sexta-feira, janeiro 22, 2016

TODO DIA É DIA DA MULHER, MALFATTI, QUINTANA, VOLTAIRE, TRUFFAUT, CASCUDO, SPIELMANN, MOREAU, GERUSA LEAL & MUITO MAIS!!!!

TODO DIA É DIA DA MULHER - A campanha todo dia é dia da mulher nasceu em 2006 – na verdade, em 1996 quando escrevi a Crônica de amor por ela e se transformou em Folia Tataritaritatá em 2013 -, e tem duas razões muito simples. A primeira delas, é que não apenas se reduz à comemoração de dois dias, o 08 de março – Dia Internacional da Mulher, e o 30 de abril – Dia Nacional da Mulher, que se deve prestar homenagens a esse ser tão maravilhoso. Em segundo, é que também não é apenas a atitude estúpida masculina a responsável pela totalidade da injustiça cometida contra todas as mulheres. Evidente que o machismo idiota representa a maior parcela e mais representativa violência no âmbito da injustiça, contudo deve ser acrescentada, também, a responsabilidade cometida pela estrutura em que foi formada toda humanidade, notadamente aquela assentada no patriarcalismo – e nesse balaio entra toda sociedade, desde autoridades, sistema de saúde, educação, enfim, a sociedade como um todo também é responsável pelas atrocidades que são cometidas contra as mulheres. É evidente que isso está assentado na trajetória da mulher desde as mais remotas eras até o momento atual, registrando uma série de acontecimentos que vão desde a imposição da sua submissão ao homem na sociedade patriarcal, à sua fragilidade na questão de gênero, à sua exaltação ao posto de musa e rainha de poetas e sonhadores, à determinação dos seus afazeres domésticos e criação dos filhos, afora discriminações, ultrajes e violências. Ao longo dos tempos, a mulher sempre foi encarada religiosamente como a culpada pelo pecado, foi submetida a ser apenas a costela do homem e sua fiel companheira na criação dos filhos, na manutenção dos afazeres domésticos e condução da família. Não raro, a mulher se dedicou à luta da sua autonomia contra as discriminações de gênero e na busca por uma igualdade de condições. Dentro dessas lutas ela também se envolveu com outras questões democráticas, como o direito de voto, justiça social, anistia, melhores condições de trabalho, entre outras, engajando-se, inclusive, nas lutas dos homens e de toda humanidade. As lutas das mulheres não só reivindicavam os seus direitos, incorporavam o direito de todos, crianças, idosos, analfabetos, natureza, enfim, todo ser humano e planeta Terra. No meio dessas manifestações, a mulher foi, mesmo nas mais legítimas reivindicações gerais de suas propostas e da sociedade em geral, sempre discriminada, desafiada, ultrajada, maltratada e até violentada pelas mais torturantes iniciativas totalitárias e opressoras. Vítima de uma violência das mais trágicas, a mulher perseguiu ao longo dos milênios com seus anseios e lutas por sua afirmação, pelo feminismo, pela democratização, pelo direito de todos e pela justiça social. Esta é a prova inconteste de que existem diversas formas de violência praticadas contra a mulher, desde a discriminação social, até o espancamento físico, estupros, maus tratos, assédios e assassinatos. É essa a violência que parte da própria sociedade e é mais terrível no seio da família, quando praticada nos domínios do lar pela supremacia de mando do seu marido. Com o passar dos tempos, a violência contra a mulher começou a ser combatida no mundo inteiro e seus direitos passaram a ser exigidos nas sociedades democráticas. A partir da Revolução Francesa, com o surgimento dos direitos, a luta das mulheres direcionou-se entre as reivindicações de classe e questões políticas que se adensaram na Revolução Industrial, articulou-se com o Marxismo, fez frente aos movimentos sufragistas e se delinearam nos movimentos feministas. No Brasil, a luta das mulheres não foi diferente dos cenários europeus e norte-americanos, culminando com a promulgação da Constituição Federal de 1988, quando esta estabeleceu a igualdade de gêneros, o principio da dignidade humana e o exercício da cidadania pela instituição do Estado Democrático de Direito, quando a mulher viu-se contemplada com seus direitos garantidos. A partir dessa Carta Magna, muitos institutos legais regulamentaram suas previsões, visando coibir a violência contra a mulher. Estes institutos podem ser constatados a partir da instituição das Delegacias de Defesa da Mulher, do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e a edição da Lei Maria da Penha, esta exclusivamente voltada para coibir a violência, entre outros tantos diplomas legais atinentes ao atendimento dos direitos da mulher. Mesmo com esse aparato legal, o problema ainda persiste – é porque não é só de lei que vive a Justiça e o Direito, muito menos o ser humano, mas de educação, consciência, respeito à diferença e solidariedade. (Luiz Alberto Machado).

Veja mais:
SAMIRA, A RUIVINHA SARDENTA 
SULINA, A OPULÊNCIA DA BELDADE
 
PICADINHO


Imagem: Female nude, do pintor austríaco Hans Temple (1857-1931)


Curtindo o álbum Brazilian Breath (Aosis Records, 2001), da saxofonista, flautista, compositora e arranjadora Daniela Spielmann.

EPÍGRAFE – Os homens usam o pensamento só para justificar suas injustiças, e o discurso para esconder seus pensamentos, frase recolhida do livro Dialogues d'Euhémère (1777), do escritor, dramaturgo e filósofo iluminista francês Voltaire (François Marie Arouet/1694-1778). Veja mais aqui, aqui e aqui.

COMUNICAÇÃO – No livro O que é comunicação (Nova Cultural/Brasiliense, 1986), do intelectual paraguaio que estudo a comunicação, Juan Diaz Bordenave (1926-2012), encontro que: Alguém fez, uma vez, uma lista dos atos de comunicação que um homem qualquer realiza desde que se levanta pela manhã, até a hora de deitar-se, no fim do dia. A quantidade de atos de comunicação é simplesmente inacreditável, desde o bom dia à sua mulher, acompanhado ou não por um beijo, passando pela leitura do jornal, a decodificação de números e cores do ônibus que o leva ao trabalho, o pagamento ao cobrador, a conversa com o companheiro de banco, os cumprimentos aos colegas no escritório, o trabalho com documentos, recibos, relatórios, as reuniões e entrevistas, a visita ao banco e as conversas com seu chefe, os inúmeros telefonemas, o papo durante o almoço, a escolha do prato no menu, a conversa com os filhos no jantar, o programinha da televisão, o dialogo amoroso com sua mulher antes de dormir, e o ato final de comunicação num dia cheio dela: boa noite. A comunicação confunde-se, assim, com a própria vida. Temos tanta consciência de que comunicamos como de que respiramos ou andamos. Somente percebemos a sua essencial importância, quando, por um acidente ou uma doença, perdemos a capacidade de nos comunicar. Pessoas que foram impedidas de se comunicar durante longos períodos enlouqueceram ou ficaram perto da loucura. A comunicação é uma necessidade básica da pessoa humana, do homem social. Veja aqui.

O CABOCLO, O PADRE E O ESTUDANTE – No livro Contos tradicionais do Brasil (Itatiaia/Edusp, 1986), do historiador, antropólogo, advogado e jornalista Luís da Câmara Cascudo (1898-1986), encontro a narrativa sobre O caboclo, o padre e o estudante: Um estudante e um padre viajavam pelo sertão, tendo como bagageiro um caboclo. Deram-lhe numa casa um pequeno queijo de cabra. Não sabendo como dividi-lo, mesmo porque chegaria um pequenino pedaço para cada um, o padre resolveu que todos dormissem e o queijo seria daquele que tivesse, durante a noite, o sonho mais bonito, pensando engabelar todos com seus recursos oratórios. Todos aceitaram e foram dormir. À noite, o caboclo acordou, foi ao queijo e comeu-o. Pela manhã, os três sentaram à mesa para tomar café e cada qual teve de contar o seu sonho. O frade disse ter sonhado com a escada de Jacob e descreveu-a brilhantemente. Por ela, ele subia triunfalmente para o céu. O estudante, então, narrou que sonhara já dentro do céu à espera do padre que subia. O caboclo sorriu e falou: - Eu sonhei que via seu padre subindo a escada e seu doutor lá dentro do céu, rodeado de amigos. Eu ficava da terra e gritava: - Seu doutor, seu padre, o queijo! Vosmincês esqueceram o queijo. Então, vosmincês respondiam de longe, do céu: - Come o queijo, caboclo! Come o queijo, caboclo! Nós estamos no céu, não queremos queijo. O sonho foi tão forte que eu pensei que era verdade, levantei-me, enquanto vosmincês dormiam, e comi o queijo... Veja mais aqui, aqui e aqui.

ESPARADRAPO – No livro Da preguiça como método de trabalho (Globo, 1987), do poeta, tradutor e jornalista Mário Quintana (1906-1994), encontro o poemeto em prosa Esparadrapo: Há palavras que parecem exatamente o que querem dizer. “Esparadrapo”, por exemplo. Quem quebrou a cara fica mesmo com cara de esparadrapo. No entanto, há outras, aliás de nobre sentido, que parecem estar insinuando outra coisa. Por exemplo: “incunábulo”. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

HORÁRIO DE VISITA – Tive oportunidade em 2003, de assistir em São Paulo, no Teatro do Centro da Terra, à montagem do espetáculo O horário de visita, de Sérgio Roveri, com direção de Ruy Cortez, contando a história de um casal sob o impacto de um trauma recente esperando a visita que poderá proporcionar o alivio para eles. Mas o inesperado traz, além dessa pessoa, uma segunda visita. A reunião, que deveria ser apaziguadora, transforma-se assim em um conturbado confronto de interesses. O destaque da peça teatral vai para a atriz Tuna Dwek. Veja mais aqui.

JULES ET JIM – O drama Jules et Jim (Uma Mulher para Dois, 1962), dirigido pelo cineasta francês François Truffaut (1932-1984),conta a história da amizade de dois homens e o amor de ambos pela mesma mulher na Paris do início do século XX. Trata-se de um judeu-alemão tímido e um francês extrovertido que se tornam grandes amigos. Eles têm muitos dos mesmos interesses, entretanto procuram alcançá-los de forma bastante diferenciada. Em uma viagem para uma ilha um pouco distante da Grécia, eles veem uma estátua com um sorriso sem igual e quando voltam à Paris conhecem uma mulher que se parece com a escultura. Logo os três boêmios se tornam um trio inseparável e eles têm muitos momentos agradáveis em passeios de bicicletas ou idas à praia, enquanto o cenário político mundial estremece com a possibilidade da Primeira Grande Guerra, estando o trio determinado em aproveitar a vida ao máximo e viver para o momento. O destaque do filme é para a atriz e cantora francesa Jeanne Moreau. Veja mais aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte da pintora, desenhista, gravadora e professora Anita Malfatti (1889-1964). Veja mais aqui.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à escritora pernambucana Gerusa Leal & Flor de Gelo. Veja aqui.

Veja aqui.

Veja as homenageadas aqui.