sábado, setembro 23, 2017

QUINTANA, BUKOWSKI, ESPINOZA, CARLOS NEJAR, OTTO FRIEDRICH, SUZANNE VALADON, ARTUR GOMES & O FIM DO MUNDO

SE O MUNDO ACABAR, JÁ ACABA TARDE! - Pra todo lado que eu me virasse, a conversa era uma só. Bastou eu botar a cara na rua logo cedo, apareceu Zé Corninho dando uma de Édipo: - Era bom mesmo que essa desgraça de mundo findasse e levasse toda raça ruim de corno junto! Robimagaiver saiu com a sua: - Zé Corninho, Zé Corninho, num assine sua sentença, ou tais pensando que vai ser só tu de corno que vai sobrar, é, fio duma porqueira? Ocride logo arremedou: - Era bom mesmo que tudo se danasse numa desgraceira só, assim o mundo aprendia, só assim! Afredo mais nem nem, soltou da sua: - Eu mesmo queria ver todo mundo se lascar na vera! Interrompendo, Doro proclamou: - Vamos acabar com essa conversa, senão a gente endoida de vez. Isso é um povinho que só gosta de viver na base do alarme, boatos mais sem pé nem cabeça. Tais pensando o quê, ô abestalhado? Tô só alimentando o converseiro, ora! Pois é, ninguém pensa em corrigir a si próprio, seus comportamentos e atitudes, se é pra consertar o mundo tem de começar por si próprio, senão não adianta nada. Eu mesmo estou salvo, o resto que se dane. Vixe! Cada qual atrelado às suas crenças e convicções se achava verdadeiro dono da verdade. Penisvaldo mesmo mandou ver: - Eu já faço o meu, cada um que cuide do seu; se tem culpado no rolo é a humanidade, essa não tem jeito que dê! E tu é o que fidapeste? Por acaso tu és o melhor dos melhores? Rolivânio, então, entrou na conversa em defesa do parceiro: - Vocês todos estão redondamente enganados, tudinho, se acha certo de tudo, quando, na verdade, todos são culpados pelos problemas de toda humanidade. - Pronto, falou agora o profeta do apocalipse! -, arremedou Robimagaiver: - Tu mesmo só vive de aumentar as coisas, cada mentira cabeluda do creu, só fala de tragédia, gosta de ver a desgraça alheia! Ninguém está nem aí pra nada, só pro umbigo, cada qual cuide de si e Deus por todos nós! Quando não é aquela sacada do “um pra eu, um pra tu, um pra eu”, é aquela choradeira do venha nós vosso reino, pois está escrito: chapéu de otário é marreta. E burro é quem não se aproveita das molezinhas e benesses que aparecem na bobeira. Danou-se! O cabra está cheio de gás! É isso mesmo: o que fica de apurado é que se o mundo acabar, só os outros que vão se ferrar; é que quem leva adiante o papo acha que só ele e os seus é que vão escapar, pois estão salvos justamente por suas crenças e convicções inarredáveis. O papo já estava acalorado quando um, mais bêbado que todos, se intrometeu: - Se o mundo acabar, já acaba tarde! É que já tô bicado, fiz a obrigação pro santo, que venha o desmantelo. Pra mim vai ser um alívio: quando tudo findar mesmo, tomo outra e não tô nem aí. O mundo que se lasque! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com o compositor, saxofonista, flautista, arranjador e produtor musical Leo Gandelman com os álbuns Solar & Vip Vop; a violinista japonesa Midori Goto que também é psicóloga, professora, diretora e criadora do Centro Midori para Envolvimento da Comunidade na Escola Thornton of Music, da USC, nos USA, interpretando uma sonata de Saint-Saens & Concertos de Sibelius & Wieniawski; o premiado poeta, ator e artista gráfico Artur Gomes apresentando Terra de Santa Cruz, Entridentes, Black Billy & Marca Registrada; e a cantora e compositora catarinense Bee Scott interpretando Wasting Love, Som & Fúria, Não te pedi & Every breath you take. Para conferir é só ligar o som e curtir.

FIM DO MUNDO JÁ EM 1755 – [...] uma espécie de barulho estranho e assustador por baixo da terra, parecido com o ribombar oco e distante do trovão [...] O céu, de um minuto para outro, ficou tão tenebroso que eu já não conseguia distinguir nenhum objeto; foi realmente uma Escuridão Egípcia. [...] O terceiro abalo veio uns quinze minutos depois do primeiro. [...] A elevação da superfície da terra e o desmoronamento das grandes construções marcaram apenas o início da catástrofe. Quase que imediatamente ao assentar a poeira do primeiro abalo, irromperam incêndios em meia dúzia de pontos diferentes. [...] Tudo ficou reduzido a cinzas. [...]. Em meio ao colapso e à conflagração, cerca de uma hora depois do primeiro tremor, houve mais uma catástrofe, talvez a mais pavorosa de todas. Enquanto os cidadãos abalados olhavam para o porto do Tejo, as águas subitamente pareceram começar a vazar para o mar. [...] De repente, ouvi uma gritaria geral, 'O mar está vindo, estamos todos perdidos!' Nisso, voltando os olhos para o rio, que tem mais de seis quilômetros de largura nesse ponto, pude percebê-lo subindo e se inflando da maneira mais inexplicável, já que não soprava vento algum; num instante, a uma pequena distância, surgiu uma grande massa d'água, subindo como uma montanha, que entrou espumando e rugindo, e correu com tal ímpeto em direção à costa, que todos saímos correndo na mesma hora, o mais depressa possível, para salvar nossas vidas; muitos foram realmente arrastados, e outros ficaram com água pela cintura a uma boa distância da margem. [...]. Trechos extraídos da obra O fim do mundo (Record, 2000), do jornalista, escritor e historiador estadunidense Otto Friedrich (1929-1995), estudando as catástrofes que se abateram sobre a humanidade, desde os tempos bíblicos ao medo do holocausto nuclear, para analisar a idéia de apocalipse, uma vez que antes evidenciava o temor dos desígnios divinos, hoje é visto como uma vingança da natureza, o que não eliminou, porém, a idéia de uma humanidade pecadora ou culpada. Veja mais aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIAA alegria é a passagem pela qual o homem atravessa de uma perfeição menor para uma perfeição maior. A tristeza é o passo que um homem dá de uma maior perfeição a outra menor perfeição. Pensamento do filósofo racionalista holandês Baruch Espinoza (1632-1677). Veja mais aqui, aqui e aqui.

CARTAS NA RUA – [...] Levaram-me de volta para casa e ele foi embora com ela. Eu passei pela porta, disse adeus, liguei o rádio, achei meia dose de scotch, bebi aquilo, rindo, me sentindo bem, finalmente relaxado, livre, queimando meus dedos com butucas de charuto; depois fui pra cama, cheguei até a beira, tropecei, caí, caí atravessado no colchão e dormi, dormi, dormi... De manhã, era de manhã e eu ainda estava vivo. Talvez eu escreva um romance, pensei. E foi o que fiz. Trecho extraído da obra Cartas na rua (Brasiliense, 1983), do escritor estadunidense nascido na Alemanha, Charles Bukowski (1920-1994). Veja mais aqui e aqui.

OS ESPELHOS DE NETAN – [...] Os espelhos não sabem como somos, mas como sonhamos! – passou como um reflexo na cabeça de Netan. Os espelhos nos captam os olhos, que também são espelhos. Em outro mais dentro ainda. Como se penetrasse na casca de um relâmpago. Mas o relâmpago é o céu ainda. E ele cairá junto. Cada céu adentro. Via sumirem suas imagens no espelho, como se estivesse de outro lado, ou aparecesse de repente na outra Margem do acontecido. Depois intuiu: - O sonho é o semblante íntimo do espelho, onde nos desvelamos. Sonho e alma são faces que se integram. Na luz. Podia se evaporar a alma. Trecho da obra Um certo Netan (Aché, 1991), do poeta, ficcionista, tradutor e crítico literário Carlos Nejar. Veja mais aqui.

O ESPELHO DE QUINTANAE como se passasse por diante do espelho / não vi meu quarto com as suas estante s/ nem este meu rosto / onde escorre o tempo. / Vi primeiro uns retratos na parede: / janelas onde olham avós hirsutos / e as vovozinhas de saia-balão / como pára-quedistas às avessas que subissem do fundo do tempo / O relógio marcava a hora / mas não dizia o dia. O tempo. / Desconcertado, / estava parado. / Sim, estava parado / Em cima do telhado... / como um cata-vento que perdeu as asas. Poema extraído da obra Melhores poemas (Global, 2005), do poeta, tradutor e jornalista Mário Quintana (1906-1994). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

ESTUDANTES NA BIBLIOTECA FENELON BARRETO
Batendo papo com a estudante nos eventos da Biblioteca Fenelon Barreto.

Veja mais:
A poesia de Pablo Neruda aqui, aqui e aqui.
O pensamento de Josué de Castro aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
O fim do mundo & a carta do barbeiro aqui.
A arte musical de Midori Goto aqui.
O fim do mundo & as pinóias do tempo de antanho aqui.
A literatura de F. Scott Fitzgerald aqui e aqui.
O cinema de Pedro Almodóvar aqui, aqui, aqui e aqui.
A arte musical de Bee Scott aqui e aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

VERACIDADE
porque trancar as portas
tentar proibir as entradas
se eu já habito os teus cinco sentidos
e as janelas estão escancaradas?
um beija flor risca no espaço
algumas letras de um alfabeto grego
signo de comunicação indecifrável
eu tenho fome de terra
e este asfalto sob a sola dos meus pés:
agulha nos meus dedos
 quando piso na Augusta
o poema dá um tapa na cara da Paulista
flutuar na zona do perigo
entre o real e o imaginário:
João Guimarães Rosa Martins Fontes Caio Prado
um bacanal de ruas tortas
eu não sou flor que se cheire
nem mofo de língua morta
o correto deixei na cacomanga
matagal onde nasci
com os seus dentes de concreto
São Paulo é quem me devora
e selvagem devolvo a dentada
na carne da rua aurora
Poema do premiado poeta, ator e artista gráfico Artur Gomes, editor dos blogs Pele Grafia & Mania de Saúde. Veja mais aqui.

A ARTE DE SUZANNE VALADON
Arte da pintora impressionista francesa Suzanne Valadon (1867-1938). Veja mais aqui.

sexta-feira, setembro 22, 2017

GRAMSCI, HILDA HILST, GILVAN LEMOS, RUBEM ALVES, PALMARES & ATONMIRIO BARROS

A RESSURREIÇÃO DO CASANOVA – Uma enchente avassaladora varreu Alagoinhanduba do mapa. Bastou uma barragem duma multinacional que ninguém sabe o nome rachar em bandas, de um tsunami mandar ver levando tudo correnteza abaixo. Milhões de desabrigados, maior tragédia da história. Não sobrou nem lembranças do que era, findando o povo todo ter de morar embaixo da ponte que, de tanto balançar, não cabia mais ninguém pendurado. Com a situação, Zé Peiúdo se aproveitou na maior caranha: vendia tudo por preço exorbitante. Não concorrência, ou comprava, ou comprava. Era de lascar, fazer o quê? Ajuntando uns trocados bons com as negociatas, deu ele de ir tomar já a segunda meiota, quando ouviu pelo nome Casanova. – Ah, esse nome eu conheço, vai dá preu armar em cima. Nem perdeu tempo, foi bordejando entre as mesas e encostou-se numa em que dois estranhos conversavam: - Quem é Casanova? Sou eu. Rapaz, preciso ter uma conversa séria com vosmicê, vamos pra emissora preu entrevistá-lo! Hem? Vambora, venha. E puxou o distinto pela mão, arrastando morro acima, pras instalações do serviço de alto-falantes que ele chamava de AM/FM Alagoinhanduba, coisa de um tico de ouvinte, só ouvida até a primeira esquina no pé da montanha. Apossou-se dum megafone e saiu gritando: - Hoje Casanova faz revelações do estopô calango, exclusividade da sua emissora, a mais ouvida da região. Aos berros, repetia o nome do entrevistado que estranhava aquele estardalhaço todo, principalmente quando ouviu o locutor segredando pra sua banda: - Vamos lá, passe logo todo serviço! Hem? Mal começara a se organizar pra começar o teitei, eis que entra o calunga que lhe cochicha ao ouvido: - A mundiça toda tá aí atrás dum tal de Casanova! Eita, porra! Tenho nada a ver com isso não, vou me esconder. Peraí, rapaz, acalme-se! Calunga, venha cá! Diga! Pegue as armas, vamos enfrentar logo esse povo que deve ter vindo pra capar o rapaz, não podemos deixar acontecer isso. Fique calmo aí que vou resolver isso em dois tempos. Pega aí a Rio Una 12 e os armamentos todos, vamos preparados. Aí lá vem o calunga com um bacamarte, uma garrucha do cano envergado, uma soca-tempero que dispara na base de traque de sala e uma pistola bala U enferrujada, tudo descarregado. Cadê a munição? Tem não. Vixe! Só tem uns peido-de-veia que acho que nem pipoca mais. Eita! E agora? Agora a gente corre. Nada disso, vamos tapiar, a gente faz que está carregado até o tampo e o povo todo corre com o primeiro estalo. Vamos lá! Quando deparou com a populaça toda, ele achou de dar logo uns bregues: - Que é que vocês querem invadindo propriedade privada, hem? É que a gente veio se inscrever na casa nova, é a mesma coisa do Minha Casa, Minha Vida! Vai-te embora comboio de fidapeste! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com o saxofonista, flautista, arranjador e professor de música Mauro Senise interpretando músicas do seu álbum Danças + Alergia de viver, Olinda Guanabara & Chegando a Japeri; da pianista e diretora musical russa Elena Bashkirova interpretando concertos de Mozart, Brahms & Shostakovich; do pianista e compositor Luiz Avellar Improvisando no piano, Rio de Janeiro & bailarina; e a maravilhosa, divertidíssima, engajada, premiada e internacionalzada cantora, violonista e compositora Célia Mara, cantando Solidão Urbana, Anamaria, We’re not alone & Fábrica de armas. Para conferir é só ligar o som e curtir.

A ESCOLA DE GRAMSCI - [...] A escola é o instrumento para elaborar os intelectuais de diversos níveis. A complexidade da função intelectual nos vários Estados pode ser objetivamente medida pela quantidade de escolas especializadas e pela sua hierarquização: quanto mais extensa for a “área” escolar e quanto mais numerosos forem os “graus verticais” da escola, tão mais complexo será o mundo cultural, a civilização, de um determinado Estado [...]. Trechos extraídos dos Cadernos do cárcere (Vol.2 – Civilização Brasileira, 2001), do filósofo, cientista político e comunista italiano, Antonio Gramsci (1891-1937). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

O PAPEL DA CIÊNCIA - [...] Já que a ciência não pode encontrar sua legitimação ao lado do conhecimento, talvez ela pudesse fazer a experiência de tentar encontrar seu sentido ao lado da bondade. Ela poderia, por um pouco, abandonar a obsessão com a verdade e se perguntar sobre seu impacto sobre a vida das pessoas: a preservação da natureza, a saúde dos pobres, a produção de alimentos, o desarmamento dos dragões (sem dúvida, os mais avançados em ciência!), a liberdade, enfim, essa coisa indefinível que se chama felicidade. A bondade não necessita de legitimações epistemológicas. Com Brecht, poderíamos afirmar: “Eu sustento que a única finalidade da ciência está em aliviar a miséria da existência humana”. Trecho extraído da obra Filosofia da ciência: introdução ao jogo e as suas regras (Loyola, 2000), do psicanalista, educador, teólogo e escritor Rubem Alves (1933-2014). Veja mais aqui e aqui.

A LENDA DOS CEM – [...] Da mata chegava outra espécie de alarido. Em coro repicavam as seriemas, as maracanãs se comunicavam aos berros, esvoaçavam ruidosos tetéus; em negro, os urubus; cautelosos, os rapinantes. Abriam caminho aos animais pequenos, que deconsetados deixavam o próprio abrigo á procura de tocas talvez inexistentes. Raposas, como bêbadas, varavam o descampado, coelhos trocavam saltos sem proveito, pebas se topavam cegos, obtusos, enquanto as preás, mais cautelosos, quedavam nas fendas dos pedregais. Mas a ninguém interessava aquilo. [...] Trecho extraído da obra A lenda dos cem (Bagaço, 2008), do premiadíssimo escritor Gilvan Lemos (1928-2015). Veja mais aqui e aqui.

CANTARES DE HILDA HILSTIV – Eu não te vejo / quando teu ódio aflora. / Como poderia / ver teu ódio e a ti. / Iludida / por uma só labareda da memória? / Cegos, não somos dois. / Devorados e vastos / temos um nome: EFÊMEROS. Poema dos Cantares de perda e predileção, extraído da obra Cantares (Globo, 2004), da poeta, dramaturga e ficcionista Hilda Hilst (1930-2004). Veja mais aqui e aqui.

PROFESSORES NA BIBLIOTECA FENELON BARRETO
Participando com professores da rede pública de ensino nos eventos da Biblioteca Fenelon Barreto.

Veja mais:
A arte musical de Elena Bashkirova aqui.
A arte de Mauro Senise aqui e aqui.
A arte da cantora e compositora Célia Mara aqui, aqui e aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

LEMBRANÇAS E TRADIÇÕES DA MATA SUL
Oh oh Palmares, Ô verde azul
Oh oh Palmares!
É capital da Mata Sul
Corre o Rio Una
Grita pela liberdade
No silencio vai em frente
Oh meu Deus que tanta saudade
Nos dias de hoje, já não existe felicidade
Minha paz foi destruída pelo inverno da verdade
Oh oh Palmares, Ô verde azul
Oh oh Palmares!
É capital da Mata Sul
No Redondinho, nas ruas e todas as praças
O povo achava graça e o que é bom existe aqui.
Carrossel, caboclinho de Rabeca,
A bandinha de Veludo
E o guerreiro faz a festa.
Oh oh Palmares, Ô verde azul
Oh oh Palmares!
É capital da Mata Sul
A terra é fértil, as sementes são poéticas
Em cada rua e cada esquina
A história é sempre esta.
A Meia-Noite, cantava o seresteiro
O poema ovacionado pra seu amor verdadeiro.
Oh oh Palmares, Ô verde azul
Oh oh Palmares!
É capital da Mata Sul.
Música & letra de autoria de Atonmirio Barros (Miro Barros), parceiro do escritor Juarez Carlos na peça teatral O Herói Nordestino. Veja a entrevista de ambos aqui.


quinta-feira, setembro 21, 2017

JULIO VERNE, JOÃO GONÇALVES, EDUCAÇÃO INCLUSIVA & ACESSIBILIDADE NA BIBLIOTECA FENELON!

O ESPADACHIM DO CANAVIAL – Imagem do artista plástico João Gonçalves - O que Zedonho tinha de ocrídio, tinha de trabalhador. Pense num sujeito apegado aos afazeres de só parar quando vencia o prometido. Pra se ter ideia, quando menino de rua, órfão de pai e mãe que nem sabia de qualquer parente nem aderente, pedia pra limpar o mato do terreiro, varrer as calçadas e as ruas, carregar uma mala, engraxar um sapato, coisas do tipo, mas como era criança ninguém levava a sério. – Meu filho cadê seus pais? Tenho não. Ué, você nasceu aonde? Nasci e vivo nas ruas. Era sempre assim. Até o dia em que um idoso japonês que apareceu por essas bandas, inadvertidamente deixou cair umas moedas no chão que rolaram rua abaixo espalhadas, ele recolheu uma a uma na maior das ligeirezas e correu pro ancião devolvendo-as: - Olhe, é do senhor, tinha caído e nem viu! O macróbio ficou tão admirado: - Ah, que bom! Você mora aonde? Na rua. Na rua? Sim. Então, venha. Pegou sua mão e o levou pra uma casa esquisita, nunca tinha visto daquele tipo e ficou maravilhado com o tanto de coisas estranhas que tinha dentro. – Já comeu hoje? Não. Venha, vamos pro desjejum. Que é isso? Venha. È sentaram-se ao chão, ao redor de uma mesinha. Enquanto o longevo nipônico manipulava uns hashis levando aquela comida esquisita à boca, ele fitava detalhadamente, engolindo seco. – Vá, pode comer! Aí ele tentou. – Ah, pegue o hashi assim! Olhou, olhou, nada de aprender, o velho se ria com sua inabilidade. Aí ele invocou-se e meteu a mão na comida, ingerindo tudo duma só vez. Novas risadas do anoso que bateu palmas, dele perguntar: - Tem mais? Uma jovem nissei adentrou trazendo um prato com comidas que lhe foram oferecidas. Nem esperou pela anuência do anfitrião e já foi logo metendo a mão à boca, de fazer bochecha pra engolir. Tem mais? Outros pratos vieram dele se empanzinar de tanto comer, se encostando a um canto e pegar no sono. Quando acordou já era quase noite e ele ficou de olhos esbugalhados com o tanto de comida que estava servida à mesinha. Para mim? Com a anuência do dono da casa, ele avançou e se empanturrou até ficar amolecido de bucho cheio. Um tempo depois a nissei voltou para apanhá-lo e encaminhá-lo pro banho; depois do asseio, já trocado de roupa feito um japonesinho, foi conhecendo cada parte da casa, até descobrir o seu dormitório. Nem esperou ela terminar de falar e já caiu na cama, só acordando no dia seguinte. Assim se passaram dias, semanas, meses, anos, aprendendo artes marciais e os serviços gerais da casa. Já com quase dezessete anos, o seu protetor faleceu, deixando-lhe duas espadas de samurai por presente de herança. O restante, os familiares vieram, limparam tudo, findaram por despejá-lo de não saber o que poderia fazer nem pra onde ir. Era época do inicio de moagem da safra canavieira em Alagoinhanduba, ele aproveitou e se inscreveu no que estavam precisando: cortador de cana. Quando chegou empurrado na plantação, pediu para que escolhessem um pedaço de terra para ele trabalhar. Acharam que era petulância do novato e logo apontaram pruma área só pra vê-lo morrer de trabalhar dias a fio. Duas horas e meia depois apareceu ele pedindo que demarcassem outra área porque aquela já estava pronta. Foram ver e ficaram de queixo caído: não só deu vencimento, como deixou tudo devidamente organizado pra colhedeira passar e pegar. – Como foi que você fez isso, seu cabra? Fazendo. Faça de novo preu ver ali. Apontaram e lá foi ele, a área era maior que a anterior e ficaram só olhando pra caírem na gaitada com a melada dele. Nem notou o sarcasmo de todos, logo se encaminhou pra plantação, sacando as duas espadas e golpeando a cana que já caía certinha aos montinhos. Como é? Ficaram de olhos arregalados, nem acreditaram no que viram e já botaram ele pra outra empreitada maior que as anteriores. Oxe! Nem, nem. O que ele fez num dia, somando a tarefa de todos por um mês, multiplicado por duas vezes e, ainda assim, não davam vencimento. – Ô, mô fio, você aparentado com quem, hem? Eu só órfão de pai e mãe, não tenho parente não. Isso é um apaideguado dum broco, tô perguntando se você é aparentado com Superhomem, com o cabrunco, com coisas do outro mundo, ou o quê? Não, senhor, sou apenas trabalhador mesmo. Isso é o fim do mundo. Vá-se embora e amanhã esteja no ponto no mesmo horário. Todo dia ele batia o recorde e no final da safra foi o campeão com direito a prêmio, festa e tudo. Como estava famoso, logo angariou a simpatia das moçoilas mais matutas, chegando mesmo a se amasiar de uma que nem bola pra ele dava. Ano após ano foi nascendo um bruguelo atrás do outro e ele, quando findava a safra em Alagoinhanduba, ia pro Centro-Sul pra botada das usinas de lá, não se atrapalhava com entressafra, só voltando seis meses depois. Anos e décadas se passando, foi cortando cana que ele montou a casa, educou os filhos, tudo formado com graduação e pós-graduações, tem até um que o mês passado foi laureado com o doutoramento numa universidade da França, e tem mais três que estão terminando o mestrado também no exterior. Quando soube disso, o Gal Langal não acreditou: - Sou que nem São Tomé, só acredito se eu ver com esses olhos que a terra um dia vai ter o trabalho de comer. Verdade. Provaram por a+b, tintim por tintim, testemunhas muitas, fama do homem ia longe, mesmo assim, não acredito. Tiraram a prova dos nove com ele, chamaram Zedonho: - Nada, eu só trabalhei pesado e muito! Nada demais. Estão vendo, cambada? Nada, vá na casa dele e tire a sua conclusão. Gal Langal foi lá, conferiu tudo, confirmou tudo. Mas não acredito. Esse cara deve de ter outra profissão, não pode ser. Não tinha. Ô Zedonho, que danado que você faz pra ter essas coisas e viver desse jeito? Nada, só corto cana. Foi quando souberam que até a polícia desconfiou dele, vez que um sujeito havia cometido um crime e havia escapulido justo pro canavial dele. Ah, eu num disse? Tem coisa. Tinha não. Quando a polícia foi investigar, o bandido estava todo cortado dentro do canavial, até inocentaram o Zedonho porque o sujeito era de alta periculosidade, num foi, Zedonho? Foi isso mesmo, meu senhor. Danou-se. Ô Zédonho e o que tu queres mais da vida, hem homem? Queria só que o mundo vivesse em paz, mais nada. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com o violoncelista estadunidense de origem chinesa Yo Yo Ma, executando Brasileirinho, Obrigado Brazil & Cinema Paradiso com participações de Chris Botti, Carlos Prieto & Brasil Guitar; da pianista francesa Khatia Buniatishvili interpretando Concerto de Grieg eRachmaninov & Pictures at na exhbition de Mussorgsky; o guitarrista e violonista Hélio Delmiro com seus álbuns Chama, Emotiva & Compassos; e a dupla formada pela bailarina, cantora e compositora Tatiana Cobbett e o músico e compositor Marcoliva com seus álbuns Parceiros, Bendita Companhia, Corte e Costura & Sawabona Shikoba. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Assim pois Phileas Fogg tinha ganho sua aposta. Tinha feito em oitenta dias a viagem ao redor do mundo! Tinha empregado para fazê-la todos os meios de transporte, paquetes, railways, carruagens, iates, navios mercantes, trenós, elefante. O excêntrico gentleman tinha desenvolvido nesta empresa suas maravilhosas qualidades de sangue frio e de exatidão. Mas afinal? O que tinha ganho neste deslocamento? O que alcançara com esta viagem? Nada, diriam? Nada, vá lá, a não ser uma sedutora mulher, que — por mais inverossímil que possa parecer — o tornou o mais feliz dos homens! Na verdade, não faríamos, por menos que isso, a Volta ao Mundo? Trecho extraído da obra Volta ao mundo em 80 dias (Melhoramentos, 2009), do escritor francês Julio Verne (1828-1905), autor de frases célebres como “Os obstáculos existem para serem vencidos; quanto aos perigos,quem pode se orgulhar de fugir deles? Tudo é perigo na vida” e “A imbecilidade humana não tem limite”. Veja mais aqui.

EDUCAÇÃO INCLUSIVAUma educação que seja inclusiva tem sido desejada por muitos sujeitos que, de diferentes ligações sociais, acalentam a ideia de construir uma escola que consiga trabalhar conjuntamente diversidade e conhecimento. Essa proposta tem-se tornado bandeira de muitos movimentos sociais que constantemente levam a publico situações educacionais marcas pelas dificuldades em lidar, no universo da escola, com as diferenças subjetivas. São situações de disseminação social, de gênero, de condição social, de sexualidade, de diferenças físicas, mentais e tantas outras, que são absorvidas pela cultura escolar e transformadas em cenas corriqueiras, nas quais a ausência de um estranhamento e de um desconforto impede mudanças. Silenciadas nos contextos disciplinares e nos aspectos mais formais da escola, essas ideias muitas vezes ficam restritas às vivências socializadoras dos alunos. [...] Dessa forma, aprendizagens caricatas sobre as diferentes vão-se tecendo no espaço escolar, alargando e fomentando preconceitos construídos pela humanidade [...]. Trechos extraídos do artigo Educação especial à educação inclusiva, de Margareth Diniz e Mônica Rahme, extraído da obra Pluralidade cultural e inclusão na formação de professoras e professores: gênero, sexualidade, raça, educação especial, educação indígena e educação de jovens e adultos (Formato, 2004), organizada por Margareth Diniz e Renata Nunes Vasconcelos. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 
PROJETO ACESSIBILIDADE DA BIBLIOTECA FENELON BARRETO - Participação na reunião do Projeto Acessibilidade/Inclusão da Biblioteca Municipal Fenelon Barreto, no último dia 20/09/2017, com as professoras Rute Costa da SEMED-Palmares & Silvana Neves – Coordenadora do Programa de Educação Inclusiva da SEMED-Palmares, e o jornalista Luiz Heitor, da Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho. Esta reunião é o resultado das reuniões ocorridas nos dias 31/08 e 20/09, dando andamento à esquematização de ações que propiciem o envolvimento de alunos com deficiência visual, auditiva e cadeirantes para visita à Biblioteca no sentido de levantar as dificuldades encontradas por esse público-alvo, entre outras que serão estudadas para viabilização, resultado de parceria com o IFPE. Veja mais aqui e aqui.

Veja mais:
A história da minha vida de Helen Keller aqui.
Minha alegria de viver de Denise Legrix aqui.
O lamentável expediente da guerra aqui.
Dia Internacional da Paz aqui e aqui.
A literatura de Herberto Sales aqui.
A adolescência no Dia do Adolescente aqui e aqui.
A poesia de Luis Cernuda aqui.
A arte musical de Tatiana Cobbett & Marcoliva aqui e aqui.
A arte do poeta e filósofo latino Virgilio aqui e aqui.
Dia do Radialista aqui.
O pensamento do filósofo alemão Arthur Schopenhauer aqui, aqui e aqui.
A arte musical de Yo Yo Ma aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

A ARTE DE GONÇALVES
A arte do artista plástico João Gonçalves.
 

quarta-feira, setembro 20, 2017

OSMAN LINS, HÖLDERLIN, EDWARD SAID, CHAMISSO, BASQUIAT, RAYMOND ELSTAD & BIRITOALDO

MAS O QUE É QUE É ISSO, MINHA GENTE? - Imagem: arte do grafiteiro e artista visual estadunidense Jean-Michel Basquiat (1960-1988) - Jerrynaldo já tinha esse nome antes mesmo de nascer, mas não pegou. Era que a mãe dele, D. Cisaltinha era fã do cantor e queria por que queria que o nome do filho fosse uma homenagem ao ídolo da sua predileção. Já o pai, Inaldão do Inaldo, queria que o seu nome fosse perpetuado na vez do primogênito, não abrindo mão disso de jeito nenhum. Essa a razão pela qual a gravidez fora bastante recheada de animosidades de ambas as partes, passando da conta por empurrões, xingamentos e outros desaforos, a ponto de, no meio da maior arenga, o rebento nascer antes da hora. No meio do deixa disso, o bruguelo saiu calado na confusão, tendo de ser obrigado a abrir o berreiro para dar sinal de vida. De palmadas findou levando uma pisa e passar mais de hora berrando. Infelizmente foi logo enjeitado pela mãe: - Vixe! Isso nem parece ser gente, tem cara do coisa ruim! O pai, deixando por menos, relevou: - Tem nada não, melhor parecer com o satanás, assim será cabra macho feito o pai. E ela: - Pelo jeito, puxou ao pai mesmo! Cagado e cuspido. Só que mais feioso que o genitor que já não era lá grande coisa pela feiúra. Assim o menino foi crescendo, Satanás pra lá e pra cá, dando demonstrações dos seus maus bofes e jus ao seu apelido. Quando aprumou na adolescência, ele já se assinava Jerrynaldo Satanás, partindo prumas escapulidas fortuitas no arrepio da lei: de afanações bestas às deliquências mais arrepiadas, conseguia se safar amealhando trocados e antipatias. Para se limpar, entrou pra polícia noutra cidade, em Ribigudo, e logo, ao cabo de alguns anos, virou sargento, orgulho do pai, coitado, desconhecedor das façanhas delituosas do fardado. Sempre escapava das mãos da justiça porque, brincando de tiro ao alvo em ser vivente passante, sempre acorria aos perdões nos pés do santo de sua devoção: São Benedito. Parecia mais que o santo segurava suas pontas, deixando-o sempre impune. Como restara ileso em tudo, jurou fidelidade ao devotado e virou praticante religioso, a ponto de formar o Terço dos Homens na paróquia de Alagoinhanduba. Toda quinta, ele lá perfilado, Jerrynaldo santificado. Até que um dia lá, dirigindo sua fubica para o encontro religioso das quintas, no meio do caminho o mandú teve um troço, de deixá-lo na mão. E agora? Eis que um mecânico passava assobiando e foi recrutado pela autoridade pra lá de abusiva, intimando-o pro conserto imediato. Como não havia jeito pra pacutia da borreia, deixou tudo acertado com o profissional, enquanto seguia a pé pro compromisso inadiável de sempre. Aprumou e saiu às carreiras, chegando atrasado, mas logo se inteirando dos afazeres, tomando pé da situação no ato. No auge das orações, aparece o mecânico na porta da igreja: - Satamás ta aí? Vixe, foi o maior desembesto, fuga em massa dos presentes. Jerrynaldo botou as mãos à cabeça e dirigiu-se até o visitante, dizendo que o nome dele era Jerrynaldo e coisa e tal, e o cara, Ô Satanás, me desculpe, é que o carro tá embroncado, não tem conserto não, meu nome é Jerrynaldo, sim, Satanás, a coisa tá feia lá, num pega nem com reza forte nem milagre de deus ou do diabo, eu já lhe disse meu nome, não é pra me chamar assim não, ah, tá, desculpe, Satanás, mas o seu bregueço lá pifou de vez. Nessa ia saindo o Doro que estava ali pela primeira vez para angariar alguns votinhos pra sua eleição a vereador, ficou sem entender direito o acontecido, saindo acabrunhado com o ocorrido. Foi, então, que Jerrynaldo interpelou: - Perái, meu amigo, vou com você. Doro olhou pra ele dos pés à cabeça, fitou direito e disse: - Deixa pra lá, já estou muito bem acompanhado sozinho, fique com Deus, ou com o tinhoso, como quiser. E zarpou. Doro deu dois passos e depois pegou carreira com mais de mil, ao dobrar a esquina, quase sem fôlego do esforço despendido, encontrou os outros membros do Terço dos Homens que logo perguntaram: - E aí, você viu que coisa? É sério. Como é que pode? Sei não. E aí, a gente se encontra na próxima quinta? Mas o que é que é isso, minha gente? Deus me livre, se na igreja o coisa ruim já tá dentro, que é que vou fazer lá? Assim num dá preu me eleger vereador de jeito nenhum. Tá doido? Tô fora. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com Sonatas de Debussy e Beethoven & Brandeburg Concert Bach, da violonista e pedagoga Elisa Fukuda; a arte musical do Duo Fênix –  dos pianistas Cláudio Dauelsberg & Délia Fischer; Cuban Guitar 1 e 3 e de Bach aos Beatles, do violonista, compositor e regente da Orquestra de Cuba, Leo Brouwer; e o JazzWoche Burghausen com as canções Dindi de Jobim e Rio de Maio de Ivan Lins, da cantora estadunidense Jane Monheit, com participação de Johnny Mathis & Ivan Lins. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - [...] Mas você, meu amigo, se deseja viver entre os homens, aprenda em primeiro lugar respeitar a sombra – somente então o dinheiro. Mas se quiser viver apenas para si e para o que há de melhor no seu interior, então não precisa de nenhum conselho [...]. Trecho extraído da obra A história maravilhosa de Peter Schlemihl (Estação Liberdade, 2003), do botânico e poeta do romantismo alemão, Adelbert Von Chamisso (1781-1838).

EXÍLIO & EXILADOS – [...] O exílio nos compele estranhamente a pensar sobre ele, mas é terrível de experienciar. Ele é uma fratura incurável entre um ser humano e um lugar natal, entre o eu e seu verdadeiro lar: sua tristeza essencial jamais pode ser superada. E, embora seja verdade que a literatura e a história contêm episódios heróicos, românticos, gloriosos e até triunfais da vida de um exilado, eles não são mais do que esforços para superar a dor mutiladora da separação. As realizações do exílio são permanentemente minadas pela perda de algo deixado para trás para sempre. [...] O exílio, ao contrário do nacionalismo, é fundamentalmente um estado de ser descontínuo. Os exilados estão separados das raízes, da terra natal, do passado. Em geral, não têm exércitos ou Estados, embora estejam com frequência em busca deles. Portanto, os exilados sentem uma necessidade urgente de reconstituir suas vidas rompidas e preferem ver a si mesmos como parte de uma ideologia triunfante ou de um povo restaurado. O ponto crucial é que uma situação de exílio sem essa ideologia triunfante—criada para reagrupar uma história rompida em um novo todo — é praticamente insuportável e impossível no mundo de hoje. Basta ver o destino de judeus, palestinos e armênios. [...] Os exilados olham para os não-exilados com ressentimento. Sentem que eles pertencem a seu meio, ao passo que um exilado está sempre deslocado. Como é nascer num lugar, ficar e viver ali, saber que se pertence a ele, mais ou menos para sempre? [...] Grande parte da vida de um exilado é ocupada em compensar a perda desorientadora, criando um novo mundo para governar. Não surpreende que tantos exilados sejam romancistas, jogadores de xadrez, ativistas políticos e intelectuais. Essas ocupações exigem um investimento mínimo em objetos e dão um grande valor à mobilidade e à perícia. O novo mundo do exilado é logicamente artificial e sua irrealidade se parece com a ficção. [...] O exilado sabe que, num mundo secular e contingente, as pátrias são sempre provisórias. Fronteiras e barreiras, que nos fecham na segurança de um território familiar, também podem se tornar prisões e são, com freqüência, defendidas para além da razão ou da necessidade. O exilado atravessa fronteiras, rompe barreiras do pensamento e da experiência. [...] Para o exilado, os hábitos de vida, expressão ou atividade no novo ambiente ocorrem inevitavelmente contra o pano de fundo da memória dessas coisas em outro ambiente. Assim, ambos os ambientes são vívidos, reais, ocorrem juntos como no contraponto. Há um prazer específico nesse tipo de apreensão, em especial se o exilado está consciente de outras justaposições contrapontísticas que reduzem o julgamento ortodoxo e elevam a simpatia compreensiva. Temos também um sentimento particular de realização ao agir como se estivéssemos em casa em qualquer lugar. Contudo, isso apresenta seus riscos: o hábito da dissimulação é cansativo e desgastante. O exílio jamais se configura como o estado de estar satisfeito, plácido ou seguro. Nas palavras de Wallace Stevens, o exílio é "uma mente de inverno" em que o páthos do verão e do outono, assim como o potencial da primavera, estão por perto, mas são inatingíveis. Talvez essa seja uma outra maneira de dizer que a vida do exilado anda segundo um calendário diferente e é menos sazonal e estabelecida do que a vida em casa. O exílio é a vida levada fora da ordem habitual. É nômade, descentrada, contrapontística, mas, assim que nos acostumamos a ela, sua força desestabilizadora entra em erupção novamente. Trechos extraídos da obra Reflexões sobre o exílio e outros ensaios (Companhia das Letras, 2003), do intelectual, crítico literário e ativista palestino Edward Said.

A PROFISSÃO DO ESCRITOR – [...] Escrever, para mim, é um meio, o único de que disponho, de abrir uma clareira nas trevas que me cercam. Neste sentido é que eu disse, ainda há pouco, escrevo antes de tudo para mim. Sem experiência, decerto, não há conhecimento. Contudo, pelo menos no meu caso, mesmo o conhecimento obtido pela experiência é desordenado e informe. Só o ato de escrever me permite sua ordenação; portanto, escrever se me apresenta como a experiência máxima, a experiência das experiências. Minha salvação, meu esquadro, meu equilíbrio [...]. Trecho extraído da obra Evangelho na taba & outros problemas inculturais brasileiros (Summus, 1977), do escritor e dramaturgo Osman Lins (1924-1978). Veja mais aqui e aqui.

O POEMA CONCISO DE HÖLDERLIN - Porque és tão curto? Já não amas, como noutros / Tempos, o cântico ? Nesse tempo, ainda jovem, / Quando em dias de esperança cantavas, / Nunca encontravas o fim. / Como a minha sorte, assim é minha canção. Queres-te / banhar, feliz, no pôr do Sol? Já passou! E a / Terra é fria e o pássaro da noite sibila, / Incômodo, perante os teus olhos. Poema do poeta lírico e romancista alemão Joham Hölderlin (1770-1843). Veja mais aqui.

PROEZAS DO BIRITOALDO
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A ARTE DE RAYMOND ELSTAD
A arte do fotógrafo estadunidense Raymond Elstad



terça-feira, setembro 19, 2017

OLIVER SACKS, CARLOS HEITOR CONY, MARCUS ACCIOLY, GEORGES BRAQUE, MICHEL MELAMED, SEMINÁRIO PSICOLOGIA, FOME & DESNUTRIÇÃO

UM DIA & NUNCA MAIS - Imagem: arte do pintor e escultor do cubismo francês Georges Braque (1882-1963). - As quatro e quarenta Zé José levantou-se para cumprir seu ritual matinal. Antecipava-se a todos em rezas e preces de agradecimento pelas bênçãos e graças alcançadas, às agora pedidas e às adiadas de dias renovadas em petição reiteradas ao Deus, santos e anjos de sua devoção. Obrigações cumpridas, hora do asseio pessoal para o café da manhã, aguentar os resmungos da mulher e a algazarra da filharada. Naquela manhã estava pensativo, aliás ultimamente andara absorto, desde o dia que a filha mais velha – aquela a quem dedicara especial atenção, toda afeição do coração, todo apreço, toda ternura, toda consideração – justo ela, fugira com o filho do marchante dos maus bofes. Não adiantara nada, contra a sua natureza e vontade, reprimir com cinturãozadas e tabefes o namorico dela desobediente às suas ordens, nem as descomposturas no pretenso e insolente Romeu, nada. Sua vida ruíra desde então, nada mais dera certo. Agora, fitava a gasguita esposa Xantipa com desprezo, os filhos desalmados ao redor da mesa, com a certeza de todos, mais cedo ou mais tarde, arribarem pro mundo, desintegrando a família que tanto promovera unida debaixo de suas asas. Nada mais, pra ele. Nem adiantava mais colheradas de açúcar, o café seria amargo pra sempre na sua amargura, prevendo o abandono. A vida minguara como os clientes e serviços, ir pro trabalho sempre fora um prazer, agora não mais. Pelo menos, ali ficaria ruminando o que seria dele dali pra diante. Sonhava, revia o passado, buscava alegrias e satisfações, devia ter precavido: tudo findaria mesmo no desastre. Não conseguia esquecer o fracasso, até que, pelas quatro e quarenta, o Sol arriando a insossa tarde pra noite insípida e inquietante, ele baixar as portas, fechando a bodega, para, na maior má vontade, voltar pro seu suplício. Logo encontraria a mulher aos berros, como sempre, ela nunca o entendeu, não seria agora que pararia de lhe arrancar o couro; os filhos logo pediriam dinheiro pras coisas fúteis, ele teria que se virar no Tesouro Nacional para suprir tanto peditório, mais esdrúxulos que os de antes. Vida mais sem graça a sua, ponderava. Nem via saída, jamais teria sossego, nunca teve, não seria agora. Naquela tarde resolveu: não mais. Não voltou pra casa, ninguém sabe o seu paradeiro. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com Dueling guitars August Rush & Chuco Merchan Live Montreaux do guitarrista Heitor Pereira; Canta mais & Tocar na banda da cantora da Vanguarda Paulista, Vânia Bastos; On the loose & Little blues do gaitista e compositor Flávio Guimarães; Empate, Esse meu rio, Brinquei de inventar o mundo & Quantum da cantora e compositora Jozi Lucka. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIAHoje é um dia muito especial. Mais um grande ato em prol da cidadania. Depois de Tiradentes, Zumbi, Nossa Senhora da Aparecida... Finalmente, hoje, foi homologado o Dia Nacional do Ator da Globo. Não sei se vocês sabem, mas isso é baseado num estudo da UFRJ que diz que cidadania é como o ator da Globo é tratado num restaurante... numa loja... nas ruas... Trecho extraído da peça teatral Dinheiro grátis (2006), texto e atuação do poeta, diretor teatral, autor, ator, performer e apresentador de televisão, Michel Melamed.

A EDUCAÇÃO DE CONY: [...] Não vejo alternativas, pois sou um pessimista nato. Mas tenho na cabeça algumas opções para o país, todas utópicas, como, por exemplo, um intenso investimento em educação. Com uma advertência: educação não é ensino. Quando se pensa em educação no Brasil, só se pensa em sala de aula, em ensinar os afluentes do Amazonas, os pronomes oblíquos, as capitais da Europa. Não pode ser só isso. É preciso educação integral, aquela em que o aluno come, toma banho, aprende a escovar os dentes e tudo o mais na escola. Os professores passam dever de casa. Metade dos estudantes não tem nem casa para fazer o tal dever. É preciso que as crianças aprendam a ter uma visão do mundo, do próximo, da cidadania. O Brasil está muito longe dessa educação, preferindo gastar rios de dinheiro com o ensino, que, sozinho, não leva ninguém para a frente. [...] Mas eu sou um subdesenvolvido. Como eu, há um Brasil todo que prefere viver na ilusão de palavras de ordem de “fazer um Brasil para nossos netos”, sem qualquer ação real. Nessa minha utopia louca, o Brasil deveria jogar 80% do seu orçamento em educação (não em ensino, repare bem). Certo, teríamos uma geração sem confortos, que viveria parte de sua existência como anacoretas, mas o país teria assim um futuro. Trechos de uma entrevista concedida pelo escritor, jornalista e membro da Academia Brasileira de Letras, Carlos Heitor Cony, ao jornalista Carlos Haag, na revista Cult (março, 2006), sob o título “O pessimista sem cura ainda ri do mundo”. Veja mais aqui.

FOME & DESNUTRIÇÃO – [...] A extinção da pobreza é, portanto um desafio do desenvolvimento do país, enquanto marginaliza pessoas e grupo, privando-os dos frutos do progresso gerados por todos, mas usufruído por um pequeno grupo. [...] Cremos haver um fim para a desnutrição. Esse fim pode ser atingido através de nossos próprios esforços, no sentido de concreta formulação de políticas alimentares e nutricionais que significam muito mais que simples declaração conceitual. As suas diretrizes devem influir em pontos estratégicos da distribuição de renda, da agropecuária, do abastecimento, da defesa do consumidor e das ações de saúde que possam elastecer o consumo e otimizar o aproveitamento biológico dos alimentos. Daí o relevante papel que compete ao setor saúde. [...]. Finalmente, é necessário insistir na ideia de que a tecnologia médica, embora essencial, não é suficiente para produzir a saúde integral a que aspiramos e que a nutrição adequada é um requisito indispensável à saúde. [...]; Trechos extraídos da obra Alimentação e nutrição no Brasil. Percepção do passado para transformação do presente (IMIP, 2008), do médico e professor universitário Bertoldo Kruse Grande de Arruda. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

HISTÓRIAS PARADOXAIS - [...] Estou escrevendo com a mão esquerda, embora seja completamente destro. Fui operado do ombro direito há um mês e atualmente não devo, não consigo usar o braço direito. Escrevo devagar, desajeitado - mas com maior facilidade e naturalidade conforme passam os dias. Estou me adaptando, aprendendo ao longo desse tempo - não apenas a escrever, mas a fazer uma dúzia de outras coisas com a mão esquerda; também me tornei muito hábil, capaz de apanhar coisas com os dedos dos pés para compensar o braço na tipóia. Fiquei sem firmeza por uns dias logo que o braço foi imobilizado, mas agora já ando de outra maneira, descobri um novo equilíbrio. Estou desenvolvendo novos padrões e hábitos... uma identidade diferente, pode-se dizer, pelo menos nesta esfera específica. Devem estar ocorrendo mudanças em alguns programas e circuitos do meu cérebro - alterando cargas sinápticas, conexões e sinais (embora nossos métodos de obtenção de imagens cerebrais ainda sejam muito precários para mostrá-las). Apesar de algumas das minhas adaptações serem deliberadas, planejadas, e outras aprendidas por tentativa e erro (na primeira semana machuquei todos os dedos da mão esquerda), a maioria aconteceu por conta própria, inconscientemente, por intermédio de reprogramações e adaptações das quais nada sei (não mais do que sei, ou posso saber, por exemplo, sobre minha maneira normal de andar). No próximo mês, se tudo correr bem, posso começar a me readaptar uma vez mais, recuperar o uso integral (e ―natural) do meu braço direito, reincorporá-lo a minha imagem corporal, à imagem de mim mesmo, para me tornar novamente um ser humano ágil e destro. [...] Esse sentido da notável maleabilidade do cérebro, sua capacidade para as mais impressionantes adaptações, para não falar nas circunstâncias especiais (e freqüentemente desesperadas) de acidentes neurológicos ou sensórios, acabou dominando minha percepção dos pacientes e de suas vidas. De tal forma, na realidade, que por vezes sou levado a pensar se não seria necessário redefinir os conceitos de ―saúde e ―doença, para vê-los em termos da capacidade do organismo de criar uma nova organização e ordem, adequada a sua disposição especial e modificada e a suas necessidades, mais do que em termos de uma ―norma rigidamente definida. A enfermidade implica uma contração da vida, mas tais contrações não precisam ocorrer. Ao que me parece, quase todos os meus pacientes, quaisquer que sejam os seus problemas, buscam a vida - e não apenas a despeito de suas condições, mas por causa delas e até mesmo com sua ajuda. [...] A ciência é uma grande coisa quando está a nossa disposição; no seu verdadeiro sentido, é uma das palavras mais formidáveis do mundo. Mas o que pretendem esses homens, em nove entre dez casos, ao pronunciá-la hoje? Ao dizer que a detecção é uma ciência? Ao dizer que a criminologia é uma ciência? Pretendem colocar-se no exterior de um homem e estudá-lo como se fosse um inseto gigante, sob o que chamariam luz severa e imparcial - e que eu chamaria morta e desumanizada. Pretendem distanciar-se dele, como se ele fosse um remoto monstro pré-histórico, e fitar a forma de seu ―crânio criminoso como se fosse uma espécie de sinistra excrescência, como o chifre de um rinoceronte. Quando o cientista fala de um tipo, nunca está se referindo a si mesmo, mas a seu vizinho, provavelmente mais pobre. Não nego que a luz severa possa ser benéfica às vezes, embora, em certo sentido, ela seja o oposto da ciência. Longe de converter-se em conhecimento, ela é a supressão do que sabemos. É tratar um amigo como estranho e fazer com que algo familiar pareça remoto e misterioso. É como dizer que o homem carrega uma probóscide entre os olhos e que cai num estado de insensibilidade a cada 24 horas. Bem, o que você chama de ―segredo é exatamente o contrário. Não tento me colocar do lado de fora do homem. Tento me colocar no seu interior. [...] Com isso em mente, tirei meu guarda-pó branco e desertei, em grande parte, dos hospitais onde passei os últimos 25 anos, para pesquisar a vida de meus pacientes no mundo real, sentindo-me em parte como um naturalista que examina formas raras de vida, em parte como um antropólogo, um neuroantropólogo, em trabalho de campo - mas sobretudo como um médico, chamado aqui e acolá para fazer visitas a domicílio, visitas às fronteiras distantes da experiência humana. Estas são, portanto, histórias de metamorfoses possibilitadas pelo acaso neurológico, mas metamorfoses em estados alternativos do ser, outras formas de vida, não menos humanas pelo fato de serem tão diferentes. [...] Trechos extraídos da obra Um antropólogo em marte: Sete histórias paradoxais (Companhia das Letras, 1995), do neurologista, escritor, professor e químico britânico, Oliver Sacks (1933-2015), baseado em sete estudos de caso do autor sobre indivíduos com condições neurológicas consideradas paradoxais para com suas atividades, e como essas condições podem levar a um estado de desenvolvimento pessoal e/ou profissional. Veja mais aqui.

O TEMPO ALÉM E AQUÉMHá um tempo por vir (é o porvir) / e um tempo de outra hora (é o outrora) / mas (entre esses dos tempos) há o hoje / (que já foi amanhã) tempo que foge / para trás (para o ontem) porque o alcança / tanto a recordação (como a lembrança) / ou seja (o sonho que antecede o tempo) / e o sono (que devolve o esquecimento) / por isso o tempo é um só (cada manhã / eu vejo o ontem o hoje e o amanhã). Poema XVII - O tempo além e aquém, do Canto Décimo – A reinvenção do mito, extraído da obra Sísifo (Quíron/MEC, 1976), do poeta Marcus Accioly. Veja mais aqui.

ADMMAURO GOMES: PROFESSOR DE LITERATURA
O blog Professor de Literatura, do poeta e professor Admmauro Gommes. Veja mais aqui.

Veja mais:
O pensamento do filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976) aqui, aqui e aqui.
O pensamento do filósofo e pedagogo Paulo Freire (1921-1997) aqui, aqui e aqui.
A literatura do escritor e roteirista José Louzeiro aqui e aqui.
A literatura do escritor italiano Ítalo Calvino (1923-1985) aqui, aqui e aqui.
A arte musical de Jozi Lucka aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

I SEMINÁRIO FENOMENOLOGIA E PSICOLOGIA: UMA VISÃO HEIDGGERIANA
Centro de Convenções de Pernambuco – Auditório do Brum, 17 e 18 novembro de 2017. Realização Ecxistir. Veja detalhes aqui.

A ARTE DE GEORGES BRAQUE
Imagem: arte do pintor e escultor do cubismo francês Georges Braque (1882-1963). Veja mais aqui.

QUINTANA, BUKOWSKI, ESPINOZA, CARLOS NEJAR, OTTO FRIEDRICH, SUZANNE VALADON, ARTUR GOMES & O FIM DO MUNDO

SE O MUNDO ACABAR, JÁ ACABA TARDE! - Pra todo lado que eu me virasse, a conversa era uma só. Bastou eu botar a cara na rua logo cedo, apar...