quinta-feira, março 07, 2013

AUTOESTIMA




AUTOESTIMA


Já dizia Aristóteles que a felicidade é a satisfação da pessoa consigo mesma. Como isso faz tempo que foi dito, hoje falar de felicidade implica outras ponderações, como a que Eduardo Giannetti traz hoje na indagação sobre até que ponto a civilização moderna tem promovido ou dificultado a busca da felicidade. Isto porque é preciso ponderar onde se enquadra a felicidade na busca, anseio, desejo e perspectiva humana na sua adaptação constante num mundo contemporâneo complexo, competitivo e desafiador.
Afunilando tal questionamento, acredito que a felicidade está relacionada com a auto-estima. E como bem disse a psicoterapeuta Simone Maria Pinheiro Manzoni: “A auto-estima está inevitavelmente ligada ou fazendo parte de nossa identidade”. Isso mesmo. Pois bem. É encontrada na diversa literatura que a auto-estima é uma necessidade humana de respeito, autoconfiança e reconhecimento próprio e consciência das qualidades de si. Também é a relação de aceitação e de confiança da própria pessoa consigo mesma e para o enfrentamento dos desafios e metas da vida.
Diz-se, também, que é a vivência de estar apropriadamente articulado com a vida, isto porque ela atua sobre a atitude das pessoas sendo a maneira como cada um se gosta. Ela também é afetada e está relacionada com a nossa cultura em virtude da forma como somos afetados e influenciados culturalmente. Isto porque, segundo Nathaniel Branden (2002), todo mundo possui o que pode ser chamado de inconsciente cultural, um conjunto de princípios implícitos sobre a natureza, a realidade, os seres humanos, os relacionamentos, a compreensão e os valores de uma época e de um lugar histórico.
Alguns estudiosos acreditam que a auto-estima é composta por vários fatores, principalmente sociais e que o meio contribui para sua elaboração, além de ser estruturada por várias emoções como o amor, a paixão, a frustração, inveja, medo, prazer, alegria, solidão, entre outros.
Para Nathaniel Branden (2002), a auto-estima é a capacidade que uma pessoa tem de confiar em si própria, é algo que afeta crucialmente todos os aspectos da nossa experiência, é expressar de forma adequada para si e para os outros as próprias necessidades e desejos. A auto-estima não aparece de modo isolado, ela se desenvolve como parte de nossa personalidade. Portanto, a auto-estima é a chave para o sucesso ou para o fracasso.
Para Neri e Freire (2000), se ter auto-estima é julgar que "sou" adequado à vida, à experiência da competência e do valor, se a auto-estima é a auto-afirmação da consciência, de uma mente que confia em si, então ninguém pode gerar uma determinada experiência a não ser seu "eu" mesmo. Portanto a importância de uma auto-estima saudável está no fato de que ela é o fundamento da nossa capacidade de reagir ativa e positivamente às oportunidades da vida.
A auto-estima está assentada sobre dois pilares: auto-suficiência e auto-respeito. A auto-suficiência se identifica na capacidade de entendimento e discernimento das coisas e fatos, na expressão do nosso pensar, refletir, escolher e decidir. Já o auto-respeito está na nossa relação com os valores, dentro do contexto das nossas vontades, necessidades, afirmação na vida, conforto e pensamentos. E também pode ser a auto-estima expressada de forma positiva ou negativa. A auto-estima positiva é sentir-se confiantemente adequado a vida. Enquanto que a auto-estima negativa, ou baixa, como se diz comumente, é sentir-se inadequado a vida, com negativismo sobre si mesmo, gerando medo, ansiedade, fobias e problemas de saúde.
A auto-estima intimamente ligada à capacidade humana de ser feliz. E conforme Branden (2002), a auto-estima saudável esta significativamente relacionada com racionalismo, realismo, intuição, criatividade, independência, flexibilidade, capacidade de enfrentar os desafios, disponibilidade para admitir e corrigir erros, benevolência e cooperação. Assevera enfaticamente o autor que como a auto-estima é uma conseqüência, um produto de atitudes geradas internamente, não podemos trabalhar de forma direta nem com a nossa nem com de ninguém. Temos de nos reportar à fonte. Se entendermos o que são essas atitudes, podemos nos empenhar para iniciá-las dentro de nós e lidar com os outros de modo a auxiliá-los e encorajá-los a fazer o mesmo. Por isso, Branden (2002), elenca seis atitudes ou práticas que são definidas como essenciais para se construir uma auto-estima elevada, necessária para todas as pessoas: a primeira, a prática de viver conscientemente. Depois, auto-aceitação. Em seguida: senso de responsabilidade, auto-afirmação, viver objetivamente e integridade pessoal.
Vê-se, portanto, que se entendermos de fato o que é a auto-estima, a lógica dessas correlações torna-se clara. Isto quer dizer que quando a auto-estima é saudável não há receio algum da pessoa admitir o erro, não tendo vergonha de si nem de ninguém. Por outro lado, negações e uma postura defensiva são características da insegurança, da culpa, do sentimento de inadequação e da vergonha. É a baixa auto-estima que vive a simples admissão de um erro como humilhação e até mesmo como auto-condenação.
No que concerne às emoções, Braghirolli et al (2002) assinala a existência de alguns indicadores, ao todo três, que são utilizados para identificar as emoções: através de relatos verbais onde os indivíduos expressam oralmente ou escrevem sobre seus sentimentos; através da observação do comportamento que demonstra respostas visíveis às emoções; e através de indicadores fisiológicos, através da observação da pressão, tensão muscular, sudorese, ritmo cardíaco, entre outros.
As características identificadas no ser humano que possui auto-estima saudável, se expressa por meio de um sujeito poderoso, mas não opressor; inteligente, mas não pernóstico; humilde, mas não subserviente; ambicioso sem ser ganancioso, e compreensão, mas não idiota.
Por esta razão observa-se que é imprescindível para uma saudável auto-estima a formação, a consciência e o discernimento para que, harmonizada consigo mesma a pessoa possa atravessar, persistir, perseverar e suplantar os desafios e óbices da existência humana.

FONTES:
ANTUNES, Celso. Relações interpessoais e auto-estima: sala de aula como um espaço de crescimento integral. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.
BRAGHIROLLI, E. M.; BISI, G. P.; RIZZON, L.A.; NICOLETTO, U. Psicologia geral. Porto Alegre: Vozes, 2001.
BRANDEN, N. Auto-estima e os seus seis pilares. São Paulo: Saraiva, 1999.
_______. Auto-estima. como aprender a gostar de si mesma. São Paulo: Saraiva, 1995
_______. Auto-estima: liberdade e responsabilidade. São Paulo: Saraiva, 1997.
DOUGLAS, M. Como vencer com a auto-estima. Rio de Janeiro: Record, 1996.
FREIRE Paulo, Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
______A importância do ato de ler, em três artigos que se contemplam. São Paulo: Cortez, 1983.
GIANOTTI, Eduardo. Felicidade: diálogos sobre o bem-estar na civilização. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
MAZONI, Simone Maia Pinheiro. Auto-estima, seja você. Revista Municipal. Ano 01, Edição 1 [14-15], Maceió, julho de 2005.
PADILHA, Ênio. Marketing pessoal e imagem pública.Curitiba, Gráfica C. P. s. d.
SCHUTZ, Edgar. Reengenharia Mental. Florianópolis: Insular, 1998.
VYGOTSKY, L.S. Psicologia Pedagógica. Porto Alegre. Artmed, 2003.   Confira mais aqui




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