgem do Tibet, / cuja flor, polinizei-a / nas estrufas do desmaio. / Ele será o feiticeiro de Radja Gomba, / e a sua voz precipita as rolas carnívoras / quando o YAMA polofronte / dança no círculo das mãos. O EXORCISTA por isso, / renuncia! O ENXADRISTA Proporá libações nos sabats de setembro, / onde magas desnudas assolam o quadrante / amarradas à crina dos javalis. O EXORCISTA Por isso, / renuncia! A AMADA Rude e cruento, o amor! / Meu seio lhe dará moderação e páscoa. / Enfraqueço na água o vinho dos meus lábios, / e minha carne sabe a pão ázimo ou trevo. O EXORCISTA Renuncia, / oh renuncia! O POSSESSO Certo poderei acalentar-te o púbis / minado de papoulas! / Dá-me, ó rês submissa, que eu celebre, / e que erga o teu corpo no meu canto / como um troféu no topo dos cristais! O ENXADRISTA Mulher, / eis aí teu filho. Poema extraído da obra Melhores poemas Haroldo de Campos (Global, 2000), reunindo poemas de do poeta e tradutor Haroldo de Campos (1929-2002), organizado por Inês Oseki Dépré. Veja mais aqui e aqui.

POESIA ABSOLUTA NA BIBLIOTECA FENELON BARRETO
Apresentação da Poesia Absoluta aos estudantes da rede pública de ensino, na Biblioteca Fenelon Barreto, pelo cantor, compositor e poeta Zé Ripe. Veja mais aqui.

Veja mais:
O pensamento de Voltaire aqui e aqui.
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A ARTE DE RENÉ MAGRITTE
A arte do pintor belga Rene Magritte (1898-1967).


segunda-feira, novembro 20, 2017

HERMILO, MARCEL PROUST, FRANÇOIS CHESNAIS, GIORGIO DE CHIRICO, DOWBOR, MAWU, LUCIAH LOPEZ & XEXÉU

CONVERSA DE SINAL – Imagem: La barca dei bagni misteriosi, do pintor italiano Giorgio de Chirico (1888-1978) - Lá vou eu entre avistados e conversa de sinal, e aí, tudo bem? Beleza, vamos se vê, legal, é isso aí, e quantas e tantas vezes fui abatido pelos revezes das ocasiões de não saber sequer pronde uma saída, enquanto despencavam pétalas de rosas azuis com a chuva torrencial e eu não vi, o Sol espetacular no meio dia no ouro da vida e eu não vi, a correnteza do rio na queda d’água linda demais e eu não vi o tempo passar, e eu onde estava, sereno e impávido sem pedir licença, inverno afora, todo serelepe com salamaleques embaixo do maior toró de adversidades, ouvindo de outras bocas gasguitas de que assim não pode ficar, reclamos e xingamentos, que vida é essa, hem? Sei lá, chatices, coisas de cortar o coração, vixe! Até já, vamos protestar contra tudo isso, vamos tomar uma, todas, isso é lá coisa que se faça, ora! E lá se vão aparições, envultamentos, o insólito ali na esquina, o paradoxal no noticiário da tevê. E ali, no taco a taco, tudo é como um filme reprisado nas sessões intermináveis, trapos de gente tacanha de cabeça baixa com sua cantoria lúgubre a pedir pelo amor de Deus à bondade alheia das esmolas para salvar suas desgraças, quantos desgostos, choram de fazer dó e me dê isso, e me dê aquilo, a cantilena repetida, pisada e repisada, na ladainha da mendicância de quem se diz que não tem nada e passa fome por uma gororoba que os políticos bancam na hora da festa dos votos, e os novos-ricos jogam moedas depois da missa na manhã dominical, e os agiotas passam com seus carros fechados carregados de grana pro prefeito distribuir 20 reais para quem reelegê-lo, atrás dos vereadores que distribuem cargos e simpatias para encherem o serviço público de gente desqualificada pros laços do compadrio, e os insistentes pedidos diante das promessas e do dia pra noite nada se realiza apenas a barriga cheia com a comida ocasional sob o empenho de que um dia tudo será resolvido depois da eleição e depois dela a cara de pau, nada acontece, e todos choram, choram de fazer dó, um simples carpir de uma gente viciada em pedir o favor alheio, choro de mentirinha, fingidos, curtindo aos motejos o conseguido Às cambalhotas e a ternura humana foi pro beleléu, eu não sei de mais nada, sofro com o meu povo que não sabe o que diz nem sabe o que faz, condoído com os infortúnios intermitentes e assaz dificílimos de golpes e falcatruas e sacanagens. Larguei tudo de mão, paciência é uma virtude imorredoura: amo ao meu povo e ao meu país. Saber se aprendi, não sei, apenas prossigo entre avistados e conversa de sinal. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com Gal Costa, Chico Buarque, Geraldo Azevedo, Caetano Veloso, Lenine, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Alceu Valença, Ivan Lins, Adriana Calcanhoto, Elza Soares & Maria Bethania. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - [...] A verdadeira viagem de descoberta não consiste em buscar novas terras, mas em vê-las com novos olhos. Pensamento do escritor francês Marcel Proust (1871 - 1922). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

A VIDA & A MUNDIALIZAÇÃO ECONÔMICA - [...] Atrás da expressão neutra da “mundialização da economia” e seu corolário já mais explícito da “vitória do mercado”, esconde-se um modo específico de funcionamento e de dominação política e social do capitalismo. O termo “mercado” é a palavra que serve hoje para designar pudicamente a propriedade privada dos meios de produção; a posse de ativos patrimoniais que comandam a apropriação sobre uma grande escala de riquezas criadas por outrem; uma economia explicitamente orientada para os objetivos únicos de rentabilidade e de competitividade e nas quais somente as demandas monetárias solventes são reconhecidas. As fusões-aquisições dos últimos anos empurraram o processo de concentração a níveis que pareciam impossíveis até vinte anos atrás. Atrás do eufemismo do “mercado”, encontram-se formas cada vez mais concentradas de capital industrial e financeiro que detêm um poder econômico sempre maior, que inclui uma capacidade muito forte de “colocar em xeque o mercado”, “curto-circuitar” e cercar os mecanismos da troca “normal” [...] Dominada pela procura do lucro, reduzido ele próprio ao “valor para o acionista”, “a economia” apregoa sua pretensão de representar a atividade mais importante da sociedade contemporânea, aquela cuja legitimidade particular lhe permitiria impor sua lei a todas as outras. Esta arrogância decorre, certamente, da importância tomada pelos mercados financeiros, outubro - Mundialização: o capital financeiro no comando artefatos sociais de um tipo particular, que ajudam em muito as finanças a se colocar como uma potência “autônoma” frente à sociedade. Em um mundo dominado pelas finanças, a vida social em quase todas as suas determinações tende a sofrer as influências daquilo que Marx designa como a forma mais impetuosa de fetichismo. Com as finanças, tem-se “dinheiro produzindo dinheiro, um valor valorizando-se por si mesmo, sem que nenhum processo (de produção) sirva de mediação aos dois extremos”. Uma vez que “o capital parece ser a fonte misteriosa [...] de seu próprio crescimento”, os proprietários de títulos financeiros, beneficiários de juros e de dividendos, consideram que o “capital” deles vai fornecer-lhes uma receita “com a mesma regularidade que a pereira dá pêras” [...] O triunfo do fetichismo financeiro provocou um salto do fetichismo inerente à mercadoria. A extensão e a liberdade quase completa adquirida pelo capital dentro do quadro da globalização também contribuíram muito para isso. Somando o espaço sobre o qual o capital pode evoluir livremente para se abastecer, produzir e vender com lucro, mais empresas de forças desiguais e seus assalariados que podem ser colocados em dúvida a longa distância e agora em sites virtuais, e mais, “a relação social determinada dos homens entre eles reveste a forma fantasmagórica de uma relação entre coisas”. [...] Durante alguns decênios após a Segunda Guerra Mundial, quando o capitalismo parecia ter sido domesticado, esta caracterização foi colocada de lado, perdida de vista. A mundialização do capital encarregou-se de nos relembrar. Transformou em responsabilidade de todos nós, estender e ampliar o debate sobre o modo de responder ao desafio que ela coloca. Trechos extraídos de Mundialização: o capital financeiro no comando (Les Temps Modernes, 2000), do professor de economia internacional François Chesnais, autor da obra Mundialização do capital (Xama, 1996), na qual analisa a ascensão do capital monetário e as consequências da mundialização na esfera financeira, focalizando o investimento externo direto feito pelos grandes grupos capitalistas, desvendando a estratégia e o funcionamento das empresas multinacionais e mostrando como sua ação, no ambiente atual de inovação tecnológica e desregulamentação da economia, modela cada vez mais a produção e o consumo em escala mundial. Veja mais aqui e aqui.

EDUCAÇÃO & CAPITALISMO - [...] no quadro de uma sociedade de conhecimento que trabalha com subsistemas muito diferenciados que evoluem de forma dinâmica e articulada, necessitamos de formas diferenciadas e flexíveis de gestão, o que só pode ser conseguido com ampla participação dos interessados. Uma tradicional hierarquia vertical e autoritária, movida por mecanismos burocráticos do Estado, ou centrada no lucro e no curto prazo da empresa privada, simplesmente não resolve. [...] é nossa visão de que o mundo educacional está adormecido ao lado de um gigantesco manancial de possibilidades sub-utilizadas, e que tem de começar a batalhar por espaços mais amplos e renovados, com tecnologias e soluções institucionais novas. Trechos extraídos de Educação, tecnologia e desenvolvimento (Atlas, 1996), do economista e professor Ladislau Dowbor. Veja mais aqui.

XEXÉU – O município de Xexéu era rota de escravos que seguiam em direção ao Quilombo dos Palmares. Como era caminho obrigatório dos negros, ali foi criado, em 1675, um lugar de resistência dos negros, denominado Engenho Macaco. Este povoado chegou a ter mais de 15 mil habitantes. No fim do século XIX, a povoação ganhou o nome de Aurora, por conta, segundo historiadores, da passagem das tropas de um marechal que ficou admirado com o amanhecer do lugar e conseguir convencer os habitantes pela mudança do nome. Enquanto distrito pertencia ao município de Água Preta, criado pela Lei municipal nº 53, de 24 de abril de 1930. Tornou-se um município em 1 de outubro de 1991, através da Lei estadual nº 10.621. O nome é uma homenagem ao pássaro conhecido por xexéu, de canto harmonioso, comum no lugar em tempos passados. Além do distrito sede, Xexéu possui o distrito de Vila de Campos Frios. Veja mais aqui.

CULTO À MAWU – Na mitologia africana, Mawu é a desa deusa suprema criadora de todas as coisas. Para os povos Ewe-Fom, Mawu é o ser supremo dos povos, criadora da terra e dos seres vivs, engendrando voduns e divindades. Ela é associada a Lissá, entidade masculina, e também co-responsável pela criação. A divindade dupla Mawu-Lissá é intitulada Dadá Segbô (Grande Pai Espírito Vital), Sé-medô (Princípio da Existência) e Gbé-dotó (Criador da Vida). Mawu representa o leste, a noite, a lua, a terra e o subterâneo, além de ser o princípio feminino, a fertilidade, a suavidade, a compreensão, a ponderação, a reconciliação e o perdão. Fonte: Caminhos de um bruxo: a bíblia é o livro da deusa das traduções aos originais mesossemíticos eis a história do seminarista protestante que se tornou bruxo (DOG, 2013), de Daniel Jimenez, revelando a jornada existencial por um caminho repleto de magia, questionamentos e provocações, identificando por meio da literatura judaico-cristã, em especial a Bíblia, e em meio às mediações hermenêuticas dos elementos que fundamentam as raízes e os seios maternos da Deusa em toda da Criação, inicialmente chamada de Elohims (plural de Eloah: deusa), também conhecida como El Shadai (a Mãe que amamenta com seus seios), e mais recentemente chamada de Espírito Santo, uma pomba, uma Deusa-Mãe na trindade que se constitui de um Pai e um Filho, tornando-se a revelação de uma trajetória ainda em construção.

ATO DE NATALQuando a trupe chegou o tomara-que-não-chova ainda não estava armado, mas foi obra dum instante e o cirquinho logo rodeado de tudo quanto era menino da zona se viu, anuciando a Pantomina do Nascimento, que já se estava no dia 24. Véspera do 25, para a noite a pantomina para o dia a Nova-Maior, tomem cantos e danças e passas e doces até na casa dos pobres, perus de papos recheados em casa dos magníficos; e no cirquinho, às seis, Bitom o Palhaço, na casa do 60, chegfou, pastou-se diante do espelho quadrado, começou a pintar a cara, às sete terminou com 50, às oito, tomando uma cachaça, estava com 40 – era aquilo todos os anos, na noite do 24 para a autora do 25 – entrou no picadeiro, às nove, com 30; às onze, de novo diante do espelho, era Bitom o Palhacinho, com 0; tirou a tinta, foi caminhando para a infância, os artistas abriram alas, ele foi andando e ficando mais menino, atravessou o picadeiro e desapareceu atrás das cortinas, a Trapezista nova perguntando ao Mestre de Cerimônias: Para onde ele vai? Ao que o Mestre de Cerimônias, fazendo uma cara de espanto, respondeu-lhe meio áspero, meio gozador: Oi, não sabe? Ele vai nascer. Conto extraído de 10 histórias naturais (CEPE, 2017), do escritor, dramaturgo, tradutor e advogado Hermilo Borba Filho. (1917-1976). Veja mais  aqui, aqui e aqui.

METADE DE MIM, LUCIAH LOPEZ
Metade de mim
caminha silenciosa ...
Metade de mim
observa o passado na roupagem do casario...
Metade de mim adentra o passado em busca do futuro.
Poena da poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez. Veja mais aqui.

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Dia da Consciência Negra aqui, aqui & aqui.
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A ARTE DE GIORGIO DE CHIRICO
A arte do pintor italiano Giorgio de Chirico (1888-1978).


sábado, novembro 18, 2017

SKARMETA, MICHELET, ALDA LARA, IBERÊ CAMARGO & PANELAS

A PROFESSORA & A FESTA DO ESPALHAFATO - Acordei com uma surpresa: Carma estava ao meu lado, brincando com um Mané-Gostoso: - Cadê o meu netinho, munitinho! Eita! Acordar assim ao lado dela era mais que sonhar, companhia que sempre me proporcionara o maior prazer, exatamente por seu sorriso sempre presente em todos os momentos e isso até hoje. Logo também apareceu Pai Lula trazendo um catavento: - Esse é mais um presentinho pro meu neto! Presente duplo e dos que eu mais gostava: Mané-Gostoso e catavento. O dia seria por isso maravilhosamente demais. Ah, mas eles estavam assim porque pregaram uma surpresa para mim. Gostou, meu netinho? Gostei Carma. E também do presente de Pai Lula. Ah, mas ainda temos uma supresinha pra você. Mais surpresa ainda? Sim, uma surpresa inesquecível que sabemos que você vai adorar ainda mais no dia de hoje. Mas hoje não é meu aniversário, Carma! A gente sabe que não é seu aniversário. Acontece que uma pessoa muito especial veio lhe ver. E logo entrou Tia Conça: - Cadê meu sobrinho predileto! E logo entrou me abraçando e me beijando. Ah, se for Tia Conça a surpresa, aviso logo que já gostei. Não, meu sobrinho, não sou eu a surpresa do dia, é muito melhor. Muito melhor? Sim. Muito, muito? Sim. O que poderia ser melhor do que acordar ganhando presentes e carinho de Carma, Pai Lula e Tia Conça? Não há nada melhor que isso! Ah, há sim, meu netinho, não é Pai Lula? É Carma, há sim. Pois se coisa há melhor que vocês três eu ainda não sei, o que poderia ser? Ah, então feche os olhos que vamos levá-lo pra surpresa que você gostará muito, venha. Bem, vendaram meus olhos e me encaminharam quarto afora, acredito que atravessamos a sala de jantar e parece que havíamos chegado à varanda. Chegando lá, ouvi que tinha mais gente no recinto, contaram até três no maior viva e de repente vejo diante de mim, a professora Hilda! Nossa! Que bom estar com a minha professorinha! Logo ela abraçou-me dizendo: O motivo é parabanizá-lo pela passagem de ano na escola, você foi aprovado! Que bão! Eu não me continha em pé, abracei a professorinha e saí abraçando um por um: Bichim, o Cravo, Mindinho, Jeguim, Alvoradinha, a Rosa, Seu-Vizinho, Gordim, Maior-Todos, Maluquim, Ciganinha, Fura-Bolos, Nitinha, Iaravi, Cata-Piolho, o Super-Pontinho, as fadinhas, até o Lobisomem Zonzo e os animais todos do terreiro. Virou uma festa só. A professorinha iniciou, então, encenações, dramatizou de improviso coisas do tempo que ela fazia teatro e contracenou comigo, com todos os presentes, até com os passarinhos, borboletas e outros bichos que foram chegando. Enquanto ela desfilava personagens, recitava poesias, rodopiava com danças e levantava a plateia pra brincar de caboclinos, de bumba-meu-boi, de fandango e de quadrilha, rastava pé no coco, na embolada, e quando a cena voltava ela encerrava com passos na maior frevada. E foram servidos doces, salgados, ponches e frutas pra gente se esbaldar na maior brincadeira. Pai Lula puxou uma adivinha, Tia Conça o que é o que é, Carma com um trava-língua e professorinha recitou quadrinhas que muito alegraram aos presentes. Salvas e palmas, cada um agradecia pelo momento, eu mesmo fiquei tão emocionado e ao chegar a minha vez, não sabia o que dizer. Foi aí que saí com essa: Meus amigos, minhas amigas, obrigado a todos vocês, vamos entoar cantigas e fazer tudo outra vez. Aplaudido pela generosidade dos que ali se apresentavam, cada um contou história: a do Falange, falanginha, falangeta, a do Cravo e da Rosa, a do Alvoradinha nas águas, a da Princesa e do Jacaré, a da Turma do Brincarte, a do Frevo e do Teatro, a do Lobisomem Zonzo, até que no fim de tudo, findamos era contando a história do Reino Encantado de Todas as Coisas. Ai entrou pela perna de pinto, saiu pela perna de pato, cada um sua lorota no maior espalhafato! (Veja mais abaixo) © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a saudosa cantora Elis Regina (1945-1982) ao vivo & no Monteux Jazz Festival; do compositor e guitarrista estadunidense Al Di Meola ao vivo com One of these nights & Jazzwoche Burghausen; a cantora e compositora Claudia Telles com seus grandes sucessos & o violonista Felipe Coelho com Cata Vento & Musadiversa. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA: ISONOMIA – [...] A igualdade perante a lei refere-se ao cumprimento de determinado dispotivo normativo, devendo abranger de forma uniforme todas as pessoas, bens ou situações que estejam em igualdade de situações. [...] A garantia de igualdade entre os homens e as mulheres também abrange os homossexuais, tanto os masculinhos quantoos femininos, os bissexuais e os transexuais. A Constituição, ao garantir a intimidade e ao proibir a discriminação, protegeu a livre opção sexual, impedindo qualquer tipo de preconceito. [...]. Trechos extraídos do Curso de direito constitucional (Forense, 2008), do professor e pós-doutor pela Université Montesquieu Bordeaux IV, Walbert de Moura Agra. Veja mais aqui, aqui & aqui.

PANELAS – O município de Panelas está localizado na microrregião do Brejo Pernambuco, na região do agestre, e formada administrativa pelos distritos sede, Cruzes, São José e São Lázaro. Obteve a sua autonomia municipal em 18 de maio de 1870, pela Lei Provincial 919, desmembrando-se de Caruaru e de São Bento do Una. A Maratona de Cruzes é realizada desde 1983, tornando-se um evento tradicional esportivo, reunindo além de desportistas, atividades culturais como bacamarteiros, bumba-meu-boi, capoeira, mamulengo, banda de pífanos e Antônio da Boneca, além de três dias de muito forró com bandas reconhecidas nacionalmente. A Maratona de Cruzes recebe cerca 60 mil pessoas ao longo de sua programação. A vila de São José do Bola foi criada na década de 1940, recebendo esta denominação porque havia uma intensa vegetação com inúmeros tatus-bola, com eventos que reúnem o tradicional "Casamento do Matuto" e concurso de fantasia de carros-de-bois. Também são destaques locais a vila de São Lázaro, a escultura em homenagem ao Festival Nacional de Jericos, a escultura feita de pedra em homenagem ao trabalhador localizada na entrada da cidade de Panelas, o Escorrego do Sítio Contador, a Serra, o Cruzeiro e o Mirante Serra da Bica. Veja mais aqui.

O HOMEM E A MULHER - [...] O homem, por mais freaco que possa ser moralmente, não deixa de estar numa estrada de ideais, de invenções e descobertas, tão rápido que o trilho incadescente lança faíscas. A mulher, fatalmente deixada para trás, continua na trilha de um passado que ela mesma pouco conhece. Está distanciada, para nossa infelicidade, mas não quer ou não pode ir mais depressa. O pior é que ambos não parecem ter pressa de se aproximar. Parece que nada têm para dizer um ao outro. O lar está frio, a mesa muda e a cama gelada. [...] Cumpre dizer claramente a coisa como ela é. Eles já não têm ideias comuns, nem linguagem comum, e mesmo sobre o que poderia interessar as duas partes, não sabem como falar. Perderam-se muitro de vista. Em breve, se não se tomar cuidado, apesar dos encontros fortuitos, já não serão dois os sexos, mas sim dois povos. [...] Trechos extraídos da obra A mulher (Martins Fontes, 1995), do filósofo e historiador francês e Jules Michelet (1798-1874). Veja mais aqui e aqui.

O CARTEIRO E O POETA - [...] Com um gesto de toureiro desprendeu o avental de Beatriz, sedoso rodeou sua cintura e despencou seu pau pelas coxas, como ela gostava, conforme provavam os suspiros que tão fluidamente soltava com essa seiva enlouquecedora que lubrificava sua boceta. Com a língua molhando a orelha e as mãos levantando suas nádegas, meteu de pé, na cozinha, sem se preocupar em tirar a sala. – Vão nos ver, meu amor – arquejou a garota, ajeitando-se para que o pau entrasse até o fundo. Mario começou a girar com golpes secos e, empapando os seios da garota de saliva, balbuciou: - Pena não ter o Sonu aqui para gravar esta homenagem a dom Pablo. E, num átimo, promulgou um orgasmo tão estrndoso, borbulhante, desmedido, estranho, bárbaro e apocalíptico que os galos acharam que tinha amanhecido e começaram a cocoricar com as cristas infladas, os cachorros confundiram o uivo com o apito do norturno ao sul e começaram a ladrar para a lua como se estivessem acompanhando um convenio incompreensível, o companheiro Rodriguez, ocupado em moldar as orelhas de uma universitária comunista com a rouca saliva de um tango de Gardel, teve a sensação de que um catafalto lhe cortava o ar na garganta e Rosa, viúva do Gonzalez, teve que tentar cobrir com o microfone na mão o “Hosana” de Mario, trinando mais uma vez A vela com um sonsonente operático. Agitando os braços como asas de moinho, a mulher estimulou Domingo Guzmán e Pedro Alarcón a redobrarem pratos e tambores, sacurdirem maracás, soprarem trombetas, trutucas ou, em sua falta, aumentarem o som da flauta, mas o maestro Guzmán, contendo o menino Pedro com um olhar, disse: - Fique tranqüilo, maestro, que se a viúva está tão saltitante é porque agora é a vez da filha. [...] desgarrou-se o orgasmo de Beatriz em direção à noite sideral, com uma cadencia que inspirou aos casais nas dunas (“um assim, filhinho”, pediu a turista ao telegrafista), que deixou escarlates e fulgurantes as orelhas da viúva e que inspirou as seguintes palavras ao pároco, em seu desvelo lá na torre: magnificat, stabat, pange língua, dies ira, benedictus, kirieleison, angélica. Ao final do último trinado, a noite inteira pareceu umedecer e o silêncio que se seguiu teve algo de turbulento e turvo. [...]. Trechos extraídos da obra O carteiro e o poeta (Record, 1996), do escritor chileno Antonio Skarmeta.

TESTAMENTO DE ALDA LARA
À prostituta mais nova
Do bairro mais velho e escuro,
Deixo os meus brincos, lavrados
Em cristal, límpido e puro...
E àquela virgem esquecida
Rapariga sem ternura,
Sonhando algures uma lenda,
Deixo o meu vestido branco,
O meu vestido de noiva,
Todo tecido de renda...
Este meu rosário antigo
Ofereço-o àquele amigo
Que não acredita em Deus...
E os livros, rosários meus
Das contas de outro sofrer,
São para os homens humildes,
Que nunca souberam ler.
Quanto aos meus poemas loucos,
Esses, que são de dor
Sincera e desordenada...
Esses, que são de esperança,
Desesperada mas firme,
Deixo-os a ti, meu amor...
Para que, na paz da hora,
Em que a minha alma venha
Beijar de longe os teus olhos,
Vás por essa noite fora...
Com passos feitos de lua,
Oferecê-los às crianças
Que encontrares em cada rua...
Poema extraído da obra Poemas (Maianga, 2004), da poeta angolana Alda Lara (1930-1962). Veja mais aqui.

Veja mais:
Homenagem à professora Hilda Galindo Corrêa & o blog Profetas de amor e mais aqui, aqui, aqui & aqui.
Dia da Consciência Negra aqui, aqui & aqui.
O melhor do dia do homem é saber que todo dia é dia da mulher aqui.
Quebra de Xangô aqui & aqui.
Entrevista com a cantora Cláudia Telles aqui & mais dela aqui, aqui & aqui.
O pensamento de Jacques Maritain aqui.
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A poesia de Margaret Atwood aqui.
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A liteartura de Marcel Proust aqui, aqui, aqui & aqui.
A literatura de cordel de Leandro Gomes de Barros aqui & aqui.
O pensamento de Benedetto Croce aqui.
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A ARTE DE IBERÊ CAMARGO
A arte do pintor Iberê Camargo (1914-1994).



GALEANO, BOLDRIN, FLORA PURIM, CAMPBELL, JACI BEZERRA, BRAGINSKY, ADONIRAN, INGRID PITT, RESILIÊNCIA & QUIPAPÁ

A ESCRITURA DO VISINVISÍVEL – A arte do pintor ucraniano Arthur Braginsky . – O que vejo a lágrima embaça porque tudo é muito adverso e av...