
DITOS & DESDITOS – O amor é
o estado no qual os homens têm mais probabilidades de ver as coisas tal como
elas não são. Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal. Há
sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura. Não
há fatos eternos, como não há verdades absolutas. As convicções são inimigas
mais perigosas da verdade do que as mentiras. Quanto mais nos elevamos, menores
parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar. A vida vai ficando cada vez
mais dura perto do topo. A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas
vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez. O que não provoca
minha morte faz com que eu fique mais forte. Querer a verdade é confessar-se
incapaz de a criar. Temos a arte para não morrer da verdade. Sem a música, a
vida seria um erro. É preciso ter o caos dentro de si para gerar uma estrela
dançante. A vida mais doce é não pensar em nada
Pensamento do filósofo alemão Friedrich
Nietzsche (1844-1900). Veja mais aqui.
ALGUÉM FALOU: Pensar
no futuro, pensar no presente. Cada criação, ela tem consequências, então, se
nós tratamos bem a natureza, se nós desenvolvermos bem a agricultura, que ela
seja sustentável, isso tem futuro. E nós precisamos do futuro. Pensamento da engenheira agrônoma
teuto-brasileira Johanna Döbereiner (1924-2000).
Veja mais aqui.
MORTE NO PARAÍSO - [...] Precisamente
o indivíduo sem pátria, em um novo sentido, se torna livre – e só quem já não
está preso à coisa alguma, não necessita mais respeitar coisa alguma. [...]
Por isso já não pertenço a lugar algum,
em toda parte sou estrangeiro e na melhor das hipóteses hóspede. [...] tenho de me lembrar de que para os seres
humanos da minha pátria há muito tempo tão pouco pertenço a ela como para os
ingleses ou norte-americanos pertenço a seus países, tenho de me lembrar de que
a terra onde nasci já não me acho organicamente preso e nestas outras nações
nunca estou inteiramente incorporado. Pensamento do escritor, dramaturgo,
jornalista e biografo austríaco Stefan Zweig (1881-1942), extraído da
obra Morte no paraíso: a tragédia de Stefan Zweig (Rocco, 2012), biografia escrita por Alberto Dines. Veja mais aqui e
aqui.
POEMA - Em todas as ruas te encontro / em todas as ruas te
perco / conheço tão bem o teu corpo / sonhei tanto a tua figura / que é de
olhos fechados que eu ando / a limitar a tua altura / e bebo a água e sorvo o
ar / que te atravessou a cintura / tanto tão perto tão real / que o meu corpo
se transfigura / e toca o seu próprio elemento / num corpo que já não é seu / num
rio que desapareceu / onde um braço teu me procura / Em todas as ruas te
encontro / em todas as ruas te perco. Poema do poeta e pintor surrealista
português Mario Cesariny (1923- 2006). Veja mais aqui.
Imagem: Liberati
VASTAS EMOÇÕES E PENSAMENTOS IMPERFEITOS DE RUBEM FONSECA
“Eu possuo o saber, sem os sentidos, o conhecimento, sem percepções visuais. Meu sonho é feito de idéias”
“Não gosto de televisão. Admito que talvez a televisão seja o meu futuro e os de todos os cineastas, lamentavelmente. Cenário sombrio: a televisão, depois de assegurar a sua posição de principal veículo de lazer e informação, torna-se o único meio de comunicação de massa, mantido por cretinos e/ou aproveitadores sinistros, que produzem uma gratificação espúria e emocionalmente deletéria para um publico passivo e apático, de todas as classes sociais (os ricos usando telas imensas, do tamanho das telas dos antigos cinemas, que não existem mais, viraram farmácias, agencias de bancos) vêem televisão durante a maior parte do tempo, uma média de doze horas por dia – muitos deixam a televisão ligada até para dormir”.
“(...) Estou nervoso pois tenho que faze e desfazer malas, fazer e desfazer amizades e também porque perdi minha por não querer dar um tiro de misericórdia na nuca das pessoas que amo”.
“(..) A religião era um grande negócio dirigido por estelionatários”.
“(...) o verdadeiro artista odeia o país que nasceu...”
“(...) O mal do nosso mundo é que as pessoas cada vez pensam menos”.
“(...) Que sensação ambígua de medo e euforia, saber que alguém o está perseguindo para matá-lo! Como é bom ter uma base real para a própria paranóia!”
“(...) cada geração que surge é pior que a outra”.
“(...) A idéia da perfeição, tanto quanto a sua busca, é uma utopia de sonhadores”.
“(...) Houve época em que pensei em me tornar escritor, mas verifiquei que não era louco o suficiente para tanto. Acho que o sujeito que é escritor, em principio, não é muito bom da cabeça”.
“(...) O arrependimento nunca é um gesto espontâneo, há sempre alguma coerção por trás dele”.
”(...) A dublagem de filmes, como regra geral, foi feita pela primeira na Itália de Mussolini. Uma coisa fascista”.
“(...) O homem necessita purgar os horrores que comete e umas das maneiras de fazer isto é não esquecê-los”.
“Lembre-se da lei da implicância universal: se você não quer ser visto, será – e vice-versa”.
“(...) ao enviuvar descobrira que não podia mais manter sua vida fútil e dissipada, a menos que se desfizesse de parte dos seus bens.assim, vendeu as jóias, as propriedades e, por fim, a filha”.
“Certamente haveria escorpiões naquele porão. Quando eu era criança, minha mãe, para me afastar do porão da casa, vivia contando histórias sobre pessoas que morreram picadas pelo aguilhão dos escorpiões. Sempre brinquei com eles de maneira cautelosa. Vi muitas fêmeas parirem bebes escorpiões vivos e andarem pelo chão com as costas cheias deles,a te que fossem cortados os laços de família e os jovens, já cheios de venenos em seus aguilhões, saíssem pelo mundo solitariamente. Porque o escorpião é um solitário, o mais misantropo dos animais, só se aproxima do seu semelhante para foder ou para lutar até a morte. (...) A fêmea mataria o macho, caso ele não conseguisse fugir, o que era muito raro, e depois iria devorá-lo, ou melhor, sugá-lo. Os escorpiões matam sua presa, ferindo-a e inoculando-lhe uma neurotoxina que causa um envenenamento parecido com o da estricnina. Em seguida injetam nos ferimentos que causaram umas enzimas digestivas, que fluidificam o tecido interno da presa. Após o que, sugam-na até deixá-la apenas um invólucro seco. (...) Enquanto a fêmea punha-se a devorá-lo, a sorvê-lo, eu olhava fascinado e ela me olhava de volta, eu sabia que me olhava de volta, desde criança eu sabia que os escorpiões me olhavam também, principalmente quando eu lhes falava no porão da minha casa: os escorpiões podem ter até doze – doze! – olhos, e quem tem tantos olhos assim tem que ser muito perspicaz. (...) o escorpião é apresentado como um personagem ignóbil, capaz de muitas traições. Pobres animais. Até inventaram que eles se suicidam quando ameaçados, o que é uma sórdida aleivosia”.
“(...) Os melhores curandeiros, classicamente, são os aleijados, os cegos, os padres e as virgens histéricas”.
“(..) Eu não queria renunciar ao mundo, mas o mundo havia se tornado uma coisa cansativa”.
RUBEM FONSECA – O premiadíssimo escritor, roteirista e advogado mineiro, Rubem Fonseca, foi comissário de polícia no Rio de Janeiro, chegando a se aperfeiçoar na área e a estudar Administração de Empresas na New York University. Depois trabalhou na Light quando, por fim, dedicou-se exclusivamente à literatura sendo agraciado com inúmeros prêmios literários por seus escritos literários e roteiros cinematográficos. Entre as suas obras está “Vastas emoções e pensamentos imperfeitos”, um romance que foi publicado em 1988 que traz a sensação de se estar no cinema assistindo a uma colagem de questões intelectuais, angústias humanas, romance policial, cenas da guerra fria, loucuras do sonho. Talvez seja o melhor da obra de Rubem Fonseca porque ler Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos significa não conseguir parar um minuto sequer. É enxergar a vida e as situações cotidianas do homem dentro de uma ótica cinematográfica, na qual é necessário que haja uma lógica concisa e eficiente. Os personagens devem ser sempre muito bem definidos, suas ações delimitadas, seus sentimentos delineados para que o público capte "o quê o diretor quis dizer". E é aí que se encontra a confusão. A história de um cineasta-narrador que se envolve com uma história de pedras preciosas e assassinato, ao mesmo tempo em que começa a ler os contos do judeu soviético Isaak Bábel. A tentativa de transformar tais contos em roteiro para sua nova produção, junto aos seus confusos sentimentos e amores acaba em uma mistura da lógica racional da linguagem cinematográfica, à completa falta de lógica da linguagem inconsciente dos sonhos e a tentativa de adaptar a linguagem literária à uma realidade. E então, qual a mensagem que deve ser passada? Há algo que deve ser passado? Como organizar as vastas emoções sem deixar com que se percam em pensamentos imperfeitos? Rubem Fonseca não fornece respostas, mas incita questões - questões essas que valem muito a pena. Veja mais Rubem Fonseca.
FONTE:
FONSECA, Rubem. Vastas emoções e pensamentos imperfeitos. São Paulo: Planeta De Agostini, 2003.
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mundo deu o créu, sorria!, Maria Clara Machado, Fridrich
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