quinta-feira, dezembro 14, 2017

BANDEIRA, MONTELLO, AMIEL, VIVEIROS DE CASTRO, GAL COSTA, KANDINSKY, MINAMI KEIZI, BETO GUEDES, CONFERÊNCIA DE CULTURA & CAETÉS

O QUE SEI DO QUE APRENDI - Imagem: Aviso em dois, do pintor russo Wassily Kandinsky (1866-1944) - Há muito tempo que eu estudo, gosto de estudar desde menino quando atravessei a porta da escola pela primeira para o ensino primário. Quando meus pais me levaram ainda menino para estudar, era eu quem já queria estar lá, aliás, eu que peiticava para ir e me diziam que eu não tinha idade ainda. Um dia lá, finalmente, me disseram: vamos pra escola. E quando vi a professora Hilda ministrando suas aulas, meus olhos estavam vidrados e eu me encantei de viver encantado até hoje, querendo entender o mundo e instigado às descobertas. Queria saber tudo, coisa de menino. E nada foi sufuciente para aplcar minha sede por conhecimentos. Foi no ginasial que este encanto entrou em baixa, estava precoce adolescente, a escola não respondia às minhas indagações e outras eram as minhas curiosidades, coisas que corroboraram, talvez, as más escolhas, o que o seria de mim sem elas, erros são lições inestimáves, e mesmo desmotivado com asala de aula, nunca perdi a vontade de sempre querer aprender e construir meus saberes, afinal, todos nós precisamos de referências para o alcance de conhecimentos. E foram nos estágios compreendidos entre o ginasial, o colegial e a faculdade que conheci professores e professores, muitos, uma relação entre apreço e raiva, amor e ódio, alguns simpaticíssimos, dedicados, outros chatos de galocha, terroristas, ditatoriais, muitos; os que eram apenas transmissores, outros simples comunicadores, como aqueles que sabiam pra si e usavam do proselitismo dos insensíveis com a sua soberba, tornando a aula repetitiva e maçante, depositando seus saberes como verdade absoluta, fazendo da gente meros reprodutores da sua superficialidade. Estes, quase nem lembro, sumiram na fumaça do tempo. Outros não, conheci os que usavam da magia e do encanto, equilibrando a firmeza e a ternura, com a sua inquebrantável devoção entre lampejos intuitivos, informalidade, sempre visionários, contagiantes, estes os que marcaram e muito para o meu desenvolvimento e aprendizagem, estes que despertaram em mim o contínuo processo de resgate das dimensões humanas, da superação dos meus medos, ensinaram-me o respeito ao outro e a cultuar a paz, a medida equilibrada entre o sim e o não, ah, estes nunca esqueci, até tornei-me amigo por estarem sempre dispostos a me orientar e a debater comigo minhas inquietações e questionamentos. Pois é, existem professores e professores, todos importantes para minha formação. Todos me ensinaram que a escola é o mundo: o laboratório onde tudo acontece, tudo se constroi e se desconstroi, tudo é feito e desfeito, tudo segue adiante. Por isso, o mundo sempre foi o meu foco de estudo, buscando compreender a causa das coisas acontecerem, o porquê dos acontecimentos, problematizando como as contradições levam sempre a buscar e encontrar saídas. Fui aluno, tornei-me professor e resolvi ser eternamente discípulo para um dia, quiçá, alcançar a sabedoria do mestre. Nesse trâmite, vou aprendendo, inclusive, a aprender, enquanto isso, aprendi que ensinar é fazer uso da arte e da técnica do diálogo, conversar, debater, levantar problemas, questioná-los, pesquisá-los por zis metodologias de investigação, utdo para que o ensino se configure juntamente com a pesquisa e, sobretudo, engajado com a extensão: flagrando no mundo o material para meus estudos e salas de aula. Eterno aprendiz, porque para mim o melhor de aprender é o êxtase da descoberta! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial a voz da cantora Gal Costa & show ao vivo do cantor, compositor e milti-instrumentista Beto Guedes. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIAPor ti mesmo, não te violentes e respeita em ti as oscilações do sentimento, de acordo com a tua vida e a tua natureza. Alguém, mais sábio do que tu, as fez assim. Pensamento do filósofo, poeta e crítico suíço Henri-Frédric Amiel (1821-1881).

PERSPECTIVISMO AMERÍNDIO - [...] a concepção, comum a muitos povos do continente, segundo a qual o mundo é habitado por diferentes espécies de sujeitos ou pessoas, humanas e não-humanas, que o apreendem segundo pontos de vista distintos. [...] eles se dispõem, a bem dizer, de modo exatamente ortogonal à oposição entre relativismo e universalismo. Tal resistência do perspectivismo ameríndio aos termos de nossos debates epistemológicos põe sob suspeita a robustez e a transportabilidade das partições ontológicas que os alimentam. Em particular, como muitos antropólogos já concluíram (embora por outros motivos), a distinção clássica entre Natureza e Cultura não pode ser utilizada para descrever dimensões ou domínios internos a cosmologias não-ocidentais sem passar antes por uma crítica etnológica rigorosa. [...] não devemos esquecer que, se as pontas do compasso estão separadas, as hastes se articulam no vértice: a distinção entre Natureza e Cultura gira em torno de um ponto onde ela ainda não existe. [...] Trechos extrapidos da obra A inconstância da alma selvagem (Cosac & Naify, 2002), do antropólogo e professor Viveiros de Castro, também autor da obra O perspectivismo ameríndio não é uma cosmologia, mas “um corolário (etno)epistemológico do animismo (Mana, 1996), no qual o autor derruba o senso comum de que os povos indígenas são marcados pelo atraso em relação ao mundo ocidental, uma vez que essas sociedades sempre foram descritas como “primitivas” por carecerem de instituições modernas – como o Estado e a ciência.

CAETÉS – O município de Caetés surgiu de um povoado que se chamava São Caetano, até 1918. O topônimo mudou para Caetés por influência do jornalista, historiador e publicista da língua tupi, Mário Melo, alegando ser caetés uma corruptela de caá-etê, significando "mato real ou verdadeiro, mata virgem". Emancipou-se como município em 13 de dezembro de 1963, desmembrando-se do município de Garanhuns. Está incluído na área geográfica de abrangência do semiárido brasileiro, definida em 2005. É formado pelo distrito sede e pelos povoados de Ponto Alegre, Atoleiro, Barriguda, Bastiões, Vila Araçá, Várzea Comprida, Várzea Suja e Queimada Grande. Hoje tem se tornado um pólo na geração de energia eólica no país. Veja mais aqui.

UMA SOMBRA NA PAREDE - [...] Dou por mim andando por estas ruas estreitas, entre alas de velhas casas que o tempo preservou, e sinto que me reencontro, muitos anos depois de ter partido daqui para longes terras. De mim, para mim, repito o poeta que viveu emoção análoga à que estou vivendo agora, nesta volta ao chão natal: Pois do que por fora vi, / a mais querer minha terra / e a minha gente aprendi. Tenho novamente vinte anos, as mesmas namoradas, os velhos amigos, os mesmos sonhos, e este gosto de recriar a vida com minhas histórias, meus personagens e minhas emoções. [...] Nunca o vi tão feliz nem tão realizado. Ambos eufóricos, como desinteressados do tempo e da idade, cada qual com o seu mistério mal guardado, e sempre sobre as bênçãos do bom Deus, que continua a proteger-nos como seus filhos, até mesmo quando dá a impressão de que nos esquece, ou que estende até nós a piedade de sua indiferença. Trechos do romance do escritor, jornalista, professor e teatrólogo Josué Montello (1917-2006). Veja mais aqui.

O BICHO - Vi ontem um bicho / na imundície do pátio / catando comigo entre os detritos. / Quando achava alguma coisa, / não examinava nem cheirava: / engolia com voracidade. / O bicho não era um cão, / não era um gato, / não era um rato. / O bicho, meu Deus, era um homem. Poema do poeta, tradutor, critico literário e de arte, Manuel Bandeira (1886-1968). Veja mais aqui e aqui.

IV CONFERÊNCIA ESTADUAL DE CULTURA DE PERNAMBUCO
Participando da IV Conferência Estadual de Cultura de Pernambuco, no auditório da Faculdade de Pesquisas Aplicadas, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na última terça feira, 12 de dezembro, com o poeta e multiartista Fábio de Carvalho & do poeta e compositor Zé Ripe.

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A ARTE DE MINAMI KEIZI
A arte do quadrinista, jornalista e desenhista nipo-brasileiro Minami Keizi (1945-2009).

 

quarta-feira, dezembro 13, 2017

JUNG, BAUMAN, QUINTANA, GONZAGA, JOÃO CABRAL, DOROTHY IANNONE & ESCADA

UMA COISA DENTRO DA OUTRA – Imagem: Blue and wihte sunday morning, da artista estadunidense Dorothy Iannone. - Olá, gentamiga, um dia radiante de harmonia paratodos, salve, salve. As coisas parecem andar meio embaralhadas, de pernas pro ar, ou melhor, desgovernadas mesmo. É que entre uma coisa e outra, o que aparece é meio insólito, senão, paradoxal. Deveras, é só olhar direitinho que está duvidoso saber se o que é certo virou errado, ou se o direito e o justo são apenas acomodações negociadas. Tem muita bravata no ar. É que enquanto teimam em fazer da oportunidade do presente um passado não muito distante de infeliz condução, produzem um futuro no capricho dos interesses escusos. O noticiário quase não deixa qualquer entendimento que não seja a da discórdia, entender são outros quinhentos. O falso moralismo de plantão reinante imprmindo o retrocesso, e apenas para satisfação dos que pensam que sua condição egoísta, retrógrada e vaidosa é imperiosa e urgente, mostra, nada mais, nada menos, a mais cristalina das constatações de sectarismo raivoso de trogloditas da barbárie e cultores das trevas para a implementação do neofundamentalismo canceroso que alastra tenazmente entre nós. Esse despropósito confunde vida com conforto, arte com baboseira, artista com diletante, sinceridade com artifício, crença com intolerância. No entanto, apesar da insegurança impressa por estabanados arrumadinhos que se processas em todas as esferas da gestão governamental do nosso país, apesar da dubiedade de expressão entre cordados e conformados, e da escuridão no fim do túnel, a nós que nos foi concedido o poder de sermos seres pensantes, nos resta seguir, firme e serenamente, decodificando os acontecimentos e desfechos do momento atual. É preciso, antes de qualquer coisa, sabermos que não é apenas o umbigo o legítimo beneficiário das benesses existentes no mundo, muito menos o único detentor do poder de razão acima de quem quer que seja. O outro e os demais, senão todos, merecem também partilhar do direito de viver por serem legítimos ocupantes do planeta Terra. Vale dizer que nunca ouvi dizer que um cavalo, ou um cachorro, jacaré ou leão, ou o mais peçonhento dos seres ditos irracionais desse mundo, matasse ou vitimasse o outro da mesma espécie, só pra se apossar ou acumular aquilo que fosse o seu desejo sobre os demais. Isso nos leva a refletir acerca da evolução humana ao longo dos séculos e milênios, a avaliar o inventário da humanidade. A nós, de fato, nos resta entender que a humildade, gentileza e discernimento são atributos que nos distinguem como seres humanos, portanto, isso é o que nos faz distinguir no plano cósmico, qual a nossa missão e propósito na vida. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com o rei do baião Luiz Gonzaga (1912-1989) ao vivo & o show Gonzagão & Gonzaguinha: a vida do viajante ao vivo. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIAA força do livro reside em sua capacidade totalmente específica de ligar a biografia à história, o privado ao público, o individual ao social, os momentos vivenciados ao sentido da vida. Pensamento do sociólogo polonês Zygmunt Bauman (1925- 2017). Veja mais aqui e aqui.

O SER HUMANO - [...] a cultura humana, enquanto produto natural de diferenciação, é uma máquina; primeiro que tudo, uma máquina técnica que utiliza condições naturais para transformar a energia física e química, mas também uma máquina psíquica que utiliza condições naturais para transformar libido. Da mesma forma que o homem conseguiu inventar uma turbina e, conduzindo o curso d’água para ela, transformar a energia cinética nela contida em eletricidade, capaz de múltiplas aplicações, assim também conseguiu, com a ajuda de um mecanismo psíquico, converter os instintos naturais – que, de outra maneira seguiriam sua tendência natural – outras dinâmicas que tornam possível a produção de trabalho. [...]. Trechos extraídos da obra Energia psíquica (Vozes, 2002), do psiquiatra e psicoterapeuta suíço Carl Gustav Jung (1875-1961). Veja mais aqui e aqui.

ESCADA -  O município de Escada teve seu povoamento povoamento iniciado a partir de uma aldeia de índios das tribos Potiguaras, Tabujarés e Mariquitos, fundado em época indeterminada, porém existentes em 1685, com a denominação de Aldeia de Nossa Senhora da Escada de Ipojuca. O nome "Escada" provém da capela erguida por missionários da Congregação do Oratório para catequese dos índios, que ficou conhecida como Nossa Senhora da Escada. O distrito foi criado pela Carta Régia de 27 de abril de 1786 e por Lei Municipal em 6 de março de 1893. A Lei Provincial nº 326, de 19 de abril de 1854, criou o município de Escada, com território desmembrado do município do Cabo de Santo Agostinho. A sede municipal foi elevada à cidade pela Lei Provincial nº 1.093, de 24 de maio de 1873. É formado pela Sede Administativa, distritos de Massuassu e Frexeiras. A rede hidrográfica da cidade tem o rio Sapucaji e em grande extensão na cidade o rio Ipojuca. Em Escada, o rio Ipojuca passa pela sua periferia, cruzando áreas próximas ao centro da cidade, onde se encontra a Ponte do Atalaia que faz e proporciona a ligação de bairros da cidade ao centro. Além da rica história e da beleza arquitetônica dos velhos engenhos, Escada tem atrativos naturais como Quedas d`água, nascentes de riachos, bicas, corredeiras e alguns resquícios da Mata Atlântica brasileira, isso sem contar com o artessanto local, a culinária típica e o movimentado calendário de festas populares da cidade que inclui as festas juninas. Veja mais aqui

NOSTALGIAS - Há tempos escrevi este decassílabo nostálgico: “Acabaram-se os bondes amarelos!” Tão nostálgico que até hoje ficou sozinho esperando o resto dos companheiros. Também, não faz muito, escrevi este outro decassílabo: “Acabaram-se as tias solteironas...” Talvez esses dois solitários se venham um dia a reunir num mesmo poema. Têm ambos o mesmo ritmo. Causam ambos o mesmo nó na garganta que me impede de os continuar. Talvez o poema já esteja pronto... e ninguém notou. Nem eu! Porque ele próprio se completou, cada verso chorando no ombro do outro... e sem mesmo notar que eram decassílabos. Texto extraído da obra Porta giratória (Globo, 1988), do poeta, tradutor e jornalista Mário Quintana (1906-1994). Veja mais aqui, aqui e aqui.

FÁBULA DE UM ARQUITETO - A arquitetura como construir portas, / de abrir; ou como construir o aberto;/ construir, não como ilhar e prender,/ nem construir como fechar secretos;/ construir portas abertas, em portas; / casas exclusivamente portas e tecto./ O arquiteto: o que abre para o homem/ (tudo se sanearia desde casas abertas) / portas por-onde, jamais portas-contra;/ por onde, livres: ar luz razão certa. / Até que, tantos livres o amedrontando, / renegou dar a viver no claro e aberto./ Onde vãos de abrir, ele foi amurando/ opacos de fechar; onde vidro, concreto;/ até fechar o homem: na capela útero,/ com confortos de matriz, outra vez feto. Poemas extraídos da obra Poesias completas (José Olympio, 1986), do poeta e diplomata João Cabral de Melo Neto (1920-1999). Veja mais aqui, aqui e aqui.

TODO DIA É DIA DE LIVROS PRAS CRIANÇAS
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A ARTE DOROTHY IANNONE
A arte da artista estadunidense Dorothy Iannone.


terça-feira, dezembro 12, 2017

VARGAS LLOSA, RANCIÈRE, BADIOU, WAGNER TISO, QUINET, BRUNO TOLENTINO, FRANCINE VAYSSE, FRESNAYE, NÁ OZZETTI & JOAQUIM NABUCO

A BARATA & O MONSTRO - Imagem: The Architect (1913), do pintor cubista francês Roger de la Fresnaye (1885-1925). - A noite e a solidão, a hora avançada. Algo me espreitava, sentia. Não havia como identificar, algo intruso, dividindo comigo o espaço. Como desconfiava, saí conferindo cada recanto do ambiente. Não demorou muito e a intromissão de um asqueroso inseto ortóptero me lembrou daquela que engravidou a língua do selo: enquanto lambia para cola dos envelopes, inchou até não mais conseguir comer, o diagnóstico médico e o corte: saltou uma repulsiva barata, aquela mesma que zanzava nos esconderijos da minha casa. A intrometida era ágil, eu não conseguia pegá-la. Aquela atrevida presença, logo ali, usurpadora de hábito noturno, importuna e detestável. Lancei mão de todos os meios para liquidá-la, tem gente que usa do expediente de ficar em pé de manhã cedinho no meio da casa por três sextas consecutivas recitando: Barata-rabi, que veio fazer aqui? Brigou com compadre e comadre, e se manda daqui! Quando são muitas, chamam-na mulher de padre para que desapareçam de vez da habitação. Até mesmo em jejum sexta de manhã, distribuindo milho pelos cantos da casa, orando: Barata, vai embora!, deixando um dos cantos livre para ela poder sair. Ou mesmo encostado em uma das quinas do recinto: A moça do padre lhe convida pra missa. Vá com ela e seja feliz, igual quem come e não reza, ou quem trabalha no domingo. Ou colocá-las numa caixa e jogá-las para empestar a casa do desafeto vizinho. Dizem, de pés juntos, ser um santo remédio. Eu que duvide. Melhor a do veado que ajeitou sua casa e foi pelo mato procurar vida. Ao retornar ouviu uma vozinha fina lá dentro: Tui-tu, quinanã-ã, xô-xô, curió matou. Curioso, foi ver o que era e saiu amedrontado a toda carreira, quando encontrou o boi disse-lhe que um bicho cantava dentro da casa dele. Quando o boi ouviu a musiquinha da voz fina, disse logo: Isso é o diabo! E fugiram os dois. Contaram pros outros e ninguém teve coragem de ir lá não. Aí apareceu um carreirão de formigas que se prestaram pra resolver o problema. Entraram por baixo da porta e logo voltaram com a responsável: era só uma baratinha, frouxos. E levaram-nas aprisionada. Cada uma! Mas eu sei que para cada barata invasora encontrada, mil delas estão escondidas por aí, e logo nos meus domínios. Isso é lá coisa que dê sossego, meu! Logo uma onívera e vetora mecânica de patógenos, invocando o meu asco, com sua cor marrom avermelhada, é ela que anda roendo minhas roupas e livros, juro, não sei a razão de despertar temores. Cacei, persegui, e ela só me passando de besta, escapando, subiu na parede e, não tive dúvda, dei-lhe uma chinelada certeira de deixar a marca dela e ela cair com as patas pra cima, uma pisada boa, espragatei-la de deixá-la colada no chão. Pronto, finalmente, tudo resolvido. Melhor voltar pra ocupação, não deu, a barata não saía da minha mente, remorso, quem na verdade o invasor? Se ela tem trezentos milhões de anos na Terra, por que eu haveria de liquidá-la sabendo que no universo tem o seu equilíbrio próprio. Ao matá-la será que eu estava causando um desastre ou desequilíbrio na natureza? Nada, coisa de pensar besteira. Dirigindo-me ao sanitário, acendi a luz e repugnava ter de vê-la lá estatelada no chão. Fiz que não vi durante a micção e ao retornar, dei de cara com um monstro gigante na minha cozinha. Oxe! O sangue me fugiu, a covardia invadiu, cabelo em pé, o monstro era ela, agora vingativa na minha direção. Quem era agora o invasor? Eu ou ela? Procurei nos quatro cantos a fuga, um buraco no chão, qualquer coisa para sair daquela situação, a gigante já me alcançava, agora era eu a vítima pronto para ser espragatado por ela, fechei os olhos e sem saída lutei o mais que pude, esmurrando, às pernadas, de tudo nada resolvia, mas não me rendia, ia até às últimas, não cedia e repulsava como podia, não me entregava, nunca, morreria lutando até a última gota de vida, e me vi completamente envolvido por suas garras, sua gosma me melando todo, ousei gritar e lavado em suor, levantei em pânico. O pesadelo me atormentava no meio da noite. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com Preto & Branco & Trem Mineiro do músico, arranjador, regente, pianista e compositor Wagnert Tiso (Veja mais aqui & aqui); e Love Lee Rita & Ná, da cantora e compositora Ná Ozzetti (Veja mais aqui & aqui). Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] a arte é considerada política porque mostra os estigmas da dominação, porque ridiculariza os ícones reinantes ou porque sai de seus lugares próprios para transformar-se em prática social [...] precisamos questionar essas identificações do uso das imagens com a idolatria, a ignorância ou a passividade, se quisermos lançar um olhar novo sobre o que as imagens são, o que fazem e os efeitos que produzem [...]. Trechos extraídos da obra O espectador emancipado (Martins Fontes, 2012), do filósofo e professor francês Jacques Rancière. Veja mais aqui.

INESTÉTICA – [...] Didatismo, romantismo, classicismo são os esquemas possíveis do entrelaçamento entre arte e filosofia, o terceiro termo correspondendo à educação dos sujeitos, particularmente da juventude. No didatismo, a filosofia entrelaça-se com a arte na modalidade de uma vigilância educativa de seu destino extrínseco ao verdadeiro. [...] foram didáticas por seu desejo de dar um fim à arte, pela denúncia de seu caráter alienado e inautêntico. Românticas também, pela convicção de que a arte deveria renascer de imediato como absolutez, como consciência integral de suas próprias operações, como verdade imediatamente legível de si mesma. Consideradas como proposta de um esquema didático-romântico, ou como absolutez da destruição criadora, as vanguardas eram, antes de mais nada, anticlássicas. [...]. Trechos da obra Pequeno manual de inestética (Estação Liberdade, 2002), do filósofo, dramaturgo e novelista marroquino Alain Badiou, entendendo por inestética [...] uma relação da filosofia com a arte, que, colocando que a arte é, por si mesma, produtora de verdades, não pretende de maneira alguma torná-la, para a filosofia, um objeto seu. Contra a especulação estética, a inestética descreve os efeitos estritamente intrafilosóficos produzidos pela existência independente de algumas obras de arte.

JOAQUIM NABUCO – O município de Joaquim Nabuco é formado pelo distrito sede e pelos povoados de Usina Pumati, Arruado e Baixada da Areia. O povoamento na região deu-se através dos trabalhadores dos engenhos Pumaty, Boa Vista e Cuiabá, que foram construindo suas palhoças, as casas e a capela. Inicialmente o povoado denominava-se Preguiça. Esta denominação é atribuída às embaúbas ou "pau-de-preguiça" da região. Entretanto, há registro de que a origem do nome seria devido ao dia da feira: segunda-feira, que era considerado o dia da preguiça. As autoridades locais solicitaram a mudança de nome para homenagear o jurista, diplomata, historiador e político Joaquim Nabuco (1849-1910): De um lado do mar, sente-se a ausência do mundo; do outro, a ausência do país. O distrito foi criado em 9 de novembro de 1892 e pertencia ao município de Palmares. Elevado à categoria de município com a denominação de Joaquim Nabuco, pela Lei estadual nº 1819, de 30 de dezembro de 1953 e instalado em 15 de maio de 1954. A atividade econômica predominante é a agroindústria açucareira, prevalendo na agricultura a cana-de-açúcar, mandioca, banana e maracujá. Veja mais aqui.

O OLHAR E O VISTO – [...] O prazer do olho não se obtém pelo toque direto, como é o caso das outras zonas erógenas (boca, ânus), mas por esse investimento imperceptível que transforma o outro em um objeto agalmático. Eis por que Freud destaca que o olho é a zona erógena mais distante do objeto sexual. No caso da pulsão escópica, a satisfação se dissocia do prazer do órgão-olho. Sua satisfação, evidentemente, não é obtida pela manipulação dos olhos, mas por sua propriedade háptica de tocar de longe o objeto sexual, desnudá-lo e comê-lo com os olhos [...]. Trecho extraído da obra Um olhar a mais: ver e ser visto na psicanálise (Jorge Zahar 2004), do psicanalista Antonio Quinet.

PANTALEÓN & AS VISITADORAS - [...] dedicou-se a estabelecer os primeiros contatos com vistas à contratação. Graças à cooperação do individuo que atende pelo nome de Porfirio Wong, mais conhecido como China, a quem conheceu por obra do acaso no centro noturno denominado Mao Mao (Rua Pebas, 260), fez uma visita, altas horas da noite, ao local de diversão freqüentado por mulheres de vida alegre dirigido por dona Leonor Curinchila, ou Chupechupe, comumente conhecido pelo nome de Casa Chuchupe e sito na estrada para o balneário de Nanay. Sendo a citada Leonor Curinclila amiga de Porfirio Wong, este último pôde apresentar-lhe o abaixo assinado, que, na ocasião, fez-se passar por comerciante (do ramo de importação/exportação) recém-instalado em Iquitos e à prcura de distrações. A referida Leonor Curinchila mostrou-se cooperativa e o abaixo assinado conseguiu – sem outra alternativa, para tanto, sebão ingerir muitos cálices de licor (recibo 8) – obter dados interessantes relacionados ao sistema de trabalho e costumes do pessoal daquele estabelecimento. Assim é que na Casa Chuchupe cerca de dezesseis mulheres formam o que se poderia denominar plantel estável, visto que há outras, entre quinze e vintém que trabalham irregularmente, comparecendo alguns dias, faltando outros, por razões que abarcam desde doenças veneras (p. e., gonorréia ou cancro) contraídas no exercício dos atendimentos, até transitórios amancebamentos ou contratos por temporada (p.e., madeireiro contra a acompanhante para viagem de uma semana à selvba)m que as afastam temporariamente do centro de trabalho. Em síntese, o pessoal completo, entre estável e flutuante, da Casa Chuchupe, são mais ou menos trinta meretrizes, embora o plantel efetivo (porém renovável) de cada noite chegue à metade desse total. [...] não sendo raro ver-se pela rua senhoritas de aparência muito sedutora, de ancas desenvolvidas, bustos turgescentes e andar insinuante, às quais, pelos padrões litorâneos, se atribuiria uma idade de vinte ou vnte e dois anos, mas que na realidade têm apenas treze ou catorze [...] corpos atraentes e arredondados, sobretudo em se tratando de ancas e seios, membros que tendem a ser generosos neste campo da Pátria, e rostos apresentáveis, muito embora, quando observadas de perto, aqui se verifique apresença de um maior número de defeitos, não quanto à fealdade de nascimento, mas adquirida por acne, varíola e queda de dentes, sendo este último acidente uma coisa comum na Amazônia, em decorrência do clima debilitante e das insuficiências dietéticas. [...] dentre a matizada gama de atendimentos prestados, figuram desde a simples masturbação efetuada pela meretriz (manual: 50 sóis; bucal, ou corneta: 200 sóis), até o ato sodomita (em termos chulos, “trilha estreita” ou “com cocozinho”: 250 sóis), o 69 (200 sóis), espetáculo sáfico ou “panqueca” (200 sóis cada), ou casos menos freqüentes, como os de clientes exigirem dar ou receber golpes de açoite, vestir ou assistir a fantasias e ser adorados, humilhados e mesmo defecados, extravagâncias cujas tarifas oscilam entre 200 e 600 sóis. [...] teve condições de concluir, mediante brincadeiras e perguntas capciosas, que as mais graciosas e eficientes podem, numa noite de trabalho (sábado ou véspera de feriado), efetuar cerca de vinte atendimentos sem ficar excessivamente exaustas, o que dá margem à seguinte formulação: um comboio de dez visitadoras, selecionadas as de maior rendimento, estaria em condições de realizar 4800 atendimentos simples e normais por mês (semana de seis dias), trabalhando full time e sem contratempos. Ou seja, que para cobrir o objetivo máximo e ambicioso de 104.712 atendimentos mensais seria necessário contar com um corpo permanente de 2115 visitadoras de categoria máxima trabalhando em tempo integral e sem nenhum tipo de contratempo. Possibilidade, naturalmente, quimérica a essas alturas [...]. Trechos da obra Pantaleón e as visitadoras (Globo/Folha São Paulo, 2003), do escritor, jornalista e político peruano Mario Vargas Llosa, Prêmio Nobel de Literatura de 2010. Veja mais aqui, aqui & aqui.

NOTURNO & CELEBRAR ESTE MUNDO – NOTURNO: Não sou o que te quer. Sou o que desce / a ti, veia por veia, e se derrama / à cata de si mesmo e do que é chama / e em cinza se reúne e se arrefece. / Anoitece contigo. E me anoitece / o lume do que é findo e me reclama. / Abro as mãos no obscuro, toco a trama / que lacuna a lacuna amor se tece. / Repousa em ti o espanto que em mim dói, / noturno. E te revolvo. E estás pousada, / pomba de pura sombra que me rói. / E mordo o teu silêncio corrosivo, / chupo o que flui, amor, sei que estou vivo / e sou teu salto em mim suspenso em nada. CELEBRAR ESTE MUNDO: Celebrar este mundo adivinhando / a incurável leveza, a inabalável / certeza do esplendor interminável / da luz de Deus, aurora ruminando / para sempre a quietude do imutável./ Somos reflexos dessa luz, um bando / de flamingos ardendo, misturando- / se ao sol nascente, ao inimaginável / incêndio indescritível, todo asas, / todo luz… Somos feitos como brasas / abrindo o voo, somos como o voo / dos flamingos em brasa ao oriente…/ E nunca há de apagar-se aquele ardente / sol perfeito que neles se espelhou. Poemas do premiado poeta Bruno T0lentino (1940-2007), opositor do movimento modernista, da cultura popular e da poesia concreta.

A ARTE DE FRANCINE VAYSSE
A arte da pintora francesa Francine Vaysse.

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A literatura de Gustave Flaubert aqui, aqui & aqui,
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O pensamento de Rajneesh aqui, aqui, aqui e aqui.
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A ARTE DE ROGER DE LA FRESNAYE
A arte do pintor cubista francês Roger de la Fresnaye (1885-1925).

 

segunda-feira, dezembro 11, 2017

JAMES JOYCE, DELEUZE, JOAQUIM CARDOZO, AGAMBEN, RODOLFO AMOEDO, ARRIGO BARNABÉ & VÂNIA BASTOS, LUCIAH LOPEZ, NA ERA DO RADIO & BEZERROS

COMEÇAR, RECOMEÇAR & DOIS MILHÕES DE BEIJABRAÇÕES - Imagem: foto de Alexandre Buisse – A vida pra ser vivida é feita de ação, movimento. Bola pra frente! E seguir cada qual sua estrada. Reconheço que todo aclive seja obstáculo, nada que uma motivação não vença! É só querer, mesmo que seja embaixo da maior chuva de canivete, ou queda de meteoros, ou desaforos, ou no meio de uma saraivada de pedras, apupos, remoques. Ninguém chega ao topo sozinho ou somente por seus próprios esforços, mesmo que se veja solitário na subida pro topo do mundo ou pra baixo da ponte, entre torcidas do contra, escárnios, xingamentos. Só isto já vale a pena, sou um sortudo: entre zilhões de espermatozóides, fui aquele que persistiu e sobreviveu, fertilizando o óvulo. Não fui abatido, nem estou liquidado, sigo adiante. Minha mãe foi a escolhida e a ela sou eternamente grato. A meu pai, minha reveência. Posso não ter sido o que sonharam ou desejaram. Fazer o quê? Sou o que sou, o melhor que posso a cada dia. E saúdo os que chegam junto ou os que se evadiram, ou se acovardaram ou estranharam, ou que tiveram a maior má vontade ou fizeram que não sabiam de nada, perguntando o que é que é isso, e coisa e tal, enfim, saúdo, vivas! Agradeço sem rancores ou cobranças, e agradeço porque, de uma forma ou de outra, contribuíram assim mesmo para que eu buscasse uma saída quando não havia mais nada em que amparar, sem essa contribuição, com certeza, eu jamais tomaria a iniciativa e jamais chegaria aonde cheguei. Cheguei mesmo onde? Sei lá, pouco importa. No caminho do Sol, agradeço todos os dias a graça de viver. Se não tenho nada pra comemorar, junto os trapos, pedaços e troços, saio feliz de bolsos vazios e braços abertos, mesmo que me tenham por falido ou derrotado, vou adiante, topadas, derrapadas, espalhando afeitos e solidariedade. Minha gratidão aos que se fizeram presente, zilhões de abraços! Aos que se foram sem terem chegado às vias de fato, meu desejo de boa viagem e saravá! Aos que se acham incólumes pra condenarem a mim e a quem quer que seja, e aos esculachos se acharam donos da razão e mandaram ver sem ter nem pra quê, com areia e cimento, atirando pedras, gestos hostis e a última pá de cal, minha gratidão. Este é só o começo, eterno recomeço. Dois milhões de beijabrações procês! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com o músico, compositor, radialista e ator Arrigo Barnabé, apresentando músicas dos álbuns Clara Crocodilo (1980), e apresentações em show ao vivo; e a cantora da Vanguarda Paulista, Vânia Bastos: Canta Mais & Tocar na Banda. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui & aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] o estado de exceção tende cada vez mais a se apresentar como o paradigma de governo dominante na política contemporânea. Esse deslocamento de uma medida provisória e excepcional para uma técnica de governo [...] apresenta-sem nessa perspectiva, como um patamar de indeterminação entre democracia e absolutismo. [...]. Trecho extraído da obra Estado de exceção (Boitempo, 2004), do filósofo italiano Giorgio Agamben, criador da teoria do homo sacer e tratando sobre o estado de exceção como paradigma de governo, força-de-lei, luta de gigantes acerca de um vazio, festa, luto, anomia, auctoritas e potestas,

DO LEGAL & ILEGAL - [...] as leis não se opõem à ilegalidade [...] Umas organizam explicitamente o meio de não cumprir as outras. A lei é uma gestão dos ilegalismos, permitindo uns, tornando-os possíveis ou inventando-os como privilégios da classe dominante, tolerando outros como compensação às classes dominadas, ou, mesmo, fazendo-os servir à classe dominante, finalmente, proibindo, isolando e tomando outros como objeto, mas também como meio de dominação. [...]. Trechos da obra Foucault (Brasiliense, 2005), do filósofo francês Gilles Deleuze (1925-1995). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

BEZERROS – O município de Bezerros é formado pelos distritos sede, Encruzilha, Sapucarana e Boas Novas e pelos povoados de Serra Negra, Sítio dos Remédios, Cajazeiras e Areias. A sua origem data de 20 de maio 1870, quando foi implantado um grande comércio de gado, iniciando o povoamento do local. Algumas versões da história de Bezerros tentam explicar o nome da cidade. A primeira diz respeito ao sobrenome da família Bezerra, que foi a primeira proprietária das terras. A segunda diz que o local foi, primitivamente, uma queimada de bezerros. A terceira conta que um dos filhos da família Bezerra se perdeu na reserva florestal no dia 18 de Maio, tendo sido feita uma promessa a São José, sendo a criança encontrada com vida dois dias após seu sumiço, ou seja, dia 20 de Maio, ao pé de frondosa árvore onde foi erguida uma Capela sob a invocação de São José dos Bezerros. Anualmente, no dia 18 de maio se comemora a sua emancipação política. O município está inserido nas bacias do Rio Ipojuca e o seu carnaval é um dos mais prestigiados, sendo também conhecida como a terra do Papangu, tradição festiva na qual as pessoas se vestem com máscaras de todos os tipos durante as festas carnavalescas. Veja mais aqui.

FINNEGANS WAKES – [...] Então Esta é Dubilingue? Halto! Cautela! Ecolândia! Heis um caminho esquisito! Lembra, de rasto, a deslavada negravura que bostumávamos manchar no borramuro de sua pensão intistinta. Crostumavam? (Estou certo de que aquele chatigante matracavo com sua caixa de chocolates mujicais, Muco Michel, está escutando) Digo, restos da desusada gravultura onde postumavam murchar os Ptolomens dos Incabus. Gostumávamos? (Ele está apenas pretrendentro estar peliscando a harpa jubalar de um segundo existinto ouvivente, Fero Farelo). Isto é bem conhecido. Ferrolha-te a ele mesmo e vê o velho novo em folha. Dbin. W. K. O. O. Ouve? Junto ao muro do mausolimo. Finfim finfim. Um cortejo funébrio. Fumfumfumfum. É optopfone que ontofana. Ouve! A mágica mentira de Wheatstone. Eles lutharão por mil lírios. Eles escutarão por mil heras. Eles retumbarão por mil luras. Seus daedos tangerão a harpscordia por mil liras. [...] Trecho do Panorama do Finnegans Wake (Perspectiva, 1971), de Augusto e Haroldo de Campos, com fragmentos, sinopse e síntese biobliográfica acerca do último romance publicado em 1939, do escritor irlandês expatriado James Joyce (1882-1941), que se tornou um dos grandes marcos da literatura experimental e sua multiplicidade de significados. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

O CORONEL DE MACAMBIRA – [...] Doutor: Também previno e advirto / para o bem-estar geral: / cuidado tenham, cuidado / com aqueles eu praticam / a medicina ilegal. / No meio justo objetivo / de evitar o grande mal / de tantas charlatanices / empreguei na ciência médica / organização vertical. / Vou dizer sumariamente / em que consta este ideal: / servindo à comunidade / dentro dos mais sãos princípios, / dispomho de consultório / e de hospital bem montados / nos quais dirijo e executo / serviço especializado / no domínio operatório. / Para não ser explorado / pela ganância, e o abuso / evitar de desonestos / fabricantes de remédios, / com perfeição realizo / num grande laboratóiro / as drogas de que preciso. (O doutor vai-se aproximando do boi para examiná-lo, mas continua a explicar a sua organização): / Tenho ali bem instalados / banco de sangue e de córneas, / tão úteis à medicina / sem dúvida. Mesmo agora / criri um banco a que dei / o nome de Celestina [...]. Trecho da peça teatral O coronel de macambira: bumba-meu-boi em dois quadros (Fundação de Cultura Cidade do Recife, 2005), do poeta, dramaturgo, engenheiro civil, desenhista, professor e editor Joaquim Cardozo (1897-1978). Veja mais aqui e aqui.

CUMPLICIDADE
... e a pele se junta à pele na eternidade da carne e o Verbo se conjuga no abração e na boca que faz juras de amor eterno a palavra perpetua o eco do amor de outras eras.
Poema/imagem da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez, em comemoração aos dois milhões de acessos ao blog Tataritaritatá. Veja mais aqui.

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DOCUMENTÁRIO: NA ERA DO RÁDIO – SHOW DE CALOUROS
Documentário Na era do rádio: Show de Calouros. Participção dos artistas palmarenses: Rosa Maria, Val dos Anjos, Batista Silva, Rudimar Tempero Gostoso, Fernando Santos, Linaldo Martins (Zé Linaldo) & apresentação de Marquinhos Cabral. Direção Genésio Cavalcanti. Cinegrafista: Luiz Heitor Cavalcanti. Lançamento em breve.

A ARTE DE RODOLFO AMOEDO
A arte do pintor Rodolfo Amoedo (1857-1941)

 

sábado, dezembro 09, 2017

HERMANN BROCH, BERTOLDO KRUSE. TAMARA KAMENSZAIN, JENNIFER RUBELL, ORQUESTRA ARMORIAL, LUPEMPROLETARIADO & PRIMAVERA

PALMARES, SONHOS & VENTOS - Imagem: Paradiso, da escultora, pintora e artista conceitual estadunidense Jennifer Rubell. - Trago uma rosa ao peito e nas mãos, confesso dúvidas e cansaço, reajo o tanto que posso das profundezas do meu ser desacorrentado, derrubando muros e paredes, ameaças e rendições, cavernas e mentiras. Saí de casa domingo e nem sei que dia é hoje, o que fiz, eu não sei, esqueci no câmbio das marchas subindo ladeiras enquanto o meu poema atravessa os céus e eu rompo a barreira ocidental para que a Terra seja inteira, não meio olho, meio gozo, meia luz, meia vida vendida na esquina como se fosse qualquer no meu coração de mar aberto. Vou com meu andar descrente pelos inauditos gritos da Rua Esconde Negro, um horizonte escurecido pelo bestiário antigo feito de agora pela cidade destroçada na ambição dos tesouros ocultos e apodrecidos nomes do canavial empestando a mordida da penúria impiedosa dos que se danam a arrancar o ouro do chão perdido por dias anoitecidos no consumo da vida e das horas de solidão. Não sei se hoje é terça ou quinta da emancipação de 9 de junho, sei que a feira do mercado está em polvorosa, coisa de parecer um sábado qualquer, ao descer a Rua Nova, se vou pra Rua da Ponte ou rumo à Soledade, a vontade de chupar frutas no quintal do passado, correndo o matagal, por avelois e bambus, canaviais. Se me dou conta, alcanço o Beco do Mijo lembrando do tempo em que empinei papagaio, comi quebra-queixo, os roletes de cana, a Festa do Dia 8 caindo de cima da casa numa lavanderia cheia de garrafas e dormir o sono como quem vagueia pela Rua da Palma até alcançar o Engenho Verde pra ir pra Serro Azul e deparar com Catuama, o sinal do último refúgio, quando me vem à memória a professora Hilda Galindo Correia nas aulas do primário na Maçonaria e Dudu Bode-Branco mangando das minhas leseiras de pular o pó de serra, porque eu fugia para a Biblioeta de Jessiva e lá Aluizio Freitas encrecava comigo para eu falar com Maurício Baita que me perguntava cadê Mauriciinho e Giba, hem? Quantas vezes sucumbi e renasci das cinzas no meio dos alunos do Ginásio com os quadros das mulheres de Darel Valença Lins na cabeça, as inatalações e performances de Tunga tocando fogo nas minhas ideias que estavam nas pinturas de Murilo Lagreca e eu nem sabia ainda das telas de Profeta que apenas poetava aos meus ouvidos, enquanto eu me danava com a Besta do Berto e a música de Zé Ripe. Quantas vezes recorri às mãos apoiadoras de Paulo Cabral, ao abraço solidário do Juareiz Correya, ao afeto estrangeiro de Durán y Durán nas Noites da Cultura que me falavam de Paul que invadi com Bagaço embaixo do braço para me entreter no Cocão do Padre, ou ficar zanzando na Rua das Pedreiras para ver o rio passar e encher a cidade para lavar tudo e eu correr pelo pontilhão do Matadouro até subir por Bigode e ver tudo de longe porque chorei demais. Muitas vezes fiquei sem saber se fugia por Japaranduba BR afora ou se ficava com a saparia do Caçotinho no arruado da Usina. Não, eu não sabia nada, cabeça de vento e fé na vida. Tantas vezes mergulhei sem saber nada e fiquei íntimo do Una, das quedas de Pirangi e do Riacho dos Cachorros e providente intervenção de Rodolfo para me salvar da morte certa, olhos à flor d’água flagravam tardias estrelas no firmamento, a saudade é um fantasma reluzente na ausência, quantas noites no lenço molhado e peito em chamas, quase tudo é deserto nas cabeças pra lá e pra cá, os olhos de fogo e o coração em ruínas, não sabem dizer de si enquanto vivem a vida que não possuem, só estranhos com outro estrangeiro que querem ser, sombra nomeada na identidade, espantalhos que morrem e saem pelas ruas comprando afetos. As praças deram guarida ao meu abandono, a da Luz e Maurity, o colo plácido dos bancos das praças, a brisa morna e o meu degredo nas pegadas infames que imperam no silêncio e os ventos trazem as águas de julho pra lembrar dos desatinos atravessando palavras que nunca foram escritas e que são gritadas para inflar a descrença da razão e a doidice dos órfãos, ninguém é capaz de amar na insanidade dos gestos, só o coito abrasado nos corpos extravasados pelas estacas dos interditos, como prêmio da hipocrisia nos cinturões de misérias e fortuna das desgraças no estandarte da festa. A rosa é viva no meu coração e nas minhas mãos elas brotam para que eu possa poetar aos quatro ventos, para que eu possa aos quatro cantos da cidade, cantar o meu poema de amor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com Chamada da Orquestra Armorial & Do romance ao galope nordestino do Quinteto Armorial. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Urge modificar o que se constata frequentemente no Nordeste – o drama das populações que nãopodem satisfazer a mais imperiosa das necessidades, que é a de se alimentar. Essas populações merecem e necessitam algo mais, além da esperança e da promessa.  Trecho do artigo Políticas de alimentação e nutrição no Brasil: delineamentos conceituais e propositivos, de Bertoldo Kruse Grande de Arruda & Ilma Kruse Grande de Arruda, extraído da obra Reflexões para transformar possibilidades em realidades, de Bertoldo Kruse (IMIP, 2010). Veja mais aqui.

LUPEMPROLETARIADO – [...] Nas piores conjunturas, de crescente agravamento do pauperismo, quando aumentam os segmentos de subempregados e desempregados pertencentes à classe trabalhadora, esta pode desagregar-se, e uma parte dela, premida pela miséria e pela ausência de alternativas, está sujeita a deslocar-se para o lupemproletariado. Mas, enquanto o pauperismo é uma condição econômica inerente à existência do capitalismo, o lupemproletariado é simplesmente um efeito perverso do desenvolvimento capitalista, do mesmo modo que “certas formas atuais do crime são uma conseqüência da ordem social mas não pré-requisito”. [...]. Trecho da obra As classes perigosas: banditismo urbano e rural (EdUFRJ, 2008), do ensaista e pesquisador da justiça social Alberto Passos Guimarães (1908-1993). Veja mais aqui e aqui.

PRIMAVERA – O município de Primavera administrativamente é formado apenas pelo distrito sede e pelo povoado de Pedra Branca. O seu povoamento deu-se em torno do engenho Primavera, sendo o distrito criado pela Lei Municipal nº 19, de 27 de novembro de 1913, subordinado ao município de Amaraji. Pelo Decreto-Lei Estadual nº 952, de 31 de dezembro de 1943, passou a denominar-se Caracituba. Tornou-se município autônomo, com a denominação de Primavera, pela Lei Estadual nº 4.984, de 20 de dezembro de 1963. O município foi instalado em 2 de março de 1964. Conta com o Parque Ecoturístico da Cachoeira do Urubu, no qual encontra-se uma das cachoeiras mais altas do estado, com 77 metros de queda d’água, emoldurada pela Mata Atlântica. Segundo os antigos moradores, a cachoeira tem este nome por ser local de desova e acasalamento de urubus. A cachoeira é muito procurada para a prática de canyoning (descida de cachoeiras através de cordas). Infelizmente as águas da cachoeira provém do Rio Ipojuca, atualmente poluído, o que torna as águas impróprias para banho. Entretanto há no parque quatro piscinas naturais oferecidas pelas cachoeiras do Banho da Zezé e Poço da Mata, abastecidas pelas nascentes da região que possibilitam o banho. Veja mais aqui.

A MORTE DE VIRGÍLIO – [...] conservava-se diante de seus olhos. [...] a severa imagem do conhecimento da morte, e profissão alguma podia ser adequada a ela, já que não existe nenhuma que não estivesse sujeita exclusivamente ao conhecimento da vida, nenhuma, com a única exceção daquela à qual finalmente se sentira impelido e que se chama Poesia. [...]. Trechos da obra A morte de Virgílio (Mandarim, 2001), do escritor austríaco Hermann Broch.

SOZINHAAgora que enfim estou desvelada / como que pra comprovar que algo cresci / sei que não só o sorriso daquele homem / como também seus gestos / e que não só esses gestos / como também suas palavras / tudo me alcança posso caminhar / acrobata cambaleante porém segura / pela corda bamba da minha própria casa. Poema extraído do livro La novela de La poesia (Adriana Hidalgo, 2012), da poeta e ensaísta argentina Tamara Kamenszain, traduzido por Guilherme Gontijo Flores.

ARTE JENIFER RUBELL
A escultora, pintora e artista conceitual estadunidense Jennifer Rubell.

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A literatura de Clarice Lispector aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
A literatura de John Milton aqui.
A literatura de Aníbal Machado aqui, aqui e aqui.
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A ARTE JENIFER RUBELL
A escultora, pintora e artista conceitual estadunidense Jennifer Rubell.


BANDEIRA, MONTELLO, AMIEL, VIVEIROS DE CASTRO, GAL COSTA, KANDINSKY, MINAMI KEIZI, BETO GUEDES, CONFERÊNCIA DE CULTURA & CAETÉS

O QUE SEI DO QUE APRENDI - Imagem: Aviso em dois, do pintor russo Wassily Kandinsky (1866-1944) - Há muito tempo que eu estudo, gosto de ...