sábado, março 14, 2015

RACHMANINOFF, MERLEAU-PONTY, CONY, BERNETTE, CASTRO ALVES, LEFEBVRE, TROIA, QUADRINHOS & AVENTUREIROS DO UNA


AVENTUREIROS DO UNA – A minha primeira coleção na vida foi a de gibi. Menino, ainda, eu viajava nos quadrinhos dos super-heróis e, sobretudo, entre os livros de Monteiro Lobato e Maurício de Souza com a Turma da Mônica. Adolescente eu tinha sacos e sacos cheínhos deles. Até que um dia resolvi eu mesmo produzir o meu. E isso só foi possível por causa da parceria com o artista plástico e ator Rolandry Silvério: Os aventureiros do Una.  E como hoje é o Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos, impossível não dar uma repassada na minha infância e nessa aventura que me levou pra Literatura. Veja mais aqui e aqui.

Imagem: Reclining nude, do pintor francês Jules Joseph Lefebvre (1838-1911)

Ouvindo os Preludes op. 32, 9 e op. 23 (Deutsche Grammophon, 1970), do compositor, pianista e maestro do Romantismo russo Sergei Rachmaninoff (1873-1943), na interpretação da pianista brasileira Yara Bernette (1920-2002).

O OLHO E O ESPÍRITO – Na obra O olho e o espírito (L’oeil et l’esprit – Veja, 1997), o filósofo fenomenólogo francês Maurice Merleau-Ponty (1908-1961) trata acerca do vivente no mundo na condição de vidente e visível do eu vejo e do eu posso, relacionada à pintura, valorizando a atividade do artista plástico não diferenciando o vidente do visível, o eu do mundo, nem o sujeito do objeto. Aborda também sobre o racionalismo e Descartes, criticando a ingenuidade da ciência no início do séc. XX pela reprodução dos fenômenos nos laboratórios. Desse livro destaco o trecho: A ciência manipula as coisas e renuncia a habitá-Ias. Fabrica para si modelos internos delas e, operando sobre esses índices ou variáveis as transformações permitidas por sua definição, só de longe em longe se defronta com o mundo atual. Ela é, sempre foi, esse pensamento admiravelmente ativo, engenhoso, desenvolto, esse parti pris de tratar todo ser como "objeto em geral", isto é, a um tempo como se ele nada fosse para nós, e, no entanto, se achasse predestinado aos nossos artifícios. Mas a ciência clássica guardava o sentimento da opacidade do mundo, era a este que ela pretendia juntar-se por suas construções, e por isto é que se acreditava obrigada a procurar para suas operações um fundamento transcendente ou transcendental. Há, hoje em dia –não na ciência, e sim numa filosofia das ciências assaz difundida -, isto de inteiramente novo: que a prática construtiva se toma e se dá por autônoma, e que o pensamento deliberadamente se reduz ao conjunto das técnicas de tomada ou de captação, que ele inventa. Pensar é ensaiar, operar, transformar, sob a única reserva de um controle experimental onde só intervêm fenômenos altamente "trabalhados", e que os nossos aparelhos produzem, em vez de registrá-los. Veja mais aqui.

O POETA & VENDAVAL MARAVILHOSO – O poeta baiano Castro Alves (1847-1871), entre a poesia e a vida, se apaixonando em 1866, durante a apresentação da atriz de teatro, poeta e tradutora portuguesa Eugênia Câmara (1837-1874) no Teatro Santa Isabel, em Recife. Com ela teve uma relação que durou até 1868. Esse relacionamento recebeu duas adaptações para o cinema; A primeira, O Poeta (1939); a segunda, o filme luso-brasileiro Vendaval Maravilhoso (1949), com roteiro de Joracy Camargo, Osório de Almeida e do diretor José Leitão de Barros, com a atriz e cantora portuguesa Amália Rodrigues interpretando Eugênia Câmara e o ator Paulo Maurício como Castro Alves. Ele dedicou-lhe duas poesias recolhidas das Poesias Completas de Castro Alves (Spiker, s/d), a primeira no livro Hinos do Equador: Ainda uma vez tu brilhas sobre o palco, / ainda uma vez eu venho te saudar... / também o povo vem rolando aplausos / às tuas plantas mil troféus lançar!... / Após a noite, que passou sombria / a estrela d´alva pelo céu rasgou / errante estrela, se lutaste um dia, / vê como o povo o teu sofrer pagou... / Lutar!... que importa, se afinal venceste? / Chorar!... que importa, se afinal sorris? / A tempestade se não rompe a estátua / lava-lhe os pés e a triunfal cerviz. / Ouve o aplauso deste povo imenso, / lava, que irrompe do popular vulcão? / É o bronze rubro, que ao fundir dos bustos... / referve ardente do porvir na mão. / O povo... o povo... é um juiz severo, / maldiz as trevas, abençoa a luz... / sentiu teu gênio e rebramiu soberbo: / - Pra ti altares, não do poste a cruz. / Que queres? Ouve! – são mil palmas férvidas, / Olha! – é o delírio, que prorrompe audaz / Pisa! – são flores, que tu tens às plantas / toca na fronte – coroada estás. / Descansa, pois, como o condor nos Andes, / pairando altivo sobre terra e mar / pousa nas nuvens pra arrogante em breve / distante... longe... mais além voar. A segunda, recolhidas entre as inéditas do volume, com o título de À atriz Eugênia Câmara (No dia seguinte ao de uma vaia sofrida no Teatro Santa Isabel, em Recife): Hoje estamos unidos a adorar-te, / tu é a nossa gloria, a nossa fé, / gravitar para ti é levantar-se, / cair-te às plantas é ficar de pé! / Ontem a infâmia te cobriu de lama / mas para insultar-te se cobriu de pó!... / Miseráveis que ferem a fraqueza / de uma pobre mulher inerme, só! / Tu és tão grande como é grande o gênio, / és tão brilhante como a própria luz, / dentre os infames do calvário d´arte, / tu foste o Cristo, foi o palco a cruz!.../ Mas estamos unidos a adorar-te! / Tu és a nossa gloria, a nossa fé! / Gravitar para ti é levantar-se, / cair-te às plantas é ficar de pé! Veja mais aqui e aqui.

DA SALVAÇÃO DA PÁTRIA – No livro O ato e o fato: crônicas políticas (Civilização Brasileira, 1964), do escritor, jornalista e membro da Academia Brasileira de Letras, Carlos Heitor Cony, encontrei essa primorosa crônica, Da salvação da pátria: Posto em sossego por uma cirurgia e suas complicações, eis que o sossego subitamente se transforma em desassossego: minha filha surge esbaforida dizendo que há revolução na rua. Apesar da ordem médica, decido interromper o sossego e assuntar: ali no Posto 6, segundo me afirmam, há briga e morte. Confiando estupidamente no patriotismo e nos sadios princípios que norteiam as nossas gloriosas Forças Armadas, lá vou eu, trôpego e atordoado, ver o povo e a história que ali, em minhas barbas, está sendo feita. E vejo. Vejo um heróico general, à paisana, comandar alguns rapazes naquilo que mais tarde o repórter da TV-Rio chamou de “gloriosa barricada”. Os rapazes arrancam bancos e árvores. Impedem o cruzamento da Avenida Atlântica com a Rua Joaquim Nabuco. Mas o general destina-se à missão mais importante e gloriosa: apanha dois paralelepípedos e concentra-se na brava façanha de colocar um em cima do outro. Estou impossibilitado de ajudar os gloriosos herdeiros de Caxias, mas vendo o general em tarefa aparentemente tão insignificante, chego-me a ele e antes de oferecer meus préstimos patrióticos, pergunto para que servem aqueles paralelepípedos tão sabiamente colocados um sobre o outro. – General, para que é isto? O intrépido soldado não se dignou olhar-me. Rosna, modestamente: – Isso é para impedir os tanques do I Exército! Apesar de oficial da Reserva – ou talvez por isso mesmo – sempre nutri profunda e inarredável ignorância em assuntos militares. Acreditava, até então, que dificilmente se deteria todo um Exército com dois paralelepípedos ali na esquina da rua onde moro. Não digo nem pergunto mais nada. Retiro-me à minha estúpida ignorância. Qual não é meu pasmo quando, dali a pouco, em companhia do bardo Carlos Drummond de Andrade, que descera à rua para saber o que se passava, ouço pelo rádio que os dois paralelepípedos do general foram eficazes: o I Exército, em sabendo que havia tão sólida resistência, desistiu do vexame: aderiu aos que se chamavam de rebeldes. Nessa altura, há confusão na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, pois ninguém sabe ao certo o que significa “aderir aos rebeldes”. A confusão é rápida. Não há rebeldes e todos, rebeldes ou não, aderem, que a natural tendência da humana espécie é aderir. Os rapazes de Copacabana, belos espécimes: de nossa sadia juventude, bem nutridos, bem fumados, bem motorizados, erguem o general em triunfo. Vejo o bravo cabo-de-guerra passar em glória sobre minha cabeça. Olho o chão. Por acaso ou não, os dois paralelepípedos lá estão, intatos, invencidos, um em cima do outro. Vou lá perto, com a ponta do sapato tento derrubá-los. É coisa relativamente fácil. Das janelas, cai papel picado. Senhoras pias exibem seus pios e alvacentos lençóis, em sinal de vitória. Um cadillac conversível pára perto do “Six” e surge uma bandeira nacional. Cantam o Hino também Nacional e declaram todos que a Pátria está salva. Minha filha, ao meu lado, exige uma explicação para aquilo tudo. – É carnaval, papai ? – Não. – É campeonato do mundo? – Também não. Ela fica sem saber o que é. E eu também fico. Recolho-me ao sossego e sinto na boca um gosto azedo de covardia. Veja mais aqui.


TROIA – O épico de guerra Troy (Troia, 2004), do diretor e roteirista alemão Wolfgang Petersen, música de James Horner e roteiro de David Benioff, é baseado na obra Ilíada, do poeta grego Homero. Entre as estrelas do filme destaco a atriz alemã Diane Kruger por sua interpretação de Helena de Troia; Veja mais aqui.



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