quarta-feira, fevereiro 01, 2017

SOU DA TERRA ALMA CAETÉ


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SOU DA TERRA ALMA CAETÉ - Sou da terra que é minha alma no universo e me faz das matas, rios, estrelas e corações o rincão do mar de Iangaí até o grande rio do sul. Sou deste chão desde o tempo em que o céu estava mais perto e as nuvens e estrelas ao alcance da mão, quando não havia noite no dia sem fim, todas as coisas falavam e éramos um só nas ocas e ocara. Nada além do tacape e cocar, cunhã, cunhantãs e curumins. Foi então que Tupã trouxe a noite no coco de tucumã com todos os seus bichos no canto do bacurau. E ensinou ao cansar da escuridão, o voo do cajubi para anunciar o dia e o Sol descer à terra e reinar por toda aldeia até o fim do mundo. Lá pras tantas depois do entardecer é que vem a Lua com o séquito de estrelas e astros luminosos pra trazer a chuva boa para regar as plantas esturricadas e adubar a terra pra gente plantar e colher no pitéu toda mandioca, banana, jerimum, inhames e carás. E fartavam nossos potes e enchiam nossas malocas. Até que um dia soou o boré com notícias do alto da palmeira de estrangeiros ao mar vindos não se sabe de onde. Só se sabe que chegaram e se aproximaram com sua soberba desalmada, em nome de um deus estranho do açúcar a invadir nossas terras, se apossarem do que era nosso, roubando nossa língua, crenças e coisas. E nos fizeram crer nas suas coisas, e nos oprimiram e nos desconheceram. Empunhamos azagaia e flechas e resistimos até nos condenarem pela morte do bispo dos perós que sequer foi visto por nossa gente. E nos perseguiram até a quinta geração pelas matas, litoral, agreste e sertão. E nos demonizaram por nossos costumes e nos fizeram inimigos de todos. À custa de traições capturaram nossos guerreiros, sequestraram Iangaí pros domínios do donatário e aprisionaram os nossos que foram ceifados um a um, enquanto ela jurada preferida do mandatário, não tendo outra escolha, pulou da torre para se entregar à fúria das ondas do mar, com suas lágrimas ao crepúsculo gemendo até hoje nas cercanias em dó menor. Restou-me o estigma e a ojeriza da maldição perseguindo os nossos descendentes, como se da vida restasse apenas o castigo pra morte. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui

 Curtindo o álbum com Ellora Symphiny, Trinita Sinfonica & Rapsodia per Orchestra (Naxos, 2005), do compositor japonês Yasushi Akutagawa (1925- 1989), com a New Zeland Sumphony Orchestra & Takuo Yuasa.

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DESTAQUE: SOL & LUA, LENDA OFAIÉ
No tempo de dantes, o Sol e a Lua eram gente, como nós. Andavam por aí como irmãos, mas estavam sempre brigando, pois a Lua era muito teimoso. Sol saía para caçar, corria o mato atrás de um veado e quando voltava arcado ao preso da caça, Lua ficava enciumado e queria sair só, para matar mais bichos do que ele. O irmão o censurava: - Não faça isso, que há muito perigo por aí. Um dia você se estrepa. Ora, você não caça? Acha então que eu sou algum bobo? Um dia Sol saiu, dizendo que ia à lagoa arranhar umas flechas. Não deixou Lua acompanha-lo. Homens e mulheres da aldeia lá estavam pescando. Cada um deles levava dois maços de jaguatimbó. Na margem, macetavam o cipó e o atiravam dentro da água. Logo o peixe virava de banda e a lagoa ficava coalhada. Era só cercar, pegar e ajuntar o pescado. Os que apenas ficavam tontos com o veneno, era preciso matar a flechaços. O que Sol queria era arranjar umas flechas. Transformou-se num dourado bem grande e, antes de mergulhar, cobriu-se de cascas de angico, de peroba, que são grossas e resistentes. Pôs-se a nadar diante dos índios, botando apenas o rabo para fora da água. Choviam flechas sobre o seu lombo e ele não tinha mais do que pegá-las e guarda-las. Os índios viram suas flechas atingirem o dourado e saltaram atrás dele, nas canoas. E ninguém o alcançava. Quando já não tinham mais flechas, começaram a atirar-lhe os arcos. Mas nada de feri-lo. Então Sol foi-se embora, levando um sortimento de arcos e de flechas. Quando Lua viu o irmão chegar, ficou com vontade de ir também arranjar arcos e flechas na lagoa. – Não vá, meu irmão – disse Sol. – Fique em casa que um dia você se estrepa! Lua bateu o pé e foi. Mas não era tão esperto como Sol. Lá chegando, transformou-se num dourado, mas em lugar de pôr sobre o lombo cascas grossas e resistentes como fizera o irmão, contentou-se em revestir as costas com cascas moles, como as da jaracatiá. Atirou-se na água e choveram flechas sobre ele. Não voltou para casa. Diante disso, Sol transformou-se numa abelha e foi procurar o irmão. Chegou ao ajuntamento de índios e ficou rodeando, rodeando. Nada. Depois voou por cima dos montes de espinhas de peixe: soprava a poeira e procurava saber se eram do irmão. Visitou todas as casas e andou pelos cantos, examinando à procura de Lua.
Lenda extraída de Notícia dos Ofaié-Xavante (Revista do Mueseu Paulista, 1951), contada pelo antropólogo, escritor e político mineiro Darcy Ribeiro (1922-1997). Veja mais aqui, aqui e aqui.

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