terça-feira, junho 16, 2015

LYOTARD, ARIANO, DECAMERON, IVAN LINS, MICCOLIS, SCHRADER & DANÇA.


Imagem: Halbakt eines jungen Mädchen mit Hund, do pintor alemão Julius Schrader (1915-1900)


Curtindo Cantando histórias – ao vivo (EMI-2004), do músico e compositor Ivan Lins.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? PROGRAMA TATARITARITATÁ - Hoje é dia do programa Tataritaritatá, a partir das 21hs, no Projeto MCLAM, com apresentação emocionante da poeta e radialista Meimei Corrêa. Na programação: Ivan Lins, Tom Zé, Chico Buarque, Milton Nascimento, Davi Moraes, Carlos Careqa, Santana o Cantador, Sonia Mello, Gino Vanelli, Lena D'Água, Luiz Meira, Ricardo Machado, Matt Costa, Mina, Mazinho, Katya Chamma, Ozi dos Palmares, Aline Calixto, Daniella Alcarpe, Elisete Retter, Eustáquio Sena, Max Gonzaga, Sambô, Vineyard, Larissa Moura & muito mais! Para conferir online e ao vivo clique aqui.


O PÓS-MODERNO – A obra O pós-moderno (José Olympio, 1998), do filósofo francês Jean-François Lyotard (1924-1998), reflete sobre a pós-modernidade, abordando o campo e o saber nas sociedades informatizadas, o problema da legitimação, o método dos jogos de linguagem, a natureza do vínculo social: a alternativa moderna e a perspectiva pós-moderna, a pragmática do saber narrativo, a pragmática do saber científico, a função narrativa e a legitimação do saber, os relatos da legitimação do saber, a deslegitimação, a pesquisa e sua legitimação pelo desempenho, o ensino e sua legitimação pelo desempenho, a ciência pós-moderna como pesquisa de instabilidade, a legitimação pela paralogia, entre outros assuntos. Do livro destaco o trecho: [...] Originalmente, a ciência entra em conflito com os relatos. Do ponto de vista de seus próprios critérios, a maior parte destes últimos revelam-se como fábulas. Mas, na medida em que não se limite a enunciar regularidades úteis e que busque o verdadeiro, deve legitimar suas regras de jogo. Assim, exerce sobre seu próprio estatuto um discurso de legitimação, chamado filosofia. Quando este metadiscurso recorre explicitamente a algum grande relato, como a dialética do espírito, a hermenêutica do sentido, a emancipação do sujeito racional ou trabalhador, o desenvolvimento da riqueza, decide-se chamar "moderna" a ciência que a isto se refere para se legitimar. E assim, por exemplo, que a regra do consenso entre o remetente e destinatário de um enunciado com valor de verdade será tida como aceitável, se ela se inscreve na perspectiva de uma unanimidade possível de mentalidades racionais: foi este o relato das Luzes, onde o herói do saber. trabalha por um bom fim ético-político, a paz universal.Vê-se neste caso que, legitimando o saber por um correlato, que implica uma filosofia da história, somos conduzidos a questionar a validade das instituições que regem o vínculo social: elas também devem ser legitimadas. A justiça relaciona-se assim com o grande relato, no mesmo grau que a verdade. Simplificando ao extremo, considera-se "pós-moderna," a incredulidade em relação aos metarrelatos. E, sem duvida um efeito do progresso das ciências; mas este progresso, por sua vez, a supõe. Ao desuso do dispositivo metanarrativo de legitimação corresponde sobretudo a crise da filosofia metafísica e a da instituição universitária que dela dependia. A função narrativa perde seus atores (functeurs), os grandes heróis, os grandes pengos, os grandes périplos e o grande objetivo. Ela se dispersa em nuvens de elementos de linguagem narrativos, mas também denotativos, prescritivos, descritivos etc., cada um veiculando consigo validades pragmáticas sui generis. Cada um de nós vive em muitas destas encruzilhadas. Não formamos combinações de linguagem necessariamente estáveis, e as propriedades destas por nós formadas não são necessariamente comunicáveis. Assim, nasce uma sociedade que se baseia menos numa antropologia newtoniana (como o estruturalismo ou a teoria dos sistemas) e mais numa pragmática das partículas de linguagem. Existem muitos jogos de linguagem diferentes trata-se da heterogeneidade dos elementos. Somente darão origem à instituição através de placas; é o determinismo local. [...]. Veja mais aqui.

PITADA DE AÇÚCAR NO SÉTIMO CÉU & OUTROS VERSOS – O meu primeiro contato com a poeta, editora, professora de roteiro de televisão, promotora cultural e artista performática, Leila Miccolis, foi na década de 1970: a gente trocava aerogramas com poemas que iam e vinham aos nossos endereços. Anos depois realizei uma entrevista com ela que foi publicada no meu Guia de Poesia. Ela também foi inserida entre os poetas da antologia 26 poetas hoje (Aeroplano, 2007), organizada por Heloisa Buarque de Hollanda. Entre os seus poemas, destaco inicialmente Pitada de açúcar: Quero ver onde vai dar teu jogo / de esconder o feto no forno, / o macarrão no banheiro da empregada, / a cerveja na bexiga cheia. / Teu jogo de esconder / o desejado / no sorriso cordial, / e nas festas galantes de sempre. / Esconder tua voz de cio, / teus pêlos enroscados / entre a coxa aberta, / o medo de perder a virgindade / e o teu recato de homem. Também merece destaque o seu poema Sétimo Céu: Tudo acabado entre nós / Deus é testemunha / que na flor da idade / chorei por ti lágrimas de sangue / e que te amei / com todas as forças do meu ser; / mas a ilusão durou pouco: / a triste realidade dissipou / os meus sonhos e esperança, / assim como o mar desfaz / todo castelo de areia; / com tua perfídia me enganaste; / como um cão vadio me enxotaste; / na rua da amargura me lançaste. / Agora teu olhar me corta / como lâmina fria; / vago como morta viva / sendo a sombra do que fui, / a lembrar de um passado feliz / que não volta mais, / imersa em dor, tormento e padecer, / mas sabendo que este mundo / não comporta o meu sofrer. Ainda merece ser destaco o seu Até que a morte nos separe: Esqueço meu desejo de vingança, / e a mágoa recalcada esqueço até, / se ponho a te afagar o membro flácido / com as pontas dos artelhos / do meu pé. E, por fim, o seu belíssimo Moda: Eu queria te ver, / coxas de fora, / (como de fora vejo teus pêlos do peito / pela camisa de seda), / a andares na rua, / entre assobios e apalpadelas, / o olhar disperso / como quem nada percebe, / e mostrando ao sentares, / subindo-te a roupa, / a cueca combinando com a gravata. Veja mais aqui.

DECAMERÃO – O livro Decamerão (1350), do escritor e poeta italiano Giovani Boccaccio (1313-1375), é uma obra em prosa que relata em dez histórias curtas, contadas por sete moças e três rapazes que se refugiam no campo para escapar da peste negra, os conflitos entre os valores cristãos e o espírito libertino da época, questões ligada à transição para o Renascimento. É composto por cem histórias que abrangem as mais peculiares paixões e comportamentos humanos, e mantêm em viva presença, os clamores da carne, a infidelidade e as trapaças sexuais. Foi transformada em filme em 1971, pelo cineasta e poeta italiano Pier Paolo Pasolini (1922-1975), com música de Ennio Morricone, numa adaptação de nove histórias do livro que compõem um painel da vida social da Itália medieval com doses de humor satírico. O destaque do filme vai para atriz Angela Luce. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

AUTO DA COMPADECIDA – A peça teatral em três atos Auto da Compadecida (1955 – Agir, 1984), do escritor e dramaturgo Ariano Suassuna (1927-2014), é um drama escrito com base em romances e histórias populares do Nordeste, inserindo elementos da tradição da literatura de cordel com traços do barroco católico brasileiro, com personagens como o Palhaço, João Grilo, Chicó, Padre João, Severino do Aracaju, Padre João, Frade, Bispo, entre outros. A primeira adaptação para o cinema ocorreu em 1969, com o filme A Compadecida, dirigido pelo cineasta Geroge Jonas e gravado na cidade de Brejo da Madre de Deus, em Pernambuco. A segunda adaptação ocorreu em 1999, com direção de Guel Arraes e roteiro de Adriana Falcão, tendo por base a peça teatral homônima, mais elementos de outras duas peças teatrais do autor, O santo e porca (1957) e Torturas de um coração (1951). O filme foi premiado com Melhor Diretor, Melhor Roteiro, Melhor Ator e Melhor Lançamento no Grande Prêmio Cinema Brasil do Ministério da Cultura. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
A bailarina Erica Beatriz no espetáculo O+, da Quasar Cia de Dança.

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Foto: Rebecca Miller lendo, do fotógrafo Michael Helms.
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