quinta-feira, março 07, 2013

BUDISMO




O budismo surge no norte da Índia onde nasceu o Jainismo. O fundador do budismo é Gautama ou Siddhárta, que será em seguida denominado Câkya-Muni, ou seja, o sábio do Çâkyas e, posteriormente, Buda, o iluminado. Ele nasceu pelo ano 560ª.C., perto de Kapilavatsu, capitado do estado. Foi criado pela irmã da sua mãe, passando a mocidade entre as mais requintadas voluptuosidades. Aos 20 anos Gautama casou com uma ou provavelmente três mulheres e teve um filho que o seguiria mais tarde na via da renuncia ao mundo. Apesar da vida voluptuosa de que era rodeado, aos 30 anos o futuro Buda experimentou um desgosto profundo do mundo e da vida. Tinha 36 anos quando compreendeu que: o sofrimento é essencial à vida, que se resolve na doença, na velhice, na morte. Desde então Gautama se tornou Buda, o iluminado, superior aos ascetas e aos próprios deuses, porque tivera a intuição da via para libertar-se do curso tormentoso da existência, da cadeia trágica do nascimento e da morte, do sofrimento e da vida. Descoberta a verdade libertadora, Buda ficou em duvida se devia ou não revelá-la ao mundo, mas resolveu manifestar aos homens a via da salvação, isto é, a libertação definitiva desta vida.
A DOUTRINA BUDISTA – Para o budismo nega a realidade substancial do eu e do não-eu, dissolvendo ambos em elementos fenomênicos, embora mutuamente conexos. Assim, o individuo humano não tem realidade estável nem como espírito, nem como corpo, os quais são complexos mutáveis de elementos fenomênicos. Não é real o ser, mas o ato. Este determina aquela agregação de elementos fenomênicos, que é a personalidade empírica, pelo desejo e pela vontade de viver. Essa vontade de viver por sua vez, procede da inconsciente ignorância da vaidade do mundo e da vida. É loucura, portanto, apegar-se à vida e é sabedoria libertar-se dela. Para o budismo a libertação depende radicalmente do conhecimento, da ciência. É, por conseguinte, uma doutrina intelectualista, pela importância fundamental que atribui ao conhecimento na solução do problema da vida. É ao mesmo tempo agnóstico, porque não indaga a respeito do absoluto e nada sabe sobre ele, interessando-se unicamente pela libertação deste mundo efêmero e pela dissolução da vida empírica. Como é antimetafísico, é antiascetico, porquanto julga estéril a penitencia corporal. O desapego do mundo e a mortificação da vontade de viver, de harmonia com todo o pensamento clássico indiano, nega e condena a ação no mundo geradora do mal e do sofrimento.
Buda sintetiza a sua complexa doutrina nas quatro famosas santas verdades da predica de Benares: a vida é sofrimento – a causa do sofrimento é o desejo – é mister suprimir o desejo para libertar-se do sofrimento – para suprimir o desejo para libertar-se do sofrimento – para suprimir o desejo é preciso praticar oito fundamentais mandamentos éticos.
O budismo originário era empírico e agnóstico, consistindo o escopo da vida na consecução da libertação pessoal nirvânica, e essa praxe excluía de propósito toda metafica verdadeira e própria.
Após a morte de Gautama, seus ensinamentos foram codificados pelos discípulos que os conservaram, a principio por tradição oral e mais tarde por escrito. Cerca de 100 anos depois, uma série de divergências começou a dividir a comunidade.
O fim do budismo indiano está ligado à invasão islâmica da Índia a partir do séc. XIII, que destruiu os grandes mosteiros e universidades e conseguiu extirpar o budismo do solo indiano.
Em seus 2 mil e 500 anos de história, o budismo deu origem a grande número de escolas e correntes, apresentando complexas variações doutrinárias. Encontram-se no budismo elementos doutrinários pan-indianos ao lado de outros especificamente budistas
Há que se considerar que o idealismo budista suscitará depois do século V uma escola de lógicos ilustres, cujos maiores expoentes serão Dignâga e Dharmakitri. Mais adiante o budismo se confronta com o induísmo e com o bramanismo, acabando de ser suplantado pelo segundo depois do século XII.
O budismo proporcionou ao pensamento indiano uma grande contribuição critica.
A literatura canônica do budismo compreende três grandes coleções: o cânon páli, conservado pelos budistas do sudeste asiático, o cânon sino-japones e o cano tibetano. Existem mais textos esparsos em sânscrito, mandchu, mongol e em vários dialetos da Ásia central, como tangut.
O budismo pretende que se evite especialmente o amor à mulher, daí derivando a conservação da espécie humana. O que é a extrema expressão do desejo, da vontade de viver e implica o extremo sofrimento humano. Conta a este propósito certa lenda budista que uma famosa e belíssima hetera se apaixonou loucamente por um jovem sequaz de Buda. E tendo-o convidado repetidas vezes para junto de si, o homem budista sempre recusou o convite. Em seguida, por ter consentido um crime, a hetera foi punida por ordem do rei com a mutilação, que a tornou disforme e repugnante, e assim abandonada na lama de um cemitério. Então o jovem budista foi visitá-la. Muito surpreendida, a hetera perguntou-lhe porque não quisera vê-la quando era sã e bonita e a visitava agora que era disforme. O jovem respondeu: “Minha irmã, eu não vim antes junto de ti, atraído pelo amor da voluptuosidade, mas venho agora para conhecer a verdadeira natureza daquele corpo miserável que faz o prazer do homem”. E depois a consolou na paz de Buda.

FONTES BIBLIOGRÁFICAS:
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2002.
COURTILIER, Gaston. As Antigas Civilizações da Índia . Rio de Janeiro Editions Ferni, 1978.
JAIN, Jagdish Chandra. Jainismo : vida e obra de mahavira vardhamana / Jagdish Chandra Jain, Mahavira Vardhamana. São Paulo : Palas Athena, 1982.
PADOVANI, Umberto; CASTAGNOLA, Luis. Historia da filosofia.São Paulo: Melhoramentos, 1978.
PIAZZA, Waldomiro. Religiões da Humanidade. São Paulo: Loyola, 1988.
WILGES, Irineu. Cultura religiosa. As religiões no mundo. Petrópolis: Vozes, 1987.




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