domingo, julho 20, 2014

GESTALT, SANTANA, PETRARCA, MOGOLY-NAGY, KARLFELDT, LIEBERMANN & PÂUNESCU.


Imagem: Paul Hartland Carnival - Composition with two masks (1934), do pintor, fotógrafo e escritor húngaro László Modoly-Nagy (1895-1946)

Ouvindo o álbum Oneness, silver dreams – golden reality (1979), do guitarrista e compositor mexicano Carlos Santana.

PSICOLOGIA DA GESTALT – A palavra Gestalt possuía dois significados na Alemanha: uma que denota a forma ou formato como propriedade dos objetos, referindo-se às propriedades gerais expressas em questões como angular ou simétrico e descrevendo as características como a forma triangular de uma figura geométrica ou o ritmo de uma melodia. A segunda forma denota a unidade ou a entidade concreta que tem como atributo uma forma ou um formato especifico e, nesse sentido, diz respeito a triângulos e não à noção do formato triangular da figura. Pode, então,s er usada para se referir a objetos ou às suas características formais ou abrangendo a aprendizagem, o pensamento, as emoções e comportamentos. A revolução da Gestalt tomava conta da psicologia na Alemanha, maios ou menos na mesma época do behaviorismo nos Estados Unidos. Essa revolução consistia em mais um protesto contra a psicologia wundtiana e viria mais tarde a se tornar um testemunho das ideias de Wundt, como fonte de inspiração para o surgimento de novas visões, e como base para o lançamento de novos sistemas de psicologia. Os psicólogos dessa teoria admitiam o valor da consciêmcia embora criticassem a tentativa de reduzi-la a elementos ou átomos, comparando a abordagem de Wundt com a construção de uma casa, em que os elementos seriam unidos pela argamassa mediante o processo de associação. Além disso, acusavam Wundt de afirmar que a percepção dos objetos era meramente a soma ou a junção dos elementos, formando-se uma espécie de pacote. Insistiam em alegar que, ao se combinarem, os elementos sensoriais formariam um novo padrão ou uma nova configuração. Essa ideia se encontra na expressão conhecida como o todo é diferente da soma das partes. Com isso, acreditavam que há mais na percepção do que os olhos veem: a percepção vai muito além dos elementos sensoriais, dos dados físicos básicos proporcionados aos órgãos dos sentidos. A base da sua posição estava assentada ao enfoque na unidade da percepção entrada em Immanuel Kant (1724-1804), alegando que quando percebemos o que chamamos de objeto, encontramos os estados mentais que parecem compostos de partes e pedaços. Para Kant esses elementos são organizados de forma que tenham algum sentido, e não por meio de processos de associação. Com isso,a percepção não é uma impressão passiva e uma combinação de elementos sensoriais, mas uma organização ativa dos elementos de modo que forma uma experiência coerente. Assim, a mente molda e forma os dados originais da percepção. Franz Brentano também se opôs ao enfoque wundtiano, propondo à psicologia o estudo do ato da experiência, considerando artificial a introspecção e defendia uma observação menos rídica e mais direta da experiência na forma como ela ocorre, estando mais próxima dos métodos da Gestalt. Outra influência dessa corrente foi a fenomenologia, doutrina baseada na descrição imparcial da experiência imediata na forma como ela ocorre, uma abordagem do conhecimento com base em uma descrição imparcial da experiência imediata conforme ela ocorre e não analisada ou reduzida a elementos. Essa psicologia desenvolveu-se por um estudo de pesquisa conduzido, em 1910, por Max Wertheier envolvendo a percepção do movimento aparente, ou seja, do movimento quando não há efetivamente o movimento físico, referindo-se a essa expressão como impressão do movimento, denominando essa noção de fenômeno phi, uma ilusão de que dois focos fixos de luz piscante estão em movimento de um lugar para outro. Para a Gestalt o cérebro é um sistema dinâmico em que todos os elementos ativos interagem em determinado momento. CONSTÂNCIA PERCEPTUAL – Depois dos estudos da percepção do movimento aparente, deu-se a experiência da constância perceptual foi definida como a qualidade de integridade ou plenitude da experiência perceptual, que não se aterá mesmo com a mudança dos elementos sensoriais.  O mesmo ocorre com a constância do tamanho e do brilho em que os elementos sensoriais mudam, mas não a percepção. Nesses casos, assim como no movimento aparente, a experiência perceptual é dotada da qualidade da totalidade ou da integridade não encontrada em nenhuma parte componente. Assim, existe uma diferença entre o caráter da estimulação sensorial e da percepção em si. Em vista disso, o principio de organização perceptual observa o movimento aparente, como unidades completas e não como agrupamentos de sensações individuais, pois ela ocorre instantaneamente, sempre que percebemos diversos padrões ou formatos. Os vários princípios de organização perceptual compreendem proximiade, continuidade, semelhança, simplicidade e figura/fundo. Os estímulos são fatores periféricos da organização perceptual. INSIGHT – Identificado por Köhler como a espontânea e aparente apreensão ou compreensão das relações, ou seja, a aprendizagem ideacional e sustentada pelo conceito global ou molar. PENSAMENTO HUMANO PRODUTIVO – A aprendizagem aplicada ao pensamento criativo humano, proposta por Wertheimer considerava que o pensamento forma-se como um todo e que o problema como um todo deve dominar as partes. ISOMORFISMO – Os psicólogos da Gestalt descreveiam o córtex cerebral como um sistema dinâmico em que os elementos ativos interafgem em um determinado momento, sugerindo que a atividade cerebral é um processo integral de configuração, a partir da ideia do movimento aparente e do fenômeno phi. Assim, o isomorfismo é a doutrina que afirma existir uma correspondência entre a experiência psicológica ou consciente e a experiência cerebral latente. Assim, eles sugeriram que tal como o comportamento de um campo de força eletromagnética em volta de uma imã, os campos de atividade neurais são estabelecidos por processos eletromecânicos do cérebro em resposta aos impulsos sensoriais. WOLFGANG KÖHLER (1887-1967) – Foi o porta-voz do movimento da Gestalt. Ele estudou macacos no Tenerife. Acreditando que a única maneira de animais aprenderem era por meio de tentativa e erro, isto é, tropeçando acidentalmente na resposta correta, acreditando, ainda, que eles eram mais inteligentes do que pessoas ensinadas e que eram capazes de resolver problemas de maneira muito semelhantes aos humanos. Esses animais estudados exigiram uma maneira diferente de aprender, e suas ações levaram a uma outra revolução na psicologia, a outra maneira de abordar o estudo da mente e do comportamento. Ele sugeriu que a teoria da Gestalt consistia em uma lei geral da natureza que pode ser amplamente aplicada em todas as ciências. Foi o único psicólogo não judeu na Alemanha a protestar publicamente contra as demissões dos intelectuais judeus. MAX WERTHEIMER (1880-1943)– É um dos principais fundadores da psicologia da Gestalt e fazia parte do primeiro grupo de estudiosos a fugir da Alemanha nazista para os Estados Unidos, chegando em Nova York em 1933, onde permaneceu até a sua morte. KURT KOFFKA (1886-1941) – Foi o mais criativo dentre os fundadores da psicologia da Gestalt; definindo a preocupação mais ampla dos processos cognitivos, as questões relacionadas ao pensamento, a aprendizagem e outros aspectos da experiência consciente e trabalhou com a psicologia do desenvolvimento infantil. Veja mais aqui.

REFERÊNCIAS
ATKINSON, Richard; HILGARD, Ernest; ATKINSON, Rita; BEM, Daryl; HOEKSENA, Susan. Introdução à Psicologia. São Paulo: Cengage, 2011.
DAVIDOFF, Linda. Introdução à Psicologia. São Paulo: Pearson Makron Books, 2001.
GAZZANIGA, Michael; HEATHERTON, Todd. Ciência psicológica: mente, cérebro e comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2005.
MORRIS, Charles; MAISTO, Alberto. Introdução à psicologia. São Paulo: Pretence Hall, 2004.
MYERS, David. Psicologia. Rio de Janeiro: LTC, 2006.
SCHULTZ, Duane; SCHULTZ, Sydney. Historia da psicologia moderna.São Paulo: Cengage Learning, 2012.



PETRARCA O poeta e humanista italiano Francesco Petrarca (1304-1374) é considerado o inventor do soneto e ficou famoso por seu romanceiro. Do seu livro de Sonetos, destacamos o III: “Se a minha vida do áspero tormento / E tanto afã puder se defender, / Que por força da idade eu chegue a ver / Da luz do vosso olhar o embaciamento, / E o áureo cabelo se tornar de argento, / E os verdes véus e adornos desprender, / E o rosto, que eu adoro, empalecer, / Que em lamentar me faz medroso e lento, / E tanta audácia há de me dar o Amor, / Que vos direi dos martírios que guardo, / Dos anos, dias, horas o amargor. / Se o tempo é contra este querer em que ardo, / Que não o seja tal que à minha dor / Negue o socorro de um suspiro tardo”.


LUIZ EDMUNDO ALVES – Conheci o excelente trabalho desse poeta, editor, videomaker e psicólogo baiano-mineiro, Luiz Edmundo Alves, por meio do seu espetacular sítio literário Tanto. Ele é autor dos livros de peosia Entre outras coisas (1981); Metropolitano aloucado (1983); Sopro (1990); Na contra luz (2002) e Fotogramas de Agosto, do qual destacamos Canonizemos: “canonizemos glauber cássia eller cazuza / ana cristina césar paulo leminsky tim maia / Renato russo Torquato neto raul seixas cacaso / mamonas assassinas elis regina gonzaguinha / todos santos seres rebeldes no altar iluminado / da santa transgressão. rezemos por eles. / rezemos também por nós, por nossa vontade / de pecar andar amar beijar cantar falar viajar / lutar namorar sonhar / criar como ar, o ar rarefeito da existência. / anseio e memória: ar, arte. / o destino não tem senhor. e desconfiemos... / minha saudade já não me afasta / de minha alegria, / não me infecciona mais / a válvula mitral, / e balança embalada pela / brisa mansa de agosto. / não amarga, / não está paginada nem dividida / é saudade adquirida. / minha saudade já consegue ser meu poema, / meu rosto calmo, ser capítulo de minha história. / estou sozificado, falta meu sofrimento. / sobram sua falta e minha memória”.

O AMOR É LINDO: DOIS POEMAS, DOIS POETAS
Imagem do pintor, gravurista e litógrafo do Impressionismo alemão, Max Liebermann (1847-1935)

ADRIAN PÂUNESCU – Belíssimo esse poema E ainda o amor, do poeta, jornalista e político romeno Adrian Pãunescu, traduzido por Pedro Calouste: “E ainda o amor existe / E ainda a maldição existe / Deixo o mundo saber / Que amo, tenho fé e medo. / E ainda a insônia existe / E ainda morremos repetidamente / E ainda acredito em almas gêmeas / E ainda qualquer coisa muda. / Exigências do mundo que não possuo, / Uma cama, a escuridão e tu. / Pisamos o chão do amor sem nome, / O tremor como um trovão que atinge. / As máquinas do mundo não andam, / As redes de comunicação caíram, / Um enorme deserto se deita em volta, / acordarás o mundo com um beijo./ Agora declaro-te deusa, / Sinto-me eu próprio um deus. / Põe o mundo de pé, mulher, / com crianças em meu nome. / Lá fora um enxame de escuridão, / Aqui somos luminosos. / Guerras entre religiões / Culpando-se das mesmas coisas. / Tu e o amor, ambos existem / E a morte existe no amor. / Amo-te mais quando estás triste / A tristeza, de fato, és tu. / Os joelhos eu rendo no asfalto, / Ofereço a minha cabeça ao céu, / Estás nos meus poderes agora / Apesar de a inquisição te querer. / As minhas palavras estão distorcidas, / Regresso à primeira sílaba. / Destruo a floresta que te esconde: / "Adeus, ou seja, eu fico". / E ainda o amor existe / E ainda a maldição existe / Deixo o mundo saber / Que amo, tenho fé e medo”.

ERIK AXEL KARLFELDT – Outro belíssimo poema sobre o amor, este Serenata do poeta do Simbolismo sueco Erik Axel Karlfeldt (1864-1931), Prêmio Nobel de Literatura, de 1931, traduzido pelo Ivo Barroso: “As glandes do pinheiro e a folhagem das bétulas / Cobriram teu telhado, onde a erva murchou. / Dorme em teu leito de palha, dorme feliz e tranquila / à sombra das nuvens que a noite semeou. /Quando o inverno vier bater à tua porta, vestido de branco, / tal qual um pretendente, sonha então um sonho bom que te acalente / ao abrigo de tuas paredes de madeira. / Sonha com o vento do verão, a cantar e a brincar, / embora gema lá fora a tempestade. / Sonha que sob a verde abóbada das bétulas / Repousas adormecida nos meus braços


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