domingo, junho 26, 2016

QUEM DESISTE JAMAIS SABERÁ O GOSTO DE QUALQUER VITÓRIA


QUEM DESISTE JAMAIS SABERÁ O GOSTO DE QUALQUER VITÓRIA - A vida dá muitas voltas, feliz de quem entra na onda e consegue sair dela. O que hoje é tido no maior valor, amanhã poderá não valer nada. Ou o mais ínfimo de agora, a fortuna de amanhã. Nunca se sabe. Cada coisa possui sua razão de ser e, de onde menos se espera, acontece o que diz o escritor estadunidense John Gardner (1933-1982): “Por trás de todo problema existe uma oportunidade brilhantemente disfarçada”. Vale o olhar da descoberta e as lições advindas das experiências. Nada mais. O que virá depois, nunca se sabe, realmente. Algumas ideias chegam promissoras e prontas pro sucesso; muitas – ou quase todas -, ao contrário, fadadas ao fracasso. Para alguns, êxito é pura sorte; para outros: resultados da determinação. Ou seja, cada qual sua sina de Perseu diante da Medusa: ou prospera degolando a cabeça de todas as adversidades, ou se petrifica diante do primeiro obstáculo. Aos que vencem, louros; aos derrotados, o amargor da decepção. Todos seguem pra novo desafio. Alguns compram na esquina, não sabem o real valor de ser e ter. Entretanto, a vida, na vera, é outra coisa. Por isso, é preciso ter coragem para arrebentar as redomas intransponíveis, tirar a corda do pescoço, livrar-se da espada de Dâmocles, arrancar as mordaças da resignação, abrir as vistas vendadas pelo sectarismo, sair daquela do sal se pisando, deixar de pagar pato indébito, saber ralar no trampo, sentir o gosto ruim das derrocadas. Quantas tempestades, mínimas bonanzas; quantos aperreios de arrancar os cabelos, quantas noites em claro, quantos trejeitos dos que são do contra suplantando os cacoetes dos que estavam a favor, quantas portas na cara, quantos planos abortados, quantas somas noves fora nada, quantas projeções invalidadas, quantos nocautes de última hora. Se não aprendeu, refaz a lição. O usual é se há perigo iminente, abandono do navio, o último que apague a luz: a covardia ou esperteza como expediente da fuga. Há outra coisa: é como a semente não se ver raiz, a raiz não se saber tronco, o tronco desconhecer dos galhos, os galhos não enxergarem folhas, flores e frutos. Ao primeiro vendaval se perde a vontade de experimentar o segredo dos abismos, a valia da queda, o gosto da perda, a dor de aprender os mistérios do visível e do invisível ao nosso redor. A quem persevera é dado o prazer de segurar a primavera nos dentes. Quem desiste, nunca saberá o gosto de qualquer vitória. E vamos aprumar a conversa! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

 Imagem: arte do artista plástico estadunidense Henry Asencio. Veja mais aqui.


Curtindo o álbum Sobre amor e o tempo (Radar Records, 2013), da cantora e compositora Luiza Possi. Veja mais aqui.

PESQUISA
O livro Relações entre a ciência da linguagem e as outras ciências (Bertrand/Martins Fontes, 1974), do pensador russo, linguista e pioneiro da analise estrutural da linguagem, Roman Jakobson (1896-1982). Veja mais aqui.

LEITURA 
Nos caminhos de Swan (Globo, 2006), do escritor francês Marcel Proust (1871 - 1922), conta a história de um refinado personagem da aristocracia, narrando a sua infância e adolescência. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA:
Imagem: capa do álbum de estreia da banda Secos & Molhados (Continental, 1973), formado por Ney Matogrosso (vocais), João Ricardo (Vocais, violão e harmônica), Gerson Conrad (vocais e violão) e Marcelo Frias (bateria).
Quem tem consciência para ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa a contra-mola que resiste
Quem não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade decepado
Entre os dentes segura a primavera
Letra da música Primavera nos Dentes, de João Ricardo & João Apolinário.

IMAGEM DO DIA 
A arte da performática artista guatemalteca Regina José Galindo.

Veja mais sobre Michel Maffesoli, Ernesto Sábato, Gilberto Gil, Isabel Câmara, Beatriz Segall, Eliane Caffé, Ludovic Florent, Howard Chandler, Edvard Munch & Leo Lobos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 
 Imagem: Moments of Intensity, do fotográfo e arquiteto holandês Thomas Karsten (1884-1945)
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá.
Veja aqui.


ESPINOZA, AHMADOU KOUROUMA, TOULOUSE-LAUTREC, PSICANÁLISE & DIREITO, GERUSA LEAL, CLARA REDIG, OVÍDIO POLI JÚNIOR & LAJEDO

COMO QUEM ESPERA E JÁ FOI – Imagem: The Hangover , do pintor francês Henri de Toulouse-Lautrec (1864-1901). - Como quem espera tal pedra...