sábado, janeiro 09, 2016

CRÔNICA DE AMOR POR ELA – FONTE, GABO, WATTS, ÉLUARD, CARL OFF, BERGMAN, JOSÉ PAULO PAES, BÉJART, MONTAIGNE, BONASSI, RACHEL LUCENA & MUITO MAIS!


CRÔNICA DE AMOR POR ELA: FONTE - Quando o dia amanhece em seu sorriso, tudo é festa mais que sou do meio dia, tudo vibra de eclosão na natureza, tudo brota antes árido sertão. É nela que faço meu canto e minha poesia, porque dela é a terra que se faz mar fecundo pra me inundar do verde ao azul por inteiro como amargo para descobrir o doce que não tenho: o prazer que não sou para me dar o que nem mereço. E o meu prazer é ela me comendo aos poucos pelos bagos soltos da jaqueira que lhe servisse ao paladar da predileção. E já posso ver o Sol nascer entre os seus seios pra pulsar de emoção minha planície mais que versátil de assimetria, emergindo meu vulcão da mais longínqua freguesia pra fremir na maior erupção. É aí no seu colo que se faz nascente para ser tão grande quanto queira e são meus seus dotes que me fazem vivo entre suas mãos, quando ela prefere a noite por trazerem respostas pras nossas mais loucas aventuras. E quando a manhã se faz plena no seu ventre mais que solaçoso sou adulto mais que rijo tão viril nessa fonte inesgotável de prazer. (Luiz Alberto Machado).

VEJA MAIS CRÔNICA DE AMOR POR ELA:
DESEJO 
QUANDO TE VI
ARDÊNCIA 

 
PICADINHO
Imagem: Lady Love (A namorada), do poeta francês Paul Éluard (1895-1952), poema traduzido por José Paulo Paes.

Está de pé nas minhas pálpebras,
Seus cabelos estão nos meus,
Tem a forma de minhas mãos
E tem a cor dos meus olhos.
Desaparece em minha sombra
Como pedra atirada ao céu.
Está sempre de olhos abertos
E não me deixa mais dormir.
Os seus sonhos, em plena luz,
Fazem os sóis se evaporar,
Me fazem rir, chorar, rir
Falar sem ter nada a exprimir.
(Veja mais aqui).

 Curtindo a cantata Carmina Burana (Canções da Benediktbeuern, 1935/36), do compositor alemão Carl Orff (1905-1982), com Beverly Hoch, Stanford Olsen, Mark Oswald, Iwan Edwards, Face Treble Choir, Chœur de l'Orchestre Symphonique de Montréal, Orchestre Symphonique de Montréal. Veja mais aqui.

EPÍGRAFE – Stercus cuisque suum bene olet, adágio latino citado pelo jurista, político, filósofo e humanista francês Michel de Montaigne (1533-1592), que se traduz: para cada qual o seu estrume cheira bem. Veja mais aqui, aqui e aqui.

O AMOR & O SEXO – No livro O homem, a mulher a natureza (Record, 1958), do filósofo e escritor inglês Alan Wilson Watts (1915-1973), encontro que: [...] O amor sexual é, acima de tudo, o modo mais intenso e dramático através do qual um ser humano estabelece união e relação consciente com alguma coisa que lhe é exterior. e, além disso, no homem, a mais vívida das expressões habituais de sua espontaneidade orgânica, a ocasião mais positiva e criadora de seu entusiasmo por alguma coisa fora do domínio de sua vontade consciente [...] O resultado do amor é um anticlímax somente quando o clímax foi provocado e não apenas recebido. Mas quando toda a experiência é recebida, o resultado chega à pessoa em um mundo maravilhosamente modificado e, não obstante, inalterado, tanto espiritual como sexualmente, pois a mente e os sentido não têm mais, então, de se abrir, por já estarem naturalmente abertos, e parece que o mundo divino não é outro senão o mundo quotidiano. [...] A pessoa é, assim, transportada do mundo do tempo do relógio para o do tempo real, onde os eventos vêm e vão em sucessão espontânea, controlados por si próprios e não pela mente. Assim como o cantor consagrado não canta uma canção, mas deixa que ela mesma se cante através de sua voz – pois de outra forma ele perderia o ritmo e forçaria o tom -, o curso da vida deve acontecer por si próprio, com uma continuidade em que o ativo e o passivo, o interior e exterior são os mesmos. Assim, encontramos, finalmente, o verdadeiro lugar do homem na natureza [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

O AMOR NOS TEMPOS DO CÓLERA No livro O amor nos tempos do cólera (Record, 1985), do escritor colombiano Gabriel García Márquez (1927-2014) destaco o trecho: [...] as mulheres se guardavam do sol como de um contágio indigno [...] Seus amores eram lentos e difíceis, perturbados amiúde por presságios sinistros, e a vida lhes parecia interminável. Ao anoitecer, no instante opressivo da passagem para as sombras, subia dos pântanos um turbilhão de pernilongos carniceiros, e uma branda exalação de merda humana, cálida e triste, revolvia no fundo da alma a certeza da morte. [...] a memória do coração elimina as más lembranças e enaltece as boas e que graças a esse artificio conseguimos suportar o passado [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.

DOS CARMINA BURANA - No livro Poesia erótica em tradução (Companhia das Letras, 2006), reunida e traduzida pelo poeta, tradutor, critico literário e ensaísta José Paulo Paes (1926-1998), encontro a Canção 86 dos Carmina Burana: Não tateio / o por que anseio; / olho-te em cheio / sem receio / nem rodeio / e o que saboreio / me fascina. / Experimenta, menina, / o membro viril, / quando já senil, / é fraco, vil; / se ainda juvenil, / é papa-fina, / um utensilio / nímio, / exímio, / ágil, / grácil, / cálido, / válido, / gentil, / febril, / varonil / e coisas mil. / Após calor / celeste frescor / após verdor / alvejante flor / após candor / tem doce odor / a bonina. / Experimenta, menina... Veja mais aqui e aqui.

ACIMA DE QUALQUER SUSPEITA – Entre os poemas do poeta, tradutor, critico literário e ensaísta José Paulo Paes (1926-1998), destaco Acima de qualquer suspeita: a poesia está morta / mas juro que não fui eu / eu até que tentei fazer o melhor que podia para salvá-la / imitei diligentemente augusto dos anjos paulo torres carlos drummond de andrade manuel bandeira murilo mendes vladimir maiakóvski joão cabral de melo neto paul éluard oswald de andrade guillaume apollinaire sosígenes costa bertolt brecht augusto de campos / não adiantou nada / em desespero de causa cheguei a imitar um certo (ou incerto) josé paulo paes poeta de ribeirãozinho estrada de ferro araraquarense / porém ribeirãozinho mudou de nome a estrada de ferro araraquarense foi extinta e josé paulo paes parece nunca ter existido nem eu. Veja mais aqui e aqui.

APOCALIPSE 1.11 – A peça Apocalipse 1.11, do escritor, roteirista, dramaturgo e cineasta Fernando Bonassi, traz o Apocalipse de São João, da Bílblia, envolvendo o público que segue os personagens por vários espaços do local num percurso que termina com a opção dessa dramaturgia pelo humanismo em lugar da revelação divina. A peça completa a trilogia bíblica do autor, seguindo Paraiso Perdido e O livro de Jó. Tive oportunidade de conferir uma das apresentações no antigo prédio do DOPS, no Rio de Janeiro, em 2002, com direção de Antonio Araújo e destaque para atuação da atriz Mariana Lima. Veja mais aqui.

A FONTE DA DONZELA – O premiadíssimo drama A fonte da donzela (Jungfrukällan, 1059), do dramaturgo e cineasta sueco Ingmar Bergman (1918-2007), conta uma história situada na Suécia medieval, um conto de vingança impiedosa sobre a resposta de um pai para o estupro e assassinato de sua filha, questionando a moral, justiça e crenças religiosas. O destaque é duplo para as atrizes suecas Birgitta Valberg (1916 - 2014) e Birgitta Pettersson. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
Coreografia de Maurice Béjart (1927-2007) para o Kabuki do Balé de Tóquio.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à professora carioca Rachel Lucena. Veja aqui e aqui.

TODO DIA É DIA DA MULHER
Veja as homenageadas aqui.


ERNESTO SÁBATO, EDWIGES DE SÁ PEREIRA, MARIA FIRMINA DOS REIS, ADMAURO, LUCIAH, FENELON & PNTANDO NA PRAÇA

PINTANDO NA PRAÇA - Manhã ensolarada de sábado, nuvens em trânsito e chuva passageira para amainar o calor, olhares dispersos, muita conve...