sexta-feira, janeiro 23, 2015

MANET, STENDHAL, BLAVATSKY, JOÃO UBALDO, JEANNE MOREAU & VITAL FARIAS


VIVA O POVO BRASILEIRO – Sempre tive os maiores deleites nas leituras que fiz do grande e imortal escritor baiano João Ubaldo Ribeiro (1941-2014). Entre seus livros, não menos prazeroso foi a detida e quase de um fôlego só devorar Viva o Povo Brasileiro (Nova Fronteira, 1984). Tive que me segurar para não ter um troço de tanto rir. Trago aqui um fragmento dessa magnífica obra para que todos tenham uma pequena ideia da maravilha de livro que é: [...] O comportamento das almas inopinadamente descarnadas, sobretudo quando muito jovem, é objeto de grande controvérsia e mesmo de versões diametralmente contraditórias, resultando que, em todo o assunto, não há um só ponto pacífico. Em Amoreiras, por exemplo, afirma-se que a conjunção especial dos pontos cardeais, dos equinócios, das linhas magnéticas, dos meridianos mentais, das alfridárias mais potentes, dos polos esotéricos, das correntes alquímico-filosofais, das atrações da lua e dos astros fixos e errantes e de mais centenas de forças arcanas – tudo isso faz com que, por lá, as almas dos mortos se recusem a sair, continuando a trafegar livremente entre os vivos, interferindo na vida de todo dia e às vezes fazendo um sem número de exigências. Diz-se que era por causa dos tupinambás que la moravam, que com mil artes e manhas de índios amarravam as almas dos mortos até que eles pagassem os obséquios que morreram devendo, ou resolvessem qualquer pendência de que foram partes. Mas depois dos tupinambás, vieram os portugueses, espanhóis, holandeses, até franceses, e os defuntos, mesmo não havendo mais índios para os amarram, continuaram por lé, desafiando as ordens dos padres e feiticeiros mais respeitados para que se retirassem. Em seguida, chegaram os pretos de várias nações da África e, não importa de onde viessem e de que deuses trouxessem consigo, nenhum deles jamais pôde livrar-se de seus mortos, tanto assim que foram os que melhor aprenderam a conviver com essa circunstancia, não havendo, por exemplo, órgãos e viúvos entre eles. Os muitos deles que não conseguiram suportar viver na companhia de uma memória infinita e na presença de tudo o que já existiu mudaram-se para lugares bem longe de Amoreiras e jamais comem qualquer coisa vinda de lá. Veja mais aqui.

Imagem: Olympia (1865), do pintor francês Édouard Manet (1832-1883)

Ouvindo: Saga da Amazônia, do cantor e compositor Vital Farias.

A DOUTRINA SECRETA – A escritora e ocultista russa Elena Petrovna Blavatskaya, popularmente conhecida como Helena Blavatsky ou Madame Blavatsky (1831-1891), realizou viagens e experiências insólitas até que, aos vinte anos de idade, teve um encontro com o Mestre Mahatma Morya-El, tornando-se a partir de então, a primeira mulher ocidental a penetrar no Tibet e a ser iniciada na Grande Loja Branca. Teve depois contato com o Mestre Ku-Hu-Mi, fundando, a partir disso, a Sociedade Teosófica, ao lado de Henry Stell Olcott e William Q. Judge. É autora dos monumentais livros Isis sem Véus e a Doutrina Secreta. De seus pensamentos destacamos: Há um caminho, íngreme e espinhoso, envolto em perigos de toda espécie, mas ainda assim um caminho, e que leva ao próprio coração do Universo. Para aqueles que prosseguem vitoriosos já uma recompensa indescritível – o poder de abençoar e salvar a humanidade; para aqueles que falham, já outras vidas nas quais o sucesso pode vir. Veja mais aqui

O VERMELHO E O NEGRO – O escritor francês Stendhal – pseudônimo de Marie-Henry Beyle (1783-1842),, criou algumas das obras literárias mais importantes do século XIX, um total de três romances completos e dois inacabados, dois volumes de contos e novelas, além de obras críticas, narrativas autobiográficas e de viagens. A  sua obra O vermelho e o negro, é uma das obras primas do autor, traçando a vida e o perfil psicológico de Julien Sorel, tendo por fundo a França do período da restauração napoleônica, retratada ao mesmo tempo com agudo realismo e fantasia transfigurada. No livro, o protagonista escreve a seguinte carta: Vinguei-me, escrevia-lhe ele. infelizmente, meu nome aparecerá nos jornais, e eu não poderei sair incógnito deste mundo. Morrerei dentro de dois meses. A vingança foi atroz, como a dor de ser separado de você. Daqui em diante, proibi-me de escrever e de pronunciar o seu nome. Não falem nunca em mim, nem mesmo ao meu filho; o silêncio será a única maneira de honrar-me. Para o comum dos homens, eu serei um assassino vulgar... [...] Ninguém me verá falar nem escrever; com isso você terá recebido as minhas últimas palavras e também as minhas últimas adorações. J. S. Depois de ter partido essa carta foi que, pela primeira vez, Julien, já mais senhor de si, sentiu-se muito infeliz. Cada uma das esperanças da ambição teve de ser arrancada, sucessivamente de seu coração por esta terrível frase: “Eu vou morrer”. A morte, por si mesma, não lhe era horrível. Toda a sua vida não fora mais que uma longa preparação para a desgraça, e ele não esquecera a que passa por ser a maior de todas. “Como!”, pensava ele [...] Levou mais de uma hora procurando analisar-se a esse respeito. Quando viu claro na sua alma, e quando a verdade apareceu diante de seus olhos tão nitidamente como um dos pilares da prisão, ele pensou nos remorsos! “Por que os teria eu? Fui ofendido de uma forma atroz: matei, mereço a morte, mas é só. Morro depois de ter saldado a minha conta com a humanidade. Não deixo nenhuma obrigação por cumprir, não devo nada a ninguém; minha morte só tem de vergonhoso o instrumento: só isto, é verdade, basta de sobejo para cobrir-me de vergonha aos olhos dos burqueses de Verrières; mas, sob o ponto de vista intelectual, nada é mais insignificante! Resta-me um meio para ser considerado por eles: será lançar ao povo moedas de ouro ao encaminhar-me para o suplicio. Minha memória, ligada à ideia do ouro, será resplandescente para eles. Depois desse raciocínio, que após um minuto lhe pareceu evidente, pensou: “Não tenho nada mais a fazer na terra”, e adormeceu profundamente. Veja mais aqui.

JOANA FRANCESA – Quando assisti o filme Joanna Francesa (1973), de Cacá Diégues, além de ficar maravilhado com o filme, duas coisas me chamaram a atenção: a interpretação da atriz francesa Jeanne Moreau e a música-título do Chico Buarque. Relembrando o filme, Joana é uma francesa possuidora de um prostíbulo em São Paulo no início da década de 1930. Ao receber uma proposta do Coronel Aureliano, ela aceita visitar a esposa dele que se encontra moribunda num engenho de açúcar, em Santa Rita, interior de Alagoas. Lá ela conhece a família: uma sogra dominadora, filhos incestuosos e a rivalidade dele com a família Lima que em razão deles construírem uma usina, levam-no à bancarrota. O filme é lindo! A música, maravilha; Jeanne Moreau, encantadora. Veja mais aqui.


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