domingo, novembro 01, 2015

ANDERSEN, WEIL, MICHALA, FERGUSSON, AGNÈS, PRAGUER, JURA MAMEDE & BRINCARTE DO NITOLINO!

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? DE DOMINGO A DOMINGO – Todo dia era domingo na minha infância. Chovesse ou fizesse sol, todo dia era domingo. E enquanto para todos era dia de acordar tarde, pra mim, um menino insone e treloso mijão da beira do rio, já me esgueirava com os primeiros raios do sol virando o quintal de cabeça pra baixo, com as novidades inventadas com todos os pés de plantas e nas árvores dos amigos invisíveis, investido do poder de uma capa de nada ao pescoço com meu guarda-chuva mirim, penico na cabeça, nu da cintura pra baixo e a vontade de sair voando por aí feito um super-herói que sempre fui; e de saborear todas as frutas, contando mentiras ou anedotas porque, nesse dia, não apareciam nem Marcelo nem Marquinhos pra gente virar o mundo. Era dia das coleções de gibi, dos brinquedos presentes de Pai Lula e dos os deveres de casa da professora Hilda, com os quais eu me aplicava tanto de compor umas quadrinhas pra ela todo santo dia. Afinal, todo dia era domingo. Com a vida crescendo, passou a ser dia de invadir a casa de Carma pra liberdade de trelas na plateia maior; era dia de fazer carreira no quintal de tia Bia com cataventos, Mané-gostoso, bonecos de barro, cavalo-de-pau, pra saber o sabor de cada fruta adoçando minhas aventuras jamais superadas; e de tomar posse da bodega de vô Arlindo e vó Benita degustando bolo de goma, nego bom e guloseimas de venda regadas a todos os refrigerantes. Mais dias depois, passou a ser o dia de roupa vincada novinha em folha, alinhado e cheio das pregas pra paquerada nas meninas que iam ver o jacaré no tanque da Praça Maurity e dos Caboclinhos de Rabeca pulando nas ruas; ou das matinês do Cine Apolo com Carlito ou Jerry Lewis, ou do São Luiz com Django ou Ringo dos faroestes da pré-adolescência, que me davam a empáfia de ser maior que os ídolos da minha predileção. Era dia de rodar pelas rodovias ao som de Luís Gonzaga e todo cancioneiro da música nordestina no toca-fitas do Fusquinha 59 que virou Fusca 71 e mudou pra Fuscão 72, Brasília 73 e o Passat 74 nas tardes da praia de Barra Grande. Também era chegada a hora de acompanhar a namorada nas missas vespertinas da Matriz de Nossa Senhora da Conceição dos Montes e sonhar com casório antes da hora. Era dia de ver o bicampeonato de Emerson Fitipaldi e os tricampeonatos de Nelson Piquet e Ayrton Senna, de vibrar com o Flamengo de Zico brilhando no Maracanã, dos batizados, dos concursos públicos, das festanças abastadas até descobrir que o final de semana deveria ser maior e que só aquilo apenas não bastava para todas as estripolias. Na adulteza era dia de acordar ouvindo Vivaldi e lá pelas tantas desafinar o violão em batucadas até dormir cheio dos quequéos com o alarme da trilha sonora do Fantástico, avisando que amanhã era dia de branco e o batente esperava pro trampo de mais uma semana. Até que hoje virou dia de juntar lembranças e de que nada fiz, além disso, minha vida toda. E vamos aprumar a conversa aqui

 Imagem: Trionfo della Divina (Cortona Provvidenza - 1633-1639) no Palazzzo Barberini, do pintor e arquiteto italiano Pietro da Cortona (1596-1669).


Curtindo o álbum Bach & Teleman (RCA, 1998), da flautista dinamarquesa Michala Petri com a Berliner Barock Solisten & Rainer Kussmaul.

BRINCARTE DO NITOLINO– Hoje é dia do programa Brincarte do Nitolino para as crianças de todas as idades, a partir das 10hs (no horário de verão), no blog do Projeto MCLAM e com apresentação de Ísis Corrêa Naves. Na programação sempre especial também tem atrações especiais chamando a meninada com Toquinho, Chico Buarque & Milton Nascimento, Ivan Lins & As Chiquititas, A. J. Cardiais, Mundo Bita, A onça Felinda, Meimei Corrêa, Marina, Turma do Balão Màgico, Turminha da Natureza, Nita, Historinha Cantada, Fabio Jr, O Reino Encantado de Todas as Coisas, A criação do mundo & muito mais No reino encantado de todas as coisas. No blog, muitas dicas de Educação, Psicologia, Direito das Crianças e Adolescentes, Teatro, Música e Literatura infantil, com destaque pro Brincar da Criança e as historias em quadrinhos dos Aventureiros do Una. Para conferir ao vivo e online clique aqui ou aqui.

ONDAS À PROCURA DO MAR – No livro O novo paradigma holístico: ciência, filosofia, arte e mística (Summus, 1991), organizado por Dênis M. S. Brandão e Roberto Crema, encontro o texto O novo paradigma holístico: ondas à procura do mar, do educador e psicólogo francês Pierre Weil (1924-2008), do qual destaco os trechos a seguir: [...] O sentimento de mal-estar generalizado diante dos grandes problemas da atualidade, tais como a violência interindividual, a violência política e internacional sob forma de guerras, o perigo de proliferação nuclear, o desequilíbrio ecológico, entre outros, tem levado à construção de pontes sobre todas as formas de fronteiras criadas em última instancia pela mente humana, entre outros, podemos citar as organizações internacionais, os encontros interdisciplinares e o advento de uma mentalidade de trabalho de equipe em todos os domínios da ciência e da tecnologia o aparecimento de movimentos alternativos à destruição em medicina e em terapia, o conceito de medicina psicossomática e a abordagem holística em terapia e, enfim, os primeiros encontros entre ciência e sabedoria. A palavra holístico está se infiltrando sub-repticiamente na ciência, na filosofia, na educação, na terapia, sem que se tenha feito um esforço para conhecer sua origem e traçar a história da evolução deste conceito. [...] Uma vez que estejam profundamente engajadas na holopraxis, as pessoas podem pensar na aplicação da abordagem holística em determinados ramos profissionais. Assim, pode-se falar em abordagem holística em: epistemologia, educação, psicoterapia, medicina, política, economia, administração de empresas e organizações, paz mundial. [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

A PASTORA E O LIMPADOR DE CHAMINÉS – O livro A pastora e o limpador de chaminés (Ática, 1996), do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen (1805-1875), é uma linda história a qual passo a transcrever: Por acaso você já viu um desses armários antigos, todos negros de velhice, com espirais e flores esculpidas? Pois era exatamente um desses armários que se encontrava no aposento: ele vinha da trisavó e de cima até embaixo era ornado de rosas e tulipas esculpidas. Mas o que havia de mais estranho, eram as espirais, de onde saíam pequenas cabeças de veado com seus grandes chifres. No meio do armário via-se esculpido um homem de singular aparência: fazia uma careta, pois não se podia dizer que ele sorria. Tinha pernas de bode, pequenos chifres na cabeça e uma longa barba. As crianças o chamavam de o Grande-General-Comandante-em-Chefe-Perna-de-Bode, nome que pode parecer longo e difícil, mas um título com o qual poucas pessoas foram honradas até hoje. Enfim, ele estava lá, com os olhos sempre fixos no consolo colocado sob o grande espelho, em cima do qual estava posta uma graciosa pequena pastora de porcelana. Ela usava sapatos dourados, um vestido enfeitado com uma rosa viçosa, um chapéu dourado e um cajado: era encantadora. Ao lado dela estava um pequeno limpador de chaminés, negro como carvão, e de porcelana também. Ele era muito bonito, pois, na realidade, não era senão o retrato de um limpador de chaminés. 0 fabricante de porcelana poderia ter feito dele um príncipe, o que teria sido a mesma coisa. Mantinha graciosamente sua escada sob um braço e seu rosto era vermelho e branco como o de uma moça; o que não deixava de ser um defeito que se poderia ter evitado colocando nele um pouco de preto. Ele quase tocava a pastora: tinham-nos colocado ali e eles ficaram noivos. Assim, um combinava com o outro: eram dois jovens feitos da mesma porcelana e todos dois igualmente fracos e frágeis. Não longe deles havia uma outra figura três vezes maior: era um velho chinês que sabia balançar a cabeça. Também era em porcelana; acreditava ser o avô da pequena pastora, mas nunca pudera prová-lo. Afirmava ter todo o poder sobre ela e foi por isso que respondeu com um amável inclinar de cabeça ao Grande-General-Comandante-em-Chefe-Perna-de-Bode, quando este pediu a mão da pequena pastora. "Que marido você terá ali!", disse o velho chinês, "que marido! Creio mesmo que ele é de acaju. Fará de você a senhora Grande-General-Comandante-em-Chefe-Perna-de--Bode; tem seu armário cheio de pratarias, sem contar o que tem escondido nas gavetas secretas. - Jamais entrarei naquele armário sombrio - disse a pequena pastora - ouvi dizer que ele tem lá dentro onze mulheres de porcelana. - E daí? Você será a décima-segunda disse o chinês. - Esta noite, quando o velho armário começar a estalar, realizaremos o casamento, tão certo como eu ser um chinês. E ao dizer isso ele balançou a cabeça e adormeceu. Mas a pequena pastora chorava fitando ,o seu bem-amado limpador de chaminés. - Por favor - disse ela - ajude-me a fugir pelo mundo, não podemos mais ficar aqui. - Eu desejo tudo o que você deseja --disse o pequeno limpador de chaminés. - Vamos fugir; creio que poderei ajudá-la. - Contanto que nós desçamos do consolo - disse ela – não estarei tranqüila enquanto não nos virmos fora daqui. Ele tranqüilizou-a, mostrando-lhe como ela devia colocar seus pezinhos sobre os rebordos esculpidos e sobre a folhagem dourada. Ajudou-a inclusive com a sua escada e logo eles atingiram o assoalho. Mas ao se voltarem para o velho armário, notaram que tudo estava em revolução. Todos os veados esculpidos alongavam a cabeça e viraram o pescoço. 0 Grande-General-Comandante-em-Chefe-Perna-de-Bode deu um salto e gritou para o velho chinês: "Que fogem! estão fugindo!" Então eles foram refugiar-se na gaveta do armário da janela. Lá se encontravam três ou quatro baralhos incompletos e um teatrinho que tinha sido construído. Representavam ali uma comédia, e todas as damas, que pertenciam à família dos naipes de ouros ou espadas, de copas ou paus, estavam sentadas nos primeiros lugares e se pavoneavam com suas tulipas; e atrás delas estavam todos os valetes, que tinham por sua vez uma cabeça em cima e outra embaixo, como acontece com as cartas de baralho. Tratava-se na peça de um casal que se amava, mas que não podia casar-se. A pastora chorou muito, pois ela pensava tratar-se da sua própria estória. "Isto me faz muito mal", disse ela, "preciso deixar esta gaveta". Mas assim que se puseram no chão novamente e lançaram um olhar para o consolo, perceberam que o velho chinês acordara e que se agitava violentamente. "Aí vem o velho chinês!", gritou a pequena pastora, caindo sobre os seus joelhos de porcelana, totalmente desolada. - Tenho uma idéia - disse o limpador de chaminés. - Vamos nos esconder no fundo do grande cântaro que está lá no canto. Dormiremos sobre as rosas e as lavandas, e, se eles vierem, jogaremos água nos olhos deles. - Não, isso seria inútil - respondeu ela. - Sei que o velho chinês e a jarra já foram noivos e fica sempre um quê de amizade após semelhantes relações, mesmo muito tempo depois. Não, não temos outro recurso senão fugir pelo mundo. - E você tem coragem, realmente? - disse o limpador de chaminés. - já pensou em como o mundo é grande? Talvez nunca mais possamos voltar para cá. - Pensei em tudo - retrucou ela. O limpador de chaminés fitou-a longamente e disse a seguir: "0 melhor caminho para mim é pela chaminé. Você tem mesmo coragem de subir comigo ao longo dos canos? Somente por ali é que poderemos chegar à chaminé e lá eu saberei voltar. Precisamos subir o mais alto possível e bem no alto encontraremos um buraco pelo qual entraremos no mundo. Ele levou-a até a porta do fogão: "Deus! como é negro aqui dentro!", gritou ela. Enquanto isso, ela o seguiu com bravura e sem hesitação e de lá passaram para os canos, onde fazia uma noite negra como breu. "Olha chaminé", disse ele. "Coragem! 0 passo mais difícil foi dado. Não tenha medo. Olhe, olhe lá para cima e veja que estrela maravilhosa está brilhando." Havia realmente no céu uma estrela que, com seu brilho, parecia mostrar-lhes o caminho: e eles subiam, subiam sempre. Era uma estrada perigosa, tão alta! Mas ele a levantava, sustentava-a e mostrava-lhe os melhores lugares em que colocar os seus pezinhos de porcelana. Chegaram assim até o rebordo da chaminé. Ele saiu em primeiro lugar; e ela o seguiu, muito feliz por deixar finalmente aquele caminho sombrio. Sentaram-se para descansar, tão fatigados estavam! E tinham motivos para isso! 0 céu com todas as suas estrelas se estendia acima deles e os tetos da cidade apareciam lá embaixo. Passearam seus olhares bem longe em volta deles, por aquele mundo que eles viam pela primeira vez. A pequena pastora, que vivera até então no consolo, jamais pensara que o mundo fosse assim tão vasto: apoiou a sua cabecinha no ombro do limpador de chaminés e chorou tanto, que suas lágrimas lhe chegaram até a cintura. "E' muito", disse ela; "muito mais do que eu poderia suportar. 0 mundo é muito grande: oh! não estou mais em cima do consolo, perto do espelho! Não seria feliz se não voltasse. Segui-o pelo mundo; agora leve-me novamente para lá, se você me ama verdadeiramente." E o limpador de chaminés falou-lhe sensatamente; lembrou-lhe os dias monótonos que ela passara sobre o consolo, o velho chinês e o Grande-General-Comandante-em-Chefe-Perna-de-Bode. Mas ela não se deixou convencer, queria descer a todo custo e soluçava tão forte, agarrando-se ao seu pequeno limpador de chaminés, que este não pôde fazer mais do que ceder, embora achasse isto insensato. Dizendo adeus ao céu estrelado, eles começ4ram a descer a muito custo pela chaminé; a pequena pastora escorregava a cada passo mas o limpador de chaminés a amparava; chegaram finalmente ao fogão. Não fora por certo uma viagem de prazer e eles pararam na porta do fogareiro sombrio para ouvir o que se passava no aposento. Tudo estava muito tranqüilo: docemente eles puseram a cabeça para fora, a fim de ver o que havia por ali. Ai de mim! o velho chinês jazia no assoalho. Caíra do consolo ao querer persegui-los e se quebrara em três pedaços. As costas tinham-se destacado do restante do corpo e a cabeça rolara para um canto. O Grande-General-Comandante-em-Che-fe-Perna-de-Bode conservava sempre a mesma posição e refletia. "E' terrível", disse a pequena pastora, "o velho avô quebrou-se e nós é que fomos a causa! Oh! não poderei sobreviver a essa infelicidade!" E cheia de desespero em frente ao seu avô partido em três pedaços, ela apertava as suas mãozinhas. "Podemos colá-lo", disse o impador de chaminés; "sim, podemos colá-lo. Vamos, não fique triste; se colarmos as costas dele e pusermos uma boa atadura na nuca, ele ficará tão sólido e parecerá novo e poderá ainda dizer-nos uma série de coisas desagradáveis. Vamos, pare de chorar. Garanto-lhe que nada está perdido; seu estado não é desesperador. - Você acha? - perguntou ela. E eles subiram para o consolo onde viviam há tanto tempo. "Veja onde chegamos disse o limpador de chaminés, que era muito sensato; "por que fizemos tão longa viagem? Poderíamos ter poupado tanto trabalho." - Oh! Ainda se ao menos o velho avo estivesse colado! Que felicidade para mim - disse a pequena pastora. - Acha que essa operação custará muito caro? E o avo foi colado. Chegaram até a colocar-lhe uma atadura no pescoço e ele ficou como novo. Só que não podia mais mexer com a cabeça. "O senhor está muito bem depois da sua enfermidade - disse-lhe o Grande-General-Comandante-em-Chefe-Perna-de-Bode. Parece-me que não tem nenhum motivo para ficar tão abatido; afinal, quer me dar a mão de sua neta ou não?" O limpador de chaminés e a pequena pastora lançaram um olhar terno sobre o velho chinês: sabiam que ele não moveria a cabeça; mas não podia fazê-lo, e teria vergonha de confessar que tinha uma atadura no pescoço. Graças a essa enfermidade, o casal de porcelana pôde continuar junto; renderam graças à atadura no pescoço do avô e se amaram até o dia em que eles mesmos foram quebrados. Veja mais aqui e aqui.

POEMA MEMÓRIA & ÂNCORA DO TÉDIO – Conheci o poetamigo Jura Mamede (Jurandir Mamede de Santana), em 2010, quando ele me presenteou o seu livreto O sol fugitivo (Maceió, 1986). Já conhecia algumas de suas obras e pudemos, ao longo de tardes e noites por três anos seguidos, dialogar e trocar ideias a respeito da sua atividade poética. Na ocasião em que o encontrei, ele estava se abstendo de escrever poesias, alegando não haver mais nenhum sentido para poetar. Logo estranhei, claro, um sujeito como ele em que eu havia recebido referências das mais diversas vertentes poéticas de norte a sul do país, virar um completo avesso ao ato que ele mais prosperara nas mais diversas localidades desse Brasilzão véio, arrevirado e de porteira escancarada, era não menos decepcionante. Mas bastou a primeira talagada na bebericagem e lá estava traindo seu propósito e poetando noite adentro. Assim foi, até quando nos últimos dias recebi a notícia de que ele havia produzido um livro cometendo novíssimos poemas e que está já em andamento de publicá-lo. Fiquei, deveras, animado com o retorno do poetamigo. Tanto é que registro aqui dois dos seus poemas. Primeiro, o Poema Memória, do seu livro Cosmo das Águas (Maceió, 1985): Com aquele que olha o abismo / e não voa, / que sem tristeza chora. / Com o náufrago que não desiste do naufrágio / com os passos afogados na areia. / Com a poesia amorosa, raivosa / uma estrada caminha em si / e não volta do abismo / exceto o poema / que voa anônimo do precipício. Também um outro que ele participou recentemente de um sarau em Maceió, o Âncora do tédio: Partem naus / Do porto do tédio, / Náufragos da cidade. / Ancora, marinheiro, / Toda tristeza em todo cais, / Regressa a pique / Com a despedida do sol e da lua. / O mundo fica por viajar do outro lado das águas. E veja mais aqui e aqui.

ENREDO E AÇÃO – No livro Evolução e sentido do teatro (Zahar, 1964), do educador, professor e crítico de teatro e mitologia Francis Fergusson (1904-1986), destaco o trecho Enredo e ação: A distinção entre enredo e ação é fundamental, mas muito difícil de ser feita em termos gerais. Mostrei-a claramente na maioria das peças estudadas, sendo as ações e os enredos dessas peças sempre diferentes entre si. Aristíteles não explica a distinção, mas nos primeiro nove capítulos da Poética, enquanto trata da tragédia em si, antes de estudar os propósitos, ou analisar os tipos de tragédias, ele parece presumir aquela distinção. [...] Aristóteles nos dá uma definição geral de enredo – arranjo, ou síntese, de incidentes – mas não define ação. Para mim, como já disse, ação é um conceito analógico, só compreensível, portanto, com referência ações determinadas. Nesse estudo a palavra se refere à ação que a peça imita; aos atos miméticos do dramaturgo – estruturação de enredo, personagem e falas – que vão constituir a peça; e aos atos miméticos dos atores que reproduzem, por meio de seus próprios seres, as versões individualizadas ou características da ação que o autor tinha em mente. Assim o livro todo é um estudo de ação em algum de seus muitos aspectos; e proponho, pois, deixar os exemplos no lugar de uma definição geral. Se o leitor quiser considerar a dificuldade de uma definição desse termo, é convidado a ler o simpósio intitulado What is action?, realizado em 1938 pela Sociedade Aristotelica Britânica. Macmurray, Franls e Ewing leram comunicados; todos viram a diferença entre ação e os acontecimentos pelos quais é manifestada; e todos concordaram quanto á fundamental importância do conceito. Mas não conseguiram uma definição que nos ajudasse. É interessante notar que nenhum deles mencionou a arte de imitir a ação. Se a ação não pode ser definida abstratamente, de que serve o conceito no estudo das artes dramáticas? Serve para indicar a direção que uma análise da peça deve tomar. A direção do objeto que o dramaturgo tenta mostrar-nos; e precisamos dessa orientação se queremos compreender a arte complexa do autor; estruturação do enredo, dos personagens, da linguagem, do pensamento e a coerência entre eles. Com esse propósito podem ser estabelecidas regras práticas como a famosa do Teatro de Arte de Moscou. Diz ela que a ação de um personagem ou de uma peça deve ser indicada por uma frase definitiva. Em Édipo, por exemplo, seria “achar o réu”. Esse expediente não chega a ser uma definição, mas leva o ator à determinada ação que o autor pretendeu. Assim, para quem se interessa pela arte do dramaturgo ou pela arte do ator, a distinção entre enredo e ação é essencial. Veja mais aqui e aqui.

LE GOÛT DES AUTRES – A comédia Le goût des autres (O gosto dos outros, 2000), dirigido pela cineasta francesa Agnès Jauoi e roteirizado por ela e por Jean-Pierre Bacri, conta a história de um rico empresário acometido de depressão, entediado com a sua esposa, e que para fazer um grande contrato internacional terá de fazer cursos de inglês e que passa a ter um guarda-costas que é um ex-policial, desiludido e amargo. Nesse meio termo, se apaixona pela professora de inglês que também é atriz que vê-lo como um milionário sem graça, mas que depois de certo tempo, o vê como um ser humano e capaz de evoluir acima de tudo. Trata-se, portanto, das confusões amorosas e sociais de um grupo de personagens de diferentes gostos, classes e ambições: desde o industrial novo-rico e sua professora de inglês; o truculento guarda-costas e uma garçonete traficante. Pela comedia igualmente engraçada, inteligente e sedutora sobre esnobismo, tolerância e as cegueiras da paixão. O destaque do filme vai para a diretora Agnès Jauoi que além de atriz que atuou em várias dezenas de filmes e no teatro, também é escritora com vários livros publicados e que dirigiu também Como uma imagem (2004), Tal about the rain (2008) e No final do conto (2013). Veja mais aqui.

CURSO DINÂMICO DE ORATÓRIA – Nos dias 14 e 21 de novembro, no horário das 13 às 18hs, na Escola de Idiomas Wizard, em Três Corações (MG), acontecerá mais um Curso Dinâmico de Oratória – modalidade interativa e muito prática, com duração de 10 horas de curso. Informações & Local de Inscrições: Rede Pizza Pré-Assada (Ao lado do Frigorífico Loha) Rua Cel. Francisco Antonio Pereira, 197 – Centro Telefones: (35) 93232-1039 ou (35) 98814-9720 (Com Meimei Corrêa) & Escola de Idiomas Wizard, Praça Cônego Zeferino Avelar, 26 – Centro Três Corações – MG, Telefone: (35) 93234-1918 Realização: Meimei Corrêa Produções/ Alan Miranda Cursos/ Projeto MCLAM/ Diário do Tataritaritatá/ Escola de Idiomas Wizard. Veja mais detalhes aqui.

IMAGEM DO DIA
 Todo dia é dia da médica e ativista Francisca Praguer Fróes (1872-1931), uma das primeiras mulHeres formadas em Medicina no Brasil e a defender os direitos da mulher e o divórcio em 1917, preocupando-se com questões de saúde tipicamente femininas. Foi agraciada com um soneto do escritor Euclides da Cunha, Página Vazia: Quem volta da região assustadora / De onde eu venho, revendo inda na mente / Muitas cenas do drama comovente / Da Guerra despiedada e aterradora, / Certo não pode ter uma sonora / Estrofe, ou canto ou ditirambo ardente, / Que possa figurar dignamente / Em vosso Álbum gentil, minha Senhora. / E quando, com fidalga gentileza, / Cedestes-me esta página, a nobreza / Da vossa alma iludiu-vos, não previstes / Que quem mais tarde nesta folha lesse / Perguntaria: "Que autor é esse / De uns versos tão mal feitos e tão tristes"?!!

 Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Domingo Romântico, a partir do meio dia (horário de verão), com a reapresentação de toda programação da semana e a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Em seguida, o programa Mix MCLAM, com Verney Filho e na madrugada Hot Night, uma programação toda especial para os ouvintes amantes. Para conferir online acesse aqui .


GALEANO, BOLDRIN, FLORA PURIM, CAMPBELL, JACI BEZERRA, BRAGINSKY, ADONIRAN, INGRID PITT, RESILIÊNCIA & QUIPAPÁ

A ESCRITURA DO VISINVISÍVEL – A arte do pintor ucraniano Arthur Braginsky . – O que vejo a lágrima embaça porque tudo é muito adverso e av...