segunda-feira, janeiro 04, 2016

CRÔNICA DE AMOR POR ELA, BRAHMS, TAGORE, VIRGILIO, ALSOP, SANTAELLA, ROCCO, LENILDA LUNA & MUITO MAIS!!!


CRÔNICA DE AMOR POR ELA: O AMOR - Os olhos dela nos meus: uma fisgada de pegar na beca – preste atenção! -, desarrumando vinco, colarinhos, certezas, tudo em desalinho, a captura do amor na hora certa. E um beijo seu, primário do nada, profundo de todo, insensato de loucura prévia, me invade a remover todos os meus muros e minhas mortes, assaltando as quatro paredes da minha solidão, a me devolver a vida no que me resta de ser. E me envolve e afeta meu coração a bater descontrolado por saber da soberania do seu reinado que me toma o céu para reinar com seu reluzente jeito, descartando lembranças e sarando meus ferimentos para remissão de todas as perdas. E colhe com carinho as flores murchas dos meus jardins tristonhos para a semeadura da sua magnifica presença a me salvar dos perigos com a manhã luminosa do seu beijar que não quer conter seus ímpetos e nem perder a ocasião de me fazer feliz. E me ronda e espreita para dar-me a paz com o afago da sua amanhecida carícia e a me enfeitiçar nas horas dos meus sonhos com o deslumbrante emanar do hálito morno do seu sopro vivente. E me abraça para me defender do perecível e me socorrer da vida miserável do meu isolamento, e me encoraja para que eu não fraqueje na ruína da memória a permitir que floresça em mim um ânimo por demais afortunado. E assim eu sou em suas mãos ternas já entardecidas nas minhas. E ela as mantém entrelaçadas em sua alma aconchegante para que eu não seja errante na brisa leve que vem do leste do seu afago. E me traz a fragrância do seu perfume na dança dos meus desejos que germinam ao toque de caricia dos seus dedos por minhas faces perdidas. E sinto o seu sorriso amoroso com meus beijos e escuto o suspiro dos seus segredos mais escondidos e acendo em sua boca ardente os sussurros do seu coração. E toda a sua majestade se manifesta para me contemplar a alma com as riquezas de sua entrega. E posso escolher entre as suas faces para proclamá-la deusa minha com seu manto transparente de visível beleza estival no triunfo da formosura, e eu com vivas a me embebedar com o místico aroma do incensório que emana de seu ser. Tomo em meus braços e sinto em meu peito o pulsar do prazer de seu corpo trêmulo para o meu extravio no seu rosado entardecer e ela inteira amadurece nas minhas mãos para que eu recolha a colheita de seus prados enquanto sacode o quadril na travessura dos seus lábios que juram safras exitosas. E escuta meu coração atenta e envolta ao meu pescoço a se descobrir presa fácil na troca do meu coração com o seu, se derramando impaciente a sacudir a cabeça para se erguer altiva e idolatrada nas minhas libações profundas do meu arado em suas plantações. E se precipita celebrada como quem cumpre a quem merece com empenho e devoção, como quem esculpe uma obra de arte no meu corpo e me ensina a voar sobre as águas enquanto passeia o seu deslumbrante emanar no meu riso. Eu voo e na sua viagem sem pressa lugar algum será longe no seio de suas numerosas noites, como nenhum prazer jamais será fugaz no esplendor de sua gloria. Ela ascende máxima e exalta com seus preciosos aromas deleitosos e completamente destemida na paixão, faz-se roçar com seu ímpeto lascivo o meu corpo de eleito da sua beleza revelada e a me ofertar o reservado quinhão que me cabe de sua magnífica presença no centro da sua noite iluminada. E adivinha com o véu das nuvens de seu abraço a transbordar apressada com a urgência dos meus mais exaltados sentimentos, quando o eco dos seus desejos perpassa minha carne no voo dos seus penhascos e se me revelam o ancoradouro no qual meu nome e o seu está inscrito e apenas o querer nos separa de tudo que nos falta e me faz atado pelo elo da paixão desesperada. E assim tenho o prêmio do ardor de todo o seu prazer vivo nas suas luzes extremadas que me dão a perícia suprema de que seus passos farão as trilhas do meu caminho lado a lado até enlanguescer na caminhada para repousar o meu prazer na sua fonte profusa que jorrar o nosso prazer. (Luiz Alberto Machado.Veja mais aqui, aqui e aqui).

PICADINHO
Imagem: Nu, do pintor ítalo-brasileiro Antonio Rocco (1880-1944).
Curtindo o álbum da Symphony nº 1 - Overtures – (Naxos, 2005), do compositor alemão Johannes Brahms (1833-1897), com a London Philharmonic Orchestra sob a regeência da violinista e regente estadunidense Marin Alsop que atualmente é a diretora musical da Orquestra Sinfônica de Baltimore e da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Veja mais aqui.

EPÍGRAFEFacilitis descensos Averno, recolhido do poema épico Eneida, do poeta romano clássico Público Virgilio Maro (70aC-10aC), dando conta da saga de Eneias, um troiano que é salvo dos gregos em Troia, a viaja errante pelo Mediterrâneo até chegar à península Itálica. Essa frase significa dizer que as descidas são sempre mais fáceis que as subidas, até a descida para o inferno é mais fácil. Veja mais aqui e aqui.

CULTURA PÓS-MODERNA & GLOBAL – No livro Linguagens líquidas na era da mobilidade (Paulus, 2007), a professora e pesquisadora Lucia Santaella, encontro sobre a cultura pós-moderna e global o seguinte: [...] enquanto a cultura pós-moderna e global nos levou ao fim do estilo concebido como padrão capaz de perfilar e permitir o reconhecimento da uniformidade estilística de um período histórico, o que a cultura pós-humana está agora colocando sob interrogação é o estatuto do talento individual como fonte para certa noção de estilo. Enfim, se todos os processos de criação na era pós-humana, além de serem coletivos, cooperativos e dialógicos, são também realizados em uma simbiose com a inteligência e vida artificiais, então o estilo, tradicionalmente concebido como marcas qualitativas de um talento individual, está destinado a desaparecer? Deixo a pergunta para a nossa meditação. Veja mais aqui e aqui.

A BEM-AMADA - O livro A bem-amada (Códez, 2003), do escritor e arquiteto britânico Thomas Hardy (1840-1928), conta a história de um escultor que, em busca de um ideal estético, representado pela bem-amada, se apaixona sucessivamente por três gerações de mulheres de uma mesma família. Da obra destaco o trecho: A sua bem amada ele sempre fora fiel [...] Cada uma, conhecida como Lucy, Jane, Flora, Evangeline, ou o que quer que fosse, fora apenas uma condições transitória. [...] Em essência, ela talvez fosse de uma substancia intangível: um espírito, um sonho, um frenesi, um conceito, um aroma, uma sítese do sexo, uma luz do olhar, um separar de lábios [...]. Veja mais aqui.

O JARDINEIRO DO AMOR – No livro O jardineiro do amor (Thesaurus, 1983), do poeta e músico indiano, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, Rabindranath Tagore (1861-1941), encontro o poema LXVII com o seguinte teor: Paz, meu coração, paz, deixe que seja doce o momento da separação, / que não se assemelhe à morte, e sim ao que é perfeito. / Deixe que o amor se dilua nas recordações, e a dor, em cânticos. / Deixa que esse longo voo, através dos céus, termine em um seguro bater de asas sobre o ninho. / Deixa que o último toque de tuas mãos seja suave como a flor da noite. / Permanece quieto, - ó final encantado! – quieto por um instante, e dize tuas últimas palavras em silêncio. / Inclino-me diante de ti, e levanto bem alto o lampião para iluminar o teu caminho. Veja mais aqui, aqui e aqui.

COMMEDIA DELL’ARTE - Na obra Teatro Vivo (Civita, 1976), organizada por Sábato Magaldi, encontro que: A commedia dell’arte vulgarizou a trama, as intrigas e as situações, aproveitando máscaras e trajes carnavalescos e os grandes recursos da pantomina popular. Permitindo ao ator os ilimitados recursos da improvisação, o gênero fez do interprete o mais importante elemento do espetáculo teatral. O reinado absoluto do ator confundiu-se com a commedia dell’arte. Embora os intérpretes devessem seguir os achados cômicos (lazzi) e respeitar os roteiros básicos (canovacci), havia extrema liberdade de variações. Assim, era válida a ideia de que os diálogos se conjugassem de acordo com a fantasia do momento. Essa liberdade criadora, paradoxalmente, confinava-se por outra limitação: os atores fixavam-se sempre numa máscara, especializando-se em determinado papel, pelo qual ficavam famosos, até a morte. Com base num esquema, os cômicos davam largas à imaginação. Mas, na realidade, eles acabavam por ser autores de um só tipo. Geralmente, o espetáculo mostrava um casal de namorados em luta contra a proibição dos pais, em meio a intrigas e acrobacias dos criados e intervenções do Arlequim, da Colombina, de Pantaleão, do Doutor e do Capitão. As companhias itinerantes fizeram da commedia dell’arte um dos gêneros mais populares em toda a Itália, com profundos reflexos no teatro europeu da época. Contudo, a pobreza do texto, provocando desequilíbrios no espetáculo, constituiu o principal fator de sua decadência. No século XVIII, Carlo Goldoni (1707-1793), autor máximo do teatro veneziano, iria se inspirar na commedia dell’arte para escrever as suas principais peças de costumes, mas teria o cuidado de limitar a palhaçada gratuita e a improvisação arbitrária. A commedia dell’arte pode ser considerada o ponto de partida das diferentes e posteriores formas de teatro do povo que culminou no drama shakespeariano. Veja mais aqui e aqui.

FA YEUNG NIN WA – O premiadíssimo filme honconguês Fa Yeung Nin Wa (Amor À Flor da Pele, 2000), dirigido e escrito pelo também premiado cineasta chinês Wong Kar-Wai, integrante do movimento chamado de "Segunda Nova Onda" do cinema de Hong Kong, traz a significação do seu título como sendo Anos Como Flores, baseado em uma canção de Zhou Xuan. O longa metragem conta a história de amor mal resolvida e impossível, dissecando os desencontros de um casal – o envolvimento sexual entre um jornalista e a sua bela vizinha jovem em um apartamento - à luz da repressão feminina e das convenções sociais de Hong Kong, no ano de 1962. O destaque do filme fica por conta da atuação da belíssima atriz chinesa Maggie Cheung. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte da artista visual Corina Chirila.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à jornalista e pedagoga Lenilda Luna & Pensando Bem.

TODO DIA É DIA DA MULHER
Veja as homenageadas aqui e aqui.


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O ESPADACHIM DO CANAVIAL – Imagem do artista plástico João Gonçalves - O que Zedonho tinha de ocrídio, tinha de trabalhador. Pense num su...