quarta-feira, abril 16, 2008

PROESAS DO BIRITOALDO - XVI


XVI

Quando o bicho leva um puxavanque da vida, para baixo todo santo ajuda numa queda só: tei bei! Era uma vez, hem hem....



Birito estava matutando sozinho, amuado e se enrolando com suas caraminholas tolas, se abufelando do gênio ruim trupicando nas adversidades, remoendo as catracas da cachola fundida que um Júnior sairia melhor, enquanto ronronava de revolta prendida no peito de ficar entalado com um nó travoso cuspindo seco, enraivado fulo de num se servir para bosta nenhuma. Mas, destá. Vão ver. Ficou assim horas e horas emburrado e atiçando o juízo até esfumaçar o quengo e derreter umas gaias rebeladas que se encruavam atrapalhando o tirocínio. O seu mal-estar danando fundura na caixa dos peitos como se uma camisa-de-força apertasse seu elã. Engolia cada cururu tinhoso na careta apertada de ficar incendiando o bucho horas esquecidas. Nem arenga para se entreter podia. Arre, égua! Pisaram seu sal e estão torcendo seu nó.
- Trilhei rasto de corno, só sendo! -, arremedava.
Depois de muito engolir mosquito bocejando, a ponto de tomar iniciativa e partir largando astúcia pro seu próprio negócio. Claro, tinha de se virar! Olhe o cara! Que poderia ele armar na vida? Só sabia fazer arte pintando o sete, maior bundão enviesado no destino de nada saber. Botou os neurônios para brigarem, acoitando saída pro seu bunsuntão. Acoloiou-se com todo tipo de gente da pá virada mode achar vereda pra desatino. Só cascaviando idéia. Deu luz. Apropriou-se duns centavos da algibeira e saiu trocando maconha por isqueiro de ouro, dando troco, repassando a maconha por pistola bala U, desta para um punhado de pó, daí foi transando de tudo que chegasse à sua mão. Transou mesmo, às escondidas, o diabo a quatro. Envolveu-se com rufinol, cola, loló, craque, maconha, cânhamo, canabis sativa, diamba, liamba, dirígio, pango, soruma, fumo-de-angola, daí pro roubo, tráfico, barriga-verde, foi só um pinote. As bombinhas a preços populares, maior liquidação, ralou pra caralho, e foi subindo de produção, se engabelando e tramoiando os outros. Astuto virou sabido a ponto capaz de quase se chegar a ter a petulância de ser o principal concorrente do sogro, sonhando dobrá-lo até saber quem era ele. Aprendendo, assim, a conjugar o verbo: um olho dormindo, outro acordado. Para isso, dormia o dia inteiro que só São João e dava de zumbi da boquinha da noite até o quase clarear do dia. Sem nada dizer, nem reclamar, escapulia furtivo pelas beiradas da cidade. Duvido quem achasse! Envultava-se de ninguém mais vê-lo até sol raiando no dia seguinte. Sua presença em casa nem era mais notada. Munga achava era bom suas fugas, continuava perversa e só queria abafar desfilando feito uma sereia sexy com plumas, de quando passar a cauda aumentar a temperatura na Argentina, no Uruguai, em grande estilo, um giro estonteante e vestida na cor do pecado, as pernas torneadas e o colo exuberante à mostra. Ela se parecia mais a Cashemira de tão cobiçada. Nem fazia tanta vista grossa assim, mas ficava de olho no canto para ver se o Birito não andava se enrabichando por mocréias da vida. Fiscalizava quando ele chegava: fazia ele tirar a cueca, olhava de lado a lado, nos mínimos detalhes; ficava inspecionando os colhões e mandava ele assoprar, se tivesse murcho, a casa caía; fazia ele fuder à pulso, ela arreganhada só para ver se a gala havia afinado, insensível às delongas e tergiversações vistas como malandras no jeito do marido, o bicho numa secura de dias sem fuçar carne mijada, quando esporrava, melava até o migué! Ela só na veneta, querendo era pegar o pulo arisco dele. Constatava, assim, que ele tava só zanzando de noite. E era, arrepiando na ilegalidade, nas contravenções, só. Com isso foi até subindo de vida, comprou um carro meio usado pra não abrir o olho de seca-pimenteira de ninguém. Também abriu uma conta com uns tostões no banco só pra ele, nada de chamar a atenção, discretíssimo, enquanto escondia o resto dentro do travesseiro. Armando das suas.
Nesses contornos escusos, eis que reencontra Ilmena, mais velha, mas ainda um pedaço de mau caminho: pandeiruda, solaçosa, bucetuda e viçosa. Vendo-a assim de perto lembrava-se das punhetas que virava a noite tencionando os guardados delas. Eita! Chegara a Ilvete. Duas duma vez é para matar o cristão. De sopetão, lá ia a gostosona da banca, ainda estava cada vez mais reboculosa, eita mulé boa da gota! Não sabia qual queria.
Só falta o quê? -, inquiria ele, doidinho sem saber qual pegar. Primeiro uma no papo, outra no saco. E investiu pesado na professora até que granjeou-lhe a simpatia. Estava todo folgado, cheio de adiantamento, ficou logo de olho aboticado pra cima do decote dela. Que badejo bom! É o dicomer mais apetitoso! Comendo com os olhos. Lambendo os beiços na maior folastria.
- Fessôra, deixa eu pegar no seu pevide! -, disse ele, timidamente, na maior malacia.
- Meu filho, como já dizia Cortázar: um amor não vive de palavras bonitas nem de promessas à distância.
O bicho queimou ruim. Nem sabia quem era aquele condenado, ora! Nem corta-jaca, nem corta azar, nem nada. Partiu pra cima dela cheio de mimos e regalos, ela se fazendo de dura não queria nada com ele, enquanto Birito buliçoso remexia suas entranhas, suas curvas, suas saliências, ela foi gostando, fraquejando, dilatando, se arreando, ele agarrado no cangote dela, ui, num vupe o cabra enfiou o nabo até o talo na perseguida dela! Eita! Foi o maior rojão. E tome impado da gota!
- Tô vendo, viu? -, era aquela voz fanhosa que lhe perseguia com um fedor da porra de alho.
- Que foi isso? -, perguntou ele atarantado.
- O quê? -, inquiriu ela ainda mais estranhando a fisionomia dele!
- Isso! -, respondeu com os olhos já soltando fora.
- Que isso?
- Isso, mulher, isso, não ouviu, não?
- Não ouvi nada, você é que está ficando doido varrido! -, argumentou ela, já se ajeitando e saindo de perto dele, - pode ser que seja contagioso. Já de fininho, se safando dele.
- Ora! -, reclamou irado, batendo com força na parede!
- Tô vendo, viu? -, falou de novo aquela perseguição.
- Vote, capiroto!
O negócio foi enfeiando no ambiente, Ilmena deu logo uma carreira dali pro lado de fora, ficando escondida atrás da porta para ver no que é que dava. Ela ouvia um zoadeiro enquanto Biritoaldo soltava os cachorros pra cima de alguém.
- Apareça, desgraçado! Venha, se for homem!
A cada desafio dele, o negócio andava com uma voz estranha, parecia mais que falava em volapuk. Era aquele anjo da guarda que se dizia seu e ele marretava os maiores palavrões pra banda da entidade.
De repente tudo ficou mudo, um silêncio tumular. Birito sentou-se no chão e ficou pensando. Ilmena entrou na ponta dos pés mais arrepiada de medo. Quando ele viu-a, assustou-se mais! Foi uma gritaria.
- Porra, professora, quer me matar do coração é? Desse jeito eu morro logo!
- Quem era que estava brigando com você?
- Sei lá!
- Nossa, quase eu morri de tanto medo, você brigando...
- Vou s'imbora!
- Ei, quando vai voltar para escola, meu filho?
- Saber de escola? Escola é a vida, mesmo!
- Não é isso que quero dizer, quero saber quando vem me ver de novo?
- Logo, professora, logo, deixe eu ir que tô azuretado agora! -, e saiu esbaforido barroando com Ilvete, nem prestando atenção nisso. Foi direto pra casa, agarrando um litro de uísque e enchendo a cara.
Munga que se encontrava sapecando umas duas de quinhentos na sua leseira, largou do urso e desconfiou seu retorno tão cedo. E mais ficou intrigada com a ingerência de bebida dele. Será que ele vai tomar alguma atitude precipitada? -, pensou ela, - ...será que ele vai querer me esfolar viva? Mulher liga o oitavo sentido na hora agá.
Munga foi se achegando a ele tentando adivinhar aquela sofrência. - Sai prá lá! -, acotovelou-la, resignando-se de enfrentá-lo. Ficou só de molho, esperando no que ia dar. Ele botou pra chorar, espernear, amaldiçoar, desmunhecar, esmurrar, rastejar, se lascar todo e ela sem conseguir entender nada. O cabra tomou umas quatro dozes encarreadas sem nem fazer careta, quase queima o tampo do peito de rasgar-se todo. Ela pensou para si: - corno tem cada pantim, meu deus!
Estava ali a cena mais patética que se possa imaginar. E tome gole atrás do outro. - Esse cabra vai amarrar o bode logo logo, do jeito que tá bebendo! -, disse Munga sem sequer ser ouvida por ele.
Lá para as tantas, foi se achegando, enchendo Munga de carinhos. Ela só franzindo o cenho: - Tô vendo, abestalhado, seu achegamento! -, ela ainda estava mais ingicada porque ele atrapalhou a foda que ela andava sonhando nos últimos dias: - Isso é lá hora dum cabra desse chegar! Por que num foi atropelado no meio do caminho, meu deus? -, ele ouviu esse reclamo, fechou a cara, fitou-a como quem se apodera de uma fúria incontida, armou as mãos para estrangulá-la e saiu batendo as portas, perdido no meio da noite.
- Pronto! Mais um corno vai se suicidar desta vez! -, zombou ela da besteira dele.
Não tinha ele paradeiro pronde ir. Ficou zanzando ermo, doido de pedra. Sabia que aquilo tinha de mudar, tinha de mudar. Resolveu voltar para casa e recolher-se, melhor isso, sim. Voltou e encontrou a porta aberta. Fechou. Seguiu pro quarto e quase cai de costa: Munga estava sendo servida pelo crioulo que estuporou os dois naquele dia fatal. O negão viu-lhe paralisado de não poder correr.
- Que foi, porra! Tá torando um aço de suspender a bosta, né?
- Hum! -, balançou a cabeça, negando e assentindo, sem saber o que dizer.
- Já sei!
O negão puxou a manjuba e foi se dirigindo para ele. Dominado pelo susto, só fez arriar a calça e cair de joelhos, de quatro pés. O negão não se fez de rogado e empurrou a macaca no papeiro dele. O berro cobriu a noite.
- Ei, negão, deixe esse fresco prá lá, venha me foder, venha!
Depois de chapuletadas boas no anel do Birito, o negão arregaçou a pomba e saiu para estropiar os guardados dela que estava doida. E quando se aproximou dela viu-lhe zarolha de gozo só esperando a estocada brava na sua cheba. Ele, com suas manzorras sacudiu-la de banda, repuxou as ancas deixando o cu como um bico para ele esfolar a jega no frande dela. Tame! A nega gemia com a enfiada bruta de se engasgar doida de gozo. Foi tanto remexido da coisa durar uns cinco minutos de sacolejada. Esporrando, o negão foi passando pelo criado-mudo e pegando uns trocados que ali haviam. E vendo Birito estatelado no chão, deu-lhe um chute entre as pernas e partiu bufando.
O dia já estava quase ao meio dia quando Birito abriu um dos olhos devagarinho para ver se o insano ainda estava ali, repassando a vista em todos os recantos do quarto e se certificando da ausência dele. Foi se levantando de mansinho e vendo Munga com a bunda empinada sobre as pernas dobradas e com a cabeça no meio da cama, nua e saciada. Que será do meu filho? -, pensava ele - depois de uma dessas, o menino vai nascer todo misturado, com sangue dum sujeito desses... Meu deus... Ele levantou-se e sentindo-se todo ardido dirigiu-se para o banho. Refeito, almoçou e se acomodou numa cama que existia na despensa e roncou a tarde toda.
Quando anoitecia já para as vinte horas, levantou-se e foi cear. Deu por falta da Munga à mesa.
- Cadê-la? -, perguntou para uma das empregadas da casa.
- Não levantou-se ainda hoje, a patroa.
- Ainda não?
- Não tomou café da manhã, não almoçou e até agora não chegou para cear.
- Deixa, a gravidez deve estar pesando, deve de estar indisposta feito as granfinas que ficam com enxaqueca. Deixa prá lá.
Ceou e saiu. Caiu no mundo. Quando foi passando pela rua de Ilmena, viu-lhe danada na porta da casa e toda sestrosa. Num teve dúvida, invadiu sua residência e meteu bronca na priquita dela. A mulher uivava! Ele assustado demorando até para gozar. Nessa hora chega Ilvete.
- Eita, que o negócio aí tá bom!
Nem ligaram a chegada dela que ficou olhando aquele vuque-vuque. De tanto ver o pandemônio foi ficando molhadinha e a fim de topar bimba dura. E foi se desnudando devagarinho, aproximou-se da cômoda, abriu uma gaveta e retirou um objeto que não deu para identificar na hora. De posse disso, aproximou-se de Birito que estava com a bunda pra cima, enfiando-se nas carnes da irmã dela. Ilvete começou por alisar as costas dele, depois foi descendo, acariciando a bunda, até que pegou o objeto e mirou no bozó dele. O bicho deu um salto solto no ar.
- Epa!
- Calma! -, disse Ilvete vendo Ilmena com os olhos aboticados intrigada com a retirada dele de campo.
- O que foi?
- Ela que queria enfiar coisa no meu cu, pode?
- O que foi, Ilvete?
- Eu peguei meu vibrador e comecei a alisar Birito, achei que ele estava gostando e queria enfiá-lo nele, podia ser que gostasse, porque entrou fácil fácil.
- Epa, cai fora! Pode?
- Ah! Ilmena eu quero também!
- Eu nem gozei ainda, mulher!
- Deixa Ilmena, eu tô toda pegando fogo.
- Vai menino, ajeita logo ela e vê se ainda arruma fogo para me apagar também, tá?
Birito ficou intrigado. Comer as duas? Ilmena saiu, foi pra sala. Birito saltou em cima da Ilvete e tome bola pra frente. O cabra findou com falta de ar, todo lambuzado, cansado que só. Passou meia hora esperando a respiração normalizar. E nem bem se refazia, veio Ilmena alisando a pêia dele que saltou logo com vida, ela sentando em cima de num querer sair mais.
O bicho fodeu mais por um tempo, gozou e saiu empurrando tudo. Sumiu na noite.
Lá para as tantas Ilmena recebia na sua porta um moleque com um envelope. Foi Birito. Abriu, havia umas cédulas que dariam para fazer algumas compras.

© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui




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