sexta-feira, abril 29, 2016

E A DANÇA REVELOU O AMOR


E A DANÇA REVELOU O AMOR (Imagem: Merce Cunningham and his dancers, 1958, foto de Richard Rutledge) – O mundo na escuridão do quarto iluminado pelas centelhas da noite enluarada nas frestas da parede e pelos cantos da porta na nudez da nossa entrega. Eu não sabia nada alheio a tudo e ela se fez vestida do negrume para que sua língua na dança de Paloma Herrera lambesse o sal da minha carne para me levar por sonhos surreais da Cléo de Paris nua no Experimento primeiro da Cosmogonia de Vázquez, no nosso mais que real anseio onírico. E os seus lábios deslizaram no bailado de Sylvie Guillem pelos cantos mais sinuosos da minha abissal compleição corpórea. E sua boca me sorveu como se levado prisioneiro para a caverna dos embalos de Marcia Haydee e eu não tivesse mais que sombras temerosas e o prazer de estar vivo ao seu lado. E sua face deslizou na minha pele como se dançasse o Biped de Cunningham e eu me perdesse de mim para me encontrar no seu feitiço Iaravi de todas as manhãs. E os seus seios me envolveram nos rodopios de Debora Colker sobre a minha desolação desprovida de esperanças, para que eu me sentisse alvo do poder de sua magia de valkirya Freya me ensinando do conflito de logos e pathos na condenação da moira. E o seu ventre buliçoso me ensinou da vida a se mostrar Monica Buriti pra que eu estivesse vivo no presente sem passado nem futuro. E o seu sexo deslizou na minha pele como uma Hisako Horikawa a me fazer dia para que eu soubesse noite no útero e ventre de Gaia e me saciar de fome e de toda sede. E suas coxas sambaram como Deborah Colker pra me ensinar a maravilha de viver num país paradoxal de todas as falas e danças e cantos. E suas pernas me envolveram como Erica Beatriz singrando toda imensidão do universo para que eu me visse ínfimo diante de sua grandiosidade. E seus pés passearam como Maria Gidali no palco da minha vida para que eu fartasse mais do que sou no seu balé infinito. E seus olhos brilharam com os dentes do seu sorriso de camaleoa com todas as bailarinas em si e o dia nasceu para nunca mais dizer adeus. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui e aqui

 Imagem: Anthropometries, do artista francês Yves Klein (1928-1962).


Curtindo o álbum Fauré: Cello Sonatas – Scilienne, Elégie, Pavane, & Papillon (Naxos, 2010), do compositor, organista, pianista e professor francês Gabriel Fauré (1845-1924), com os violoncelistas Ina-Esther Joost & Ben-Sasson & o pianista Allan Sternfield.

PESQUISA
A busca fálica: Príapo e a inflação masculina (Paulus, 1994), do psicólogo e psicanalista James Wyly. Veja mais aqui e aqui.

LEITURA 
O cavaleiro insone (Civilização Brasileira, 1979), do romancista e poeta peruano Manuel Scorza (1928-1983).

PENSAMENTO DO DIA
Foi no seu bailado que eu me fiz menino e cresci na sua dança que me ensinou a vida (LAM).

Veja mais Brincarte do Nitolino, Manuel Bandeira, Amiri Baraka, João Cabral de Melo Neto, Vatsyayana & Kama Sutra, Yasunari Kawabata, Pas de Deux, M. Richard Kirstel, Isabel Soveral & António Chagas Rosa, Jose Manuel Abraham & Ary Buarque aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Nu, do pintor espanhol Francisco Soria Aedo (1898-1965).
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.


A MULHER & BOM PASTOR, JEAN DE LÉRY, BARDAWIL, GALBRAITH, DESIGUALDADE, PICA-PAU & ARRELIQUE DE OZI

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