domingo, outubro 22, 2006

PINDORAMA, REGISTROS PRÉ-HISTÓRICOS



PINDORAMA: REGISTROS PRÉ-HISTÓRICOS - Estudar a pré-história de uma sociedade é, segundo Fernandes (1960), Barbalho (1983) e Proust (2006), mergulhar nas suas origens numa viagem nela contida e viva. Com base nisso, entende-se que essa pré-história brasileira, notadamente a nordestina e, evidentemente, pernambucana, ainda está por ser considerada, revista e aprofundada. Convencionou-se, cômoda e oficialmente, que o Brasil começa com o descobrimento efetuado pelos portugueses em 1500 e que a certidão de nascimento do país é a carta de Pero Vaz de Caminha. Isso para satisfação do poder, da dominação, da acumulação, dos interesses escusos, da corrupção e da ganância, tudo em detrimento da vida humana e da raiz genuína de brasilidade. É verdade que eles, os lusos, chegaram com sua arrogância de dominadores, abençoados pela doação papal de que estas terras lhes pertenciam. Em prejuízo da verdade, isso é ensinado até hoje nas salas de aula de nossas escolas. Os lusitanos vieram em nome do Deus católico tomar conta do que estava garantido em suas posses por uma doação eclesiástica que assumia teor de ação divina. E vieram acompanhados pelos representantes cristãos que santificaram sua empreitada. Aqui chegaram e sob seu mando dominaram e catequizaram os gentios pagãos num processo escravista que começava pela fé e se desenrolava humana, social e economicamente.
As escolas ensinam que tudo isso favoreceu o processo civilizatório brasileiro, de forma harmônica e pacata, e sob os vínculos da amizade irmanada. Positivamente favoreceu o dito processo civilizatório, contudo, nem mesmo os projetos de escravização entre os lusitanos e religiosos se deram equilibradamente. Muitos conflitos ocorreram nessa relação sagrada. E o primeiro conflito se deu porque os religiosos teimavam na dominação e escravização pela fé, enquanto que os descobridores queriam logo, na marra, dominar pela força social e econômica.
As tribos primitivas que foram amistosas ao recebê-los, ajudando, inclusive, no reconhecimento da localidade, colaborando inadvertidamente com tudo que se propusessem a fazer e querer por aqui, quando se viram despojadas de sua vida e de seus domínios, tiveram ou que se submeter ao jugo dos invasores ou guerrear contra eles. E ao longo dos séculos, toda uma trajetória de supremacia branca é comemorada nos livros escolares e nos eventos do calendário oficial até o presente momento. Porém, ao contrário do que se ensina oficialmente e é lecionada nas aulas aos nossos estudantes, uma verdade inglória e injusta subjaz a todos os júbilos comemorativos da nação brasileira. Isso porque antes de tudo, o antes. Além do mais, precisamos remontar nosso passado, recolhendo as suas lições para semeá-las no presente com o objetivo de construir um futuro possível.
Então, no princípio tudo era Pindorama, que significa “Terra das Palmeiras” em tupi – nome dado ao Brasil pelos nativos do período pré-cabralino -, onde viviam várias sociedades indígenas que, segundo estudos realizados por Proust (2006, p. 7-8), “[...] as sociedades indígenas estavam implantadas no Brasil há mais de 12.000 anos e tiveram muito tempo para se transformar”. Baseia-se o autor nas fontes arqueológicas encontradas em diversos estudos realizados nas fontes compostas de vestígios materiais deixados pelos homens e parcialmente preservados dos processos naturais de degradação.
Durante os mais diversos estudos antropológicos e geológicos, foram identificados sítios onde os grafismos definem uma tradição nordestina desenvolvida entre 12 e 6 mil anos atrás, explicitando Proust (2006, p. 13) que: “Ao longo dos rios semipermanentes de Pernambuco, da Paraíba e na beirada dos afluentes do Araguaia, em Goiás, matacões e lajedos cobertos por gravuras são tradicionalmente chamados Itacoatiara. No Nordeste dominam conjuntos de pequenas depressões que podem ser interpretadas como constelações ou como gotas de água”. Tais afirmações, inclusive, coincidem com os registros arqueológicos encontrados em diversos municípios do estado pernambucano e, hoje alagoano, comprovando a existência do homem pré-histórico no território.
Sobre tais informações, fica evidente que as tribos primitivas que povoavam a região eram nômades e, segundo Fernandes (1960, p. 113), “[...] sua mobilidade no espaço era relativamente grande”, uma vez que se deslocavam periodicamente dentro de uma determinada região, depois abandonando para buscar outra localidade mais fértil e mais rica de recursos naturais. Da mesma forma, encontramos as descrições históricas elaboradas por Bueno (2003, p. 15), traçando o perfil dessa sociedade primitiva do território de Pindorama, assinalando que: “[...] Povos nômades vindos da Ásia, através do Estreito de Bering, teriam sido os primeiros a colonizar o vasto território, em data ainda desconhecida, talvez por volta de 40 mil anos atrás. Um desses povos deu origem aos tupis-guaranis, uma das sete grandes famílias que constituíam o grupo lingüístico Macro-Tupi. No inicio da Era Cristã, os tupis-guaranis começaram a migrar através dos vales de alguns afluentes do Rio Amazonas. Embora de fundo religioso, a migração deu-se por causa de crescimento demográfico e da desertificação territorial tribal. Os tupis chegaram ao litoral do Brasil e dali expulsaram os tapuias (“os outros”, em tupi). Os tupis cultivavam mandioca e milho - símbolos da civilização – e, por isso, eram mais evoluídos que os tapuias, coletores e caçadores que eles consideravam bárbaros. Os tapuias (que eram do grupo lingüístico Jê) já haviam expulsado da praia seus habitantes originais, os chamados homens dos sambaquis”. Tal condução leva a patentear que as tribos primitivas que povoavam Pindorama estavam enraizadas em todo território há milênios. E tal menção assume importância pelo fato da história oficial brasileira admitir apenas a existência do nosso território a partir do “descobrimento” do Brasil, quando, na verdade, muitos outros povos aqui estiveram muito antes, determinando, apenas, que os portugueses verdadeiramente acharam e invadiram o Brasil. Além disso, posicionam-se diversos historiadores e estudiosos que muito antes dos portugueses acharem e invadirem as terras brasileiras, outros povos por aqui circularam entre os aborígines, encontrando-se informações de que há milênios, por exemplo, os fenícios estiveram na costa brasileira por volta 1100 a.C., penetrando pelo interior à cata de minas de ouro, conforme informa Barbalho (1983, p. 27), baseado no austríaco Ludwig Schwenhagen: [...] Já se conhecem, aproximadamente, dois mil letreiros e inscrições espalhados sobre todo território brasileiro e gravados nas pedras com instrumentos de ferro ou bronze, ou com tintas indeléveis, quimicamente preparadas, caracteres petroglíficos evidentemente feitos por homens que sabiam escrever e usavam alfabetos de povos civilizados do Mar Mediterrâneo. Provado também está que existiu transatlântica navegação entre esses povos e o continente brasileiro, durante muitos séculos antes de Cristo. [...] existem também indícios da antiga escrita babilônica a que se dava o nome de sumérica. Ainda mais, há letreiros escritos com hieróglifos egípcios e, em outras pedras, diferenciam-se variantes de letras encontradas em inscrição da ilha de Creta, da Caria, da Etrúria e Ibéria, bem como letras gregas e mesmo latinas. É nesta condução que se encontram as narrativas do historiador grego Diodoro do séc. I a.C., e, também, dos estudos feitos pelo arqueólogo brasileiro Silva Ramos. A respeito disso, Barbalho (1983, p. 30) faz referências ao relato do historiador grego Diodoro Sículo, de Agrigento, cidade grega da Sicília, contemporâneo de Cícero e Julio Cezar, mencionando que: “As correntes oceânicas saídas de Guiné, rumo ao Brasil, foram conhecidas dos navegadores da antiguidade como dos da Idade Média. [...] Os navegadores fenícios encontraram as mesmas correntes oceânicas de que se aproveitaria Cabral para alcançar o continente brasileiro, e chegaram, com viagem de muitos dias às costas do Nordeste do Brasil, efetivando proeza pioneira e tornando-se descobridores do Novo Mundo já em 1100 a.C. Diodoro narra a viagem dos fenícios, praticamente com as mesmas palavras usadas, muito tempo depois, nos compêndios escolares brasileiros acerca da viagem de Cabral”. É com base nisso e noutros estudos realizados por pesquisadores, estudiosos, antropólogos e historiadores, que antes dos portugueses, além dos fenícios, rondaram o território brasileiro desde vikings, celtas, iberos, gauleses, bretões, anglos, saxões, francos, germanos e até neerlandeses. Observa o autor em seus estudos que isso se comprova mediante a questão da origem do nome Brasil que já era conhecido antes da era pré-cristã, referenciado como o Eldorado, o éden terrestre, ou o paraíso. Tal alusão é também observada por Almeida (2007, 32/37), dando conta de que: “[...] relatos de viagem do período medieval afirmavam a existência de um paraíso terrestre; descrições míticas que legitimaram a reconquista ibérica. [...] Por muito tempo, narrativas como as viagens de São Brandão e de Amaro, entre outros navegantes, foram vistas como motivação para as conquistas marítimas”. Tal entendimento bate com a expressão Hy Brazil ou Hy-Breazil que, segundo Bueno (2003, p. 124), tem referência com: “[...] uma das tantas ilhas mitológicas espalhadas pelo Mar Tenebroso se chamava Hy Brazil. Era um território lendário, assoado com a trajetória de São Brandão, místico irlandês que, no ano 565 da era cristã, tinha partido para o oceano em busca de uma terra sem males. Depois de terrível peregrinação náutica, o religioso enfim chegou a uma ilha movediça, ressonante de sinos sobre o velho mar. Batizou-a de Hy Brazil, a Terra da Bem-Aventurança. Brazil provêm da palavra celta “bress”, origem do inglês “bless” que quer dizer abençoar”. No caso da origem do nome Brasil, diversas pesquisas realizadas redundam na celeuma e diversidade de entendimentos entre dicionaristas, enciclopedistas, linguistas e pesquisadores, encontrando-se o étimo como originário do celta breasail, ou do sânscrito bradshita, ou do grego brázein, também do baixo latim brasile, ou do toscano verzino di brasili e do vêneto berzi, do genovês brazil ou brezill, do germânico bras, do aríaco parasil, da expressão Hy-Brazail – referência a uma ilha do Atlântico povoada pelos índios vermelhos, segundo consta de narrativas recolhidas dos antigos irlandeses - e, ainda, do tupi ibira-ciri por causa da Caesalpina echinata, uma madeira vermelha mais popularmente conhecida como pau-brasil, além do tupi-guarani, paraci. Tais expressões significam, segundo dicionaristas e enciclopedistas, algo em torno de pau eriçado o que adviria do pau-brasil. Entretanto, reitere-se que deste as mais remotas eras o nome Brasil teve significação de paraíso terrestre, éden, eldorado, Canaã, coisas assemelhadas ao paraíso do Velho Testamento.
É conveniente, portanto, a necessidade de colocar verdadeiramente que antes dos portugueses já se conhecia a expressão Brasil, outros povos por aqui passaram e que, acima de tudo, aqui existiam tribos indígenas, como se sabe oficialmente, e que, pela visita, invasão e exploração de outros povos que contribuíram direta e indiretamente para a formação brasileira, reconhecendo, evidentemente, a predominância portuguesa. Veja mais aqui.

REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Néri. Em busca do paraíso. Brasil. Especial História: colônia, império, república. Edição 2, p. 32/37, abril/2007.
BARBALHO, Nelson. Cronologia Pernambucana - Subsídios para a História do Agreste e do Sertão. Recife: FIAM, 1983.
BUENO, Eduardo. Brasil: terra à vista! Porto Alegre: LP&M, 2003.
FERNANDES, Florestan. Mudanças sociais no Brasil. São Paulo: Difusão do Livro, 1960.
PROUST, André. O Brasil antes dos brasileiros. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006.


Veja mais Cobiça, Magda Tagliaferro, Buda, Montesquieu, Ciro Alegría, Lucrécio, Cervantes, Millie Perkins, Emerico Imre Toth, Vicente Escrivá, Charles Robert Leslie & Jussanam Dejah aqui.



E mais também Paul Cézanne, Edgar Allan Poe, Jacques Lacan, Nara Leão, Janis Joplin, Magda Tagliaferro & Miguel Paiva aqui.


ENQUETE TATARITARITATA - Genteamiga, o seu Tataritaritatá está realizando uma enquete das mais importantes para a vida do brasileiro!!!! (Não ria não, é coisa séria mesmo!!!!!)
Pois bem, você sabe qual o esporte mais praticado no Brasil?????
Assinale a alternativa correta:
1. Futebol - nesse a gente está careca de saber que somos pentacampeão do mundo, quase hexa num fosse a moleza, salto alto e desentrosamento dos jogadores e a bosteira do Parreira!
2. Voleibol - esse está trazendo muitas medalhas tanto no masculino como no feminino!
3. Basquetebol - que a gente ainda fica babando com a lembrança da dupla Hortência/Paula!!!
4. Futsal - que ganha de goleadas e manda ver!
5. Futebol de praia - ah, memoráveis tempos do Zico, Júnior e dos de hoje!
6. Jogo de cartas - esse eu tenho certeza que tá todo mundo ainda sapecando frouxo!
7. Porrinha (aquela dos palitinhos adivinhando tudo na mão dos outros, sabe?)
8. Xadrez - eita, nem sei se vai longe, ainda me lembro do Mequinho, lembram?
9. Sinuca - ah, num fosse o Rui Chapéu a gente nem sabia que havia campeonato!
10. Pedras - ah, aquela de jogar pedras na vidraça dos outros!
11. Pulhas - ah, todo mundo joga das suas todos os dias, todo dia o dia todo, né? Tem até os enfurecidos que jogam a mãe dos outros!
12. Cuspe - esse eu acho uma descortesia da peste! Melhor cuspir pra cima, se não sair de baixo ele cai na cara mesmo.
13. Espórtula - essa prática que é mais conhecida como: molha-mão, propina, gordura-no-pé-do-cipa, gorjeta, vaselina-pra-funcionário-público, azeite-no-governo, esculhambação de tudo, jeitinho brasileiro, ajeita-aí, facilita-vai!, derrocada-do-PT, alegria-de-autoridade, dízimo, comissão, vantagens, e-na-moringa-não-vai-água?, protocolo, abre-cu da burocracia, moleza, amansa-corno, salivada e por ai vai!!!
Deixe sua manifestação e acompanhe as estatísticas!!!
Participe desse momento histórico da vida brasileira!!!
Vamos nessa? Vamos aprumar a conversa & tataritaritatá!!!!
Beijabrações


CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: Carol Nude, de Tom Wesselmann.
 Veja aqui e aqui.



CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA

Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.


LIVROS PRAS CRIANÇAS & CANTARAU TATARITARITATÁ!

LIVROS PRAS CRIANÇAS Todo dia é dia de presentear livros pras crianças! Veja detalhes aqui . & CANTARAU TATARITARITATÁ ...