quarta-feira, fevereiro 08, 2017

NO PAÍS DA SABIDURIA, SÓ SABIDO GANHA JOGO!

NO PAÍS DA SABIDURIA, SÓ SABIDO GANHA JOGO! -Imagens: Gurulino, personagem do grafiteiro Pedro Sangeon. - Alcançar a sabedoria não é tarefa fácil, nem pra qualquer um. É que para tal, muitas experiências vividas plenamente até a compreensão em nível de iluminação, numa harmonia entre o corpo e a alma. Pois é. Até um dia desses louvava-se o sábio; hoje, o sabido. Por isso, hoje vale a corruptela: sabiduria – uma forma da gente se gabar da nossa criatividade extrema com os jeitinhos mais inovadores e escusos, coroando a nossa tagarelice neurótica. Onde houver bronca, dá-se um jeito. Embroncou de novo, tem de se ajeitar. Tudo favorecido por líquidas relações e esgares mangadores diante dos desafios do aqui e agora. Vale o extremo: ou vai ou racha, no meio não pode ficar, senão a onda vem e leva pra onde não se quer ir. Melhor cair maria-vai-com-as-outras na que vai passando, pelo menos todos se conhecem pelas intrigas, desídia e falsidades, podendo se engraçar de ocasião ou cuspir na cara da rixa, que depois, com qualquer desculpa ou sinal de arrependimento conveniente, tudo vira festa e tapinhas nas costas. Como diz o Doro: - Tem gente pra tudo, até pra virar bicho! Não muito simpático ele prossegue entre irado e sarcástico: - Pra ser amigo ou inimigo, mô fio, é como cara e coroa: basta rir ou fechar a cara! Ou se é sabido ou morre otário! Aí eu disse: - Mas sabido também se ferra, né? Aí ele sapecou: - A-rá! Quando um sabido cai, duzentos mil aplicam ineivados. Tem que saber lidar. Do mesmo jeito que tem uma tuia com bandeira do Bolsonoraioqueoparta, tem outros tantos torcendo pela corja infame da temerança golpista como se fosse final de campeonato, afora mais os e as que se acham mais sabidos que os outros e todo mundo. Aí onde tá! Pudera, depois de Tirititica, Cricrifivela, Jumarotogiz, celebridades de BBB, trolagens do Pânico e afins (até o ShiTrump) – reitera chistoso com a lata mais cínica: - O que é que falta mais? Oxe, seu minino, o desgoverno e a insegurança prova que a casa caiu e o circo pegou fogo: bandido dita a lei (ah, onde está o bandido? Nada mais ubíquo! Do Planalto ao grotão, tudo salafrário, não escapa um!), a polícia quando não acuada engrossa a contravenção, gente que confunde disciplina rígida e cerceamento de liberdade com moralidade e ética – ah, meu Jesuisizinho, como se imprimir penas cruéis resolvesse o problema da falta de educação e vergonha na cara -, pode um negócio desses? Coitadas das vítimas da violência que por não saberem bem o que é direito nem justiça, reclamam por tais com o fervor da pena de morte – aquele prazer milenar de se satisfazer com o sofrimento alheio. Já viu? Que coisa! E sacaneando um e outro lá vai ele todo serelepe reclamando do vento, do sol quente, da carestia e até dele mesmo: - Hoje pisei em rastro de corno! Sem conseguir esconder o riso amarelado, ele sabe: no país da sabiduria, só sabido ganha jogo, o resto só junta farelo dos mijados. E vamos aprumar a conversa! © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

 Curtindo o álbum Pra tudo ficar bem (Biscoito Fino, 2009), do violonista e compositor Zé Paulo Becker, fundador e integrante do grupo Trio Madeira Brasil.

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DESTAQUE: O CONFESSOR DE MONSTROS
[...] Seguir alguém, que por sua vez acompanha a outro, constitui um prazer irônico, excitante. [...] Pergunta-nos desde quando estamos assim e se sofremos, se há dias em que estamos alegres, se encontramos mulheres, ju, ju, ju, se alguma vez pensamos em nos suicidar e se algum podemos nos esquecer como somos... A todos indaga o mesmo e nunca se farta de pormenores... [...] Chamamo-lo de louco... Os que são aleijados de nascença, compreende-se; os que tiveram um mau golpe, uma queda ou uma peleja má, de tiro, não o interessam. Somente nós que fomos sempre assim... Mas é bom. Sempre nos dá esmolas. [...] Confesso que tenho medo. Diariamente à tarde, os fatos voltam a perturbar-me e penso no poder da palavra e que, não apenas o que dizemos sobre os demais, mas que também o que falamos de nós próprios pode causar danos terríveis.
Trechos extraídos do conto O confessor de monstros (Cultrix, 1968), do escritor, jornalista, dramaturgo e diplomata cubano Alfosno Hernández Catá (1885-1940).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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