segunda-feira, outubro 31, 2016

DE CARA PRO FUTURO, LEVANDO TUDO NOS PEITOS, MUNHECA EM DIA & PÉ NA TÁBUA!


INEDITORIAL: O QUE DEU, DEU; O QUE NÃO DEU, SÓ NA OUTRA – Imagem: Guerra & Paz, Cândido Portinari (1903-1962) - Salve, salve, gentamiga! Acorda Maria Bonita, acorda pra fazer café, o dia já vem raiando e a polícia já está de pé! Como a gente ainda está respirando o pleito eleitoral, já era tempo da gente eleger a pessoa mais importante da vida de cada um: aquela que, quando bate a fome, nos dá de comer; na sede, nos dá de beber; e na hora da precisão, está sempre por perto. Por isso já elegi: todo dia é Dia da Dona de Casa, aquela que, de segunda a sábado – sem contar certos domingos e feriados -, começa suas tarefas logo quando acorda e só para quando vai dormir. Um salve estrondoso pra todas elas. Vivaaaaaaaa! Hoje, também, é o Dia Mundial da Poupança: o que sobrou depois da crise golpista, dá pra poupar, ainda? Destá. No meu Pernambuco a coisa foi danada: de um lado, GePSBJú & uma tuia enganchada de siglas – inté pessedebê & demô engrossando o caldo do escambau anti-PT, tudo contra o JoãoPT & quatro gatos pingados. Não tinha como dar outra. Nas Alagoas, a maior baixaria levou o Ciuço pro saco com tudo que ele disse que fez que não fez! Infelizmente pros cariocas, ontem era dia de Freixo, mas o eleitorado daquele que Ri-na-Fivela-do-Edir que era só domingo que vem, contrariou tudo. Que coisa!?! Vale o dito! E como hoje é Dia do Saci, a coisa toda vai só à base do Brasil rachado em bandas e todo mundo assistindo o cavalo-mago entre o golpista TemerOsso & Aercio da Catinga – um no outro, nem quero torna e xô pra lá! -, diz o Doro que arremeda: in Sumpaulo é tudo ingrês, mas num é novainhóqui nem ninhuma capitá das zeuropia! Pro causa disso o saci, cumade Fulôsinha, Boitatá e todas adorávi abusão, tudim se lascô no raluruiiiim. Vai lá que ainda hoje se aprecie as imagens eróticas das deusas celtas Morrigan ou Beltane, mas o tarzinho do raloruim é mesmo que purgante! E vamos aprumar a conversa pras novidades do dia: na edição de hoje destaque para a educação e escolarização de Ivan Illich, a Teoria do Afeto de Bowlby, a educação de Platão, o teatro de Nelson Rodrigues, a entrevista de Geraldo Azevedo, o cinema de Shohei Imamura & Misa Shimizu, o Congresso Brasileiro de Direito Ambiental, a pintura de Rachel Howard, a fotografia de Mario Testino, a música do Zap Mama, a bailarina Katherine Lawrence, a escultura de Georg Kolbe, a poesia de Bastinha Job, A Notícia & Jamilton Barbosa Correia, o meu livro Para viver o personagem do homem & a croniqueta Depois das eleições. Veja mais aqui.

Veja mais sobre:
Despertar, Friedrich Perls, Ezra Pound, Paul Valéry, Hilary Hahn, Consuelo de Castro Lopes, Carlos Reichenbach, Lev Chitovsky, Aldine Muller & Bruno Braquehais aqui.

E mais:
Só porque hoje é sábado, Carlos Drummond de Andrade, John Keats, Raphael Rabello, Claude Lelouch, Marguerite Arosa, Larissa Maciel, Anouk Aimée, Helmut Newton & Atenção sistemática à saúde aqui.
O romance do pavão misterioso, de João Melchíades da Silva aqui.
A arte fotográfica de Andréia Kris aqui.
Biogênese, sadismo & outras loas tataritaritatá aqui.
Violência, Assírios & Sodoma, Antiguidades Judaicas, Alexandre, A guerra e a fé, O fantástico blitzkrieg, Colombo & as terras do Brasil aqui.
Literatura de cordel: História do capitão do navio, de Silviano Pirauá de Lima aqui.

DESTAQUE: EDUCAÇÃO & ESCOLARIZAÇÃO
[...] O aluno é ‘escolarizado’ a confundir ensino com aprendizagem, obtenção de graus com educação, diploma com competência, fluência no falar com capacidade de dizer algo novo. Sua imaginação é ‘escolarizada’ a aceitar serviço em vez de valor. Identifica erroneamente cuidar da saúde com tratamento médico, melhoria de vida comunitária com assistência social, segurança nacional com aparato militar, trabalho produtivo com concorrência desleal. [...].
Trecho extraído da obra Sociedade sem escolas (Vozes, 1985), do pensador da ecologia política e polímata austríaco Ivan Illich (1926-2002), reunindo uma série de críticas às instituições da cultura moderna, sobre educação, medicina, trabalho, energia, ecologia e gênero. Veja mais aqui.

DEPOIS DAS ELEIÇÕES - Alagoinhanduba parecia em paz naquela segunda feira. Parecia mesmo, depois de tantas bombas todas estouradas no dia das eleições. Como havia ficado em pé de guerra durante a campanha, finalmente parecia que reinava a mais absoluta tranquilidade: amigos que se tornaram inimigos dormiam, adversários acoloiados em novo vínculo de amizade roncavam, a cidade ficou rachada meio a meio e mais parecia que não havia nada acontecido. Se de um lado estava o padre Quiba, com o apoio do bispo Sardinha e toda cristandade católica com os conservadores patriarcas, moralistas, coronéis do açúcar e usufrutuários do poder; do outro, estava Zé Peiúdo, que pela milésima vez e depois de muito aprontar, era candidato com apoio dos evangélicos, neobarrabás, tucanos & demos, peemedebistas & outros cheleléus aproveitadores no maior balaio de gatos & gatunos. Pra dar maior condimento, nas outras candidaturas só fuxico, delas nem se ouvia falar, vez que sequer faziam cócegas na polarização que havia rachado o eleitorado geral no meio. Só se ouvia os esturros, malquerenças, tapas a granel, empurrões e dedadas, disse-me-disse e sai pra lá. O calor subiu pra coisa assim mais de 100º centígrados no dia da votação. O que houve de xingamentos, ameaças, bofetes, riscos de peixeira no chão, balas perdidas no meio do foguetório, não está no gibi. Animosidade espetacularizada maior que os sanguinolentos programas de radio e TV no maior zoadeiro. Em todo canto havia um risco no chão: cara dum, cara doutro, quem não pisar vira gafanhoto! Isso até o domingo. Na segunda, os ânimos descansavam. Parecia que ninguém dava conta da tragédia e que tudo voltara ao normal: o prometido jamais cumprido, novas arengas, novos deboches, novas desconsiderações e tome pano pras mangas dos linguarudos. No final, tudo findava no cemitério, seja de morte morrida, seja de morte matada. E Alagoinhanduba quando dava um passo pra frente, dava uns dez pra trás. Coisas do Brasil, assim caminha a humanidade. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

Curtindo o álbum ReCreation (2009), do grupo polifônico feminino de Afro-pop, Zap Mama, comandado pela artista belga Marie Daulne.

VÍNCULO, AFETO & APEGO - [...] O vínculo inc1ui 0 choro e 0 chamamento, que suscitam cuidados e desvelos, 0 seguimento e 0 apego, e também os vigorosos protestos se uma criança ficar sozinha ou na companhia de estranhos. Com a idade, a frequência e intensidade com que esse comportamento se manifesta diminuem gradativamente. No entanto, todas essas formas de comportamento persistem como parte importante do equipamento comportamental do homem. Nos adultos, elas são especialmente evidentes quando uma pessoa está consternada, doente ou assustada. Os padrões de comportamento de ligação manifestados por um indivíduo dependem em parte, de sua idade atual, sexo, e circunstâncias, e, em parte, das experiências que teve com figuras de ligação nos primeiros anos de sua vida. [...]. Trecho extraído da obra Apego: a natureza do vínculo (Martins Fontes, 1990), do psicólogo, psiquiatra e psicanalista britânico Edward John Bowlby (1907-1990). Veja mais aqui

Imagens: Ballet West principal Katherine Lawrence, in The Sleeping Beauty (photo by Ryan Galbrath)

PENSAMENTO DO DIA: LEI DA EDUCAÇÃO PLATÔNICA - [...] a cultura que tende à aquisição da riqueza ou uma cultura que tende ao vigor corporal ou bem, ainda, a algum talento, independentemente de toda inteligência e de toda justiça, essa cultura, digo eu, é sem dignidade nem liberdade, completamente indigna de ser chamada de educação. [...]. Trecho extraído da obra Leis (Edições 70, 2004), do filósofo e matemático grego racionalista, realista, idealista e dualista Platão (428-347aC), o último dos diálogos filosóficos do autor, que se ocupa da discussão acerca da conduta do cidadão da promulgação de leis, perpassando por elementos da psicologia gnosiologia, ética, política, ontologia, astronomia e matemática. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 Imagens: a arte do escultor alemão Georg Kolbe (1877-1947)

A POESIA DE BASTINHA JOB – I Professora aposentada, / cordelista na ativa, / Assaré do Patativa / é minha terra amada; / Crato é a mãe idolatrada, / que me acolheu em seu seio, / aqui encontrei o veio / da joia da Educação, / da completa Formação /que me deu força e esteio. II – Eu faço poesias críticas / com pitadas de humor / e alfinetadas políticas, / mas também falo de amor; / meu poetar é a arma / que incita ou que desarma, / que faz rir, que faz chorar; / em suma ela é catarse / autêntica e sem disfarce / um compromisso a se honrar! Poesias da cordelista, professora e responsável pela inclusão da disciplina de Literatura Popular no curso de Letras da Universidade Regional do Cariri, Bastinha Job. Veja mais aqui, aqui e aqui


TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA –  [...] Escuta, você tem uma alma, meu filho outra e há uma ferida. Eu sou um bêbado que passou pela sua vida e sumiu [...] Eu tenho pena do teu filho, e quando tenho pena sou uma santa! [...]. Trechos extraídos da peça teatral Toda nudez será castigada (Nova Fronteira, 1990), do dramaturgo, jornalista e escritor Nelson Rodrigues (1912-1980), que conta a história sobvre a estreita ligação entre o puritanismo e a sexualidade exacerbada, através de um humor cheio de contundência e de um senso trágico transparente. Veja mais aqui.


UNAGI – O premiado filme Unagi (A enguia, 1997), dirigido por Shohei Imamura, é baseado no romance On Parole, do escritor Akira Yoshimura, conta a história de um homem que volta para casa mais cedo para flagrar sua esposa na cama com outro, razão pela qual ele a mata e se entrega à polícia. Ao ser libertado, torna-se barbeiro e cuida de uma enguia de estimação, quando salva uma bela jovem do suicídio. O destaque fica por conta da atuação da atriz japonesa Misa Shimizu. Veja mais aqui.

Publicação editada pelo artista plástico e gráfico Jamilton Barbosa Correia. Veja aqui e aqui.

AGENDA: CONGRESSO BRASILEIRO DE DIREITO AMBIENTAL – Acontecerá entre os dias 03 e 06 de junho de 2017, na Fundação Mokiti Okada (Rua Morgado de Mateus, 77 – Vila Mariana São Paulo), o XXII Congresso Brasileiro de Direito Ambiental, sobre a temática Direito e Sustentabilidade na Era do Antropoceno: Retrocesso Ambiental, Balanço e Perspectivas. Na ocasião também terão lugar o XII Congresso de Estudantes de Graduação e Pós-Graduação em Direito Ambiental, que acontecerá no dia 03 de junho de 2017, como também o XII Congresso de Direito Ambiental dos Países de Línguas Portuguesa e Espanhola, no dia 05 de junho de 2017, com a temática Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e Informação no Antropoceno. Informações: http://congresso.planetaverde.org/. Veja mais aqui e aqui.

 ENTREVISTA: GERALDO AZEVEDO – Quando assumi o Departamento de Jornalismo da Quilombo FM, e comecei a apresentar o programa Panorama – o inventário da música universal, a primeira entrevista que fiz pra seção Destaque, foi com o cantor e compositor Geraldo Azevedo, ocasião em que ele lançava o álbum Eterno Presente (RCA, 1988). Depois emplaquei outra exclusiva com ele, quando do lançamento do seu álbum Bossa Tropical (RCA, 1989). Por fim, uma terceira, para a edição do tabloide Nascente, nº 8, de outubro de 1997. Confira detalhes de tudo aqui, aqui e aqui

Imagens: a arte da premiada pintora, desenhista e ilustradora britânica Rachel Howard.

REGISTRO: PARA VIVER O PERSONAGEM DO HOMEM
Reuni os meus poemas da adolescência e publiquei o meu primeiro livro Para viver o personagem do homem (Nordestal, 1982), com capa do artista plástico Ângelo Meyer, apresentação do poeta e artista plástico Paulo Profeta e coordenação editorial de Juhareiz Correya. Veja detalhes aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagens: a arte do fotógrafo anglo-peruano Mario Testino.
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


sábado, outubro 29, 2016

POR MAIS QUE A GENTE FAÇA NUNCA SERÁ DEMAIS!


INEDITORIAL: APRENDI A VOAR NAS PÁGINAS DE UM LIVRO - Desde menino que entre as coisas que me chamava pela curiosidade, uma delas: os livros nas estantes. Presepeiro inheto, não me furtava, às escondidas, de deslizar os dedos nas páginas das enciclopédias, à procura de imagens de mulheres nuas – outra das minhas predileções, quando não eram meus olhos pregados nas fechaduras dos quartos delas, pelos combongós atrepado no que tivesse ao alcance, ou por cima do muro brechando pelas frestas do banheiro. Nem eu sei como fazia para tanto, muitas das vezes me estuporava estatelado no chão. Queda braba que me denunciava a arteirice, sempre. Quando não era isso, eram os livros. Vez em quando era surpreendido por minha mãe, tia ou parentes próximas, folheando páginas dos livros que, para o meu tamanho de criança pequena, eram bem massudos. Como eu não parava quieto, era difícil de acompanhar meus passos e, sempre que podia, furtivamente, escapulia para a biblioteca do meu pai, catando aqueles volumes bem grossos e repletos de ilustrações para lá de aprazíveis. Com dificuldade os retirava da prateleira, deitava-os no chão e me danava a conferir as figuras. Passava horas nisso. Às vezes encontrava algumas revistas e publicações para maiores de dezoito anos – inclusive descobrindo os catecismos do Zéfiro -, entre as quais havia muito por me deliciar com imagens e poses. Cresci no meio disso: livros. E quando aprendi a ler, isso por volta dos quatro ou cinco anos, não deixava de soletrar os textos, o que me levava a encher a casa toda com interrogações pros familiares, sempre com uma indagação para todos na ponta da língua. Dei trabalho ao povo lá de casa, já viu, né? Foi com isso que aprendi a voar nas páginas dos livros: tantas e quantas viagens com Homero, Dante, Cervantes, Swift, Monteiro Lobato, Melville, La Fontaine, Fedro, Esopo, muitos, menino metido a letrado. E quando apareceram os gibis, aí que viajei mesmo. Mas, o que mais adorava era o cheiro que emanava nas folhas de livros bem usados, como de uma coleção completa que meu pai me deu de Machado de Assis quando completei dez anos de idade – edição da W. M. Jackson Inc, de 1938, 41 volumes, que ainda hoje leio e guardo como relíquia. Quantas e tantas viagens maravilhosas: voos transcendentes que me fizeram de habitual ou viciado leitor. Pra mim, poucas são as coisas no mundo melhores que isso: voar nas páginas dos livros. E vamos aprumar a conversar pras novidades do dia: na edição de hoje destaque para o pensamento Carl Gustav Jung, o homem e a sociedade de Wilfred Bion, a atualidade de Georg Simmel, a escultura de Wilhelm Lehmbruck, a arte de Luiz Paulo Baravelli, a literatura de Eduardo Caballero Calderón, o teatro de Oduvaldo Vianna Filho & Helena Varvaki, o Congresso Brasileiro de História da Educação, a entrevista de Katia Velo, a arte de Tracey Emin & Karen Robinson & Samuel Szpigel, a fotografia de Rebeka Barbosa, a música de Tarita de Souza, a palestra Cidadania na Escola & a croniqueta Do que fui e o que não sou mais. Veja mais aqui.

Veja mais sobre:
Renovação, Adalgisa Nery, Josefina Álvares de Azevedo, Patrizia Laquidara, Marina Colasanti, Liliana Cavani, Claudia Cardinale, Maria Martins, Niki de Saint Phalle & Visão holística em psicologia e educação aqui.

E mais:
Médicos deprimidos, Chico Folote & Besta Fubana, Charlie Chaplin, Estupro, Glândulas endócrinas & o poder humano aqui.
A poesia & arte de Alê Cavagna aqui.
Proezas do Biritoaldo aqui.
Fecamepa aqui.
As trelas do Doro & o escambau aqui.

DESTAQUE:
[...] Todo homem carrega dentro de si a eterna imagem da mulher, não a imagem desta ou daquela mulher em particular, mas uma imagem feminina definitiva. Esta imagem é... uma marca ou arquétipo de todas as experiências ancestrais do feminino, um depósito, por assim dizer, de todas as impressões já dadas pela mulher. [....] Uma vez que esta imagem é inconsciente, ela é sempre inconscientemente projetada na pessoa amada e é uma das principais razões para atrações ou aversões apaixonadas [...].
Trechos extraídos da obra O homem e seus símbolos (Nova Fronteira, 2011), o psicólogo e psicanalista suíço Carl Gustav Jung (1875-1961). (Imagem: Man-Woman, by Kaie 13). Veja mais aqui, aqui e aqui.

DO QUE FUI E O QUE NÃO SOU MAIS (Imagem: My Journey, by Karen Robinson) A vida me deu de tudo, fez-me plural: quantos eus dialogam em mim, difícil conciliação. Adapto-me ao que posso e vou. Sei da semente, veio-me carregada, não apenas eu, muitos: o que olha pro passado e lá nostalgicamente fica; o que vive amanhã levando tudo no peito; o que se arrepende e não quer ir a lugar algum, nem ficar quieto, nem se agitar, não sonhar e nem divagar pelos pensamentos, contradições que se conflitam, tempestades, bonanças efêmeras, errâncias, vórtices, paradoxos que se incorporam em ser-me o que nem sou. Não olho pra trás, nada fiz. Vou em frente, tudo por fazer. A minha vida é estaca zero, todos os dias o começo que sequer recomeço, invento. Já perdi a noção de tudo, não sei nada. Olho pra mim e não me vejo. Apenas vivo. Se sou o que não sei, pouco importa, apenas vou. Até onde, não sei. Sigo o que prevejo da intuição, olho bem aberto para tudo, vejo luzes dentro de mim. Não sei do ar que respiro, nem da terra que piso ou das águas que me afogam, sei do fogo aceso vivo queimando minhas entranhas para que eu esteja pronto pro que der e vier. E vou com o que fui e não sou mais. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

 Curtindo o álbum A árvore e o vento (Independente, 2014), da cantora, compositora, regente, arranjadora e preparadora vocal, Tarita de Souza.

O HOMEM E A SOCIEDADE - [...] A sociedade ainda não foi impulsionada a buscar tratamento para suas perturbações psicológicas através de meios psicológicos porque ainda não atingiu um discernimento (insight) suficiente para apreciar a natureza de sua aflição. [...] Todos os grupos estimulam e ao mesmo tempo frustram os indivíduos que os compõem, porque o indivíduo é impelido a buscar a satisfação de suas necessidades em seu grupo e, ao mesmo tempo, é obstado neste objetivo pelos medos primitivos que o grupo desperta [...] qualquer grupo de indivíduos que se reúne para trabalhar mostra a atividade do grupo de trabalho, isto é, um funcionamento mental projetado para promover a tarefa em execução. [...] é necessário elaborar as tensões que pertencem a configurações familiais quanto as ansiedades ainda mais primitivas das relações de objeto-parcial. Na verdade, acho que essas ansiedades primitivas encerram as últimas fontes de todo o comportamento de grupo. [...]. Trechos extraídos da obra Experiências com grupos: os fundamentos da psicoterapia de grupo (Imago/EdUsp, 1975), do psicanalista britânico e pioneiro em dinâmica de grupo, Wilfred Ruprecht Bion (1897-1979).


Imagens: arte do pintor, escritor, gravador, professor e artista visual Luiz Paulo Baravelli.

PENSAMENTO DO DIA: A ATUALIDADE - [...] a situação problemática, tão característica do homem moderno [...] vivemos uma espécie de auto-gozo da técnica, tendo perdido o caminho que leva aos sujeitos. [...]. Trechos extraídos da obra Diagnóstico de la tragédia de la cultura moderna (Espuela Plata, 2012), do sociólogo e professor alemão Georg Simmel (1858-1918). Veja mais aqui.

 Imagem: a arte do escultor e grafista alemão Wilhelm Lehmbruck (1881-1919).

ASSOMBRAÇÕES -- [...] Quando o tempo melhorou, algumas horas mais tarde, Santos tomou o caminho de seu rancho, e eu fiquei só, na casa silenciosa. O mundo exterior afastava-se subitamente de mim, e, então, o meu corpo caía em uma vertiginosa profundidade, em que era muito doce tombar. Mas, de repente, sobressaltou-me o latido dos cães na horta. E uma rajada fria de vento açoitou-se o rosto, como se a mulher de saia rodada deslizasse junto de mim, tão perto que me pareceu ouvir o ruído furtivo de seus passos no ladrilho. Tive medo – e pensei que, àquela hora, a procissão dos frades devia desfilar pelo pátio da capela. Sim, posso jurar que, naquele momento, encontrava-se ao meu lado a velha de anáguas engomadas. [...]. Trecho extraído do conto Assombrações (Cultrix, 1968), do escritor e jornalista colombiano Eduardo Caballero Calderón (1910-1993). 


MÃO NA LUVA – A peça teatral Mão na luva (1966), do dramaturgo, ator e diretor Oduvaldo Vianna Filho -  o Vianinha (1936-1974), conta a história de um casal que está em processo de rompimento de uma relação de nove anos, entre uma mulher artista plástica frustrada e seu marido jornalista. Dá-se uma conversa derradeira entre os dois, com ação em flashbacks, onde ambos viajam no tempo entre o passado e o presente, com revelações, traições veladas, mágoas expostas nas feridas abertas e busca de uma razão específica para o término da união. Tive oportunidade de ver a montagem de 1998, dirigida por Dudu Sandroni, no Teatro Ziembinski, no Rio de Janeiro, com destaque para atuação da atriz, diretora e fisioterapeuta Helena Varvaki. A peça foi adaptada para o cinema com direção de José Joffily, em 2014. Veja mais aqui e aqui.

Imagens: a arte da pintora, escultora, fotógrafa, professora e cineasta inglesa Tracey Emin.

AGENDA: CONGRESSO BRASILEIRO DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO - Acontecerá entre os dias 15 e 18 de agosto de 2017, em João Pessoa (PB), o IX Congresso Brasileiro de História da Educação (IX CBHE), promovido pela Sociedade Brasileira de História da Educação (SBHE), com eixos temáticos voltados para políticas e instituições educativas, formação e profissão docente, teoria da história e historiografia da educação, educação profissional, movimentos sociais,etnias e gênero, entre outros temas. Mais informações: http://www.sbhe.org.br/eventos/1-chamada-ix-cbhe Veja mais aqui e aqui.


ENTREVISTA: KATIA VELO - A artista plástica, fotógrafa, colunista cultural e professora Katia Velo, alguns anos atrás, gentilmente me concedeu uma entrevista falando sobre sua trajetória artística e suas múltiplas atividades. Confira a entrevista aqui e mais aqui.

REGISTRO: PALESTRA – O DIREITO DE VIVER E DEIXAR VIVER
Entre os anos de 2009 e 2012, ministrei em diversas escolas, instituições e eventos, a palestra-espetáculo O direito de viver e deixar viver: a arte pela cidadania, ética e meio ambiente. Essa palestra tinha por base apresentar poemas, textos e músicas autorais que dessem relevo às questões atinentes à promoção do princípio da dignidade da pessoa humana, o exercício da cidadania, a ética, o respeito às diferenças e as questões ambientais, possibilitando o desenvolvimento do projeto Cidadania nas Escolas. Veja detalhes aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagens: a arte da fotógrafa Rebeka Barbosa.
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: Yes nós temos (1965) by Samuel Szpigel.
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


ERNESTO SÁBATO, EDWIGES DE SÁ PEREIRA, MARIA FIRMINA DOS REIS, ADMAURO, LUCIAH, FENELON & PNTANDO NA PRAÇA

PINTANDO NA PRAÇA - Manhã ensolarada de sábado, nuvens em trânsito e chuva passageira para amainar o calor, olhares dispersos, muita conve...