domingo, agosto 23, 2015

NELSON, MENESES, MALAIKA, MARRA, KIDMAN, YAMATO, A INTROMISSÃO DO VERBO & BRINCARTE DO NITOLINO.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? A INTROMISSÃO DO VERBO – O ano de 1983 corria com a minha empolgação de vento em popa. Não era pra menos. Depois da publicação do meu primeiro conto na revista Ponto de Encontro (Curitiba-PR), da leitura dramática da minha peça teatral A viagem noturna do sol pela TTTres Produções Artísticas e da realização do show musical CantarOlinda, chegou a hora do lançamento do meu livro de poesias A Intromissão do Verbo, pelas Edições Pirata, com apresentação do escritor Jaci Bezerra e de Selma Villar, com ilustrações de Gilson Braga. Espremendo o livro hoje, sobram apenas 4 ou 5 poemas,a apresentação do Jaci tributando Ascenso e Hermilo, os desenhos de Gilson Braga e as generosíssimas palavras de Sema Villar: Inegavelmente Luiz Alberto Machado tem talento. E mais do que isto, tem a coragem de fazer poesia com a seriedade de propósitos que se exige para se fazer versos. Num mundo tão cheio de poetas de má poesia, muitos dos quais escrevem apenas para ver sua face refletida no poço das palavras, este palmarense de 22 anos, dá mostras de que encara o fazer poético com a mais série das intenções. O jogo de palavras com que versa os variados assuntos de sua inspiração, mostra a força do poeta nato disposto a dizer o que pensa em linguagem variada da poesia moderna. Ele já tem um livro – Para viver o personagem do homem – publicado com o esforço próprio de quem anseia por atingir, com desvelo, uma maturidade poético-existencial. Agora, lança A intromissão do Verbo. E confessa ter um outro – Um canto, Palmares – ainda inédito. É nos poemas feitos com simplicidade, sem o palavrismo que pode torna-los ocos, que Luiz Alberto consegue seus melhores poemas. “Em mim” é bem um exemplo desta expressividade. Nele, o poeta transcende seu próprio ser, através de jogos imagéticos marcantes e sonoros, para se deixar invadir pelo “sentimento do mundo” drummondiano. E bote generosidade nessas palavras. E vamos aprumar a conversa aqui, aqui e aqui.


Imagem: Favela, do artista plástico Lourival Viegas.


Curtindo o álbum encartado no livro Antonio Meneses - Arquitetura da Emoção (2011), do violoncelista brasileiro radicado na Suíça, Antonio Meneses.

BRINCARTE DO NITOLINO – Hoje é dia do programa Brincarte do Nitolino pras crianças de todas as idades, a partir das 10hs, no blog do Projeto MCLAM, com a maravilhosa apresentação de Ísis Corrêa Naves. Na programação: Grandes Pequeninos, Marcela Taís, Jeito Diferente, Bangarang, Panda e Os caricas, Meimei Corrêa, Nita, Falamansa & muito mais poesia, brincadeira, histórias e entretenimento pra garotada. No blog, muitas dicas de Psicologia, Educação, Direito das Crianças e dos Adolescentes, além de Literatura, Teatro e Música infantis, entre outras dicas e informações. Para conferir o programa ao vivo e online clique aqui ou aqui.

O PENSAMENTO PÓS-MODERNO E AS TENDÊNCIAS EPISTEMOLÓGICAS – O livro O agente social que transforma: o sociodrama na organização de grupos (Ágora, 2004), da psicóloga, psicodramatista e supervisora psicoterapêutica e socioeducacional Marlene Magnabosco Marra, trata de temas como a socionomia e teoria para a organização dos grupos, a trajetório e o universo da pesquisa, a teoria socionomica, sociodrama & perspectiva teórica e metodológica, pesquisa-ação, o sociodrama como práxis da formação de agentes sociais e multiplicadores, o trabalhador social, investigador-participante, de bombeiro a multiplicador, metodologia de abordagem às famílias, ações socionomicas no resgate de direitos humanos, inclusão social e cidadania, espaços públicos para a defesa e a proteção da criança e do adolescente, da cegueira à visão reconstruindo vínculos e construindo redes sociais, entre outros assuntos. Do livro destaco o trecho: A construção de novos significados, a emergencia da qualificação do conhecimento real, o compromisso ético de participação, a teoria e a pratica do socius na compreensão relacional do sujeito, bem como todas as demais teorias que falam da importância da construção de uma realidade de interação, são pressupostos da pós-modernidade. Transformam padrões e atitudes e promovem novas possibilidades de intervenções interativas e abordagens, gerando mudanças epistemológicas e paradigmáticas. Essas construções teóricas em Psicologia permite-nos integrar dimensões do humano como sujeito e distingui-lo da marcante influencia empirista, tranzendo uma nova construção do objeto de estudo em questão – a relação entre conhecimento e realidade. Vusto dessa forma, o pensamento pós-moderno qualifica o conhecimento segundo os processos de construção que estão incrustrados nas relações sociais. A imbricação sujeito-realidade é fruto do atual paradigma da complexidade [...]. Veja mais aqui.

NARRATIVAS DE YAMATO – Nas Narrativas de Yamato (Cultrix, 1962), do tradicional conto japonês, encontro O túmulo da jovem de Unaí, de autoria incerta, da qual destaco o trecho traduzido por Albertino Pinheiro Junior: Era uma vez, há muito tempo, uma hovem que morava no país de Tsu. Essa jovem era requestada por dois pretendentes. Um deles, que habitava no mesmo país, chama-se Mubara; o outro, habitante do país de Izumi, chamava-se Tchinu. Os dois homens eram parecidos na idade, nas feições, no exterior e nas maneiras. Ela decidira aceitar aquele que mostrasse ter mais amor, mas mesmo o amor de ambos era equivalente. Quando caía a noite, vinham ambos. Quando lhe davam presentes, os presentes eram da mesma espécie. Não se poderia dizer que um deles superasse o outro. E a jovem tinha o coração numa grande atribulação. [...] Então disse a jovem, desalentada: Fatigada da vida, vou lançar meu corpo! Do áis de Tsu o Rio Ikuta é um nome apenas! E, com tais palavras, da plataforma que se projetava sobre o rio, ela se precipitou, chibum! Dentro dele. Enquanto os pais da jovem, aterrorizados, soltavam gritos, os dois apaixonados mergulharam no mesmo lugar; um agarrou pelo pé e o outro pela mão. E os dois morreram com ela. Os pais se lamentaram ruidosamente. Recolheram o corpo da filha e o sepultaram com lágrimas. Os pais dos jovens vieram também. mas quando quiseram-nos enterrar ao lado da sepultura da jovem, os pais do jovem do país de Tsu disseram: - É natural que um homem deste pais seja aqui enterrado. Mas o filho de um país estrangeiro não deveria repousar nesta terra. Então os pais do jobem do país de Izumi trouxeram, num barco, terra de lá, e puderam, por fim, sepultar o corpo do filho. E assim é que existem ainda os túmulos desses dois jovens, à direita e à esquerda do túmulo da jovem. Veja mais aqui.

A BAILARINA APUNHALADA & CÂNTICOS À DOR – A poeta iraquiana Nazik Al-Malaika (1923-2007), foi a primeira a escrever versos livres em árabe e na sua reunião de poemas de 1947, destaco inicialmente A bailarina apunhalada: Danças, com o coração esfaqueado, canta / E ele ri porque a ferida é dançar e sorrir, / Os pedidos imolado vítimas para dormir / E você dançar e cantar tranquila. / É inútil lamentar. Conter as lágrimas quentes / E o grito da ferida desenha um sorriso. / É inútil para explodir. A ferida dormir tranquilamente. / Deixá-la e reverenciá suas correntes humilhantes. / É inútil se rebelar. Nada contra o chicote de cólera. / Que bom são as convulsões de as vítimas? / A dor e a tristeza esquecer / E uma ou duas mortes e lesões. / Ligue o fogo de sua melodia ferida / Desejando que ressoa com os lábios / Que é um remanescente da vida / Para uma canção que a miséria não silenciosa ou tristeza. / É inútil gritar. Repulsa e loucura. / Deixe o morto insepulto. / Quaisquer morre ... não há gritos de tristeza. / Que bom são as revoltas de prisioneiros? / É inútil se rebelar. Nos seres humanos, os restos mortais / Vens não deixar o sangue circular. / É inútil rebelde enquanto alguns inocente / Eles estão à espera de ser sacrificado. / Seu ferimento não é diferente dos outros. / Dança, embriagado com tristeza mortal. / Insones e perplexo estão condenados ao silêncio. / É inútil protestar. Descanse em paz. / Ele sorri punhal vermelho com amor / E ele cai no chão sem agitação. / É um presente que você gargantas cortadas como uma ovelha, / É um presente que você apunhalar o coração e a alma. / É uma loucura, vítima, você vai se rebelar. / A raiva é loucura escravo cativo. / Dance Dance forte, feliz / E sorrindo felicidade escravo do salário. / Conter a dor da ferida é pecado gemido, / E sorriso satisfeito o assassino culpado. / Dê-lhe o seu coração humilde / E deixá-lo cortar e apunhalar com prazer. / Dança com seu coração esfaqueado, canta / E ri ferida é dançar e sorrir. / Diga às vítimas abatidos para dormir /E você dançar e cantar tranquila. Destaco também o seu belíssimo Cântico à dor: Súplicas, salmos, ex-votos brindámos nessa hora / Pão, vinho e tâmaras da Babel embriagante / E de rosa o encanto / Logo aos teus olhos orando, oferenda imolámos / Da lágrima ardente em dilúvio as gotas juntámos – / Um rosário de pranto. Veja mais aqui.

VALSA Nº 6 – O monólogo Valsa nº 6 (1951), do escritor, jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980), é uma peça teatral que se desenrola com a personagem solitária Sonia, uma menina assassinada aos quinze anos de idade, luta para, entre um delírio e outro conseguir montar o quebra-cabeça de suas memórias. Da obra destaco o trecho inicial: Mocinha (Aumentando progressivamente a voz, até ao grito) Sônia! Sônia! Sônia... (para si mesma) quem é Sônia?... e onde está Sônia? (rápida e medrosa). Sonia está aqui, ali, em toda parte! (Recua). Sonia, sempre Sônia... (Baixo). Um rosto me acompanha... e um vestido... e a roupa de baixo... (olha para todos os lados; e para a plateia, em meio riso). Roupa de baixo, sim. (com sofrimento). Diáfana, inconsútil... (com medo, agachada numa das extremidades do palco). O vestido que me persegue... de quem será, meu deus? (corre, ágil, para a boca de cena. Atitude polêmica). Mas eu não estou louca! (já cordial). Evidente, natural... até, pelo contrário, sempre tive medo de gente doida! (amável e informativa, para a plateia). Na minha família – e graças a deus – nunca houve um caso de loucura. (grita, exaltante). Parente doido, não tenho! (sem exaltação, humilde, ingênua). Só não sei o que estou fazendo aqui... (olhando em torno). Nem sei que lugar é este... [...] Veja mais aqui, aqui e aqui.

STOKER – O filme de terror psicológico Stoker (Segredos de Sangue, 2013), do cineasta sul-coreano Chan-Wook Park, conta a história de uma jovem no dia do seu aniversário em que sua vida dá uma guinada depois que seu pai morre em um acidente de carro. No funeral, ela e a mãe conhecem um homem charmoso e carismático que se presta a apoiá-las o que causa alegria indefinida à mãe e coléra à filha, até que uma tia entra em cena e começa a temer pelo homem desconhecido que já se encontra íntimo da mãe e convidando-a para viajar pelo mundo. Acidentalmente a fiha descobre um corpo num congelador e presume ser crime do homem que ela rejeita e que se encontra cada vez mais próximo da sua mãe. A história vai se desenrolando com fatos violentos e com muito suspense, valorizando o destaque que na verdade fica por conta da sempre linda e extremamente talentosa atriz australiana Nicole Kidman, sempre bela, magistral e exuberante nas suas interpretações cinematográficas. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA



Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Domingo Romântico com a reprise de toda programação da semana a partir do meio dia, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
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VARGAS LLOSA, RANCIÈRE, BADIOU, WAGNER TISO, QUINET, BRUNO TOLENTINO, FRANCINE VAYSSE, FRESNAYE, NÁ OZZETTI & JOAQUIM NABUCO

A BARATA & O MONSTRO - Imagem: The Architect (1913), do pintor cubista francês Roger de la Fresnaye (1885-1925). - A noite e a solid...