terça-feira, abril 29, 2008

A PINGUELUDA


Arte: Ísis Nefelibata

A PINGUELUDA




Judilinho - leia-se Doro -, era doido carne, osso, alma e mais possuídos e despossuídos pela Francisquinha, uma matutinha quase-vesga das grotas, que pela sua brejeirice faceira roubara a bússola do seu coração.
O bocó que inventara um novo nome para se esconder das trapaças que já cometera a fole, estava tão apaixonado de pagar mico adoidado varando noites e dias em sua sofrência por conquistá-la de qualquer forma, nem que fosse na marra, fazendo de tudo para chamar-lhe atenção no meio da sua doidera. E ela nem, nem.
Vôte, o cabra se ouriçava, perdia o prumo, dava cambalhotas na rodagem, amorcegava cata-côrno, dava pirueta na bicicleta entronchada, debulhava chavecagem descabida, enrolava santos e desafetos, tudo para conseguir, nem que fosse de longe e por um instantinho de nada, pelo menos, um biquinho de riso da danada.
- Vixi, Maria! Que nega mais sestrosa! -, era ele de-noite quando busuntava arquitentando planos para envolvê-la na maior das lábias.
Francisquinha ali, pura no seu vestindinho afolosado e bem curtinho de chita, de ver-se a cada alvoroço desengonçado aquele cheirinho de fruta boa inebriando a alma dele, mostrando a caçolinha branca apregada nos fundilhos quando a saia tremulava ao vento e atravessava suas perninhas sedosas e escondidas intimidades.
Eita! Aquilo mexia com todo acorçôo do Judilinho.
Flagrando aquilo, o abestalhado corria para lugar incerto e não sabido, matar a sua sede numa bronha de mais de hora mergulhado na imaginação de foder a alma da danida.
- Venha, Francisquinha! Pelamor de Deus, venhaaaaaaaaa!
Como se arriava de ficar um tempão se refazendo depois de todo galado, causava ainda mais vexame para se esconder, pois que ninguém visse o seu estado detratável de tão melado pelo queijo acumulado de tempos sem molhar biscoito com vivalma perdida. Pois o cara enfrentava de tudo: greve de furunfada da mulher, das mocréias todas e rejeitado por toda mulher vivente no planeta.
Um dia lá, espia só, inventaram um casamento matuto com gente vindo das brenhas mais distantes e escolheram, depois de muito puxa-e-encolhe, para noivos do casório festeiro, Judilinho e Francisquinha. Justo os dois.
Era de mentirinha, mas ele já viajava na maionese como se fosse a mais absoluta verdade. Levou a sério mesmo. Ela nem se tocava com os ardís dele.
Cerimônia enrolada, abençoados no matrimônio, se danaram na festança da quadrilha, só no anavatu, anarriê, olha a cobra, debaixo da ponte, os homens cumprimentam as mulheres, e patati patatá, passear.
Ôxe, nessa hora, Judilinho aproveitou, saiu pela brincadeira fazendo todo tipo de mesura. Francisquinha se ria toda.
Ai ele sai da roda, passeia por longe, até adentrar uns grotões distantes, ela só se abrindo toda, ingênua, com a risível macacada dele.
Depois de se enfiarem dentro do mato, Judilinho se fez de levar um trupicão, esfregando a venta na rodagem de arrancar-lhe um samboque feio, espirrando sangue. Ela estatelou-se, rindo-se desbragadamente. Como se riram.
Depois ela no calor de sua matutice, coitada, pegou da saia e ficou limpando o sangue na venta dele, enquanto Judilinho ficava conferindo a tufa que se sobressaia da caçola.
Ôxe, Judilinho aproveitou-se.
- Francisquinha, deixa eu desembuchar uma apertura que me consome pru dento!
- Ige, como ele tá todo conversadô de prosa! -, disse ela maneirinha na maior risadagem.
- Oia, Fracisquinha, cê num sabe, mas eu tenho uma gastura que me remoi o tempo todo, d'eu quage endoidá de veizi por vosmicê!
- Cuma é? Fala, endoidado!
Coitada, nem sabia da astúcia dele.
O lazarento deitou moda de paixonite aguda da bestinha ficar se mangando fácil.
Era loa descabida que se juntar no mundo todas as asneiras ditas e meladas ali naquele instante num dá para se baldar o tamanho da lorota que ele soltou, a ponto de Francisquinha, na hora agá, interagir com a zoada frouxa, provocando nela um mijadeiro brabo do sujeito ir aparar na cuia das mãos. Ela se rindo. Quase que o mijo abre um rombo no terreno de tão abundante.
Ali ajoelhado, com as duas mãos encuiada entre as pernas dela, ele foi subindo, subindo, subindo até apalpar sua xiranha. Ela estremeceu-se toda.
O arteiro nessa hora, foi providente:
- Tô aparando procê num se mijá facilmente.
- Ih!
- Vou fazê uma reza prá alumiá seu caminho.
- Ih!
- Feche os oios.
- Ih!
- Fique assim de ôio fechado, pensano na salvação do céu. Nessa oração vô fazê cum que o céu ilumine a sua vida e vancê fique rica, famosa e para sempre bonitona!
O cabra mais fuleiro começou dizendo um dialeto inventado, aproximando mais das preciosidades dela, encostando a mão devagarinho quando topou com uma saliência.
- Vôte! Que droga é nove?
O apaideguado foi levantando a saia da menina, fazendo o maior bulício, removendo a calcinha dela e constatando um pinguelão maior que a pêia dele!
- Nossa! Essa tem pinguelo avantajado mermo, maior que a minha peia, visse? S'eu me abestaiar, ela é que me come!
Ôxe! O danado num pôde nem encostar no pitôco que ela foi logo se desmanchando na maior tremedeira e com todos os ais e uis de gozo precoce.
Judilinho foi sabido, foi logo soltando o colchete do vestido, desnudando-a, beijando seu ventre, seus seios, ela agoniada, impando, toda meladinha, ele se aproveitando disso, lubrificando bem a bucetinha dela para enfiar-lhe, finalmente, o mondrongo duro nos seus guardados.
Antes, porém, por conferência e bolinagem, foi enfiando o dedo devagarinho e buliçoso, deslizando na caverna molhadinha, entrou a mão, escorregou o braço, topando numa fundura sem fim.
- Danou-se! Isso não é um lascão de boceta, é uma cacimba bem funda! Essa é mais arrombada que boca de canhão!
No enfiado que fizera, o cabra quase viu o dedo sair pela boca da menina.
A coitada só se ria e chorava, deitada a se contorcer no chão com as pernas abertas, a cheba à mostra, as mãos na cabeça, nuazinha, arreganhada, sendo possuída pelo ajegado que aproveitava a peia perdida no afolosado, gozando exultante nos seus guardados, só saltando fora depois de quase se ver enfiado todo naquela areia movediça que chupava ele todo para dentro dela.
- Eita, gota! Essa mulé quage que me ingoli todo? Sai-te!
Foi aí que, enquanto ele se ajeitava para vestir suas calças, fugindo da safadeza, ela frustrada de tudo, largou uma dedada no furico dele, do tocado ficar sentindo a injetada a bulir na sua tripa gaiteira.
Ôxe, Doro que não era achegado naquilo, deu um salto solto no ar ocasionando o maior remexido no seu bucho, da cólica desenterrar bosta velha na maior caganeira.
- Cagão! -, acusou ela depois que se sentiu preterida pelo marmanjo.
Dedada essa providencial demovendo a prisão de ventre do seboso Judilinho que fabricava um monturo de bosta bastante proeminente.
- Isso num é um home! É um cagado de gente arrodeado de merda por todos os lados! Fui!

© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.

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