quinta-feira, março 07, 2013

ARISTÓTELES: A POÉTICA




A POÉTICA DE ARISTÓTELES - Um dos maiores pensadores de todos os tempos e criador do pensamento lógico, o filósofo grego Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.) entendia a poética como mimesis, ou seja, a imitação que visa a recriação e esta visando o que pode ser, e abrangendo a poesia épica, a lírica e a dramática, esta última originando a tragédia e a comédia. Para ele o homem apresenta-se de diferentes modos em cada gênero poético: a poesia épica apresenta o homem como maior do que realmente é, idealizando-o; a tragédia apresenta o homem exaltando suas virtudes e a comédia apresenta o homem ressaltando seus vícios ou defeito. Na sua “Poética” ele traz no primeiro capítulo uma abordagem acerca de alguns aspectos da poesia e da imitação segundo os meios, o objeto e o modo de imitação. A epopéia, a poesia trágica, a comédia, a poesia ditirâmbica, a maior parte da aulética e da citarística enquadram-se nas artes da imitação, havendo entre elas, contudo, a diferença de que seus meios não são os mesmos, tampouco os objetos que imitam e a maneira pela qual se dá essa imitação. Neste sentido, ele defende a idéia de que é o assunto, a essência e não a forma o preponderante para que se considere como poética uma determinada obra.
No segundo capítulo ele aborda as formas pelas quais se utiliza a imitação, afirmando que esta se aplica aos atos das personagens, as quais podem unicamente ser boas ou ruins, dependendo da prática do vício ou da virtude. Nesse sentido, as personagens são representadas como melhores ou piores.
No terceiro capítulo, Aristóteles trata acerca das espécies de poesias imitativas, afirmando ser possível imitar os mesmo objetos nas mesmas situações e numa mesma narrativa, seja pela introdução de um terceiro personagem, seja insinuando-se a própria pessoa sem a intervenção de outro personagem. Uma outra forma de seria contar com a ajuda de personagens que agem por si só.
No capítulo seguinte, trata acerca da origem da poesia e seus diferentes gêneros, que teria duas causas, ambas devidas à natureza do homem. A poesia, então, teria sido criada pelos homens mais aptos à execução da imitação, por meio de ensaios improvisados. A divisão em gêneros resultaria das diferenças entre os caracteres dos sujeitos imitadores.
No quinto capítulo ele efetua uma comparação entre epopéia e tragédia. A primeira, assim como a tragédia, focaliza os assuntos sérios, porém não inclui qualquer forma negativa e é menos limitada quanto à duração em relação à tragédia. Ambas apresentam partes constitutivas comuns e todos os caracteres presentes na epopéia encontram-se também na tragédia.
No sexto capítulo, Aristóteles aborda as diferentes partes da tragédia. Para ele a tragédia compõe-se de seis partes, quais sejam: fábula, caracteres, elocução, pensamento, espetáculo apresentado e canto ou melopéia.
No capítulo sétimo ele enfoca a extensão da ação, parte primeira e capital da tragédia, conceituando princípio como sendo aquilo após o qual é natural haver ou produzir-se outra coisa; fim como sendo o contrário, ou seja, ocorre após outra coisa e é algo após o qual nada ocorre.
No oitavo capítulo Aristóteles faz uma abordagem acerca da unidade da ação e afirma que, ao contrário do que se pode pensar, o que confere unidade à fábula não é a personagem principal. Assim, o que importa é que a unidade da imitação resulte na unidade do objeto, de forma que a supressão ou deslocamento de uma parte seja suficiente para mudar ou confundir o conjunto.
No nono capítulo, ele trata acerca da poesia e a história, o mito trágico e mito tradicional, o particular e o universal, a piedade e o terror, o surpreendente e o maravilhoso, defendendo que não compete ao poeta narrar exatamente o acontecido, mas sim o que poderia acontecer, o possível, a verossimilhança ou a necessidade. Assim, a diferença entre o historiador e o poeta não é a forma da obra, mas o que ela relata. Neste capítulo, é atribuído aos maus poetas a criação de fábulas episódicas, obras em que a conexão dos episódios não observa a verossimilhança e nem a necessidade.
No décimo capítulo traz tão-somente a noção de que as fábulas são classificadas em simples ou complexas de acordo com as ações que imitam.
No décimo primeiro capítulo Aristóteles apresenta os elementos da ação complexa, quais sejam peripécia, reconhecimento e catástrofe ou patético. A Peripécia é um elemento de ação complexa, que, segundo Aristóteles, consiste numa reviravolta das ações, o que conduz a história a um rumo contrário ao que parecia indicado e natural. O reconhecimento é parte da fábula, juntamente com a peripécia e corresponde à passagem do desconhecimento ao conhecimento; tal passagem é feita para amizade ou ódio dos personagens, os quais estão destinados à ventura ou ao infortúnio. E a catástrofe compõe a fábula juntamente com a peripécia e o reconhecimento e consiste numa ação que gera danos e sofrimentos, como, por exemplo, as mortes em cena, as dores lancinantes, os ferimentos e demais ocorrências semelhantes.
No décimo segundo capítulo Aristóteles trata das divisões da tragédia, que são: prólogo, epílogo, êxodo e canto coral. O Prólogo é a parte que a si mesma se basta e que precede a entrada do coro (párodo). O episódio é uma parte completa da tragédia colocada entre cantos corais completos. O êxodo é uma parte completa da tragédia, após há qual não há canto coral.
No décimo terceiro capítulo, Aristóteles trata das qualidades da fábula em relação às personagens. A fábula bela deve ser complexa e capaz de excitar temor e compaixão. Nelas, o infortúnio dos personagens não são fruto de sua perversidade, mas sim das suas ações. Para ser bela, a fábula necessita propor um fim único, oferecendo a mudança da felicidade para o infortúnio em virtude de um erro grave.
No capítulo seguinte, ele aborda os diversos modos de produzir o terror e a compaixão, os quais podem nascer do espetáculo cênico, podendo, porém, derivar do arranjo dos fatos, o que é preferível e evidencia maior habilidade do poeta. Na tragédia, o temor e a piedade devem ser causados pelas ações.
No décimo quinto capítulo, Aristóteles ressalta a importância de que a representação e o entrosamento dos fatos apresentem verossimilhança de modo que as ações e palavras da personagem estejam de acordo com o necessário e verossímil. Assim, o desenlace das fábulas deve nascer da própria fábula e não de um artifício cênico, não havendo, tampouco, espaço nas ações para o irracional.
No capítulo XVII são apresentados alguns conselhos ao poeta que, ao organizar sua fábula, deve sentir como se a tivesse diante de seus olhos e completar o efeito do que é dito pelas atitudes das personagens, razões pelas quais a poesia exige entusiasmo. Defende, ainda, que os assuntos devem conter primeiramente uma idéia global, distinguindo os episódios a seguir. Então, devem ser atribuídos nomes aos personagens, os quais variam em função da sua terminação em neutros, femininos ou masculinos.
No décimo oitavo capítulo, Aristóteles afirma que em todas as tragédias há o nó e o desenlace. O primeiro corresponde à parte que vai do início ao ponto em que ocorre mudança e o desenlace é a parte que vai da mudança até o final da peça.
No capítulo dezenove ele trata acerca do pensamento e dos modos de elocução, prosseguindo no capítulo XX sobre o mesmo assunto, uma vez que os dois elementos são essenciais da tragédia. Prossegue ainda no capítulo vinte e um com a elocução poética quando traz como objeto as formas dos nomes ou figuras. E já no capítulo vinte e dois trata das qualidades da elocução, sendo a principal dessas qualidades a clareza, contudo sem constituir em algo trivial, que é obtida a partir do uso da linguagem corrente.
No vigésimo terceiro capítulo traz a abordagem acerca da unidade de ação na composição épica. Diz-se que é necessário que a fábula seja dotada de tom dramático, e que encerrem uma só ação, com princípio, meio e fim.
No vigésimo quarto capítulo ele trata das partes da epopéia, que deve ser simples ou complexa, ou de caráter, ou patética. Assim, seus elementos essências são os mesmos da tragédia, salvo o canto e a encenação, e também são necessários reconhecimentos, peripécias e catástrofes, devendo, além disso, apresentar pensamentos e linguagem bela.
No capítulo vinte e cinco Aristóteles apresenta a maneira pela qual deve se apresentar o que é falso. Diz-se que o poeta deve dialogar o mínimo possível com o leitor.
No capítulo vinte e seis Aristóteles traz algumas respostas às críticas feitas à poesia, defendendo a idéia de que é erro do poeta a tentativa de imitação do impossível e o erro que provém de uma escolha mal feita não é intrínseco à própria poesia. Critica também o uso exagerado de palavras estrangeiras. Admite-se, ainda, que possam ocorrer eventos aparente inverossímeis e que esse acontecimento seja verdadeiro.
No capítulo vinte sete Aristóteles trata acerca da superioridade da tragédia sobre a epopéia, argumentando que a menor extensão da tragédia proporciona maior prazer do que a diluição da epopéia, sem, contudo, deixar de atingir o seu objetivo, que é o de imitar.
Observa-se, com tudo isso, que A Poética de Aristóteles é uma obra bastante esclarecedora para o entendimento da poesia, sendo, portanto, a base para a sua compreensão, inclusive, para o estudo da arte dramática e da História da Arte como um todo.

ARISTÓTELES. Poética. São Paulo: Abril, 1979.  Confira mais do autor aqui , aqui e aqui



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