domingo, maio 18, 2014

POBREZA


POBREZA – O tema da pobreza tem sido objeto de atenção cada vez mais intensa por parte dos governos, organizações internacionais e, consequentemente, institutos de estatística, tendo em vista que o fenômeno da pobreza sempre existiu, mas sua interpretação tem variado muito ao longo do tempo.
Tradicionalmente, a condição de pobreza era entendida como algo natural, inevitável e inerente a uma parte grande, se não a maior, da humanidade, mas só se tornava objeto de preocupação de governantes e estudiosos dos fenômenos da economia e das populações quando os pobres, de alguma forma, saiam ou eram uma ameaça à ordem constituída, a pobreza era uma questão moral, consequência da falta de ética de trabalho e sentido de responsabilidade dos pobres, ou o efeito inevitável do desenvolvimento da economia industrial e de mercado.
Inicialmente convém conceituar pobreza para que esta possa ser observada dentro da problemática social, tendo em vista que a pobreza passa pelo problema econômico, biológico, educacional, cultural, dentre outros. Assim sendo, tradicionalmente definida como falta de poder econômico, a pobreza também significa carência de assistência médica, nutrição adequada, educação e emprego. Pessoas que não se alimentam apropriadamente são incapazes de se educar, aprender habilidades profissionais e conseguir ou manter ocupação rentável.
O Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas enfatiza que cerca de 1,3 bilhão de pessoas, mais de um quinto da população mundial se sustentam com pouco mais de um dólar por dia e vivem, consequentemente, em pobreza absoluta; que aproximadamente 840 milhões de pessoas em todo mundo, em dados do início dos anos 2000, um em cada sete indivíduos sofrem de subnutrição; embora a produção mundial de alimentos seja significativa, os mais necessitados carecem de alimentação; quando os níveis de saúde e produtividade de uma nação declinam, esta torna-se vulnerável à instabilidade social, política e econômica. No entanto, é conveniente observar que as causas da pobreza não podem ser individuais, mas estruturais: a exploração do trabalho pelo capital, o poder das elites que parasitam o trabalho alheio saqueando recursos públicos, e a alienação das pessoas, criada pelo sistema de exploração, que impede que elas tenham consciência de seus próprios problemas e necessidades
A pobreza e a desigualdade, conforme Abranches (1985) e Codo (1996), são tão antigas quanto a humanidade, e sempre vieram acompanhadas de forte sentimentos morais. E conforme Oliveira (2000), para Malthus a causa principal da pobreza era a grande velocidade com que as pessoas se multiplicavam, em contraste com a pouca velocidade em que crescia a produção de alimentos. O problema se resolveria facilmente se os pobres controlassem seus impulsos sexuais e deixassem de ter tantos filhos. Ou melhor, a visão malthusiana da pobreza era extrema, e colidia com o valor da caridade, tão presente na tradição judaica, cristã e de outras religiões. Em todas as sociedades, sempre se reconheceu a virtude de ajudar aos pobres, ao mesmo tempo em que aceitava a inevitabilidade das diferenças sociais e da miséria humana.
A ideia de que as causas da pobreza e os caminhos para sua solução não dependem da vontade ou do caráter dos indivíduos, mas das relações entre as pessoas, sempre esteve presente nas formas mais radicais do cristianismo, e, na época moderna, nos escritos e movimentos políticos socialistas e comunistas. Para uns, a solução dependia ainda de uma regeneração moral, não mais dos pobres, mas dos ricos, cujo egoísmo e acaricia deveriam ser transformados em verdadeira caridade e sentimento de justiça.
Entende a teoria marxista de que a desigualdade e a pobreza são produzidas inevitavelmente pelas sociedades capitalistas. Assim, para os marxistas, esta crença no poder transformador das convicções e da força moral era o que caracterizava o "socialismo utópico", que deveria ceder lugar a um "socialismo científico", que entendesse a verdadeira natureza dos conflitos sociais, e os levasse à sua conclusão natural. A história da humanidade, dizia o Manifesto Comunista, era a história da luta de classes, e era através dela que os problemas da pobreza encontrariam sua solução. No entanto, com o capitalismo, as antigas classes estavam desaparecendo, restando apenas a burguesia e o proletariado, que se confrontariam na luta final pelo fim da pobreza e da desigualdade social.
As suas consequências, para Bauman (1999), leva ao entendimento de que a pobreza leva ao processo de degradação social que nega as condições mínimas de vida humana. A soma do resultado “fome-pobreza”, derivam outros fatores que “enfraquecem os laços sociais” e passam a destruir também, os laços afetivos e familiares. Todas as tentativas de mudança encontram barreiras e sua eficiência é momentânea, pois, este sofrimento da sociedade humana tem como precedente, amaras, que são facilmente retraçadas e mutáveis pela globalização e pelo sistema de produção capitalista.
É preciso entender que definir e medir a pobreza a calcular as porcentagens dos pobres de um país ou de uma região não é uma questão só de cifras e médias. Certos fatores geográficos, biológicos, sociais, entre outros, multiplicam ou reduzem o impacto exercido pelos rendimentos sobre cada individuo. Entre os mais desfavorecidos faltam em geral determinados elementos, como instrução, acesso à terra, saúde e longevidade, justiça, apoio familiar e comunitário, crédito e outros recursos produtivos, voz nas instituições e acesso a oportunidades.
Entendem Abranches (1985) e Codo (1996) que é possível se obter duas formas para a identificação da pobreza. A primeira é o método direto, consistido este em classificar na faixa de pobreza todas as pessoas cujo nível de consumo de certos bens e serviços, aqueles considerados essenciais à sobrevivência, está abaixo de um certo mínimo; a segunda forma é chamada de método da renda, onde consiste em se calcular o nível de renda associado à satisfação mínima das necessidades básicas, estabelecendo assim uma linha de pobreza. Isto quer dizer que todo o indivíduo com rendimentos abaixo desta linha é considerado pobre. Das duas formas a de mais aceitação seria a de método da renda, pois, através dela é possível quantificar a renda mínima necessária para a sobrevivência, e todo que estivessem abaixo desta seria considerado pobre.
A pobreza aparece como um sigma, daí que os sociólogos afirmam que a pobreza evoca uma condição humana humilhante. Distingue–se, pois, três níveis de pobreza, que formam ciclos concêntricos: o maior inclui todos os pobres, qualificados em relação ao seu baixo nível de renda; o segundo, menor, reagrupa os pobres que se beneficiam de certa alocação social, mas ao mesmo tempo são considerados como pessoas depravadas e mal formadas. O terceiro reúne os que recebem ocasionalmente uma alocação (CODO, 1996).
O estigma da degradação, de maneira tradicional, confunde a pobreza com a pratica de atos ilícitos. Retrocede–se à ideia medieval dos bons e maus pobres. Neste sentido, destacam–se, também os reflexos de condenação que surge do espetáculo da pobreza. Essas atitudes e representações são interiorizadas pelos próprios pobres. Uma vida fundada sobre a exclusão social, constitui a verdadeira definição da pobreza.
Enfim, há que se entender que a pobreza é um mundo complexo e a descoberta de todas as suas dimensões exige uma análise clara. Ou seja, ser pobre não significa apenas viver abaixo de uma linha imaginaria de pobreza, mas é ter um nível de rendimento insuficiente para desenvolver determinadas funções básicas, levando em conta as circunstâncias e requisitos sociais circundantes, sem esquecer a interconexão de muitos fatores.

É preciso respeitar melhor a vida
no amor que traz a paz que é tão bem-vinda.
Amar para se ter além do passional
e o coração valer o ser humano universal.

É preciso respeitar as diferenças
e não se equiparar ao que é hostil nas desavenças.
Lutar contra a mantença desigual
que forja o algoz na força do poder irracional.

Se entregar agora, todo dia e a noite inteira,
testemunhar assim as coisas verdadeiras.
Colher a lágrima do olhar mais desolado
para irrigar a sede do carinho devastado.

É preciso ter no olhar a flor da vida,
trazer a luz do sol nas mãos amanhecidas.
E perceber o amor no menor gesto natural
para valer o sonho mais presente mais real.

E afinal poder sorrir
como quem vai feliz viver,
a manter a crença e o seu proceder na paz.
Semear a vida no ideal de colher
o que virá depois
pra ser alegria imensa para um mais dois, mais!
Viver a vida pelo que foi e será, é e será!
(CRENÇA, Luiz Alberto Machado)

REFERÊNCIAS
ABRANCHES, S. Os Despossuídos, Crescimento e Pobreza no País do Milagre, Rio de Janeiro, Atlas, 1985
BAUMAN, Zygmunt. Globalização: As consequências humanas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999. 
BRASIL. Censo 2000. Brasília: IBGE, 2002
CODO, W. et al. Indivíduo, trabalho e sofrimento. Petrópolis: Vozes, 1996.
LIRA, Fernando José. Crise, privilégio e pobreza. Maceió: EDUFAL, 1997.
____. Realidade, desafios e possibilidades. Maceió: EDUFAL, 1998
OLIVEIRA, Pérsio Santos. Introdução á sociologia. São Paulo: Ática, 2000.


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