segunda-feira, março 20, 2017

SOLILÓQUIO NA VIAGEM NOTURNA DO SOL

SOLILÓQUIO NA VIAGEM NOTURNA DO SOL - Entre muitas, encho a rua de pernas: sei para onde vou, a despeito de transversais, atalhos e escolhas no limiar dos umbrais, onde as condições cruciais e súbitas me aparecem com o seu ambivalente canto de sereia. Sei o quero no equinócio de outono, o dia para a felicidade: de um lado, estoicos e hedonistas digladiam, há festas, tesouros e clamores das almas perdidas e sacudidas pela tempestade das suas paixões incontroladas, aflições desgovernadas e arrastadas pela ansiedade dos arruinados e frustrados pelos infortúnios do ouropel, na obscuridade da noite e a prisão das sombras; no outro, a beleza da rosa, o voo do pássaro, o trajeto do Sol do Leste pro Oeste, as águas do rio que vão pro mar. Não há de novo sob o Sol. Se titubeio, posso malograr. Sei pra onde quero ir, summum bonum. Não estou imune aos congestionamentos, posso tomar o atalho e ganhar dianteira, chegar na frente dos outros, poupar tempo, vencer espaço. Tudo germina do sonho: a promessa e a conquista. Todavia, errei uma, duas, três, muitas vezes. Errei feio e sucumbi. Cadê o leme se não tem a menor graça estar perplexo ou atordoado, no dilema entre a ação e a inação, as escolhas entre a ilusão e a verdade. Sou minhas hesitações entre a compulsão do ego e o que é de todos, se primeiro eu, nada mais serve. Algumas tantas vezes escapei ileso, mas nem tanto: não poderia me conciliar com ninguém se havia conflito irreconciliável dentro de mim mesmo. Apesar disso, fui poupado graças a não sei o quê, fui absolvido de certa obrigações sem saber o que me bate à porta e sequer ouço, sem saber quais, verdadeiramente, são as maiores e melhores coisas da vida. Enfim, não sei mais para onde vou nem o que quero, estou perdido. Procuro as rédeas e não as encontro. Onde estiver, vou achá-las, haja o que houver. Sou impelido a rever os passos necessários para empreender a busca do perdido que não sei como reencontrar, ser meu próprio destino. Tomo por base a trajetória da semente ao fruto. Sigo adiante ou para trás, não sei, prossigo. Se ficar, posso não mais ser-me. Não espero mais para amanhã, pra semana ou próximo ano, eu sou agora voo. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

Curtindo os álbuns Na guerra e na paz (2001) e Uma palavra viva (2014) da cantora e compositora Maria Esther Pallares.

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A arte da bailarina e coreógrafa Paula Águas.

DESTAQUE: SÊNECA
Estou tentando descobrir o que é bom para o ser humano, e não para o seu estômago, porque as vacas e as baleias têm estômago maior que o do homem”.
Pensamento do tragediógrafo e filósofo estoico latino Lúcio Aneu Sêneca (4ac-65). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

EDUCAÇÃO
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I

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor estadunidense Terry Miura.
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DEDICATÓRIA:
A edição de hoje é dedicada à professora e pedagoga Amenaide Lima (foto ela com Pedro Henrique)

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DRUMMOND, RIMBAUD, LEMINSKI, MARITAIN, GILVAN LEMOS, JACOB DHEIN, GENÉSIO CAVALCANTI, CARIJÓ & SÃO BENTO DO UNA

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