terça-feira, junho 27, 2017

OS SERTÕES DE GUIMARÃES ROSA, AS VISÕES DE KIESLOWSKI, A MÚSICA DE MARCUS VIANA, TARSILA DO AMARAL & O AMANHÃ DE ONTEM PRA HOJE

O AMANHÃ DE ONTEM PRA HOJE – Era só o ameríndio pra quem chegou. Depois, o mameluco com olhos pro pai forasteiro, esqueceu o índio-índio, mais nada. Aí veio o preto-preto, virou festa, carnaval. Tudo misturado, santa mestiçagem. O que era um virou três, muitos, todos. Mesmo assim dividiram o de todos para poucos escolhidos, bolo em fatias para achegados e privilegiados. Haja farelo pros expulsos que estavam dentro, donos despejados e, do terreiro, ficaram brechando pendurados na janela com outros deserdados, o que faziam da casa dele: a festa dos de dentro jogando esmolas, o descarte da fartura aos pingos, às colherzinhas, conta-gotas. E o sangue era vermelho pra qualquer um, até pros que se achavam azul. E a terra era de todos, passou a ter cercas, arames farpados, muros e fronteiras com seguranças e capatazes. Para quem só tinha o chão por acolhida, não me valia de sobrenome abastado ou qualquer, ou marca, brasão, insígnia, ou se pardo é nojento, moreno é charmoso, ou se o amarelo é oriental ou subnutrido, o preço do preconceito: só há um ser humano e eu sou como a roupa no varal que seca à espera de vestir, ou a que na vitrine não foi comprada, um dia será dada, todas servirão para quem queira ou não tenha. Hoje sou feliz e nada tenho, iconoclasta de totens e tabus, e mato e morro ao perder o que era uma parte de mim que ficou para trás e só possuo a vontade do trabalho, minhas mãos pras lutas, a coragem pra romper redomas e limites, o ânimo de viver, mais nada, atrepado nas casas de pombos pra gente – o horizontal sempre coibido, tudo pra vertical: a hierarquia, uns sobre os outros, amontoados, e a vida é outra coisa além de quem mora na cobertura dos arranha-céus ou embaixo da ponte. Não preciso de mais, me basta o que sou de nada desvalido entre as ruínas que valem os impérios dos seres anestesiados que expiram com os suspiros dos vazios, narizes na vitrina esfregada entre a fortuna e a sarjeta com todas as indecisões. Vencer ou perder, tanto faz, as duas faces da mesma moeda, como ir ou voltar, subir ou descer, vale a preparação. Há quem chore de felicidade, ou ria na desgraça. Cada qual o seu tanto de experiências, a erosão, a ferrugem, ventos que vão e fica a quentura, telhados pro céu. Coisas que valem ontem, ou feitas amanhã: ouro que não tem mais, só o que se quer, o desejo, nada mais. Entre um e outro, cada um. As malas prontas – pra onde? -, o uso e o usado, ali no canto esquecido repousam como se fossem pedaços de todo universo num cubículo e a solidão. Tudo desarrumado entre mofo e poeira de sonhos e o que foi feito serve pra lata de lixo. Um dia, quem sabe, uma serventia qualquer, coisa de não se lembrar na gaveta ou nas caixas, se um dia servir, como lápis de cor feito luz, senão escuridão e pra noite tudo é escuro, como o sol é para todos. Tudo existe de dia; de noite, se inventa. Sou grato pela incompreensão, nela eu aprendi. Assim não fosse, nada saberia: um catatônico com uma glória de areia. Meu corpo é da terra e nela vivo. E se me atrevo diante da faca afiada da vida que corta e retalha em postas cada ser vivo, é porque sou o desperdício como o meu povo subestimado foi estornado desde sempre pra dizer o que pensa e quer entre a fome e o prato de comida pra quem tem fome e pra quem só se abastece, vício do hábito. Mas a vida não é faca, é graça! É graça que vira faca e torna a ser graça, pra venturosos ou desgraçados. Só tenho o chão de qualquer lugar, de onde nasci só terei cinzas pra ser-me de volta, o amanhã que se edifica de ontem pra hoje. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

OS SERTÕES DE GUIMARÃES ROSA
[...] Num campo de muitas águas. Os buritis faziam alterza, com suas vassouras de flores. Só um capim de vereda, que doidava de ser verde – verde, verde, verdeal. Sob oculto, nesses verdes, um riachinho se explicava: com a água ciririca – “Sou riacho que nunca seca...” – de verdade, não secava. Aquele riachinho residia tudo. Lugar aquele não tinha pedacinhos. A lá era a casa do Boi. O Boi, que vinha choutando. Antão o Boi esbarrou. Se virou, raspou, raspou, raspou,. O Boi se fazia, muitas vezes; mandava nos olhos da gente suas seguidas figuras. O Vaqueiro mandou o medo embora. Num à-direita se desapeou, e pulou pra o lado dele. Lhe furtou a volta. Pôs a vara-de-ferrão na forma, pra esperar ou pra derrubar. Mas o Boi deitou no chão – tinha destiado na cama. Sarajava. O campo resplandecia. Para meljhor não se ter medo, só essas belezas a gente olhava. Não se ouvia o bem-te-vi: se via o que ele não via. Se escutava o riachinho. Nem boi tem tanta lindeza, com cheiro de mulher solta, carneiro de lã branquinha. Mas o Boi se transformoseava: aos brancos de aço de lua. Foi nas fornalhas de um instante – o meio-tempo daquilo durado. O Vaqueiro falou o Boi. “-Levanta-te, Boi Bonito, ô meu mano, deste pasto acostumado! – Um vaqueiro, como você, ô meu mão, no carrasco eu tenho deixado!” O de ver que tinha o Boi: nem ferido no rabicho, nem pego na maçaroca, nem risco de aguilhada. O Vaqueiro que citou. O Cavalo não falava. [...].
Trechos da obra Manuelzão e Miguilim (José Olympio, 1977), do escritor, médico e diplomata João Guimarães Rosa (1908-1967). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Veja mais sobre:
Tudo em mim mestiço sou, O povo brasileiro de Darcy Ribeiro, o anarquismo de Emma Goldman, A história da vida de Helen Keller, a música de Haydn & Guilhermina Suggia, A escultura de Luiz Morrone, a pintura de Pisco Del Gaiso & Martin Eder, Os Fofos Encenam & Viviane Madu aqui.

E mais:
Os tantos e muitos Brasis aqui.
Tudo é Brasil aqui.
Água morro acima, fogo queda abaixo, isto é Brasil aqui.
Preconceito, ó, xô prá lá aqui.
Ih, esqueci!, A natureza de Anaximandro de Mileto, Tutameia de Guimarães Rosa, a poesia reunida de Lelia Coelho Frota, a música de Ida Presti, Geração Trianon & Anamaria Nunes, o cinema de Krzystof Kieslowski & Irène Marie Jacob, a pintura de Lavinia Fontana & a arte de Márcio Baraldi aqui.
Zezé Mota, O grande serão de Guimarães Rosa, a música de Milton Nascimento & Caetano Veloso, a entrevista de Rejane Souza, Rafael Nolli, a arte de Isabelle Adjani, Sóstenes Lima & Vestindo a Carapuça aqui.
A psicanálise de Karen Horney & Homofobia é crime aqui.
Cantador & Cantarau Tataritaritatá aqui.
Fecamepa: Quando o estreitamento do compadrio está acima da lei, aí, meu, as panelinhas mandam ver e só os privilegiados se banqueteiam aqui.
Brincarte do Nitolino, Menino de engenho de José Lins do Rego, A canção de Allen Ginsberg, a música de Charles Lecocq, O signo teatral de Ingarden & Cia., O choque das civilizações de Samuel Huntington, Noite & neblina de Alain Resnais, a pintura de Raoul Dufy & a arte de Catherine Deneuve aqui.
A vida se desvela nos meus olhos fechados, Outras mentes de John Langshaw Austin, Humilhados e ofendidos de Fiodor Dostoiévski, Daniel Deronda de Georg Eliot, a pintura de Top Thumvanit & Rico Lins, a música de Mísia, a fotografia de Edward Weston, a arte de Stephanie Sarley & Krzyzanowski aqui.
Carta de amor, Espécies naturais de Willard Van Orman Quine, Mulher da cor do tango de Alicia Dujovne Ortiz, a música de Dori Caymmi, Memórias de Prudhome de Henry Monnier, a fotografia de João Roberto Riper, Poema da paz de Madre Teresa de Calcutá, a arte de Tanja Ostojić & Luciah Lopez aqui.
A fome e a laranjeira, Princípios da filosofia do direito de Hegel, Declaração da Independência do Espírito de Romain Rolland, O diário de Frida Kahlo, a música de Bach & Janine Jansen, a fotografia de Sebastião Salgado, a xilogravura de Fernando Saiki, a arte de David Padworny & Tempo de amar de Genésio Cavalcanti aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

AS VISÕES DE KIESLOWSKI
Entre os muitos e belos filmes que vi do premiadíssimo cineasta polonês Krzysztof Kieslowski (1941-1996), dois curtas-metragens documentários muito interessantes. O primeiro, Sete mulheres de diferentes idades (Siedem kobiet w róznym wieku, 1978), composto por uma série de sequências atribuidas aos dias da semana, começando na quinta-feira com a bailarina do dia por heroína, registrando naturalmente as ações e reações das personagens e reações, os muitos anos de trabalho meticuloso das bailarinas, seleção de elenco, experimentações e o triunfo no palco. O segundo, o premiado Cabeças que falam (Gadajace glowy, 1980), no qual acontecem entrevistas com centenas de poloneses, ordenado cronologicamente do bebê à mulher centenária, questionando o ano de nascimento, quem é a pessoa, o que é mais importante para ela, o que ela pensa do futuro. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ: MARCUS VIANA
Pantanal, a suíte orquestral Olga, A música dos 4 elementos, Sete Vidas amores & guerras, Raio & Trovão, entre outras, do violinista, tecladista e compositor Marcus Viana. Ligue o som e confira. Veja mais aqui e aqui.

A ARTE DE TARSILA DO AMARAL
A arte da pintora brasileira Tarsila do Amaral (1897-1973). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

segunda-feira, junho 26, 2017

GILBERTO GIL, TCHELLO D’BARROS & BIRITOALDO VAI AO INFERNO

BIRITOALDO VAI AO INFERNO - Biritoaldo, como sempre, em palpos de aranha. Que coisa! Ah, se tem uma coisa líquida e certa na vida dele, só uma, é que ele é o revestrés em pessoa: consegue ser o erro do errado, incorrigível, sempre em apuros. Desta! Devotou santo de todo hagiológio, rezou e se sacrificou de todo jeito, imprimiu todo tipo de auto-sofrimento para alcançar a graça e nada. Recorreu a todo tipo de fé religiosa, até as mais heterodoxas, e deu de cara com a igreja do maldito. Oxe! Ta doido!?! Deu um carreirão danado de quase bater no fim do mundo e, sem saída, ficou sem saber pra onde ir. Chorou, esmurrou sua própria face e peito, destruiu-se e não conseguiu ver nada além de suas próprias cinzas. Amaldiçoou-se aos prantos. Quanto mais determinado em seguir adiante, ir em frente, mais parecia que andava às voltas feito parafuso de não sair do lugar de antes: oxe! Quanto mais ando, não saio do lugar. Vôte! Havia esgotado todos os recursos, tinha procurado padrinho de batizado, de crisma, de consideração, até de ocasião, voltou com as mãos abanando da casa de supostos parentes, sabia não tê-los, mas deu uma de João-sem-braço. Que é que há, hem? Quanto mais engato primeira, mais parece que estou em marcha à ré! Depois de pelejar de todo jeito, perdeu a paciência: já que por bem não saio do canto, vou pro outro lado. E seguiu todas as instruções, chegando numa encruzilhada e mandou ver na oração da cabra preta. Logo ocorreu uma transformação ao seu redor: que porra é essa, meu? Arrependeu-se e quis correr, mas foi contido por uma força superior e estranha: que droga é nova, hem? Quis dar pra trás, já era tarde; invocou, lascou. E agora? Já que está dentro, deixa rolar. E foi. Estava atento quando levou uma dedada de quase arrebentar as pregas do furico: epa! Virou-se e deu de cara com um sujeito posudo, meia idade, sisudo, embecado, risinho no canto da boca: está mangando de mim, né, desgraçado? O que você quer, inútil? O riso falso com dentes cerrados, todo engomadinho, educadíssimo na grãfinagem, era visível seu fingimento, olhar de lobo pronto para devorar a presa, um jeito assaz desconfiável. Quanto mais se aproximava e falava, mais previa a armadilha: o que você quer, ínfimo? Isso é um desacerto! Diga, alma penada, o que quer? Eu quero mudar de vida. Viu apenas um estalar de dedos e estava no centro de um caleidoscópio: tudo sucedia, cenas, lembranças, acontecimentos, tragédias, tudo que ocorrera na vida, ali repassado em um instante de nada, a vida toda em questão de segundos. Olhos arregalados, sem entender nada, de queixo caído. Tremendo, conseguiu balbuciar que a sua vida era um inferno, quero mudar de vida, quero ir pro céu. É verdade, sua vida é o inferno, veja! Êpa! E viu: isso aí sou eu e é a minha vida! Exatamente! Foi ai que ele viu que sua alma não valia nada, coisa alguma: se vivo no inferno, onde mesmo que fica o céu? O céu não existe. Quem é você? Sou o que você quiser! Sou Jesus, Drácula, Nosferatu, Cabrunco, Coisa-Ruim, Salvador, Deus, o que você quiser. Escolha. Quero mudar de vida, quero ser rico, feliz, tudo, mas você não me engana. É? É. Veja! E aquela coisa obrou milagres de todo jeito, assim do nada. Está vendo aquele aleijado, veja! Venha homem de pouca fé! Jogue fora a muleta! Não posso. Obedeça, homem de pouca fé. Temeroso, ele soltou a muleta e num instante estava curado. Viu? Sou bondoso, curo, salvo. Também sou sanguinário, veja! Apontou para baixo e a cidade aos poucos incendiava, ouvindo-se gritos e lamúrias, a fumaça com o fedor de carne queimada. Está vendo aquela mulher linda? Sim. Vou sangrá-la! Veja! E puxou a beldade pelos cabelos e, na marra, encarcou com força, ela aos gritos sangrou, desfaleceu e morreu. Agora veja! Em seguida, tocou nela com um dos dedos e ela levantou-se, ilesa, lindamente encantadora e apaixonada, beijando as mãos dele, agachando-se a beijar seus pés com lambidas, ajoelhando-se para cheirar seu sexo como uma insaciável. Viu? Estalou os dedos e ela sumiu. Está vendo aquele, veja! Oxe! Lá ia o sujeito caminhando na boa, de repente, agarrou-se à barriga com uma diarréia incrível, de ver-se a merda escorrer saindo pelas bocas da calça até faze uma poça de merda rala no chão, numa catinga desgraçada. Estalou o dedo, tudo sumira. Está vendo aquela rainha? Vou destroná-la e tomar o lugar dela. Veja como serei amado por todos os súditos, vou espremê-los, torcê-los, matá-los aos poucos e ainda vão me adorar, veja! Assim fez e aconteceu. E depois fez a terra girar ao contrário e vi o dia de ontem, o ano passado, tudo de novo. E fechou o céu em noite escura de breu, relâmpagos, trovões. Com um estalar dos dedos, abriu-se tudo e o sol brilhava num dia azulado sem nuvens. Tenho poder, incrédulo? Provei? Agora é a sua vez, mequetrefe. Oxe! Eu quero é mudar de vida! Ah, você quer sofrer ou ser feliz pra sempre? Escolha! O que faço? Trabalhe pra mim e me prometa a alma do primogênito. Como assim? A sua alma não serve mais pra nada, tem que ser a do primogênito. Ah, tá! Melhor, me livrei dessa! Você terá que propagar que sou o melhor, falar em meu nome sempre de bem, trabalhar pra mim e assim com um templo em meu nome você enricará, se casará, será feliz, e quando o primeiro filho nascer, ele será meu. Só isso? Prometa! Dê-me cá seu dedo, vá, um talho e o pacto de sangue, vamos! Agora prometa com seu sangue e tudo será seu! Peraí, meu sangue assim de graça? Ora, ora. Você quer ou não quer mudar de vida? Um talho no dedo e dou de cara um bilhete premiado da loteria, documentos, chaves de muitos carros e casas, palacetes, templos, reinado, súditos e mulher, muitas mulheres, quer? Se quiser, ainda faço de você um Johny Depp! Vai dar trabalho, mas nada comigo é impossível! Na vera? Ora, ora! Quer ou não quer? Assim procedeu conforme o ajustado. Fez pregação, comícios, logo arregimentou almas pro seu culto, enriqueceu, casou e viveu feliz, o tempo passava. A cada dia mais trilionário, até o dia que a mulher engravidou, o bucho cresceu e, na horagá, quase não deu tempo de chegar na maternidade, o bruguelo saindo às pressas. Na hora do parto, ele nem se lembrava mais do pacto, quando deu de cara com o cobrador: o que é que você está fazendo aqui? Hora de cumprir a sua parte do trato. Vamos. Oxe, eu já tinha me esquecido, vamos conversar que mudei de ideia. Agora é tarde. Não, rapaz, que é que isso? Vamos conversar, pra tudo tem jeito na vida. Não brinque comigo, seu traste. De repente tudo escureceu. Ao abrir os olhos, ouviu uma lorota: tomou uma, hem? Onde estou? E eu é que sei? Você toma das suas, fica variando e ainda fica perguntando onde é que está? Baixou a cabeça, mãos agitando os olhos para enxergar melhor, era uma senhora idosa, futucando com um cajado. Eita! será uma bruxa? Vai, levanta, dormir no meio da rua embriagado é coisa feia, vagabundo. Vai-te, xô! Mas Dona Véia... véia é a puta que pariu! Ufa! Escapei dessa fedendo. Será? Tenho que fazer o teste da goma. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


Veja mais sobre:
Quem desiste jamais saberá o gosto de qualquer vitória, A linguagem & as outras ciências de Roman Jakobson, Nos caminhos de Swan de Marcel Proust, a pintura de Henry Asencio, a arte de Regina José Galindo, a fotografia de Thomas Karsten, Tortura nunca mais, a música de Secos & Molhados & Luiza Possi aqui.

E mais:
Proezas do Biritoaldo aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
Se nada acontecesse, nada valeria, A opinião pública & publicada de Michel Maffesoli, O escritor e seus fantasmas de Ernesto Sábato, a música de Gilberto Gil, a pintura de Edvard Munch & Howard Chandler, Beatriz Segall, o cinema de Eliane Caffé, a fotografia de Ludovic Florent, a arte de Isabel Câmara & Leo Lobos aqui.
Novelas de aprendizado de Autran Dourado, Tônio Kroeger de Thomas Mann, a música de Gilberto Gil, Luiza Possi & Celia Demézio aqui.
Educação, professor & inclusão, Emir Ribeiro & Velta aqui.
Estratégias de aprendizagem aqui.
Papel do professor na aprendizagem aqui.
A arte de Maria Dapaz aqui.
Vamos aprumar a conversa: Fernando Fiorese, Pensamento complexo de Edgar Morin, O pirotecno Zacarias de Murilo Rubião, As criadas de Jean Genet, o cinema de Rainer Werner Fassbinder & Hanna Schygulla, a música de Alanis Morissete, a arte de Marilyn Monroe & a pintura de Thomas Gainsborough aqui.
Pax Profundis de Cagliostro, Arte & Gestalt de Janie Rhyne, A teus pés de Ana Cristina César, O professor filósofo de Marquês de Sade, Beijo no asfalto de Nelson Rodrigues, a coreografia de Márcia Haydée Salavarry Pereira da Silva, a pintura de Darel Valença Lins, a música de Bicho de Pé & Programa Tataritaritatá aqui.
Uivo & outros poemas de Alllen Ginsberg aqui.
Do que fui pro que sou, Borges e os orangotangos eternos Luís Fernando Veríssimo, Moby Dick de Herman Melville, o cinema de Matheus Nachtergaele & Xico Sá, Novíssima arte brasileira de Katia Canton, a pintura de Andre Kohn, a música de Robertinho de Recife & a arte de Simone Gutierrez aqui.
Da inocência e da injustiça milenar, A crise do entendimento de Maurice Merleau-Ponty, Histórias do tempo de Lya Luft, a música de Yo-Yo Ma, o cinema de Milos Forman & Natalie Portman, a cerâmica de Deise Furlani, a pintura de Patrick Palmer, a arte de Oswaldo Guayasamin & Ilya Kabakov aqui.
Se um dia o sonho da vez, Os nascimentos de Eduardo Galeano, Expressões sistemática de Gilbert Ryle, a poesia de Elizabeth Bishop, a gravura de W. G. Collingwood, a arte de Rosa Esteves & Carla Shwab, a pintura de Lavinia Fontana, a música de Dandara & Paulo Monarco aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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HUMANIDADES EXTEMPORÂNEAS: TCHELLO D’BARROS
A arte do poeta, artista plástico e ator catarinense Tchello D´Barros. Veja mais aqui e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ: GILBERTO GIL
Especial do premiado músico, cantor, compositor e ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil, nomeado pela UNESCO em 1999 como Artista pela Paz. Imagem: arte da pintora, designer e cantora Leonora Weissmann. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.


PS: A MÚSICA DE ALAGOAS – Foi um sucesso o Especial Música de Alagoas, no último domingo, com músicas de Hermeto Pascoal, Djavan, Íbys Maceioh, Mácleim, Júnior Almeida, Cris Braun, Naldinho Freire, João Albrecht, Elaine Kundera, Basílio Sé, Leureny Barros, Eliezer Setton & Carlos Moura. Mais de 3 mil acessos e, por isso, alcançamos a marca dos mais de 1 milhão 670 mil acessos! Obrigado aos artistas alagoanos que desfilaram e a todos vocês que prestigiaram mais uma iniciativa deste blog. Obrigado, obrigado, obrigado. Vamos sempre juntos, beijabraçãos paratodos & tataritaritatá!
 

sábado, junho 24, 2017

PRA QUEM VEM OU VAI, MESMO CAMINHO, DIFERENTES VIVÊNCIAS.

PELAS RUAS ONDE ANDEI - Bom dia, não há resposta. Insisto e sou ignorado, como se o desdém não recebesse migalhas ou ninharias. Cumprimento e ouço a resposta inaudita estampada na face: eu lá te conheço, traste! Depois de muitas investidas, uma linda garota corresponde ao meu sorriso; saúdo alegremente e ela estranha: sai-te, parece mais que é doido! E se perde no meio do vaivém das pessoas. Ofereço o meu olhar de quem espera e todos se desviam como se estivessem entre o absurdo e a surpresa. Ofereço uma flor e se desvencilham. Dou minha repleta de carinho e ternura, tem esmola agora não! Abro os braços: qualé, meu? Ou desculpas pra escapulir, ou evasivas breves só por gentileza e simpatia, mais nada. Dias assim, de norte a sul, leste a oeste, será que sou invisível? Boa tarde e não me ouvem, ou fazem que. Mil dias em um instante e a teia dos anos só o nó da solidão aos sobressaltos do imprevisível pela imprecisa largura no comprimento infinito, entre a ausência e o vazio. Sou entrada franca na privação do aconchego, catando um gesto que seja pra aliviar a dor encruada pelas placas em todas as direções. E sem o menor escrúpulo procuro uma mão amiga, como se sentisse o cheiro do quintal da infância, como se ouvisse o ruído agradável das pisadas nas folhas secas pelo chão. Dia sim, dia não, quando chove ou faz sol e estou no meio da calçada de ruas vazias de gente viva, como um salão escuro entre os que passam e a saudade dos que não vejo há tempos, lembranças quase apagadas pelos que nunca botei os olhos e levadas pelo asfalto com o ronco dos motores com seus vidros fechados que passam salpicando os passantes blindados sob um véu mortuário da indiferença e sisudez, com seus receituários médicos, suas listas pra feira do supermercado, seus carnês de pagamentos, seus relógios atrasados. Lá vou eu remos às ondas, asas ao ar, com meus fantasmas galhofeiros e tagarelas que caçoam de mim entre aparições e desaparecimentos, o mundo escancarado de ponta-cabeça e os meus semelhantes estão fechados em si, sem dar confiança e a destituir qualquer afeto ao massacre da indiferença, consumindo as coisas e os outros, tudo quanto puderem levar aos bolsos e bolsas, corço fechado, alma precavida, para que ninguém perceba seus temores e clamores na ilusão das posses do que pensa ser real no efêmero da vida. Tardes assim me dão a impressão do cortejo tão sobrecarregado com as enxurradas de problemas e discussões que mofaram as faces conhecidas em estranhos que sepultaram suas lembranças e vivências no jazigo, ignorando tudo e todos, ignorando a mim e o amor que sinto pela humanidade, o que penso do ser humano. Anoitece em mim e o fogo-fátuo são os quadris parideiros da moça linda reboladeira a me chamar atenção com sua pele pálida nas pernas e coxas destacadas pela saia justa e os seios proeminentes no decote, lábios salientes nos olhos negros desconfiados, a me olhar como inoportuno por admirá-la, e sorrio e ela vira a cabeça, segue adiante como se fugisse de doença contagiosa ou de uma catástrofe, e eu sem me dar conta da minha deformidade de apenas amar o ser humano e de com ele querer a vida ao estreito do braço e coração. O máximo que consigo de meus supostos interlocutores é algum xingamento, ofensa, chega pra lá, ou oferta intrusa, custa dez reais a dúzia, quer comprar? É aqui o terminal do ônibus? Sim, ali. Tá, obrigada. Onde fica o hospital? Ali. Obrigado. Desculpe, piiiiii, sai da frente! De repente: Você viu o João? Que João? João Antônio! Se vi, não sei quem é! Ah, que pena, preciso encontrar o João. Podemos procurá-lo, como ele é? Adianta não. Adianta, sim, como é ele? Ah, vou atrás dele. Posso ir com você? Não. Ah, tá. O meu coração cada vez mais se precipita pelo buraco negro que me leva ao isolamento de outra dimensão. Queria tanto conversar, trocar ideias, abraçar, por que será que ninguém mais se dá ao bate papo espontâneo, assim surgido do nada, entre estranhos que não precisem ser apresentados por nomes, idades, profissões, conversar por conversar, sem pedir licença, sem saber qual motivo nem quando terminar. Ao contrário, mais parece que o mundo acabou e todos vão no maior vexame pela emergência de se salvar. Noites assim, não queria mais voltar pra casa, inevitável. As pessoas não me enxergam, melhor invisível no meu quarto, vou pra casa, quase abissal madrugada, o cansaço e o sono, preciso dormir e conversar comigo mesmo. É melhor, quem sabe, pelo que se diz tudo cede à luz do dia, pode ser amanhã. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.


Veja mais sobre:
Dos bichos de todas as feras e mansas, O romance da Besta Fubana de Luiz Berto, Cantadores de Leonardo Mota, a escultura de Antoni Gaudí, a música do Duo Backer, a militância de Brigitte Mohnhaupt, a arte de Natalia Fabia & a xilogravura de J. Borges aqui.

E mais:
Entre nós, vivo você, Cancão de fogo de Jairo Lima, as gravuras de Lasar Segall, a música de Sivuca, Cartilha do cantador de Aleixo Leite Filho, a arte de Luciah Lopez, a xilogravura de J. Borges & José Costa Leite aqui.
Pechisbeque, A realidade das coisas de Tales de Mileto, 1984 de George Orwell, Legado & Grito de Renata Pallottini, a música de Bach & João Carlos Martins, O País de Cucanha, As casadas solteiras de Martins Pena, o cinema de Sidney Lumet & Sophia Loren, a arte de Antoni Gaudí & Jean-Jacques Henner, a pintura de Sam Francis & Theo Tobiasse aqui.
A chegada dela pro prazer da tarde, O escritor e seus fantasmas de Ernesto Sábato, o teatro de Nelson Rodrigues, O discurso e a cidade de Antonio Cândido, a arte de Betty Lago, Disco Voador – OVNI & Programa Tataritaritatá aqui.
Todo ser vivo é um poema de Gandhi, a arte de Maurren Maggi, 1984 de George Orwel & Rick Wakeman aqui.
A paixão, uso & abuso aqui.
O sabor da princesa que se faz serva na manhã aqui.
Orçamento & finanças públicas, Os quadrinhos de Sandro Marcelo & Campana aqui.
As flô de puxinanã & outros poemas de Zé da Luz aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando o cabra se envulta, já num t'aqui mais quem falou aqui.
Primeira Reunião: Espera, Glosas críticas de Karl Marx, Sóror Saudade de Florbela Espanca, a música de Maki Ishii, Teatro Pedagógico de Arthur Kaufman, Musicoterapia de Rolando Benezon, o cinema de Silvio Soldini & Licia Maglietta, João do Pulo & a pintura de Carl Larsson aqui.
Vamos aprumar a conversa: Entrega, A metamorfose de Franz Kafka, O individuo na sociedade de Emma Goldman, Auto da barca do inferno de Gil Vicente, a música de Isaac Albéniz, a pintura de Fritz von Uhde, a fotografia de Freddy Martins, o cinema de Sam Mendes & Annette Bening aqui.
Desejo & cantora Sônia Mello, Deus & o Estado de Mikhail Bakunin, Reflexos ouvindo insetos de Po Chu Yi, Os Museus de Bertha Lutz, a música Paulo Bellinati, Teatro Espontâneo & Psicodrama, Mata Hari, a pintura de Murilo La Greca & a arte de Melinda Gebbie aqui.
Canto a mim mesmo de Walt Whitiman aqui.
Brincarte do Nitolino & Declaração dos Direitos da Criança, Folhas da relva de Walt Whitman, O rapto de Prosérpina, a música de Richard Strauss & Diana Damrau, Função do Teatro de Francis Fergusson, o cinema de Reinaud Victor & Sandrine Bonnaire, a pintura de Alessandro Bronzino, a escultura de Gian Lorenzo Bernini, Marx & Charb aqui.
Andejo da noite e do dia, A poesia de Mayakovsky, A era dos extremos de Eric Hobsbawm, A felicidade paradoxal de Gilles Lipovetsky, a escultura de Nguyen Tuan, a música de Caetano Veloso & Gal Costa, O amor é tudo de Martha Medeiros, a pintura de Shanna Bruschi & Jeremy Lipking, a poesia de Gisele Sant'Ana Lemos & Diana Balis aqui.
Perfume da inocência, O amor & o matrimônio de Carmichael Stopes, Epigrama de Automédon de Cízico, a literatura de Robert A. Johnson, a fotografia de Beth Sanders, a arte de Chris Buzelli & Rebeca Matta, a pintura de Peter Blake & a música de Maria Leite aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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RÁDIO TATARITARITATÁ
Neste sábado, 24/06:
Gal Costa, Chico Buiarque, Geraldo Azevedo, Caetano Veloso, Lenine, Milton Nascimento, Adriana Calcanhoto, Maria Bethânia, Gilberto Gil, Alceu Valença, Ivan Lins & Elza Soares.

A MÚSICA DE ALAGOAS
Neste domingo, 25/06:
Hermeto Pascoal, Djavan, Íbys Maceioh, Mácleim, Júnior Almeida, Cris Braun, Naldinho Freire, João Albrecht, Elaine Kundera, Basílio Sé, Leureni Barbosa & Carlos Moura.
Ligue o som e confira!

 
Viva São João!
 

sexta-feira, junho 23, 2017

O VAZIO DE LIPOVETSKY, FERNANDO ARRABAL, A ESCRITORA DE YAZBEK, NAIR BENEDICTO & QUADRILHA DA PAIXÃO

A QUADRILHA DA PAIXÃO – Imagem: arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez - Lá vem ela faceira feito linda roseira a se exibir no jardim. Uma camisa xadrez aberta entre os seios que são do tamanho das minhas mãos. Um nó na cintura sobre o umbigo provocador qual beijo jogado pra mim, uma saia rodada cheia de rendas, laços e fitas, a realçar suas coxas e pernas incendiando a minha libido. Solta aos passos de dama casamenteira, olhos vivos com todo viço e eu enamorado na sua franja ornada com duas tranças laterais, a imprimir-lhe sedução juvenil nas bochechas rosadas. E o batom encarnado nos lábios me convidando ao prazer, a me levar sorridente pra esquentar a carne nas fogueiras juninas, saboreando roletes de cana, milho assado, queijo de coalho, canjica e arroz doce, sorvendo caldo de cana e uma pinga com a fruta vez: caju, manga, ciriguela, jaca ou cajá, carambola, acerola, laranja e limão. Ah, como é bom nela brincar o meu São João. E seus dedos aveludados alisam o meu gibão de vaqueiro, chapéu e colete de couro, a se engraçar com as perneiras e alpercatas que correram mato, pastagens, caatingas do que sou e fui, tudo da cor de ferrugem ao curtimento, pra que sua pele macia me toque como voz entoando meu aboio pra que o gado invisível e todos os bichos dos campos estejam no céu de estrelas que alumiam mais que presentes no nosso festejo. Ah, como é bom nela brincar o meu São João. En avant tous, en arrière, gritaram! Todos respondiam, pra frente pra trás, casais dando as mãos aos passos marcados: ananvantú, anarriê, alavantú, anarriê. Dancê! Balancê! Changê! Autre fois! Dancê! Mão na mão, passo a passo, lá vou eu no cumprimento às damas e cavalheiros, pelos túneis e caminho da roça, olha a cobra! É mentira! Caracol, desviar, coroação de damas e cavalheiros, grande roda, damas ao centro, o passeio. Era o salvo-conduto: na cintura dela eu me agarrei ao seu rebolado, encangado na sua garupa fui mandando direção por atalhos, moitas, grotas e grotões, do que ela não sabia da mata, do litoral, agreste e sertão que sou, alma nordestina na sua pele de sul que vou passageiro porque ela reina em mim, na água, no fogo, na terra e no ar! E me ajoelhei aos seus pés atrás do oitão, descalçando a sua sandalhinha como quem cuida amante do seu bem-querer. E jurei por toadas o amor do coração entre suas pernas e coxas, pra ter sua saia como cobertor pras noites de frio em plena invernada. A chuva ameaça cair, pouco importa, ah, como é bom nela brincar o meu São João. As fogueiras queimam ao chuvisco, o cheiro de comida boa no ar. Um vento frio e me abrigou em seu ventre, a me fazer seu senhor e feitor no seu corpo de todas as montanhas e plantações, como se fosse uma roda gigante a nos embalar no gira girar de céus e paraísos, pra que eu tenha sempre a certeza de que sou o dono na posse do amor. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

O VAZIO DE LIPOVETSKY
[...] Não há como não ver que a indiferença e a desmotivação de massa, a progressão do vazio existencial e a extinção progressiva do riso são fenômenos paralelos: por todo lado surge a mesma desvitalização e a mesma erradicação das espontaneidades pulsionais, a mesma neutralização das emoções, a mesma auto-absorção narcísica [...] A sociedade, cujo valor cardeal passou a ser a felicidade e massa, é inexoravelmente arrastada a produzir e a consumir em grande escala os signos adaptados a esse novo éthos, ou seja, mensagens alegres, felizes, aptas a proporcionar a todo momento, em sua maioria, um prêmio de satisfação direta [...] quanto mais as grandes opções deixam de se opor drasticamente, mais a política se torna uma caricatura com cenas de luta livre a dois ou a quadro; quanto mais a desmotivação política aumenta, mais a cena política parece um strip-tease de boas intenções, de honestidade, de responsabilidade e se metamorfoseia em episódio burlesco [...] A impulsividade extrema e desenfreada dos homens, correlativa das sociedades que precedem o estado absolutista, foi substituída por uma regulamentação de comportamentos, pelo autocontrole do indivíduo, enfim, pelo processo de civilização que acompanha a pacificação do território realizada pelo Estado moderno. [...] Nos nossos dias a violência desaparece maciçamente da paisagem urbana e se torna a maior proibição das nossas sociedades. [...] O indivíduo renuncia à violência não apenas porque apareceram novos bens e novas finalidades particulares mas também porque, no mesmo rastro, o outro se encontra privado de substância, tornando-se um figurante vazio de risco [...]. A violência entra no ciclo de reabsorção dos conteúdos; de acordo com a era narcísica, a violência perde sua substância em uma culminância hiperrealista sem programe sem ilusão. Uma violência hard, desencantada [...].
Trecho da obra A era do vazio: ensaio sobre o individualismo contemporâneo (Relogio D'agua, 1983), do filósofo, professor e teórico da Hipermodernidade Gilles Lipovetsky, tratando sobre o narcisismo e as novas relações sociais, a apatia, indiferença e susbstituição do princípio da sedução ao da convicção, expondo em um prólogo e seis capítulos temas como o enfraquecimento da sociedade,d os costumes, do indivíduo contemporâneo na era do consumo de massa, da emergência de um modo de sociabilização e de individualização inédito, numa ruptura como que foi instituído a partir dos séculos XVII e XVIII. Na obra ele traz o conceito de sociedade pós-moderna, o vazio, a sedução vigente e suas consequências, a indiferença pura, a anemia emocional, suicídio e depressão, homo politicus x homo psychologicus, o corpo reciclado e o teatro discreto, o apocalipse now, os mil watts, a solidão e o vazio. Veja mais aqui, aqui e aqui.

Veja mais sobre:
Quadrilha das paixões mais intensas, Vaqueiros & cantadores de Luís da Câmara Cascudo, Terra de Caruaru de José Condé, A setilha do cantador Serrador, a música da Orquestra Armorial, O casamento da Maria Feia de Rutinaldo Miranda Batista, a xilogravura de J. Miguel & Costa Leite, as gravuras de Roberto Burle Marx, a arte de Vermelho & Severino Borges aqui.

E mais:
Viva São João, Quadrilha & Nordeste de Ascenso Ferreira, a música de Luis Gonzaga, Tratada da lavação da burra de Ângelo Monteiro, Terra de Caruaru de José Condé, Viva São João de Artur Azevedo, Noite de São João de Sérgio Silva & Dira Paz, a gravura de José Barbosa, Brincarte de Nitolino, a pintura de Rosangela Borges & Valquíria Barros aqui.
Vamos aprumar a conversa, Augusto Matraga de João Guimarães Rosa, Princípios de uma nova ciência de Giambattista Vico, Canto do último encontro de Anna Akhmátova, a música de Rozana Lanzelotte, Devassos no paraíso de João Silvério Trevisan, a arte de Dercy Gonçalves, o cinema de Roberto Santos, o documentário Moacir arte bruta de Walter Carvalho, a pintura de Eliseo d'Angelo & Vilmar Lopes aqui.
O que são as coincidências & outros ditos inauditos, Haverá amor de Anna Akhmatova, Cântico dos cânticos de Salomâo, a música de Carl Reinecke, Chico Buarque & Elza Soares, a arte de Naldinho Freire aqui.
O catecismo de Zéfiro & o rol da paixão aqui.
História & literatura do teatro aqui.
Vamos aprumar a conversa, Divina comédia de Dante Alighieri, Ensaios de Ralf Waldo Emerson, Macunaíma de Mário de Andrade, a música de Mikko Härki, o teatro de Luigi Pirandello, História de O de Guido Crepax & a pintura de Mark Gertler aqui.
Pensando o ritual de Mario Perniola, Entre nós de Emmanuel Lévinas, Teatro em tempo de síntese de Maria Helena Kühner, a música de Sivuca, o cinema de Wolf Maia & Maria Clara Gueiros, a pintura de Emanuel Leutze, a fotografia de Dorothea Lange, Livro das incandescências de Jaci Bezerra & Programa Tataritaritatá aqui.
Brincarte do Nitolino, Parque humano de Peter Sloterdijk, Viagem ao fim da noite de Ferdinand Céline, a pintura de Georges Rouault, a música de Ivete Sangalo, Aprendizagem do autor de Antonio Januzelli – Janô, o cinema de Mark Robson & Barbara Parkins, arte de Sharon Tate & Isadora Duncan aqui.
E lá vou eu noutras voltas, Variações sobre o corpo de Michel Serres, Tarde demais de Antonio Tabucchi, A jangada de Ulisses de Vianna Moog, a música de Mundo Livre S/A, a fotografia de Raoul Hausmann, a pintura de Aja-ann Trier & a arte de Matthew Guarnaccia aqui.
As mulheres mandam ver nas olimpíadas & a arte de Hubert B. W. Ru aqui.
A festa das olimpíadas do Big Shit Bôbras – o Big Bode do Brasil, Sonhos e pesadelos da razão de Oswaldo Giacoia Junior, Gasolina & Lady Vestal de Gregory Corso, Intelectuais à brasileira de Sergio Miceli, a música de Wanda Sá, a pintura de Augusta Stylianou & Nancy L Jolicoeur, a arte de Banksy & Natalia Gal Stabile aqui.
O sonho do amor, As bodas de Fígaro de Beaumarchais, a Psicologia de Afonso Lisboa da Fonseca, a música de Ana Cascardo, a pintura de Sandra Hiromoto, Luciah Lopez, a arte de Ana Viera Pereira & Ana Maia Nobre aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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GUERNICA & LA MUERTE DE FERNANDO ARRABAL
Entre as obras do poeta, dramaturgo, roteirista e diretor de cinema Fernando Arrabal, primeiramente destaco L'arbre de Guernica (1975), drama surreal de guerra, contando a história de um pintor excêntrico que se aloja em um castelo quando começa a guerra, realçando o amor no meio da crueza da Guerra Civil Espanhola, reproduzindo de forma ficticia o conflito geral em toda a Espanha, culminando com a aniquilação da cidade de Guernica. O destaque fica por conta da belíssima atriz italiana Mariangela Melato (1941-2013). O segundo, o drama Viva la Muerte (1971), contando a história de um jovem que teve o pai entregue às autoridade por suspeita de comunista, por sua própria mãe simpatizante fascista. O destaque do filme fica por conta da sequencia de desenhos do artista, ator e romancista francês Roland Topor (1938-1997) e atuação da atriz francesa Anouk Ferjac. Veja mais aqui e aqui.

A ESCRITORA DA ENTREVISTA DE SAMIR YAZBEK
[...] Sinceramente, eu acho que o mundo em si. De repente ficou muito difícil viver, simplesmente isso. E eu me lembro que há pouco tempo não era assim. Antigamente, havia uma crença comum de que nós iríamos melhorar como humanidade, que hoje eu já não encontro mais. Ficou muito pior do que eu imaginava. E do que muita gente imaginava. As pessoas, os lugares, a literatura, a competição entre os colegas, como se fôssemos executivos. Os leitores que não lêem. E se lêem, não têm o que dizer. E se têm o que dizer, normalmente dizem superficialidades. Acho que foi por tudo isso que eu fui me retraindo. E aí, no começo, como forma de entender o que acontecia comigo e com o mundo, eu achei importante falar sobre isso, mas agora eu queria expandir esse horizonte, eu me sinto presa. Parece que eu fui ultrapassada pelos acontecimentos e que não faz mais sentido pensar como eu pensava. Ou seja, ou eu encontro uma nova forma de escrever, ou então eu vou viver esse eterno tormento de estar sempre insatisfeita comigo mesma. [...] Ter medo do silêncio? Como é que eu posso ter medo do único amigo que me acompanha do início ao fim? A diferença é que esse de agora está preenchido de algo. Algo cujo nome eu desconheço, mas existe. Existe porque eu sinto que existe. Que mais eu preciso dizer?
Trechos da peça teatral A entrevista (2004), extraída da coletânea O fingidor, A terra prometida, A entrevista (Cultura/Fundação Padre Anchieta, 2006) do dramaturgo e diretor teatral Samir Yazbek. Veja mais aqui.

O QUARTO DIA DE LUCIAH LOPEZ
Minha vontade era de estar contigo, sem importar-me com interpretações que venham a ser feitas sobre isso -, não me sinto a caminho do Gólgota pelo fato de amar demasiadamente. Basta a realidade mais divertida do que uma completa incredulidade na existência do Amor. E se me olhas resolutamente nos olhos, posso saber onde reside a felicidade, e, contrariando a própria vida e suas maledicências eu me percebo um novo ser, quando em suas mãos vivencio o crescimento da minha alma. Encerra-se a solidão e eu sou capaz de fazer versos...
Quarto dia, poema/arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez.

A ARTE DE NAIR BENEDICTO
[...] Eu queria documentar a realidade da Amazônia naquele momento, o modo como grandes projetos interferiam na vida das aldeias, como, por exemplo, a usina de Tucuruí. Naquela época eu não achava que o caminho certo para difundir esse trabalho seria o livro. O audiovisual funcionava muito melhor para promover a discussão. Uma coisa era ter o livro pronto, outra coisa era mostrar isso diretamente para as pessoas. Eu sempre me interessei muito pela relação da fotografia com a educação. Eu publiquei muita coisa, tanto no Brasil como no exterior, mas nunca achei que uma revista faria a matéria que eu queria. Então encontrei no audiovisual um modo bastante eficiente de fazer essa junção. Dávamos muitas palestras em escolas, por exemplo. [...] O áudio sobre a Amazônia teve trilha sonora do Hermeto Paschoal. Fiz audiovisuais de outros assuntos importantes também: “O Prazer é nosso”, “Não Quero ser a Próxima”, “E agora, Maria”, todos ligados diretamente à questão da mulher. Também fiz outros focados na questão da terra e na ecologia. [...].
Trechos da entrevista concedida pela fotógrafa e fotojornalista Nair Benedicto, à publicação O índio na fotografia brasileira (2012), por ocasião do lançamento do seu Vi ver: fotografias de Nair Benedicto (Brasil Imagem, 2012), dividido em duas partes: Amazônias (imagens do desmatamento promovido pela construção da Transamazônica e o surgimento das cidades abrigando os migrantes) e Desenredos (com imagens das ruínas e lixões urbanos do garimpo em Serra Pelada e nas terras ianomâmis, entre outras).