quinta-feira, outubro 06, 2016

PRA QUE SAÚDE SE NÃO TEM NEM ONDE CAIR MORTO?!?


INEDITORIAL: JUDICIALIZAÇÃO DO SUS - Salve, salve, gentamiga! Pra quem não tem nem onde cair morto, pra que saúde mesmo, hem? Isso é o que os políticos querem da gente: que morramos do coração antes de precisar dos serviços da saúde pública – claro, todos eles possuem planos de saúde! Além do mais, tudo no Brasil é feito pra matar a gente do coração mesmo e a qualquer momento. Adoeceu é pra bater as botas e ir pro saco, pois, se procurar medicamento no posto de saúde, não tem! Pudera, no outro dia a gente vê no noticiário que o município não prestou contas ao Ministério da Saúde da distribuição de xis remédios e, com isso, está suspensa a distribuição. Só que dias depois vem a denúncia pelo noticiário de que foi desviado milhões em frascos que deveriam servir a um monte de gente necessitada e acometida de enfermidades crônicas e que a investigação vai apurar os responsáveis – não tem quem apareça como culpado, deve ter ido parar ou nas farmácias, ou pra quem não precisa! Quando não é isso, se procura atendimento no SUS só daqui a meses e meses de espera, quando não só no ano que vem. O estrupício da saúde pública brasileira tem levado a um procedimento jurídico que já é conhecido por judicialização do SUS, ou seja todo mundo agora achou o mapa da mina: recorrer à Justiça para ser atendido. Finalmente! A máquina emperradíssima do Estado, a maior fabricante de disfunções burocráticas e ineficiência generalizada, agora paga dobrado para atender o cidadão e com ordem judicial. Pra quem não tem o menor respeito pela vida humana, pelo menos, a Justiça nisso tem sido eficiente: no final quem paga a conta mesmo somos nós, né não? E dobrado. Mas destá, ta na hora da gente ir pras novidades do dia: a música de Koellreuter na interpretação de Sérgio Villafranca, a Gaia Ciência de Nietzsche, os objetivos da educação de Alain Rouraine & a educação escolar, os Contos de Genji, o trabalho profissional de Marilda Iamamoto, a escultura de João Sotero, o filme de Frances François Ozon, o Congresso de Logoterapia, a arte de Renina Katz, a charge de Latuff, a ilustração de Carlos Scliar, o teatro das Meninas do Conto, a fotografia de Eduardo Ramirez & Juan Esteves. No mais, vamos aprumar a conversa aqui.

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Manchetes do dia de sempre, Elsworth F. Baker, Guilherme de Almeida, Wesley Ruggles, Peter Fendi, Romero Britto, Mácleim, Samara Felippo & Carole Lombard aqui.

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A Primavera de Ginsberg, Libelo & Anátema aqui.
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DESTAQUE: O TRABALHO PROFISSIONAL - [...] requisita um profissional culto e atento às possibilidades descortinadas pelo mundo contemporâneo, capaz de formular, avaliar e recriar propostas ao nível das políticas sociais e da organização das forças da sociedade civil. Um profissional informado, crítico e propositivo, que aposte no protagonismo dos sujeitos sociais. Mas também um profissional versado no instrumental técnico-operativo. [...]. Trecho extraído da obra O Serviço Social na contemporaneidade: trabalho e formação profissional (Cortez, 2001), da escritora, socióloga e assistente social, Marilda Villela Imamoto. Veja mais aqui e aqui.

UMA MÚSICA: 
Curtindo Acronon (Documenta Vídeo Brasil, 2000), do compositor, professor e musicólogo brasileiro de origem alemã Hans-Joachim Koellreuter (1915-2005), na interpretação do pianista, compositor, performer, coordenador musical e professor Sérgio Villafranca, com a Orquestra de Câmara do Theatro São Pedro, sob a regência do maestro Antônio Borges-Cunha. PS: Acronon deriva do grego, em que “cronos” significa tempo e “a” o alfa privativo que não nega, mas dá margem à superação, à transcendência.

OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO (Imagem: charge do Latuff)- [...] é preciso dar à educação dois objetivos da mesma importância: por um lado, a formação da razão e da capacidade da ação racional; por outro, o desenvolvimento da criatividade pessoal e do reconhecimento do outro como sujeito. O primeiro objetivo é o mais próximo dos ideais anteriores (refere-se à cultura da ilustração e do espírito republicano) e deve ser protegido; o conhecimento deve continuar no coração da educação, e não há nada mais irrisório e negasto que um programa que desse vantagem, tanto á socialização pelo grupo de pares, dos colegas, como a resposta às necessidades da economia. Da mesma forma que é preciso recusar uma concepção puramente racionalista do homem e da sociedade, devemos também nos opor a toda desvalorização da razão. A luta sem fim contra a aliança da razão e do poder quer, antes de mais nada, salvar a razão e preparar sua aliança com a liberdade [...]. Trecho extraído da obra O que é democracia? (Vozes, 1996), do sociólogo francês Alain Touraine, que propôs a sociologia da ação nos estudos dos movimentos sociais, defendendo que a sociedade molda o seu futuro através de mecanismos estruturas e das suas próprias lutas sociais. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

PERNSAMENTO DO DIA: A EDUCAÇÃO ESCOLAR - [...] Discutir sobre a profissionalização significa refletir sobre a afirmação do espaço educativo, buscando a identidade profissional dos docentes, dos especialistas e dos funcionários da educação, a fim de debater sobre a totalidade do ato educativo, sobre as relações que estabelecem no interior da escola, na atual conjuntura educacional, ante as aceleradas mudanças sociais, culturais, científico-tecnológicas, políticas e econômicas do país. Há um complexo vínculo coletivo entre os diversos agentes que atuam na escola. Compreender essa complexidade significa ampliar a concepção do papel histórico e cultural da instituição no mundo contemporâneo e buscar definir a identidade profissional de cada um desses agentes. [...]. Trecho extraído do livro Educação escolar: políticas e estrutura e organização (Cortez, 2003), de José Carlos Libâneo, João Ferreira Oliveira e Mirza Seabra Toschi, apresentando as b ases conceituais para uma análise dos aspectos sociopolíticos, históricos, legais, pedagógico-curriculares e organizacionais da educação escolar brasileira e da organização e gestão da escola, dos contextos em que os profissionais da educação exercem suas atividades. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

CONTOS DE GENJI (Imagem: Utagawa Kunisada, Genji of the East - Charm of Flowers and Birds, 1837). [...] Desde o início, a moça não possuía a aparência singela das damas de companhia que prestam serviço na corte. Era uma esplêndida mulher como as damas da corte de alta posição, sendo feita permanecer ao lado de Sua Majestade do início ao fim nas performances musicais e demais eventos da corte, para os quais era sempre a primeira a ser convocada. Havia ainda ocasiões em que após haver passado a noite servindo o Imperador, adormeciam até tarde, continuando a cortejá-lo após o despertar. Com isso, até então era por vezes vista com certa vulgaridade. No entanto, após o nascimento de seu filho, o segundo príncipe, passou a ser tratada com as formalidades e o respeito devidos. Em meio a isso, a mãe do primeiro príncipe ponderou: “é possível que essa criança acabe por se tornar o Príncipe Herdeiro no lugar de meu filho”. Esta nobre dama da corte havia sido a primeira a entrar para a corte, gozava de especial atenção do Imperador, junto a quem também já havia dado vida a princesas. Assim, ele sentia que não tinha condições de ignorar as reclamações dessa mulher e por vezes julgava-se culpado pelo tipo de ligação que mantinha com a outra moça. [...] Trecho extraído da obra Contos de Genji - Genji monogatari (Lenda de Genji), atribuída a poeta japonesa e dama de companhia da corte do período Heian, Murasaki Shibuku (973-1031), pseudônimo de Fujiwara Takako, composto de 54 livros que relatam a vida e os amores de um principie, com representações complexas dos personagens e descrições das emoções humanas.

POR QUE O MAR TANTO CHORA – O premiado espetáculo Por que o mar tanto chora, adaptação dos contos Dona Labismina, do escritor sergipano Silvio Romero e Bicho de Palha, do folclorista Luis da Câmara Cascudo, desenvolvido pelo grupo As Meninas do Conto, que trata sobre a história de uma rainha que queria muito ter um filho, porém, concebe uma menina, Maria, que nasce com uma cobra enrolada no pescoço e que, quando fica mocinha, um velho rei, muito rico, decide pedir Maria em casamento, fato que contrariada, ela parte para outro reino, em busca de sua felicidade. É considerada uma das versões da Cinderela Brasileira. Veja mais aqui.


Imagem: a arte do escultor português João Sotero.

8 FEMMES – A comédia musical de suspense 8 Mulheres (2002), do diretor Frances François Ozon, é baseado na peça teatral homônima de Robert Thomas, conta a história de oito mulheres que vivem situações cômicas e inesperadas, quando o único homem da casa é assassinado no período natalido. A partir disso elas vivem momentos inusitados, presas em casa por causa de uma nevasca e passam a discutir umas com as outras acusando-se de assassinas e ao se iniciar as investigações, inúmeras revelações surpreendentes vão acontecendo. O elenco é de primeiro time, contando, entre elas com Catherine Deneuve, Isabelle Huppert, Emmanuelle Béart e Fanny Ardant. Veja mais aqui.

 Imagem: a arte do fotógrafo espanhol Eduardo Ramirez.

AGENDA: VIII CONGRESSO BRASILEIRO DE LOGOTERAPIA E ANÁLISE EXISTENCIAL – Acontecerá entre os dias 13 e 15/10, na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em São Luís do Maranhão, a oitava edição do Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial, abordando o tema da unidade na diversidade humana, promovido pela Associação Brasileira de Logoterapia e Análise Existencial (ABLAE), visa proporcionar um grande encontro entre profissionais, pesquisadores e estudantes de Psicologia e áreas afins, comprometidos com a busca por respostas concretas aos desafios da sociedade contemporânea. Informações pelo fone (98) 9128-9660, pelo mail cientifico@ablae.org.br ou no site http://ablae.org.br. Veja mais aqui e aqui.

A GAIA CIÊNCIA
[...] a crença na ciência, que agora está aí incontestavelmente, não pode ter tirado sua origem de um tal calculo utilitário, mas, antes, a despeito de lhe ter sido constantemente demonstrada a inutilidade e periculosidade da “vontade de verdade”, da “verdade a todo preço”. “A todo preço”: oh, nós o entendemos bastante bem, depois que oferecemos e trucidamos uma crença depois da outra sobre esse altar! – Consequentemente, “vontade de verdade” não quer dizer “eu não quero me deixar enganar”, mas sim – não há nenhuma escolha – “eu não quero enganar, nem sequer a mim mesmo”: - e com isso estamos no terreno da moral. Pois basta perguntar-se fundamentalmente: “Por que não queres enganar?”, especialmente se houvesse a aparencia – e há essa aparência – de que a vida depende de aparência, quero dizer, de erro, impostura, disfarce, cegamento, autocegamento, e se, por ouro lado, a grande forma da vida sempre se tivesse mostrado de fato, do lado mais inescrupuloso polypotroi. Um tal propósito poderia, talvez, interpretado brandamente, ser um quixotismo, um pequeno desatino entusiasta; mas poderia também ser algo ainda pior, ou seja, um princípio destrutivo, hostil à vida... [...].
Trecho extraído do Livro V – Em que medida nós também somos devotos ainda - , da obra A gaia ciência (Companhia das Letras, 2012), do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do fotógrafo e gravurista Juan Esteves.
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA

Paz na Terra: "Assine o apelo pela paz" (1952), do pintor, roteirista, desenhista e ilustrador Carlos Scliar.
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


RILKE, HUYSSEN, MARIA IGNEZ MARIZ, ANTÔNIO PEREIRA, LUCIAH LOPEZ & ARTE NA PRAÇA

PRIMEIRO ENCONTRO: MEU OLHAR, SEU SORRISO – Imagem: arte da poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez . - Da tarde a vida fez-se ...