segunda-feira, outubro 23, 2017

ERNESTO SÁBATO, EDWIGES DE SÁ PEREIRA, MARIA FIRMINA DOS REIS, ADMAURO, LUCIAH, FENELON & PNTANDO NA PRAÇA

PINTANDO NA PRAÇA - Manhã ensolarada de sábado, nuvens em trânsito e chuva passageira para amainar o calor, olhares dispersos, muita conversa, afagos, afetos, telas, sons e solidariedade. Gente de muito tempo aos abraços e apertos de mãos se perdia entre esboços de mãos inquietas na imageninação dos cavaletes. Gente da mais profunda estima, parceiros, amigos, irmãos que são e outros que se achegam entte coqueiros, bancos, flores de outubro, transeuntes que não sei. Gente que nunca vi por ali entre livros de Hermilo, de Ascenso, de outros palmarenses de ontem e de hoje: livros da Biblioteca que é minha e de todos. A praça estava em festa, trânsito de idas e vindas. Ali acontecia o mundo margeado pelo comércio alheio, passos incertos por direções opostas, passando, chegando e indo embora. Gente que ia e vinha, algumas interrogativas com toda movimentação: que droga é nove? Gente curiosa que queria saber o que era aquilo, ugnorando as doidices estranhas de outros doidos que vão além de ver e passar, comprar e vender. Gente do passado ressuscitada, gente que sequer poderia ser gente, gente que veio doutras cidades e até de longe para bulir lindamente no coração, mas gente, muita gente. No anfietatro eu me esgoelava no palco cantando das coisas coração: Pirangi, Martelada, Nina do Ripe, Severina de Acioly, Nunca chore por mim e Desejo. Saudava quem chegava, assistia a tudo, a arte, na verdade, estava da outro lado, bem na minha frente: a arte na plateia. Pincéis, lápis, tintas, espátulas, riscos, brebotes, garatujas, cores, contemplação, paisagens, inspiração, estalos, transpiração. O Sol dava o tom do que fervia na cabeça de pintores, desenhistas, faz de conta e tudo o mais. Linaldo fez festa com um jeito todo seu de cantar e tocar. Depois chamou Marquinhos e fizeram um duo no mormaço da manhã. O que antes indecifrável nos rascunhos das telas, agora tomava corpo: dava pra se ter ideia o que queria dizer cada um dos artistas na moldura da vida. Zé Ripe deu show com coro da plateia e aplausos muitos: coisas da terra e de poesia que nem devia mais sair mais do palco. Pintou-se o sete e o escambau por toda a manhã pra mais de meio dia, coisas e ideais: a vida pintou na praça e a gente passou a viver mais. Parabéns Paulo Profeta. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do cantor e compositor Vital Farias: Sagas brasileiras, Taperoá & solo; da pianista Magda Tagliaferro (1893-1986): Rosa Amarela, Saudade das selvas brasileiras & Impressões seresteiras, todas de Heitor Villa-Lobos; do pianista Rogerio Tutti: Sonata ao luar do sertão, Deep in your soul & Libertango de Astor Piazzolla; da cantora Mônica Salmaso: Voadeira, Iaiá & Noites de gala, samba na rua. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] romance é algo mais que uma sucessão de aventuras: é o testeminho trágico de um artista diante do qual ruiiram os valores seguros de uma comundiade sagrada. [...] pavoroso processo de desmistificação do mundo [...] Os homens escrevem ficções porque estão encarnados, porque são imperfeitos. Um Deus não escreve romances. Trechos extraídos da obra O escritor e seus fantasmas (Companhia das Letras, 2003), do escritor e artista plástico argentino Ernesto Sábato (1911-2011). Veja mais aqui e aqui.
 Poema do dramaturgo, advogado, professor e poeta palmarense Fenelon Barreto, em placa na Praça Paulo Paranhos – Palmares - PE. Veja mais aqui e aqui.

DE SENTIR & VIVER - [...] – Que ventura! = então disse ele, erguendo as mãos ao céu – que ventura podê-lo salvar! O homem que assim falava era um pobre rapaz, que ao muito parecia contar vinte e cinco anos,e que na franca expressão de sua fisionomia, deixava adivinhar toda a nobreza de um coração bem formado. O sangue africano refervia-lhe nas veias; o mísero ligava-se à odiosa cadeia da escravidão; e embalde o sangue ardente que herdara de seus pais, e que o nosso clima e a servidão não puderam resfriar, embalde – dissemos – se revoltava; porque se lhe erguia como barreira – o poder do forte contra o fraco!... Ele entanto resignava-se; e se uma lágrima desesperação lhe arrancava, escondia-a no fundo de sua miséria. [...]. Trecho extraído da obra Úrsula (Presença/INL, 1988), da escritora Maria Firmina dos Reis (1825-1917), considerada a primeira romancista brasileira.


Coqueiros no céu de Palmares: Praça Paulo Paranhos, Palmares – PE.

MULHER
De ser não sei, na seriação dos seres,
Que mais preocupa e que se estuda tanto:
Alma, razão de agir, paixões, misteres,
A essência do teu riso e do teu pranto!
Magos, poetas, filósofos, no entanto,
Mergulhando-as na orgia dos prazeres,
Ou elevando nas palmas como a um santo,
- Controversos que são quanto às mulheres!
Dessas vacilações, desses enganos
Surge o dogma, imutável, transcendente
Que ao homem sagra “senhor” entre os humanos...
E o dono, e chefe, e rei – por que padeces,
Ó forte, ó sábio, e vives tão somente
Na razão desse mal que mal conheces?!
Poema extraído da obra Horas inúteis (Imprensa Oficial, 1960), da educadora, jornalista, poeta e ativista feminina Edwiges de Sá Pereira (1884-1958).


A poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez, participando do evento Pintando na Praça – Palmares – PE. Veja mais aqui.

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ADMMAURO GOMES
Recepcionando o poeta e professor Admmauro Gommes na exposição do projeto Pintando na Praça, na Biblioteca Fenelon Barreto, Palmares – PE. Veja mais aqui.

 

sábado, outubro 21, 2017

RILKE, HUYSSEN, MARIA IGNEZ MARIZ, ANTÔNIO PEREIRA, LUCIAH LOPEZ & ARTE NA PRAÇA

PRIMEIRO ENCONTRO: MEU OLHAR, SEU SORRISO – Imagem: arte da poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez. - Da tarde a vida fez-se mais que dia noite adentro: milênios de espera no átimo de agora. Não há tempo, tudo passa e eu nem vi: caleidoscópio de sonhos que saiu da tela pra seguir nas ruas de mãos dadas pelas águas da emoção. E eu sou hoje o amanhã sonhado ontem, tudo agora: um oásis erradica a solidão de sempre. O que perdi até agora, nada vale, nada mais resta, sou premiado sem ter que vencer nada, só a mim mesmo. E sou maior que a mim mesmo, expansão incontida, como se o que de mim estava separado, arrancado ou perdido, finalmente me chegasse e a mim se somasse para que eu, completamente restabelecido, tivesse a primeira oportunidade de ir além das minhas cercanias e entisse o mundo inteiro na imensidão infinita. E tarde transformou-se dia inteiro: a viver o beijo, o semblante de luz no riso de Sol; os olhos que tornaram a minha direção, o corpo que virou meu abrigo. Em minhas mãos a poeta fez-se poesia: a deusa reluz mulher com sua pele caingang, seu corpo de fêmea no molde exato ao meu apetite, o meu tope faminto e ela cabe no meu abraço e se faz inteira para que mergulhe suas águas e possa nadar suas entranhas pra conhecer o nunca visto, o nunca tido, o nunca feito: é o milagre do prazer. E sou Deus no verbo da sua carne para ser-me inteiro nela no ápice da paixão. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do músico, compositor, drmaaturgo & escritor Chico Buarque: Carioca ao Vivo, As cidades ao vivo & Live au Zenith Paris; da pianista Maria João Pires: Sonata 32 Beethoven, Partitta 1 Bach & Concerto 9 Mozart; do violinista e compositor Marcus Viana: Pantanal, Olga & Música para quatro elementos; da violinista Maria Azova: Havanaise Saint-Saens, Meditation Massenet & Lipizer. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - [...] Aí o tempo não serve de verdade: um ano nada vale, dez anos não são nada. Ser artista não significa calcular e contar, mas sim amadurecer como a árvore que não apressa a sua seiva e enfrenta tranqüila as tempestades da primavera, sem medo de que depois dela não venha nenhum verão. O verão há de vir. Mas virá só para os pacientes, que aguardam um grande silêncio intrépido, como se diante deles estivesse a eternidade. Aprendo-o diariamente no meio de dores a que sou agradecido: a paicência é tudo. [...]. Trecho extraído da obra Cartas a um jovem poeta (Globo, 1986), do poeta alemão Rainer Maria Rilke (1875-1926). Veja mais aqui.

GLOBALIZAÇÃO – [...] Se a globalização requizesse uma única coisa do teorico da cultura, esta coisa seria um modelo para estudos comparativos. Estudos comparativos que atravessem fronteiras, línguas e atravessem culturas, um tipo de estudos comparativos que ajudem a alimentar um novo sentido de conectividade e qie talvez até ajudem a criar uma forma de cosmopolitismo alternativo e auto-crítico [...]. Trecho extraído da obra Culturas do passado-presente modernismos, artes visuais, políticas da memória (Contraponto, 2014), do professor e crítico de arte Andreas Huyssen.

A BARRAGEM - [...] Como se obedecessem a um só braço, horas a fio as picaretas rebrilham ao sol, parecendo de prata, ao loge, de tão brilhantes pelo contato com a terra. Terrão dura que só pedra, revolvida a custa de supremo esforço, levantando uma poeira de arrasar pulmões. Mas, em nennuma daquelas cabeças pode passar um pensamento de enfado. Nem cansaço eles têm pretensão de sentir. Correndo o dedo pela testa, o suor cai no chão ou no peito do cassaco nu e reluzente. E o trabalhador continua satisfeito que achasse afinal tábua de salvação [...]. Trecho da obra A Barragem (União, 1994), da escritora e jornalista Maria Ignez Mariz (1905-1952).

A SAUDADE DE ANTÔNIO PEREIRA
Saudade é um parafuso
Que na rosca quando cai,
Só entra se for torcendo,
Porque batendo num vai
E enferrujando dentro
Nem distorcendo num sai.
Saudade tem cinco fios
Puxados à eletricidade,
Um na alma, outro no peito,
Um amor, outro amizade,
O derradeiro, a lembrança
Dos dias da mocidade.
Saudade é como a resina,
No amor de quem padece,
O pau que resina muito
Quando não morre adoece.
É como quem tem saudade
Não morre, mas adoece.
Adão me deu dez saudades
Eu lhe disse: muito bem!
Dê nove, fique com uma
Que todas não lhe convêm.
Mas eu caí na besteira,
Não reparti com ningué
Poema do poeta popular e violeiro Antônio Pereira (1891-1982).

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ARTE NA PRAÇA
Projeto Pintando na Praça hoje a partir das 9hs na Praça Paulo Paranhos – Palmares – PE e exposição na Biblioteca Fenelon Barreto durante todo mês de outubro. Veja mais aqui.

A ARTE DE LUCIAH LOPEZ
A arte da poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez. Veja mais aqui.

 

sexta-feira, outubro 20, 2017

DRUMMOND, RIMBAUD, LEMINSKI, MARITAIN, GILVAN LEMOS, JACOB DHEIN, GENÉSIO CAVALCANTI, CARIJÓ & SÃO BENTO DO UNA

CARIJÓ, SÃO BENTO DO UNA – Imagem: Céu de São Bento do Una, de Renatinha @Renatalcaet – Carijó, meu amigo, minhas mãos limpas e esta missiva: saudades de ontem, abraços de amanhã. Eu, Jutaí meinino, vou mais longe qual anjo do quarto dia no açude Velho que não viu o tempo passar: do Una a nossa comunhão na carreira da galinha, no carnaval dos imigantes portugueses da festa Valença e a criação de galo: cuidado com a cobra, sã0-betense! A gente só sente a picada de gente, coisa mais sem graça. Meus pés inoculados dos venenos mundanos pisam pelo Planalto da Borborema, mãos deitadas às sobrancelhas, estirando o cangote pra me livrar dos embaraços: muxoxos dos parentes, trejeitos dos estranhos que brigam por cacarecos, gente que só quer ser super-homem com seus super-poderes, gente que pede, pede, pede, Deus nem atende, gente que faz de tudo e o vento carrega a areia pro seu deserto, tudo uns chaleiras, remelentos arredios inescrupulosos, juntando troços, trapos de coisa que só vale pra moda, depois nenhuma serventia. Ninguém merece! Melhor o balanço e a curva dos quadris da morena sestrosa que passa impune dos nossos desejos, eu vejo e sinto, a me contentar com tão pouco, ninguém nasce pra viver na pobreza, a mulher é abundância, fartura de vida e as minhas bagagens repletas de sentimentos solidários, amor pra dá e quanta desventura! Eu vou. Por quê? Porque vou, porque sim, porque não, caramanchão, feliz das trepadeiras pelos oitões, a brisa nas varandas, água de coco, sonbra e água, a lembrar dos sítios do Serrote do Gado Brabo. Sou o que vai e volta, eterno retorno como os pardais estão voltando e Alceu cantando bonito na minha solidão que é um noturno sem música, neblinas e serenos na noite dos abraçados. Sou tão estrangeiro quanto o espaço terrestre além dos cem, e vi Cecília entre leões e o defunto aventureiro com o morcego cego: Morte ao invasor! A inocente farsa da vingança ns olhos da treva & os emissários do diabo na rua padre Silva, nada, é só quarta-feira de cinzas na Matriz do Bom Jesus. Ah, quem me dera, Carijó, sonhar entre as águas desse rio que nasci e vou daí, de Capeiras, melhor dizendo, por aí até a várzea que vai dar no mar. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do compositor, arranjador e maestro Rogério Duprat (1932-2006): The Brazilian Suite, Nhô Look & Brasil com S; da cantora, violonista e compositora Rosa Passos: Romance, Festival Jazz Vitória-Gasteiz & Live at Jazz Lincoln Center; da banda britânica formada por Roland Orzabal & Curt Smith, Tears for Fears: Tears roll down & Going to California; e da cantora e compositora Liah Soares: Quatro Cantos & Sere Nere. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Partindo de uma concepção de vida denominada por um relativismo geral e pela dúvida universal em relação a tudo que possa ligar a conduta humana aos fins e aos valores mais elevados que os interesses do próprio individuo, - o que resulta, em última análise, é a arte de ter êxito no mundo. [...]. Pensamento extraído da obra A filosofia moral (Agir, 1964), do filosofo francês Jacques Maritain (1882-1972).

COMPETIÇÃO
Os garotos, os cães, os urubus
Guerreiam em torno do esplendor do lixo.
Não, não fui eu que vi. Foi o Ministro do Interior.
Fabulário Nacional extraído da obra Corpo: novos poemas (Record, 1984), do poeta, contista e cronista Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). Veja mais aqui, aqui & aqui.

CRIME PASSIONALProcesso-crime 09 – Réu: Antonio Matias Marques. Vítima: Francisco José da Silva. Antonio Matias morava no sitio Tatu. No dia 14 de setembro de 1877, ao retornar, noite alta, de uma viagem ao povoado de Canhotinho, encontra sua mulher a dormir com um estranho na cama do casal. [...] que passando em casa dele testemunha no dia quatorze do corrente, pelas dez horas da noite, pouco mais ou menos, vindo de uma viagem a Canhotinho, Antônio Matias Marques, e dali depois de cear, seguiu dito Marques para casa de sua residência, no lugar Tatu, e batendo á porta e chamando pela mulher, ninguém lhe falou; então dito Marques furou a parede e abriu a porta; entrando no quarto, encontrou sua mulher deitada com Francisco José da Silva, ambos dormindo, e estando este nu ali, Marques lançou mão de uma espingarda do mesmo Francisco José da Silva, que ali estava encostada e disparou-a no infeliz Francisco, dando depois com a mesma arma diversas pancadas; e isto sabe por lhe haver dito o mesmo Marques, logo depois de haver praticado o fato, indo à casa dele testemunha, entregar-lhe uma chave para dar a Martinho, dono da casa em que ele morava, visto como tinha em um dos quartos da mesma casa uns objetos pertencentes ao dito Martinho, assim como entregara a ele testemunha os filhos para mandá-los levar à avó, e no mesmo ato saíra ele testemunha com pessoas de sua casa, em direção à casa do Marques, para ver se com efeito era certa aquela história que ele contava, e prestar algum socorro ao ferido; encontrou o mesmo ferido, prostrado sobre a cama, deitando sangue, ainda depsido de toda a roupa, a mulher de Maques sentada na mesma cama, e uma menina nos pés da cama, sendo que a chave que lhe entregara Marques, era da porta do quarto onde estava Francisco José da Silva ferido e entregara a dita chave a ele testemunha [...]. Como se vê, o gesto de Marques fora de previdência e sabedoria. Usando de cautela, conforme se depreende do depoimento transcrito, conseguira ele valioso testemunho para o flagrante de adultério da esposa, fato de decisiva importância quando tivesse de ser julgado pelo júri. [...] Denunciado no dia 1º de outubro de 1877, pelo Adjunto de Promotor, Cândido Américo Galvão, somente em 22 de novembro foi o réu pronunciado incurso no art. 193 do Código Criminal. O libelo foi oferecido em 11 de outubro de 1878, insistindo a promotoria nas sanções penais citadas. Entrega-se o réu à prisão em 15de outubro de 1866, nove anos após a execução do delito, sendo-lhe designado o dia 12 de novmebro para comparecer à sessão do júri. Submetido a julgamento, Antonio Matias é unanimemente absolvodp pelos juízes de fato, passando-se-lhe, incontinenti, o alvará de soltura. O júri lhe fora sensível à causa, na opinião geral, considerada simpática, segundo os autos. Trechos extraídos da obra Inocentes e culpados do Tribunal de Juri de São Bento: síntese histórica do homicídio 1818-1930 (CEHM, 1986), de Sebastião Soares Cintra que, em nota introdutória, assinala que [...] De 1818 a 1930, - segundo os arquivos remanescentes na Comarca -, verificaram-se 84 homicidios na jurisdição de São Bento [...] Resta-nos aos são=bentenses a esperança de que esse quadro possa regredir, pela evolução moral dos filhos desta terra [...] Derivativo dos sentimentos inferiores da índole humana, ou objeto de resgate dos antaganismos exacerbados, o homicídio persistirá até que se atinha o sonhado estágio social de preponderância do homo morabilis, isto é, do homem “maduro e imputável”. Na apresentação do livro, o historiador, jornalista, lexicógrafo, pesquisador e compositor Nelson Barbalho (1918-1993), assevera que: [...] O material colhido e apresentado no livro finda em 1930 e entremostra-se espantosamente rico de atrocidades e barbarismos levados às raias da loucura e de homicídios puros e simples em numero de 84 durante pouco mais de um século. E depois? [...] Tudo caminha para pior, por conseguinte, e a “civilização” branca e cristã, aqui nas plagas nordestinas, é embromação para inglês ver, tema para debates cretinos na TV, assunto para sermões de padres pançudos e comedores de beatas safadas – pura demagogia e nada mais. A vida é cruel e triste; e o robusto livro de Sebastião Soares Cintra o diz bem melhor que minhas pobres e desenxabidas palavras. Veja mais aqui.

A ETERNIDADE
De novo me invade.
Quem? A Eternidade.
É o mar que se vai
Como o sol que cai.
Alma sentinela,
Ensina-me o jogo
Da noite que gela
E do dia em fogo.
Das lides humanas,
Das palmas e vaias,
Já te desenganas
E no ar te espraias.
De outra nenhuma,
Brasas de cetim,
O Dever se esfuma
Sem dizer: enfim.
Lá não há esperança
E não há futuro.
Ciência e paciência,
Suplício seguro.
De novo me invade.
Quem?
A Eternidade.
É o mar que se vai
Com o sol que cai
.
Poema extraído da obra Rimbaud Livre (Perspectiva, 1993), do poeta Arthur Rimbaud (1854-1891). Veja mais aqui, aqui & aqui.

O ANJO DO QUARTO DIA - Estranho ela achava; que ninguem a chamasse num grito? Ana! Apelo, procura: Ana! Que seu nome não ecoasse modulado pelas enconstas das serras, não vibrasse ao saber dos ventos: Aaaaaaaana! Que o solo do Grotão, sentindo-lhe os pés, o peso do corpo; que as árvores do Grotão, olhando-a de oonge; que os ares do Grotão, envolvendo-a, desconhecessem a invocação de seu nome. Mesmo quando lhe era permitido afastar-se mais um pouco à procura dum pau de lenha, duma erva para o chá, dum ninho de galinha, sabia que sua presença não seria reclamada, tampouco no desespero dum grito. Não era estranho? Somente por extrema necessidade, em algum sábado, de madrugada, deixava o Grotão, sua asinha lá entre serrotes, matolão nas costas, cheio o matolão. Isso quando o enchia. Às vezes mais de mês para enchê-lo. Renda de bilros, bruxas de pano, tatuzinhos esculpidos na madeira de imburana, tão bem feitinhos, serviam de paliteiros; galinhos, peruzinhos revestidos de penas verdadeiras, para enfeite de mesa. Tudo do seu trabalho, de sua jabilidade, sem ninguém, ter ensinado ela fazia, desde mocinha. Era uma artista com os dedos, a paciência de artesã solitária, o poder de botar nas coisas em que pegava uma parecença de vida, de objeto requerendo muito amor e carinho. [...]. Trecho extraído da obra O anjo do quarto dia (Globo, 1987), do escritor Gilvan Lemos (1928-2015), que na obra Neblinas e serenos (Bagaço, 1994), narra: [...] À noite perdia o sono, chorava por ele. Seu outro menino estava doente. Doente de uma doença para a qual o chá de cidreira não servia. Nem essência de cravo nem a lama de pote nem o emplastro de pirão de farinha. Nem ao menos sua presença ao lado da cama, alisando-lhe a testa. [...]. Veja mais aqui, aqui & aqui.

POR QUE ESCREVO
Escrevo. E pronto. Escrevo porque preciso, preciso porque estou tonto. Ninguém tem nada com isso. Escrevo porque amanhece. E as estrelas lá no céu lembram letras no papel quando o poema me anoitece. A aranha tece teias. O peixe beija e morde o que vê. Eu escrevo apenas. Tem que ter por quê?
Razão de ser, do escritor, critico literário, tradutor e professor Paulo Leminski (1944-1989). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

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ARTE & ENTREVISTA DE GENÉSIO CAVALCANTI
Depois do lançamento de diversos livros de poesias, músicas em vários CDs, dois DVDs & realizar recitais e apresentações em diversas localidades, o poeta Genésio Cavalcanti concede entrevista exclusiva pra gente, falando de sua vida, sonhos, realizações, projetos & trabalhos. Confira a entrevista completa aqui.

A ARTE DE JACOB DHEIN
A arte do artista plástico estadunidense Jacob Dhein.

quinta-feira, outubro 19, 2017

VINICIUS, MIGUEL ASTURIAS, ORTEGA Y GASSET, CAMILLE CLAUDEL & RICHARD MARTIN

IARA, IARAVI – Um dia Fiietó se apaixonou. E ele com a sua força e firmeza no braço, altivez de porte e agudez de vista, dominava a mataria brava, seguindo a caça e afrontando o inimigo, aremessando o arco de sua flecha certeira cortando as carreiras ou os pulos dos animais, abatendo o voo de carniceiros, estava perdidamente apaixonado. Justo aquele que ao vogar sobre as águas silenciosas do Una, velejava alteroso, braços abertos e, ao passar junto ao barranco do rio, as brisas folionas sacudiam os galhos e derramavam uma chuva de flores sobre seus cabelos negros e todos os peixes, pássaros e demais seres viventes das profundezas e das margens fluviais, saudavam-no nas suas peripécias. Justo ele, estava enamorado. Por conta disso, todas as tardes a sua canoa aparecia no poente, seguindo solitário pelas sombras da noite adentro, pescaria essa que todos interrogavam pela vigência dos fantasmas noturnos saltarem das profundas dos infernos para atomentarem seres viventes que jaziam medrosos escondidos nas suas moradas. Indagavam do intrépido Fiietó se não ouvira os temerosos presságios pelos ventos gemedores com suas dores que matam, ele quase nem ouvia sua mãe aos prantos pela audácia do filho de desafiar os gênios malignos que se aproveitavam da indomável juventude de suas presas nas horas mortas. Contavam pra ele histórias repetidas vezes de quantos não houveram encontrados insones com seus olhos fundos e tristes, cotovelos fincados nos joelhos, pernas pendentes da rede selvagem, aprisionados pela má sorte, pungentemente hipnotizados na escuridão. Até sua mãe lamentava com enternecidas palavras, meu filho, não vejo alegria nos seus olhos, só vagos gestos de quem fora picado no coração, aquele a quem as moças admiravam, os velhos e guerreiros festejavam as astúcias com seus cantos entoando seu nome que um dia gozaria supremo na mansão dos bravos. O que está havendo, meu filho? Estou amando, mãe, quero encontrá-la. Não me diga que é a Iara! Mãe, quero encontrá-la. Não, meu filho, a Iara não, ela envenenou seu coração? Mãe, eu a vi, eu a vi, mãe, boiando em flor, linda como a lua nas noites claras, eu vi, mãe, os cabelos de flores, brilho do Sol, era ela, mãe! Meu filho! As suas faces, mãe, são formosas que ninguém jamais viu! Ela olhou pra mim, mãe, estendeu-me os braços, repartiu as águas e me levou encantado pelas estrelas do céu. Meu filho! Foge, meu filho, foge! Aquela que você viu é a Iara, aquela que canta a agonia e dos seus olhos só a morte espia. Mãe, eu vi, é linda! A mãe chorava a perda de filho tão valoroso. Não vá, meu filho, fuja, fuja enquanto pode, foge da Iara. E ele resoluto, pisou na água e começou a deslizar mansa e tranquilamente, estava decidido, estava verdadeiramente apaixonado. E todos na tribo caeté viram-no passar como quem vai pescar nas trevas. E seguia sozinho no espelho das águas. Logo depois, ouviam-se gritos: Vem ver, gente! Vem ver, corre, gente, vem ver! Todos pararam atônitas à beira do Rio Una, Fiietó fendendo as águas, braços abertos como se fosse voar, quando surgiu ao lado do jovem guerreiro, enlaçando-o a beijá-lo, completamente ensolarada com sua majestade e corpo harmonioso coroado por sua beleza indescritível de tão grandiosa maravilha, cabelos esvoaçantes e a jurar de amor por ele, aquela que cativara o seu coração. A Iara! É ela, a Iara! Todos gritavam estupefatos com a cena, em uníssono: É Iara! É ela mesmo! E todos correram para acompanhar o trajeto do casal que iluminava todos os arredores, escondendo-se para não serem flagrados pela deusa. Dali mais um pouco, Fiietó abraçou-a e beijaram-se ardentemente, provocando faíscas, relâmpagos e trovões vindos dos céus e retumbando por toda redondeza. Beijavam-se e o amor celebrava a festa dos amantes, enquanto os nativos fugiam para mais distante, amedrontados com a cena e tudo que acontecia. Era Iara, na verdade, era Iaravi, a índia caingang que é bela como as frescas manhãs de Sol nas águas do Una, transformada em Iara para demonstrar o seu amor e para ser aquela a quem Fiietó, perdidamente apaixonado, jurava morrer de amor. (Recriação a partir de A Iara (Selva, 1947), de Afonso Arinos. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do cantor e compositor Geraldo Azevedo: De outra maneira, A luz do solo, Inclinações musicais, Adoro você & Tanto querer; da pianista e compositora Fernanda Chaves Canaud interpretando Radamés Gnatali & Lua Branca de Chiquinha Gonzaga; do compositor e educador musical Mario Ficarelli: Parasinfonia, O poço e o pêndulo & Tempestade óssea; da cantora Joan Baez: Al star 75th Birthay Celebration Live, Live Concert & Line in the New York. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIAO importante é a lembrança dos erros, que nos permite não cometer sempre os mesmos. O verdadeiro tesouro do homem é o tesouro dos seus erros, a larga experiência vital decantada por milénios, gota a gota. do filósofo e ativista político espanhol José Ortega y Gasset (1883-1955). Veja mais aqui.

SONETO DA MULHER AO SOL
A bordo do Andrea C, a caminho da França
Uma mulher ao sol - eis todo o meu desejo
Vinda do sal do mar, nua, os braços em cruz
A flor dos lábios entreaberta para o beijo
A pele a fulgurar todo o pólen da luz.
Uma linda mulher com os seios em repouso
Nua e quente de sol - eis tudo o que eu preciso
O ventre terso, o pêlo úmido, e um sorriso
À flor dos lábios entreabertos para o gozo.
Uma mulher ao sol sobre quem me debruce
Em quem beba e a quem morda e com quem me lamente
E que ao se submeter se enfureça e soluce
E tente me expelir, e ao me sentir ausente
Me busque novamente - e se deixa a dormir
Quando, pacificado, eu tiver de partir...
Extraído do livro Para viver um grande amor (Companhia das Letras, 1984),
do poeta, dramaturgo, jornalista, compositor e diplomata brasileiro Vinicius de Moraes (1913-1980). Veja mais aqui, aqui & aqui.

SENHOR PRESIDENTE - [...] A cidade grande, imensamente grande para a sua fadiga, foi ficando pequena para a sua aflição. Noites de espanto, seguidas por dias de perseguição. Acossado pela gente que, não satisfeita em gritar-lhe: “Bobalhãozinho, domingo você vai casar com sua mãe... aquela velhinha... seu pirado... animal, vagabundo!”, batiam nele, arrancavam-lhe a roupa a pedaços. Perseguido pela molecada, refugiava-se nos bairros pobres, mas ali sua sorte era pior; ali, onde todos andavam às portas da miséria, era não só insultado, mas quando o viam correr apavorado atiravam-lhe pedras, ratos mortos e latas vazias. Vindo de um desses bairros, chegou ao Portal do Senhor num dia qualquer, na hora da missa, ferido na testa, a cabeça descoberta, arrastando a rabiola de uma pipa que, arremedando um remendo, haviam-lhe grudado atrás. Assustava-se com as sombras dos muros, os cachorros passando, as folhas que caíam das árvores, o rodar desigual dos carros... Quando chegou ao Portal, quase de noite, os mendigos, virados para a parede, contavam e recontavam seus ganhos do dia. Mulamanca discutia com o Mosquito, a surda-muda esfregava a mão na barriga, para ela inexplicavelmente grande, e a cega se remexia, sonhando-se dependurada em um gancho, coberta por moscas, como carne de açougue. [...] E mais não disse. Arrancado do chão pelo grito, o Bobalhão saltou em cima dele e, sem lhe dar tempo para usar suas armas, enterrou-lhe os dedos nos olhos, despedaçou-lhe o nariz a dentadas e golpeou-lhe as partes com os joelhos, até deixá-lo inerte. Os mendigos fecharam os olhos horrorizados, a coruja passou de novo e o Bobalhão fugiu pelas ruas escuras enlouquecido e tomado por espantoso paroxismo. Uma força cega acabava de tirar a vida do coronel José Parrales Sonriente, vulgo o homem da mulinha. Amanhecia. [...]. Trechos da obra O senhor presidente (Mundaréu, 2016), do escritor, jornalista, diplomata guatemalteco Miguel Angel Asturias (1899-1974), ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1967. Veja mais aqui.

ARTE DE CAMILLE CLAUDEL
A arte da escultora francesa Camille Claudel (1864-1943). Veja mais aqui e aqui.

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ARTE DE RICHARD MARTIN
Imagem: arte do artista plástico australiano Richard Martin.

quarta-feira, outubro 18, 2017

HERMILO, JESSIE BOUCHERETT, LUIZ BERTO, PINTANDO NA PRAÇA & SERRA DO QUATI – CAPOEIRAS

SERRA DO QUATI, CAPOEIRAS - Imagem: Serra do Quati/Capoeiras/Raimundo Lourenço. - Nasci na beira do Una, andejo do dia singrando na vida. Do outro lado o Mundaú vai pra Alagoas, até mais, boa viagem, eu sigo por conta do Planalto da Borborema para ser o que for feito por força do querer. Sou meio de rio, águas que de mim são correntezas de sonhos e anseios. Sou caeté da sina de ontem e vou pelo sítio Imbé, onde a minha raiz quilombola beija a brisa na minha abissal alegria agreste. Sou do mato viceja na beira da estrada, sou da mata densa dos bichos da infância, folhas que matizam as minhas manhãs e tardes, flores que perfumam aonde quer que eu vá. E vou célere assíduo pelo açude Gurjão, pra ir pro Riacho do Mel, atalhando o Mimoso, chegando em Maniçoba e de lá seguir pelo Mocambo como quem vai para Alegre dizer que vou pra Pau Ferro levar as boas novas. Sou desse chão que também sou e lavo meus os pés no Cajarana porque me batizei no da Pracinha, no Bom Destino, no do Mel do Meio e no de São Pedro e quero ir pra festa da Praça quando a noite chegar. E quando alta madrugada meu peito em poesia seguir até a Serra do Quati, ao reluzir o amanhecer, eu serei o espetáculo: assim como em cima, é embaixo. O céu, as nuvens, o universo no êxtase das mãos, na chuva a me banhar, alma lavada na imensidão, a comunhão do meu íntimo: tudo e todas as coisas, o infinito, mais que a mim mesmo, o prazer de estar cônscio de que há muito mais do que possa ver, muito além do que consiga enxergar: o prazer de estar vivo e viver. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do pianista Nelson Freire: Bachianas Brasileiras & Alma Brasileira de Villa-Lobos & Estampes de Debussuy; daq cantora Maria Bethânia: Maricotinha ao vivo, O canto do Pajé – 25 anos & Pássaro Probido; do violonista e compositor Felipe Coelho: Cata Vento, Musadiversa & Telhados; e da cantora, instrumentista e compositora Ceumar: Dindinha, Silencia, Sempre Viva & Meu nome. Para conferir é só ligar o som e curtir.

OS 500 ANOS DE DIOGO DE PAIVA - [...] A história repercutirá intensamente e, como é de seu costume, sustentará o governo e sua polícia uma versão que a tudo contraria, desde as evidências até o correto uso da razão. Porque assim lhes convém. Porque é imperioso que se sepulte com Diogo de Paiva uma incomensurável quantidade de fatos escabrosos, comprometedores e altamente incriminadores das elites governantes e influentes do país. Mesmo que de há muito estes fatos já sejam com conhecimento de toda a população. Mas há que se manter as aparências. Como tem acontecido desde os tempos do descobrimento. Ironicamente, o julgamento, a condenação e a execução de Diogo de Paiva, decidida em secreto e restrito tribunal, são levados a cabo apenas pelos seus cometimentos recentes, quando atuou como tesoureiro na campanha de um presidente corrupto que, afinal, perdeu o mandato antes do final. Toda a vida pregressa de Diogo de Paiva, até por ser desconhecida do tribunal que o julgou, não é levada em consideração. Enfim, um julgamento inglório e mesquinho, em total descompasso com a monumentalidade de sua figura. [...] São esses instantes finais, ao lado da jovem amante, bela em sua quietude de morte, uma faísca de luz em sua cabeça, unindo sua chegada em 1500 à posse do seu filho em 2003. Nos instantes imediatamente anteriores ao disparo que lhe atinge o peito, Diogo de Paiva tem uma fugaz visão do céu nordestino, pela janela do seu quarto que dá para a praia e constata, com os olhos cheios de luze o coração cheio de ternura, que é o mesmo céu brilhante de azul que se apresentou às suas vistas naquela manhã em que se fez menos na frota do Capitão Vicente Yañez Pinzon. Com a alma risonha e com a certeza de haver cumprido honradamente sua missão na construção e no estabelecimento do Mundo Novo, entrega sua presença a Deus. Trechos da obra Memorial do Mundo Novo (Bagaço, 2008), do escritor Luiz Berto. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

PINTANDO NA PRAÇA
DIA DO PINTOR – Exposição do projeto Pintando na Praça, realização do poeta e artista plástico Paulo Profeta, na Biblioteca Fenelon Barreto – Palmares – PE. Veja mais aqui.

SER PERNAMBUCANO – [...] Você foi dizer o que era e terminou como terminou. Aliás, todas as vezes em que a gente insiste em dizer o que é mesmo, lasca-se. Posso fazer um pouco de lirismo barato, confessando que para sair pela tangente? Isto é o tipo de coisa subjetiva e não posso falar pelos outros, somente por mim, mesmo correndo o risco de que já falei. Mas vamos lá: ser pernambucano é estar ao lado dos movimentos libertários, é não se conformar com o subdesenvolvimento da zona rural, é tremer de horror diante dos mocambos e alagados, é não admitir que os ricos se tornam mais ricos e os pobres mais pobres, é comer os quitutes da nossa cozinha, é falar mal do Recife e não conseguir desprender-se dele, é amar e ter inimigos, é pedir ao garçom mais uma dose de Passport. Mas isto são atributos de qualquer homem em qualquer lugar. E chego a uma conclusão muito séria: não sei o que é ser pernambucano [...]. Trecho extraído da obra Agá (Civilização Brasileira, 1974), do escritor, dramaturgo, tradutor e advogado Hermilo Borba Filho. (1917-1976). Veja mais aqui e aqui.

Veja mais:
Poema em voz alta, Cidadania & Meio Ambiente, O erotismo de Gerges Bataille, Ciranda dos libertinos de Marquês de Sade, Decameron de Pasolini, o pensamento de Maryam Namazie, a escultura de Leroy Transfield, a pintura de Paul Cezzane & Olivia de Berardinis, A mulher suméria, a música de Karina Buhr, Núpcias do NUA, Estado Imediato, a entrevista de Frederico Baarbosa & o grafite de Mozart Fernandes aqui.
Rio Una: eu nasci entre um rio e um riso de mulher, A energia espitirual de Henri Bergson, Menino de Engenho de José Lins do Rego, Poema & Oração do Milho de Cora Coralina, a música de Heitor Villa-Lobos & Nelson Freire, Humor e alegria da educação de Valéria Amorim Arantes, Improvisação para o teatro de Viola Spolin, a arte de Grande Otelo, Brincarte do Nitolino, a pintura de Manuel da Costa Ataíde & Luis Sergio Mafra aqui.
O corpo dela é o pomar do amor & programa Tataritaritatá aqui.
A psicologia de Pierre Weil, Psicoterapia mente-corporal de Alexander Lowen & Doro nas eleições aqui.
Os lábios da mulher amada, Crônica de amor por ela & Cantarau Tataritaritatá aqui.
Saúde no Brasil, Fecamepa & Big Shit Bôbras aqui.
Falando de sexo, Isabel Allende  & Zine Tataritaritatá aqui.
Saúde no Brasil, HapVida & Derinha Rocha aqui.
Moto perpétuo, a psicologia de Martin Buber & Priscilla Larocca, A essência da poesia de T. S. Eliot, Hope 2050, A música de Carl Nielsen & Cecília Zilliacus, a teoria literária de Kenneth Burke, o teatro de Mário Viana, a arte de Zuzana Vejvodova, Ponto G, a pintura de Rick Nederlof & Francisco Zuniga aqui.
Autismo, Educação Inclusiva & Tataritaritatá na Difusora de Alagoas aqui.
A arte de Rosana Simpson aqui.
Vera indignada & O segundo sexo de Simone de Beauvoir aqui.
Maceió & Lagoa Mundaú aqui.
La rebelión de lãs massas de Ortega y Gasset, Eu voltarei ao sol da primavera de Ascenso Ferreira, a música de Alexander Scriabin, A função do orgasmo de Wilhelm Reich, O orgasmo de Esperantina, a pintura de Renato Alarcão & Pablo Garat aqui.
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TODO DIA É DIA DE JESSIE BOUCHERETT
Homenagem à escritora e ativista inglesa dos direitos das mulheres, Jessie Boucherett (1825-1905), uma das fundadoras da Society for Promotying the Training of Women, em 1859; promotora do sufrágio feminino e apoiadora do Ato de Propriedade das Mulheres Casadas de 1882, fundadora da Englisgwoman’s Review em 1866, e co-fundadora do Women’s Sufragge Journal.

ERNESTO SÁBATO, EDWIGES DE SÁ PEREIRA, MARIA FIRMINA DOS REIS, ADMAURO, LUCIAH, FENELON & PNTANDO NA PRAÇA

PINTANDO NA PRAÇA - Manhã ensolarada de sábado, nuvens em trânsito e chuva passageira para amainar o calor, olhares dispersos, muita conve...