segunda-feira, agosto 31, 2015

FENELIVRO FEIRA NORDESTINA DO LIVRO



VAMOS APRUMAR A CONVERSA? NOITE ALAGOANA NA FENELIVRO – Aconteceu neste domingo, dia 30 de agosto, na Sala Ariano Suassuna do Centro de Convenções, em Olinda – PE, as Noites Nordestinas: Alagoas, na programação da Feira Nordestina do Livro (Fenelivro). O evento contou com a minha participação na abertura das palestras, apresentando a minha trajetória artística, destacando o meu trabalho de pesquisa, no qual alio as minhas áreas de atuação, Direito, Educação e Psicologia, reunidas nas atividades que desenvolvo nas linguagens de Teatro, Música & Literatura. A sala ficou repleta com o público comparecente que prestigiou as exposições até o término das atividades.


ARRIETE VILELA – Após a minha palestra, foi dada a palavra à escritora alagoana Arriete Vilela que realizou exposição de suas obras publicadas e falou de seu trabalho literário, destacando o lançamento do seu mais recente livro de poesia Teço-me (Poligraf, 2014). Veja mais aqui


CARLITO LIMA – O escritor, agitador cultural e secretário de cultura de Marechal Deodoro, Carlito Lima, fez exposição de suas obras, destacando a realização da Festa Literária de Marechal Deodoro – VI Flimar, que se realizará entre os dias 11 e 15 de novembro de 2015, em Marechal Deodoro –AL. Veja mais aqui.



EDUARDO PROFFA – O poeta, professor e compositor Eduardo Proffa falou da sua poesia, do projeto Nó na Garganta e do projeto Nós Poetas – A Confraria, recitando seus poemas e destacando o seu livro Hospedaria (2015), lançado recentemente pelo autor.Veja mais aqui.


PARA ALÉM DA LEITURA – Após a realização das palestras cada autor fez novas exposições, destacando-se a distribuição de livros aos presentes, destacando-se a obra Para além da leitura (GrafMarques, 2012), organizada pela poeta Arriete Vilela e reunindo trabalhos de Maria Heloisa Melo de Moraes, Adalberto Souza, Clarrissa Veiga, Eliana Cavalcanti, Gilvaneide Mota, Hamilton Lessa, Janira Lucia A. Couto, Mairalice Loureiro, Mônica Oliveira e Patricia Gatto.


ACASO CAOS – Entre os comparecentes na noite, o escritor, jornalista e historiador paraibano Bruno Gaudêncio, que nos presenteou com o seu mais recente livro de poesias Acaso Caos (Ideia, 2013). Acompanhando nossas atividades, tomamos conhecimento que o autor estará logo mais, dentro da programação da Fenelivro, lançando mais um de seus trabalhos, desta feita, voltado para a obra de Ariano Suassuna. 


CONFRATERNIZAÇÃO – No final das atividades, os escritores se reuniram para confraternização no restaurante do Recife Praia Hotel, acompanhados pelo escritor Bruno Gaudêncio e sua esposa Tuca, nos festejos que comemoraram a participação alagoana nesse importante evento. 


Veja mais aqui.



domingo, agosto 30, 2015

ALEIJADINHO, GANDHI, BIA BEDRAN, ELITA, FENELIVRO, ZOLAN, BIOÉTICA, ARTE, PSICODRAMA & BRINCARTE DO NITOLINO.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? A ARTE: INSTRUMENTO DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL (Imagem: edições nº 9 e 10 da Revista A Região, 1985). Ninguém se liberta sozinho; ninguém liberta ninguém; os homens se libertam em comunhão (Paulo Freire, Pedagogia do Oprimido). A arte é imitação da natureza, diz Platão, por ela ter uma função ao mesmo tempo prática e mística. É um caminho pelo qual o homem pode conquistar uma forma de explicação do mundo penetrando no real que corresponde à ascensão ao mundo das essências, das ideias e, consequentemente, de comunhão com a Beleza Absoluta. No latim como nas línguas em que o étimo existe, significa a arte: o que é feito pelo homem; o oficio; o saber; a experiência; a instrução; etc. Para Karel Kosik, a arte, no sentido próprio da palavra, é ao mesmo tempo desmistificadora e revolucionária, pois conduz o homem desde as representações e os preconceitos sobre a realidade até a própria realidade. Ao ser imitação da natureza, entendamos que por natureza revelamos toda manifestação cosmogônica, obviamente a arte é o espelho de circunstâncias eventuais inerentes ao ser humano de caráter social, econômico, religioso, cultural e político de um determinado espaço e tempo. Deduzindo-se isso, a arte é a micro-macro expressão do homem e do mundo. Distingue-se por arte toda revelação criativa de um homem quer seja concebida intelectual ou espiritualmente. A arquitetura, a escultura, a pintura, a música, o teatro e a literatura são as manifestações artísticas que representam, espelham e expressam um processo de criação e trazendo em si sempre uma renovação de propostas que remodelem o homem e a vida. A conceituação de arte já foi muito debatida por filósofos e estudiosos na sede de esclarecer os vórtices e labirintos da existência humana, inclusive a própria natureza e aquilo que o cerca para chegarem a uma conclusão platônica: a arte é uma imitação da natureza. E a razão disto é a concomitante busca de respostas que lhe anseia a vida resultando, assim, em seus diversos parâmetros até a descoberta das potencialidades exclusivas que são inatas ao gênio humano, pois o gênio e a genialidade se revelam através do processo criador que enterra a indigência intelectual. A arte por ser criativa e criadora, além de ser espelho dotempo em que ela é execida, deve integrar-se na compulsoriedade de transformar seu meio, não sendo apenas um processo de criatividade pura e gratuita com relação à beleza, mas, ter sempre uma preocupação de utilidade prática, sendo de um modo prático, concreto e belo de tornar acessíveis às nossas concepções religiosas, políticas e filosóficas de natureza abstrata. Existem duas correntes que determinam o único fim da arte: para uns, a arte tem por fim único, a criação da beleza pura; para outros, a arte só se legitima quando se engaja, quando se alista, quando se põe a serviço de uma ideia, de uma causa, quando desempenha uma função social, educativa, tornando ideias abstratas acessíveis às massas. Ariano Suassuna, porém, nos mostra o risco dessas duas correntes: a arte gratuita pode cair na desumanização, na frieza esteticista da torre de marfim e do formalismo estéril; a arte participante termina levando o artista para os caminhos da propaganda. Entre a alienação e o engajamento há o atemporal e o temporal. Vivemos numa época de automação em que o sentimento humano é colocado à margem e constamos que vivemos sob um regime de “ideologia da segurança nacional” e de parafernálias jurídicas que acobertam legalmente o arbítrio, numa posição policultural que assume todas as tendências do colonial ao humanismo, e entre estas tendências o que há de intermediário é soberbamente incognoscível. O homem cria, inventa, procura seu aprimoramento e, à medida que o processo entre em vigor, tornam-se inevitavelmente humano. Se olharmos em volta e analisarmos nossa participação dentro da era da automação, do avanço tecnológico, das guerras nucleares, da simbiose homem/máquina, da mistificação política, então vemos que não sobra lugar para o sentimento humano, o ser humano, o sujeito, e sim um bocado de pedaço de carne pensante numerada como mais um fusível para a manutenção da engrenagem. Não há lugar para a autenticidade do retrato do povo e de duas manifestações, por isso precisamos desmitologizar a realidade, porque se conhece um povo pela sua cultural, pela sua arte, pela sua memoria e contribuição nos rumos de seu país. E muitos já se engajaram nesse aspecto. Schnaase foi quem encontrou na arte uma possível reflexão preocupando-se exclusivamente com o problema das relações da própria arte com o conjunto de vida social e espiritual, sobretudo o povo e a raça. Se se tem uma luz criadora levantando questões que poderiam possibilitar aos povos e nações maiores consonâncias de conscientização haveria de ser, de imediato, maior humanização. Pois que falta ao mundo de hoje, o homem pensar como Homem, ser humano, e só a arte o salvará. A instrumentalização da arte a serviço das transformações sociais é unanimente necessária. Temos que ter espírito crítico suficiente para vencer as contradições sociais do nosso tempo e estarmos conscientes de que novas contradições virão, exigindo-se que estejamos atentos para não cometermos os crimes que já condenados, porque nos foram impostos e nos vitimaram. Não podemos cometer os mesmos crimes do sectarismo, da ortodoxia ou radicalidade cometidos contra nossos olhos como um sinal vermelho. Temos que ter sempre uma nova palavra e uma nova ação para preconizar o mundo novo, caso assim não seja, nossos filhos nos responsabilizarão. (Artigo resultante da palestra A atividade artística como função alternativa para desenvolvimento do Municipio, realizada em diversos municípios no ano de 1985, numa promoção da Coordenadoria de Estudos e Pesquisas da Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho – Palmares – PE.). Veja mais aqui e aqui.


Imagem do artista plástico estadunidense Donald Zolan (1937-2009).


Curtindo o álbum infantil Brinquedos cantados, de Bia Bedran. Veja mais aqui.

PROGRAMA BRINCARTE DO NITOLINO – Neste domingo, a partir das 10hs, realizamos mais uma edição do programa Brincarte do Nitolino para as crianças de todas as idades, no blog MCLAM do programa Domingo Romântico. Na programação comandada pela Ísis Corrêa Naves muitas atrações: Olavo Bilac, Chico Buarque & Vinicius de Morais, Nara Leão, Toquinho, Os Saltimbancos, MPB-4, Alceu Valença, Fagner, Boca Livre, As Frenéticas, Walter Franco, Rosa Clement, Nita & Meimei Corrêa, Milton Nascimento, Turma da Mônica & muito mais poesia, brincadeira, histórias e entretenimento pra garotada. No blog, muitas dicas de Educação, Psicologia, Direito da Criança e dos Adolescentes, Musica, Teatro e Literatura pra garotada. Para conferir ao vivo e online clique aqui ou aqui.


FENELIVRO – Logo mais, a partir das 19hs, na sala Ariano Suassuna, acontecerá a Noite Alagoana na I Feira do Livro do Nordeste – Fenelivro, no Centro de Convenções, em Olinda – PE. Na ocasião ministrarei uma palestra com o tema Vamos aprumar a conversa: a arte e a atualidade alagoana. Também estarão presentes o escritor, agitador cultural e secretário de cultura de Marechal Deodoro, Carlito Lima, e o poeta, professor e compositor Eduardo Proffa. Veja mais aqui.

RESPEITO À VIDA – No livro Introdução geral à bioética: histórica, conceito e instrumentos (Loyola, 2010), de Guy Durand, destaco o trecho alusivo à temática do Respeito à vida: O respeito à vida constitui o principio mais invocado, pelo menos na cultura ocidental, como justificação das normas morais, das regras do direito, das políticas sociais e dos direitos humanos. Esse princípio tem sua origem nos tempos mais antigos: ao mesmo tempo nas religiões orientais (especialmente o hinduísmo) e na tradição judeu-cristã. Ele não perdeu sua importância quanto a moral e o direito se separam da religião. Ele se funda, ao que tudo indica, na proibição fundante da humanidade, a proibição do assassinato. [...] Rapidamente, aliás, entendeu-se que ele proibia não apenas que se matasse, mas também que se fizesse o mal e que se prejudicasse as outras pessoas – como se ele prescrevesse que as pessoas se preocupassem com o bem-estar, com a qualidade de vida, mesmo que a expressão ainda não existisse. Esse preceito admitia, contudo, exceções célebres: legitima defesa, pena de morte, guerra justa, tiranicidio e escravismo. Essa lembrança histórica não significa, todavia, que o principio seja simples e sua interpretação, hoje, consensual – mesmo que se limite a reflexão ao domínio da medicina e dos tratamentos. [...] Dois sentidos se oferecem à reflexão: a vida humana metabólica: a visão biológica, a vida dos órgãos e dos sistemas metabólicos que servem de suporte à pessoa; a vida humana pessoal, especialmente o desenvolvimento da capacidade de consciência e de relações interpessoais. [...] Segundo a interpretação humanista, a vida biológica é o suporte da vida pessoal. Todo o seu sentido e todo o seu valor provém dessa vida pessoal: capacidade ao menos inicial de vida consciente e relacional, desenvolvimento multiforme e indefinido dessa capacidade. O respeito da vida implica, certamente, a proteção do suporte biológico, mas sobretudo a preocupação com a saúde, o bem-estar, a qualidade de vida, a promoção de todas as capacidades da pessoa. A vida biológica não é mais um absoluto, mas relativa à capacidade de consciência e de relação. [...]. Veja mais aqui e aqui.

A MULHER SEM MÃOS – No livro The japanese psyche: major motifs inthe fairy tales of Japan (Spring, 1988), encontro a narrativa A mulher sem mãos, com o seguinte teor: Era uma vez uma linda menina que vivia feliz com seus pais, mas sua mãe morreu quando ela tinha apenas quatro anos. Depois de algum tempo, seu pai casou-se novamente, mas sua nova esposa tinha ciúmes da menina e tornava sua vida muito difícil. A menina cresceu e se tornou uma linda donzela o que levou sua madrasta a odiá-la ainda mais. Assim, a esposa começou a levar ao marido intrigas sobre sua filha, e aos poucos fez com que o coração dele se voltasse contra a moça. Logo após a jovem completar quinze anos, a madrasta ameaçou o marido dizendo: - Não posso continuar a viver com sua filha malvada! Vou abandoná-lo! O marido suplicou que ela ficasse. Então, livre-se de sua filha, ela exigiu. Ele prometeu fazê-lo e elaborou um plano. Convidou a filha para acompanhá-lo numa festa, lhe deu um lindo quimono para vestir. Ela ficou muito contente, mas ao mesmo tempo intrigada, quando o pai a conduziu até a floresta. - Onde é a festa?, ela perguntou. - Um pouco mais adiante, ele respondeu. Então, no meio da floresta, ele parou para almoçarem e a filha caiu no sono. Era o momento que o pai esperava. Pegou um machado que levara, aproximou-se e decepou-lhe as mãos. A jovem acordou e gritou de dor. - Pai, o que está fazendo? Ele, rapidamente afastou-se dali e abandonou a pobre moça. Completamente sozinha, ela rastejou até um riacho e lavou os cotos. Sem lugar para ir, permaneceu na mata, colhendo frutas com os dentes e dormindo no chão. Um dia, um lindo rapaz foi caçar na floresta. Encontrou a jovem sem mãos e ficou surpreso. Você é um demônio ou fantasma? Não, ela respondeu, sou uma jovem abandonada. Mas nada disse sobre o pai. O rapaz ficou com pena dela, colocou-a em seu cavalo e levou-a para casa. Encontrei essa criatura na floresta, disse para a mãe. A mulher acolheu a moça sem mãos em sua casa, deu-lhe roupas limpas e refeita a jovem mostrou como era linda e o rapaz caiu de amores por ela. Propôs que se casassem e ela aceitou. A jovem estava esperando um filho quando o marido teve que partir para uma demorada viagem . Ele confiou a esposa à sua mãe. Cuide dela como se fosse de mim. Cuidarei, disse a mãe. Eu a amo tanto quanto você. A jovem deu à luz um lindo menino. A avó logo escreveu ao filho contando e dizendo que a esposa passava bem e esperava ansiosa o seu regresso. Pediu a um mensageiro para levar a carta ao filho. Ele andou o dia todo e, já muito cansado, bateu em uma casa pedindo água. Uma mulher deu-lhe de beber e começou a conversar, perguntando onde ele ia com tanta pressa? Estou levando uma notícia importante para o filho de uma senhora. A nora dela, a mulher sem mãos, deu à luz um menino e ela quer que o filho saiba. A dona da casa era a madrasta má, e no mesmo instante, ela se deu conta de que a enteada não morrera na floresta. Cheia de ódio pensou num plano. Deu muito vinho ao rapaz, até que ele dormisse e aí abriu a sacola dele e retirou a carta que ele levava e trocou por outra escrita por ela. Disse que a esposa dera à luz um monstro horrível. O que faço? Colocou a carta na sacola e quando o rapaz acordou ela deu-lhe um prato de comida e ele seguiu viagem. Passe aqui quando voltar, disse ela ao rapaz. Ao receber a carta o marido leu com horror, e respondeu. Por favor, cuide de minha esposa e de meu filho, seja qual for a aparência dele. Voltarei assim que puder. O mensageiro voltou e parou na casa da madrasta esperando beber mais vinho. Ela serviu-lhe mais vinho, até ele cair no sono. Pegou a resposta e mudou por outra. Livre-se de minha esposa e de meu filho, não quero ter monstros em minha família. Não voltarei se eles ficarem aí! Quando o mensageiro entregou a carta à mãe do rapaz, ela ficou incrédula. Mas isso não pode ser! Meu filho não mandaria embora a esposa e o filho! Perguntou ao mensageiro se era essa carta mesmo, e se ele não parou em lugar nenhum. Não, disse ele. A mãe resolveu esperar o filho voltar, mas conforme o tempo passava, ela começou a temer que ele não voltaria mais. Mostrou a carta à nora e ela ficou com o coração partido, mas disse: - Se meu marido não me quer , não ficarei aqui! As duas choraram muito ao despedir-se e a moça sem mãos partiu com uma sacola às costas onde seu filho estava. A coitada não tinha para onde ir e voltou para a floresta. Estava com sede e ajoelhou-se para beber num riacho, mas inclinou-se demais e o bebê começou a deslizar de sua costas. Socorro! Socorro! Ela gritava, mas não tinha mãos para pegá-lo e o bebê caiu na água do riacho. Ela mergulhava os braços, desesperadamente na água para tentar salvar o filho. De repente, suas mãos reapareceram e ela segurou o filho e o salvou. Meu filho está salvo e minhas mãos voltaram a ser como antes!, exclamou ela feliz. Ajoelhou-se e agradeceu. Nesse ínterim, o marido voltou para casa e ficou chocado ao descobrir que a esposa partira com o filho deles. A mãe disse: - foi você mesmo quem mandou que isso fosse feito! O que a senhora está dizendo!, mas logo perceberam que alguém trocara as cartas. Chamaram o mensageiro e fizeram que ele contasse a verdade, sobre sua parada antes de entregar as cartas. O marido partiu, imediatamente para a floresta em busca da esposa e do filho. Procurou por muito tempo. Então, chegou perto do riacho e viu uma mulher rezando ao lado de um santuário, com uma criança no colo. Olhou e achou-a parecida com a esposa, mas viu que ela tinha mãos. Aproximou-se dela e, muito feliz, descobriu que ela era a sua esposa. Minha esposa!, disse ele. Meu marido!, e se abraçaram. Ele explicou da troca das cartas e ela contou como suas mãos tinham voltado milagrosamente. Ela contou-lhe também, que quem tinha feito aquilo com ela, decepar-lhe as mãos, tinha sido seu pai. Os dois voltaram de mãos dadas para casa com o filho nos braços. Chegando em casa o marido procurou as autoridades e contou-lhes a verdade sobre a madrasta e o pai da mulher. Os dois foram punidos e, assim, o casal pode viver feliz, junto do filho e da mãe dele. Veja mais aqui.

DO TAMANHO DO AMOR & DOIS POEMAS – Saudades da parceiramiga Elita Afonso Ferreira que hoje conta histórias no céu, destaco um trecho do seu poema Zé Lanceiro e Catirina (Bagaço, 2006): A sua roupa brilhava / como se fosse o luar; / a lança toda de fita, / quando dançava no ar, / traçava desenhos lindos / no céu daquele lugar. Também o seu poema Do tamanho do amor, publicado no livro Esquerdo lado (Bagaço, 1984) de Gilberto Melo e amigos: São Dois olhos num par / de olhos límpidos. / Sem mácula, / sem névoa escura que cubra, / a transparência d’alma. / São duas pernas de léguas / e léguas a vencer adiante: / pelas manhãs / pelas tardes / pelas madrugadas / que desvirginam o sol / e um sorriso de criança / que brinca feliz, sem mesdos, / e que percorre os caminhos / que levam ao coração. / Há um coração tão grande / do tamanho do mundo / do mar, do sol / da chuva, do vento: / do tamanho do amor. Por fim, o seu poema sem título publicado no Vozes do Una, encartado na edição nº 10, da revista A Região (1985): Não se diga não / à noite perdida, / onde os sonhos / se fizeram entristecer. / Não se diga / ao amor que foge como o dia / cedendo o seu lugar / à noite infinda. / Não se diga não / ao amor que volta, / pois este, trazido / pelas asas do vento / e da saudade, / será o mais verdadeiro. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

PSICODRAMA ESTRATÉGICO – O livro Psicodrama estratégico: a técnica apaixonada, individuos, famílias e grupos (Ágora, 1994), de Antony Williams, aborda assuntos como a linguagem do psicodrama, a filosofia essencial, concretização: a paixão pela ação, focalizando a paixão no contrato, cibernética de segunda ordem, tema, preocupação tópica, entrevista com o personagem, componentes de um papel, psicodrama enquanto revelação e enquanto terapia, a abordagem estratégica, aplicando uma hipótese sistêmtica ao psicodrama, intervenções estruturais, terapia analógica e digital, natureza sistêmica dos papeis, a causalidade em sistemas vivos, o ciclo do problema e da solução, despertar a transferência e transferência redirecionada, aplicações na terapia de família, megalomania normalis, revelação versus terapia, quando a bola é rebatida, a rede de relacionamentos e o mundo da escolha, entre outros assunto. Veja mais aqui e aqui.

 
GANDHI – O premiadíssimo filme Gandhi (1982), dirigido pelo cineasta estadunidense Richard Attenborough (1923-2014), escrito por John Briley, com música de Ravi Shankar e estrelado por Bem Kingsley, traz a biografia épica que dramatiza a vida do líder do movimento de independência não-violento e não cooperativo da Índia britânica do século XX, Mohandas Karamchand Gandhi, abordando sua vida desde 1893 até o o seu assassinato e funeral em 1948. A película foi ganhadora de oito Oscars, incluindo o de Melhor Filme, Melhor Direitor e Melhor Ator, bem como o BAFTA (1983) em quatro categorias; o Prêmio David Donatello (1983) em duas categorias; o Premio David Europeu (1983) e o Globo de Ouro (1983) em cinco categorias. Além do mais, trata-se de um filme que possui um peso histórico substancial para reflexão, como também um dos mais exemplares modelos de vida adotado por um ser humano em defesa da vida e do outro. Veja mais aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
 Imagem: escultura do arquiteto, escultor, entalhador e desenhista Antonio Francisco Lisboa – o Mestre Aleijadinho (1730-1814)

Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Domingo Romântico com a reprise de toda a programação da semana, a partir do meio dia, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. E para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
Imagem: arte do pintor inglês Adolphe William Bouguereau (1825-1905)
Aprume aqui.


sábado, agosto 29, 2015

LOCKE, EDU LOBO, VARELA, RŮŽEK, NEGRINI & SELMO VASCONCELLOS.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? O LÍTERO CULTURAL DE SELMO VASCONCELLOS (Imagem: coluna do jornalista e poeta no Alto Madeira, sessão Geral, Porto Velho, sexta feira, 10 de fevereiro de 2006). Quando concedi uma entrevista em 2009 pro poeta, cronista, divulgador cultural e editor do Litero Cultural, Selmo Vasconcellos, que é carioca de nascimento e radicado desde 1982, em Porto Velho, Rondonia, apenas estava consolidando uma amizade nascida na década anterior, quando começamos a trocar correspondências e envio de materiais publicados. Eu já havia em 2008 registrado o seu trabalho poético no meu blog Varejo Sortido e, para quem não sabe, ele é sobrinho do saudoso escritor José Mauro de Vasconcelos e é formado em Administração de Empresas, além de membro da União Brasileira de Escitores (UBE – RO). É colaborador do jornal Alto Madeira com a sua destacada coluna Litero Cultural, do caderno R do Jornal Rebate e do Rondonia ao vivo. É autor dos livros Rever verso inverso (1991), Nictêmero (1993), Pomo da discórdia (1994) e Resquícios ponderados (Scortecci, 1996), além dos livretos Morde & assopra e suas causas internas e externas (1999), Desabafos (2003), da antologia Leonardo, meu neto (2004) e da revista antológica Membros da galeria dos amigos do Lítero Cultural (2004). É um inquieto jornalista que vem realizando ao longo dos anos inúmeras entrevistas que, inclusive, já passam das seiscentas, com as mais diversas personalidades da Literatura, desde novíssimos e ilustres desconhecidos às mais renomadas celebridades do universo literário, todas reunidas no seu sítio. Nada mais justo neste momento que manifestar minha eterna gratidão e aplausos para o trabalho constante e consequente deste amigo que se mantém firme no batente da vida. Abração & parabéns sempre, poetamigo Selmo Vasconcellos. Veja mais aqui, aqui e aqui

 Imagem: Nu feminino na rede (Óleo sobre placa), do pintor brasileito Oscar Pereira da Silva (1865-1939)


Curtindo o álbum Limite das águas (Continetal, 1976), do músico e compositor Edu Lobo. Veja mais aqui.

CARTA SOBRE A TOLERÂNCIA – No livro Carta sobre a tolerância (Martins Fontes, 2000), do filosofo político inglês John Locke (1632-1704), ele discute a tolerância religiosa contra os abusos do Absolutismo, fundamentando as ideias de democracia moderna e de direitos humanos, além de defender algumas ideias de que a tolerância não se deve ser aplicada às camadas pobres que deviam ser penalizadas severamente com trabalho para crianças a partir de três anos, obrigação de mendigos com distintivo obrigatório para ser facilmente vigiados, entre outras medidas punitivas. Da obra destaco o trecho a seguir: [...] A tolerância para os defensores de opiniões opostas acerca de temas religiosos está tão de acordo com o Evangelho e com a razão que parece monstruoso que os homens sejam cegos diante de uma luz tão clara. Não condenarei aqui o orgulho e a ambição de uns, a paixão a impiedade e o zelo descaridoso de outros. Estes defeitos não podem, talvez, ser erradicados dos assuntos humanos, embora sejam tais que ninguém gostaria que lhe fosse abertamente atribuídos; pois, quando alguém se encontra seduzido por eles, tenta arduamente despertar elogios ao disfarçá-los sob cores ilusórias. Mas que uns não podem camuflar sua perseguição e crueldade não cristãs com o pretexto de zelar pela comunidade e pela obediência às leis; e que outros, em nome da religião, não devem solicitar permissão para a sua imoralidade e impunidade de seus delitos; numa palavra, ninguém pode impor-se a si mesmo ou aos outros, quer como obediente súdito de seu príncipe, quer como sincero venerador de Deus: considero isso necessário sobretudo pra distinguir entre as funções do governo civil e da religião, e para demarcar as verdadeiras fronteiras entre a Igreja e a comunidade. Se isso não for feito, não se pode pôr um fim às controvérsias entre os que realmente têm, ou pretendem ter, um profundo interesse pela salvação as almas de um lado, e, por outro, pela segurança da comunidade. Parece-me que a comunidade é uma sociedade de homens constituída apenas para a preservação e melhoria dos bens civis de seus membros. Denomino de bens civis a vida, a liberdade, a saúde física e a libertação da dor, e a posse de coisas externas, tais como terras, dinheiro, móveis, etc. [...] Enfim, para concluirmos, o que visamos são os mesmos direitos concedidos aos outros cidadãos. É permitido cultuar Deus pela forma romana (católica)? Que seja também permitido fazê-lo pela maneira de Gênova. É permitido falar latim na praça do mercado? Os que assim desejarem poderão igualmente falá-lo na igreja. É legítimo para qualquer pessoa em sua própria casa ajoelhar, ficar de pé, sentar-se ou fazer estes ou outros movimentos, vestir-se de branco ou preto, de roupas curtas ou compridas? Que não seja ilegal comer pão, beber vinho ou lavar-se com água na igreja; em suma, tudo o que a lei permite na vida diária deve ser permitido a qualquer igreja no culto divino. Que por esses motivos nada sofram a vida, o corpo, a casa ou a propriedade de quem quer que seja. Se se permite em seu país uma igreja dirigida por presbíteros, por que não permitir igualmente uma igreja dirigida por bispos, para os que assim desejarem? Administrada por uma ou várias pessoas, a autoridade eclesiástica é a mesma por toda parte, nem tem qualquer jurisdição sobre questões civis, nem poder algum de compulsão, nem se referem ao governo da igreja as riquezas e rendas anuais. Estas reuniões eclesiásticas e sermões justificam-se segundo comprovação da experiência pública. Se os permitem a cidadãos de certa igreja ou seita, por que não a todas? Se alguma conspiração contra a paz pública é tramada numa reunião religiosa, deve ser reprimida do mesmo modo e não diversamente, como se tivesse ocorrido numa feira. Se um sermão numa igreja contém algo sedicioso, deve ser punido da mesma maneira como se tivesse sido pregado na praça do mercado. Essas reuniões não devem ser santuários para homens facciosos ou corruptos. Por outro lado, uma reunião na igreja não deve ser menos legal do que na corte, nem deve uma reunião de alguns cidadãos ser mais repreensível do que a de outros. Ninguém deve ser transformado em objeto de ódio ou suspeita devido às faltas de outras pessoas, mas unicamente por seus próprios malefícios. Devem ser punidos e suprimidos os homens que são sediciosos, assassinos, ladrões, adúlteros, caluniadores, etc., não importa a que igreja pertençam, nacional ou não. Mas aqueles cuja doutrina é pacífica e cujas condutas são puras e impolutas devem estar em termos de igualdade com os seus concidadãos. Se se permitirem a alguns assembléias, reuniões solenes, celebrações de dias festivos, sermões e culto público, tudo isso deve ser igualmente permitido aos presbiterianos, independentes, arminianos, anabatistas, quacres e outros. Na realidade, falando francamente, como convém de homem a homem, não se devem excluir os pagãos, nem os maometanos e nem judeus da comunidade por causa da religião. O Evangelho não o ordena. A Igreja, que não julga os que estão de fora (1 Cor S, 12.13), não o deseja. A comunidade, que recebe e incorpora homens enquanto homens na medida em que são honestos, pacíficos e trabalhadores, não o exige. Permitiremos ao pagão que trate e negocie em nosso país, proibindo-o de rezar e prestar culto a Deus? Se permitimos aos judeus terem propriedades e casas próprias, por que não lhes permitir que tenham sinagogas? Será a doutrina deles mais falsa, seu culto mais abominável ou sua associação mais perigosa se se reúnem em público em lugar de casas particulares? Mas, se tais coisas são concedidas aos judeus e pagãos, tornar-se-á pior a condição dos cristãos numa comunidade cristã? Dirão que sim, certamente, porque têm maior tendência a facções, tumultos e guerras civis. Caberá a culpa à religião cristã? Se assim for, a religião cristã será certamente a pior de todas as religiões, não devendo abraçá-la qualquer indivíduo nem tolerá-la qualquer comunidade. Pois, se tal for o espírito, a natureza da própria religião cristã, ser turbulenta e destruidora da paz civil, a própria igreja que o magistrado favorece não será sempre inocente. Mas longe de nós dizer algo de semelhante dessa religião que mais se opõe à cobiça, ambição, discórdia, disputas e desejos terrenos, e é a mais modesta e pacífica das religiões que jamais existiram. Portanto, devemos buscar outra causa para os males do que atribuí-los à religião. E, se consideramos corretamente, descobriremos consistir totalmente no assunto que estou discutindo. Não é a diversidade de opiniões (o que não pode ser evitado), mas a recusa de tolerância para com os que têm opinião diversa, o que se poderia admitir, que deu origem à maioria das disputas e guerras que se têm manifestado no mundo cristão por causa da religião. Os líderes da Igreja, movidos pela avareza e desejo de domínio, têm usado de todos os meios para excitar e avivar contra os não ortodoxos tanto o magistrado, cuja ambição o torna frequentemente incapaz de oferecer-lhes resistência, como o povo, que é sempre supersticioso e portanto cabeça vazia; ademais, têm pregado, em oposição às leis do Evangelho e aos preceitos da caridade, que os cismáticos e hereges devem ser despojados de suas posses e destruídos, confundindo, deste modo, duas coisas completamente diferentes: a Igreja e a comunidade. Como na vida prática é difícil convencer os homens a aceitarem pacientemente serem despojados dos bens que adquiriram mediante trabalho honesto, e, contrariamente a todo direito equitativo, não só humano como divino, serem lançados como presa à violência e espoliação de outros homens, especialmente quando são inteiramente destituídos de culpa; e quando o assunto em questão de modo algum diz respeito à lei civil, mas à consciência individual e à salvação de sua própria alma, sendo disso unicamente responsável Deus. À vista disso, é cabível antecipar que esses homens, por terem crescido sob temor dos males que lhes são infligidos, devem finalmente se persuadir da justiça de combater a força pela força, defendendo com as armas ao seu dispor os direitos que Deus e a Natureza lhes facultaram, podendo ser julgados apenas quando cometem crimes e não por causa da religião? Tem sido este o curso de eventos comprovados com abundância pela História, sendo, portanto, razoável supor que o mesmo ocorrerá no futuro, se o princípio de perseguição religiosa prevalecer, tanto por parte do magistrado como do povo, e se os que devem servir de escudeiros da paz e da concórdia incitarem os homens às armas ao som da trombeta de guerra, soprada com toda a força de seus pulmões. É de admirar que os magistrados tolerem esses incendiários e perturbadores da paz pública, se não transparecesse terem sido convidados para participar dos espólios, usando freqüentemente da própria cobiça e orgulho como meio de aumentar o próprio poder. Quem não vê que estes bons homens são mais ministros do governo do que ministros do Evangelho; que têm adulado a ambição dos príncipes e o domínio de quem é poderoso, e devotado todas as suas energias a promover na comunidade a tirania que de outro modo não conseguiriam estabelecer na Igreja? Geralmente, tem sido esse o acordo entre Igreja e Estado; se, ao contrário, cada um deles se confinasse dentro de suas fronteiras - um cuidando apenas do bem-estar material da comunidade, outro da salvação das almas - possivelmente não haveria entre eles nenhuma discórdia. Temos, porém, vergonha de dizer algo tão escandaloso. Deus, Todo-Poderoso, permita que se pregue finalmente o Evangelho da paz, e que os magistrados civis, tornando-se mais ansiosos para conformar a própria consciência à lei de Deus do que forçar outros homens pelas leis humanas, devem, como pais de seu próprio país, orientar todos os seus conselhos e esforços para promover o bem público civil de todos os seus filhos, exceto somente daqueles que forem arrogantes, dolosos e perversos; e que todos os sacerdotes, que se gabam de ser os sucessores dos apóstolos, seguindo pacífica e modestamente nos passos dos apóstolos, sem se imiscuírem com os negócios do Estado, devem se aplicar inteiramente para promover a salvação das almas. Adeus. Veja mais aqui, aqui e aqui.

A ESPOSA SÁBIA – No livro Arab folktales (Pantheon, 1986), de Iner Bushnaq, encontrei a narrativa A esposa sábia, adaptado de The Sultans Camp Follower,  do qual trago os trechos com o seguinte teor: Era uma vez um seleiro e sua esposa, que viviam com suas três filhas. O homem trabalhava bastante e, ao longo dos anos, economizou uma centena de moedas de ouro colocando-as dentro de uma sela e a costurou como medida de segurança. Certo tempo depois, vendeu essa sela por engano e só descobriu o erro depois que o cliente saiu de sua loja e da cidade. Um ano depois, o cliente voltou para fazer um conserto na sela. O artífice não conseguia acreditar em sua boa sorte, quando encontrou suas economias ainda dentro da sela. Recuperou o tesouro e criou uma pequena canção para celebrar sua fortuna, e todo dia entoava: Escondi e perdi. Esperei e encontrei. É meu pequeno segredo. E ninguém jamais o conhecerá. Certo dia, o sultão passou pela loja e ouviu essa canção. Perguntou: qual é o seu segredo? Se eu lhe contasse, respondeu o selerio, seria um segredo? O monarca granziu a testa. Sou o sultão. Conte-me o segredo. O seleiro recusou-se. Então o sultão perguntou-lhe: você tem família? Uma boa esposa e três filhas lindas, ainda solteiras, respondeu o seleiro. Neste caso, ordenou o sultão, traga suas filhas amanhã ao meu palácio e providencie então para que as três estejam grávidas. Caso contrário, cortarei sua cabeça! Mas majestade!, exclamou o pai horrorizado. [...] A filha pensou por um momento e depois disse: não se desespere, pai. Apenas me compre três vasilhas de água, e eu mostrarei ao sultão como três virgens podem engravidar. [...] A filha mais jovem contou as moedas de ouro e devolveu a bolsa à velha. Tenho um recado para o sultão. Pergunte-lhe o seguinte: Quando se dá um carneiro de presente, corta-lhe a causa? A velha balançou a cabeça de novo, voltou até o sultão e contou tudo o que a virgem dissera. Tenho a impressão que ela é louca, disse, suspirando. O sultão pensou por um momento e sorriu. [...] No dia seguinte, o sultão mandou a velha de volta, com outra proposta de casamento e, dessa vez, o seleiro e a filha mais jovem aceitaram. [...] Cerca de um ano depois, o sultão regressou da guerra, carregado de despojos. Mal olhou para sua esposa, recrutou mais tropas e partiu para outra campanha, bem depois de Gharb. Assim, ela se vestiu novamente de general, reuniu suas tropas e foi atrás do sultão. [...] Tres anos se passaram antes que o sultão voltasse para casa dessa guerra. Ele não falou com a esposa porque decidira arrumar uma nova esposa e planejava casar-se com uma princesa, mais adequada à condição de realiza do que a filha de um seleiro. Quando chegou o dia do casamento, a primeira esposa vestiu com elegância os três filhos, e ao mais velho entregou a adaga do sultão para que usasse em seu traje. Colocou o colar de orações nas mãos da criança do meio e o turbante na filha. Depois ensinou uma canção às três crianças. Pouco antes do inicio da cerimonia de casamento, as crianças apareceram diante do sultão e cantaram: Ele vence na guerra. Vence no xadrez. Vence no amor, vence em suas buscas. Nosso pequeno segredo, ele o descobrirá? O sultão olhou para as crianças e reconheceu a adaga, o colar de orações e o turbante. Então olhou fixamente para a mãe deles e finalmente percebeu o que ela fizera. Você foi os generais que me desafiaram e as escrdavas que dormiram comigo!, exclamou o sultão. São estes meus filhos? A esposa confirmou com um movimento de cabeça. O sultão cancelou o novo casamento, mandando embora a princesa, e voltou-se para a esposa. Você é mais astuta do que qualquer mulher do mundo. Ninguém mais será minha esposa além de você! O sultão e a esposa abraçaram-se e o monarca abraçou os três filhos. Depois ordenou que houvesse uma festa para sua verdadeira esposa e família recém-encontradas. E desse dia em diante todos viveram felizes, com amor, sabedoria e paz. Veja mais aqui.


A MULHER, LUCILIA & RECITATIVO – O livro Poesias Completas (Spiker, 1965), reúne os diversos livros poeta Fagundes Varela (1841-1875), entre os quais destaco inicialmente A Mulher: A mulher sem amor é como o inverno, / Como a luz das antélias no deserto, / Como espinheiro de isoladas fragas, / Como das ondas o caminho incerto. / A mulher sem amor é mancenilha / Das ermas plagas sobre o chão crescida, / Basta-lhe à sombra repousar um’hora / Que seu veneno nos corrompe a vida. / De eivado seio no profundo abismo / Paixões repousam num sudário eterno... / Não há canto nem flor, não há perfumes, / A mulher sem amor é como o inverno. / Su’alma é um alaúde desmontado / Onde embalde o cantor procura um hino; / Flor sem aromas, sensitiva morta, / Batel nas ondas a vagar sem tino. / Mas, se um raio do sol tremendo deixa / Do céu nublado a condensada treva, / A mulher amorosa é mais que um anjo, / É um sopro de Deus que tudo eleva! / Como o árabe ardente e sequioso / Que a tenda deixa pela noite escura / E vai no seio de orvalhado lírio / Lamber a medo a divinal frescura, / O poeta a venera no silêncio, / Bebe o pranto celeste que ela chora, / Ouve-lhe os cantos, lhe perfuma a vida... / - A mulher amorosa é como a aurora. Também o seu poema À Lucília: Se eu pudesse ao luar, Lucília bela, / Queimar-te a fronte de insensatos beijos, / Dobrar-te ao colo, minha flor singela, / Ao fogo insano de eternais desejos; / Ai! se eu pudesse de minh’alma aos elos / Prender tu’alma enfebrecida e cálida, / Erguer na vida os festivais castelos / Que tantas noites planejaste, pálida; / Ai! se eu pudesse nos teus olhos turvos / Beber a vida da volúpia ao véu, / Bem como os juncos sobre as ondas curvos / A chuva bebem que derrama o céu, / Talvez que as mágoas que meu peito ralam / Em cinzas frias se perdessem logo, / Como as violas que ao verão trescalam / Somem-se aos raios de celeste fogo! / Oh! vem Lucília! é tão formosa a aurora / Quando uma fada lhe batiza o alvor, / E a madressilva, que ao frescor vapora / Os ares peja de lascivo amor... / Sou moço ainda; de meu seio aos ermos / Posso-te louco arrebatar comigo... / De um mundo novo na solidão sem termos / Deitar-te à sombra de amoroso abrigo! / Tenho um dilúvio de ilusões na fronte, / Um mundo inteiro de esperanças n’alma, / Ergue-te acima de azulado monte, / Terás dos gênios do infinito a palma!... Por fim, o seu poema Recitativo: Se eu te dissesse, Madalena pálida, / Fundo mistério que meu peito oculta, / Se eu dissesse que amargura estólida / Em mar de prantos meu viver sepulta; / Se eu te contasse que tristezas fúnebres / Meio seio rasgam por febrentas horas, / Que chamas vivas, que delírios lúgubres / Cercam-me o leito de infantis auroras; / Ah! tu que aos males desconheces, pérfida, / O saibro impuro, o lacerante anseio, / Erguendo os olhos sobre o véu da dúvida / Talvez disseras a sorrir: - Não creio! / E no entanto quantas horas pávido / Passei fitando teu divino rosto! / Que longas noites ao deixar-te, trêmulo, / Torci-me em crises de infernal desgosto! / Ah! tíbia estátua, na friez do mármor / Sequer um broto de paixão se oculta! / A vida esvai-se de meu peito débil / E junto à campa mais a dor se avulta. / Dize, impiedosa, que rigor satânico / Fez de minh´alma o pedestal da tua, / E a teus olhares me encandeia fátuo / Bem como o lago refletindo a lua!... / Se, o peito opresso, a teus joelhos, lívido, / Gemesse - eu te amo! em derradeiro anseio, / Sei que mostravas-me um sorriso irônico, / Sei que disseras a sorrir: - Não creio. Veja mais aqui, aqui e aqui.


O QUE É ISSO, COMPANHEIRO & A PROPÓSITO DE SENHORITA JÚLIA – A atriz de teatro, cinema e televisão, Alessandra Negrini começou fazendo um curso para teatro aos 18 anos de idade, quando foi chamada para atuar na televisão. Ela estreia no cinema em 1997, com o filme O que é isso companheiro. Em 2001, ela estreia no teatro com a peça O beijo no asfalto e, no cinema, com Um crime nobre. Seguiram-se no teatro Credores (2003), A gaivota (2008), A senhora de Dubuque (2011) e A propósito de senhorita Julia (2012). Já no cinema, Sexo, amor e Traição (2004), Cleópatra (2007), Os desafinados (2007), No retrovisor (2008), A erva do rato (2008), O abismo prateado (2011), 2 coelhos (2011) e O gorila (2012). A jovem atriz está projetando uma carreira impecável, ora no teatro, ora na televisão, ora no cinema, demonstrando sua versatilidade e domínio nas mais diversas interfaces artísticas de sua atuação. Parabéns e aplausos de pé! Veja mais aqui.

CENTRO DE GRAVIDADE – O longa metragem Centro de Gravidade (2011), baseado no conto Pity for the World, do escritor americano David Plante, numa produção da Universal Remote Films, dirigido e roteirizado pelo fundador e presidente da Academia Internacional de Cinema (AIC), Steven Richter, com música de Erik Blood, foi produzido de forma independente, rodado em cinco dias, com orçamento mínimo, duas câmaras e equipe reduzida composta por professores e alunos da AIC e de profissionais de cinema. O filme trata sobre questões que envolvem amor e expectativas em relação à pessoa amada, numa linha tênue que simultaneamente divide e une um ao outro, centrado no relacionamento de um jovem casal de classe média alta, que mora em um confortável e elegante apartamento. O jovem é um escritor e professor de Literatura Brasileira que está com seus pais à beira da morte, enquanto que a jovem tem uma vida reduzida ao centro gravitacional do próprio companheiro. Uma crise no relacionamento desponta quando ele desconfia de que foi traído, ela confessa e ele quer conhecer o pretenso amante. O destaque vai para a atriz Ana Carolina Lima. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte do fotógrafo tcheco Jiří Růžek
 
Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Noite Romântica, a partir das 21 hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. E para conferir online acesse aqui.

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ASCENSO, PAULO FREIRE, REICH, ELIÉZER MIKOSZ, ZWEIG, DIONE BARRETO, EDUCAÇÃO & GINÁSIO MUNICIPAL

O QUE É DE ARTE E CULTURA QUE EU NÃO SEI – Josedácio cometia uns versos brejeiros, coisas de seu; como não tinha escola, era só tirocínio,...