sexta-feira, fevereiro 05, 2016

FOLIA & FREVO, GALO DA MADRUGADA, DAMATTA, SOUTO MAIOR, OLINDA, CAPIBA, VALDEMAR, MAURO MOTA & MUITO MAIS!!!


FOLIA TATARITARITATÁ: FEVEREIRO, CARNAVAL & FREVO (Imagem: Folia Caeté, do artista plástico Rollandry Silvério) - A gente nem piscou o olho: o ano eclodiu ontem e já estamos em fevereiro. O tempo voa, não para. Verdade. Nem bem a gente saiu de um cotoquinho de gente, já se sente envergado com o peso da idade. E parece que foi ontem: as presepadas da infância, as maloqueragens da adolescência e as estripulias do rigor adulto. Tudo num triz da memória. Zás! E ao se dá conta hoje, quando não é o fardo extenuante desfocando a vida com os peculiares embaraços que arrocham se amontoando no toitiço da gente, é aquela bronca como bola de sinuca ricocheteada que acerta nos possuídos: oh, nãoooooo! Doeu. E como dói, meu. Quem tem os penduricalhos que sabe. Por isso, sem nostalgia alguma, eu vou nas freviocas entoando: ...eu vou driblando as broncas pra gororoba chegar, eu dou nó cego até no mar pra fazer meu direito valer... Como o calendário vai dando corpo ao relógio na guilhotina do tempo e preparando todo mundo para a casa dos que não estão mais aqui, basta virar o ano e, de supetão, já é fevereiro e ninguém quer fazer par com os que morreram dum bocado de coisa. Claro, e como em fevereiro – mês da februa, consagrado às festas e purificação dos mortos - ninguém é asno simiesco de ficar na espreguiçadeira do Hino do Nacional, tá doido? Basta ouvir o primeiro acorde de qualquer frevo que a gente se encharca de incha-bucho, lavando a prensa pra liberar a jega e cair na folia. U-hu, é com esse que eu vou! E se é fevereiro, é carnaval, do carmem levãre, véspera da abstenção da carne. Eu, hem? Eu mesmo me apronto, dou uma fortificada no fígado, estico os ossos, libero a goela e viro adepto do Momo, filho do Sono e da Noite, que vem numa mão com a máscara e, na outra, a loucura na cabeça grotesca do cetro. E tome folia pra cima. Assim, enveredo no tríduo momesco todo probo, da sexta-pré que vira pro sábado de Zé-pereira no improviso das piruetas que esquenta os nervos, mexe com alma e agita o esqueleto com as acrobacias de sombrinha, até a terça-feira gorda, gingando na dobradura, na tesoura, na locomotiva, no ferrolho, no parafuso, no pontilhado, no saci-pererê, no diabo-a-quatro para confirmar: Sou brasileiro, meu bem, de janeiro a janeiro, de ralar o ano inteiro pra ver se a vida um dia vai mudar prum melhor fevereiro, festa de carnaval, pular, esbaldar festeiro pra ver se a minha vida um dia vai mudar... tudo na melhor tradição de Edgar Morais, João Santiago, Raul Morais, os Irmãos Valença, Nelson Ferreira, ou Capiba que diz: “...essa vida é mesmo assim... não penses que estou triste nem que vou chorar... eu vou cair no frevo, vou me acabar”. Assim, no frevo uma homenagem: que essa vida, essa passagem, só o amor faz imortal. E vamos aprumar a conversa na Folia Tataritaritatá e aqui.

E veja mais:










PICADINHO
Imagem: O Galo da Madrugada, do artista plástico Márcio Melo.


Curtindo o álbum de estreia da Orquestra Contemporânea de Olinda (Som Livre, 2008). Veja mais aqui.

EPÍGRAFEViva Zé Pereira / Que ninguém faz mal! / Viva Zé Pereira / Nos dias de Carnaval / Viva Zé! / Viva Zé! / Viva Zé Pereira, trecho de uma música cantada pela população, recolhido do texto Carnaval, carnavais (Recife, 2011), do escritor, advogado, pesquisador e folclorista Mário Souto Maior (1920-2001), dando conta da música que surgiu nos festejos carnavalescos a partir de 1846. Veja mais aqui.

CARNAVAL, MALANDROS E HEROIS – No livro Carnavais, malandros e heróis: Para uma sociologia do dilema brasileiro (Zahar, 1983), do antropólogo e sociólogo Roberto DaMatta, destaco os trechos a seguir: [...] como é possível ter um carnaval aristocrático numa sociedade igualitária e ter - no caso brasileiro - precisamente o inverso, ou seja: um carnaval igualitário, numa sociedade hierarquizada e autoritária? [...] O ritual, então, tem como traço distintivo a dramatização, isto é a condensação de algum aspecto, elemento ou relação, colocando-o em foco, em destaque, tal como ocorre nos desfiles carnavalescos e nas procissões, onde certas figuras são individualizadas e assim adquirem um novo significado, insuspeitado anteriormente, quando eram apenas partes de situações, relações e contextos do quotidiano [...] De fato, como o ritual é definido por meio de uma dialética entre quotidiano e extraordinário ele se constitui pela abertura deste mundo especial para a coletividade. Não há sociedade sem uma idéia de um mundo extraordinário, onde habitam os deuses e onde, em geral, a vida transcorre num plano de plenitude, abastança e liberdade. Montar o ritual é, pois, abrir-se para esse mundo, dando-lhe uma realidade, criando um espaço para ele e abrindo as portas para a comunicação entre o “mundo real” e o mundo especial. É no ritual, pois, sobretudo no ritual coletivo, que a sociedade pode ter (e efetivamente tem) uma visão alternativa de si mesma. [...]. Veja mais aqui e aqui.

CARNAVAL, CARNAVAIS – No livro Carnaval: textos, imagens & sons (Recife, 2011), organizado por Mário Souto Maior, Fernando Spencer e Renato Phaelante, encontro o texto Carnaval, Carnavais, do escritor, advogado, pesquisador e folclorista Mário Souto Maior (1920-2001), do qual destaco o trecho: [...] festas greco-romanas semelhantes ao Carnaval vamos encontrar muitas delas perdidas no tempo, quase sempre relacionadas com a fecundidade ou com a colheita. Outras, semi-pagãs no seu todo – as comemorações à deusa Isis no Egito e à deusa Herta entre os teutões, as bacanais, as lupercais e as saturnais romanas no seu maior esplendor, os festejos em honra a Dioníso na Grécia, as festas dos inocentes e dos doidos na Idade Média – constituem provas de que eram muito apreciadas na antiguidade clássica e até mesmo pré-clássica, com suas danças, suas licenciosidades, suas máscaras, suas músicas ruidosamente alegres na sua maioria, algumas são características conservadas até hoje. O Carnaval –“primitivamente designativo da Terça-feira gorda, tempo a partir do qual a Igreja Católica suprime o uso da carne”, conforme Antenor Nascente – surgiu com a propagação do Cristianismo e por força do seu calendário litúrgico. A posição da Igreja Católica Apostólica Romana em relação ao Carnaval, foi, inicialmente, de uma ambigüidade mais que comprovada. O Papa Paulo II, no Século XV permitiu que, na via Latta, bem próxima ao seu palácio, silenciosa durante o ano todo, se realizasse o Carnaval romano, com suas corridas de cavalos e corcundas, com seus carros alegóricos e lançamento de ovos, com o local feericamente iluminado por tocos de velas, introduzindo, como contribuição de sua inventiva, o baile de máscaras que fez tanto sucesso como continua fazendo agora. O Papa Paulo VI chegou a convidar o Sacro Colégio para um jantar festivo. O Papa Júlio III gostava mais de touradas. Já Tertuliano, São Cipriano, São Clemente de Alexandria e Inocêncio II, sempre foram contra a participação da Igreja nos festejos carnavalescos. O Papa Inocêncio III, constatando o excesso de abusos, proibiu o uso de máscara pelos padres e o festejo do Carnaval dentro das Igrejas. Em consequência de tais proibições o Carnaval perdeu seu antigo brilho, só conseguindo ressurgir, com a mesma impetuosidade, algum tempo depois, antes da Revolução Francesa e durante o império napoleônico, quando se espalhou pelo mundo todo. Pode-se dizer que a sociologia do Carnaval brasileiro, como a sua história, exige que sejam consideradas as principais expressões regionais do mesmo Carnaval, que não poderiam deixar de ocorrer num país cuja cultura é ao mesmo tempo una – nacionalmente una – e diversa, regionalmente diversa [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.

O GALO – No livro Antologia Poética, (Leitura, 1968), do poeta, jornalista, professor e memorialista Mauro Mota (1911-1984), destaco o poema O Galo: É a noite negra e é o galo rubro, / da madrugada o industrial. / É a noite negra sobre o mundo / e o galo rubro no quintal. / A noite desce, o galo sobre, / plumas de fogo e de metal, / desfecha golpe sobre golpe / na treva unidimensional. / Afia os esporões e o bico, / canta o seu canto auroreal. / O galo inflama-se e fabrica / a madrugada no quintal. Veja mais aqui e aqui.

O TEATRO – O teatrólogo, médico, ator, escritor e compositor Valdemar de Oliveira (1900-1977), realizou as suas primeiras experiências da renovação teatral pernambucana, ao criar o Teatro de Amadores de Pernambuco (TAP), em 1941. Essa iniciativa contrapôs-se ao que se praticava com a comédia ligeira, o teatro de revista, o teatro como diversão, tendo por missão elevar o teatro que se praticava no Recife ao nível da ‘grande arte’. O TAP teve um papel de renovação, no sentido de qualificar melhor a experiência teatral e cenográfica, já que sua posição era reafirmar o realismo e não aceitar nenhum experimento de linguagem e expressão teatral. Para o autor em comento: [...] o teatro é exclusivamente uma expressão da arte. E esta, por definição, em suas formas mais elevadas, só é acessível à fruição e apreciação daqueles poucos cultivados em seus sentidos, dotados de uma aprimorada e apurada sensibilidade [...]. Veja mais aqui.

CAPIBA, O SENHOR DOS CARNAVAIS – O documentário Capiba - O Senhor dos Carnavais (2004), realizado pelos alunos da disciplina Sociologia do curso de Ciências Contábeis, Sidney Silva, José Eduardo e Ghislene Moura, ministrada e orientada pela professora Jacyra Bezerra, da Faculdade Olindense de Ciências Contábeis e Administrativas (FOCCA), traz a história de vida do compositor e músico Capiba (Lourenço da Fonseca Barbosa – 1904-1997), trazendo suas histórias inesquecíveis, discografia, homenagens e depoimentos de Lenine, Raphael Rabello, Milton Nascimento e Claudionor Germano. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia da atriz austro-húngara Zsa Zsa Gabor (pseudônimo de Gábor Sári).

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada ao folião do Galo da Madrugada.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA 
 Veja aqui.

Veja as homenageadas aqui.

E veja mais Duofel, François Truffaut, Christopher Marlowe, Natalie Portman, Ewa Kienko Gawlik, Haim G. Ginott, Mary Leakey, Dona Zica & muito mais aqui.

A MUSA DO DIA
A atriz portuguesa Helena Isabel Correia Ribeiro.



FAULKNER, PIVA, BOURDIEU, FUREDI, LIA CHAIA, VITOR DA FONSECA, PALHAÇOS, SOCORRO DURÁN & AMANDA DUARTE

POETASTRO METE AS CATANAS SEM ENTENDER DO RISCADO – Imagem: Xilogravura de Amanda Duarte. - Nada dava certo mesmo pras bandas do Doro, tud...