quinta-feira, março 07, 2013

CAUDAL DO UNA DE PELÓPIDAS, CARTILHA DO CANTADOR & POETAS DO BRASIL




CARTILHA DO CANTADOR – O livro “Cartilha do cantador” de Aleixo Leite Filho, trata desde a poesia popular, as regras de improviso, o mourão, a décima, o quadrão, galope à beira-mar e outras modalidades de cantoria com diversas quantidades de sílabas, anexando um pequeno vocabulário do cantador.

Fonte:
LEITE FILHO, Aleixo. Cartilha do cantador. Recife: Ed. Autor, 1985.



O CAUDAL DO UNA – Texto do escritor Pelópidas Soares - Unindo as suas águas à terra e ao homem, este rio Una une-se também à bacia do Vale do Pirangi, seu afluente e une, numa interação da paisagem humana e fisiográfica, o Agreste, a Mata e o Litoral, no sul do Estado. Às vezes se contorce beirando as fronteiras do norte das Alagoas. Em tempo, porem, recua, serpeia e novamente se estira dentro dos nossos limites, preservando a sua pernambucanidade, que é a sua identidade. Nenhuma queda dágua importante registra. As setenta e cinco cachoeiras do seu curso, servem apenas para encrespar a sua correnteza e precipitar irritado o seu protesto contra a tragédia da gente nordestina que estampa as suas águas. É uma corrente geradora de impetuosidade. Das suas margens, dos seus campos, das suas cidades e vilas, gerações de homens descem em torrentes sucessivas, à semelhança das suas águas, que nunca secam, como outra esteira líquida, para desaguar nas cidades grandes, gritar e ser ouvidos. Os rios carregam o destino de afogarem-se no mar. Alguns dos homens das suas margens também tem um destino comum: a cidade grande. Os das margens do Una carregam uma legenda de vida para a posteridade. Estes descem de São Bento do Una, de Altinho, Bonito, Canhotinho, Quipapá,  São Benedito do Sul, Maraial, Catende, Belém de Maria, Palmares, Água Preta, Barreiros e São José da Coroa Grande. São os Gilvan Lemos, os Hermilo Borba Filho, os Ascenso Ferreira, os Valença: Alceu, Jório, Lívio, Geraldo, Clávio; os Gueiros, à frente Nehemias e Eraldo; chamam-se José Maria Cerqueira, Waldemar e Alcides Lopes; Aristóteles Soares, Gasparino Damata, Bartyra Soares, Nelson Silva, Darel Valença, Murilo Lagreca, Bajado, Telles Junior, Douglas Marques, Jaques Gonçalves, Osmario Teles, Pedro Afonso de Medeiros, Ruy Ayres Bello, Júlio Bello, Estácio Coimbra, os irmãos Antiógenes e Nelson Chaves, Juhareyz Correya, Jether Peixoto, Odete Vasconcelos, Costa Porto, Manuel Lubambo, Jordão Emereciano, Jessiva Sabino, Margarida Mesquita, Valença Junior, Augusto Meyer, Garibalde Otavio, Raimundo Alves de Souza que se dizia pai de Vinicius de Morais; João Costa, Jocelino Ribeiro, as irmãs Costa Lopes, Eunice e Eulina; Manoel Martins Junior, os Griz, à frente Jayme; Letacio e Jaime Montenegro, Barros de Carvalho, Lelé Correa, Felinho, Nelson Ferreira, Luiz Alberto Machado e tantos outros, ficcionistas, poetas, artistas plásticos, jornalistas, compositores, músicos, atores, teatrólogos, ensaístas, políticos, que fazem a grandeza dessa região, no Estado e no País. Homens que levam para os grandes centros culturais o espelho do rio Una e dos seus afluentes – a agressividade dos aveloses, a poética dos canaviais e os acenos finais dos coqueirais, antes que as suas águas barrentas dos mangues de Várzea do Una vá tingir o verdazulado do Atlântico. É Pernambuco na sua essencialidade. Tanto que, se um dia, alguma coisa mudar em Pernambuco, virá das margens deste rio Una. Artigo publicado na seção Opinião, do Diário de Pernambuco, mencionado no meu texto do Guia de Poesia.

TIO JERUSO DE AFONSO PAULO LINS - Tio Jeruso não mais existe / De seu ver e ouvir. / No seu recinto abobadado / O trancado do seu peito / Ferido se escancarava. / Onde havia o cheiro / Para quem chegasse / (munido de nariz) / De óleos e picaretas / Pregos e parafusos, / E o odor corrediço / De fechaduras. / Onde lhe avistamos uma tarde / Carregar ao peito as mãos duras / Como se de súbito tivesse resolvido / Amolegar na raiz de sua dor / O enfermo coração. Poema do poeta pernambucano radicado nos Estados Unidos, Afonso Paulo Lins, extraído da antologia Poetas de Palmares. Veja mais aqui, aqui e aqui.

MOMENTOS DE CARMEN SILVIA PRESOTTO - Há momentos tão brancos / Com que borro minha pele / E escrevi / Há dias tão cinzas / Que assombro céus / Condenso paredes / Escuto fantasmas / Nas folhas em pauta / Me reencosto à Lua / Nua de carne / Com lágrimas impuras / Brinco com estrelas/ Anoiteço / Há dias tão vermelhos... Poema da poeta e editora do Vidráguas, Carmen Silvia Presotto. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

METÁFORA DE NATANAEL LIMA JUNIORO poeta excita / O orgasmo da manhã / E transa com a terra / E o manguezal. / O poeta traça a sua sina / E provoca alterações / No curso provinciano das águas. / O poeta é que põe / O sonho em transe. Poema extraído do livro À espera do último girassol e outros poemas (Bagaço, 2011), do poeta pernambucano Natanael Lima Filho. Veja mais aqui, aqui e aqui.

O POEMA DE ADRIANO NUNES - O poema é / Essa sala de estar / Onde – desafiando o / Infinito – / Umas às outras, as palavras / Passam a se conhecer / Perigosamente melhor. Poema extraído do livro Laringes de grafite, do poeta, médico, servidor público federal, tradutor e advogado alagoano Adriano Nunes. Veja mais aqui e aqui.

ENCONTRO DE AMOR DE ELIANE AUER - O meu amor por você é de encantos / Como uma viagem de barco no mar / Onde o vento transporta sem rumo / Até que um dia você possa me encontrar / E quando me encontrar me aqueça / Porque o frio das noites foi muito / Seja companhia diária na sombra / Não quero solidão sem sua companhia / Encha de cores a minha vida sem brilho / Como a primavera de flores enche a estação / E em prece agradeceremos o encontro / Num ato de grande emoção. Poema da professora e escritora capixaba Eliane Auer. Veja mais aqui e aqui.

ARDENDO DE ÍSIS NEFELIBATA - Ardendo dos pés à cabeça / Eu me sinto escorrer na entrada da buceta / E me toco para me perceber / Sou fonte inesgotável do seu prazer / Jorrando no seu cipó que me salva / De todos os meus pecados imortais / Ardendo, sim, ardendo de sentir o sangue frigir / Nas veias que não me suportam / Porque nada me supre, a não ser a sua presença / Encaro pelo espelho e esmigalho entre os dedos / O grelo enlouquecido, querendo o seu caralho / Estou de cá e ali no espelho, todas de mim / São loucas que se escabelam por desejá-lo tanto assim / Faço poses e me escancaro, sou sua somente, isso é raro / Porque não me reconheço mais sem seus toques anais / Seus carinhos doces ou brutais, suas enfiadas gostosas demais / Não me entendo gente sem seu corpo de seda, tão quente / Sem suas mãos a me apertarem, me esfregarem, me alisarem / Sem seu cacete inquieto a me fazer ajoelhar e nele rezar / Eu sou nada e ninguém, quando está longe e não vem / Para me abraçar, me proteger, em mim se lambuzar / E me encantar com seu canto, seus sussurros de espanto / Quando o surpreendo com meus gestos atrevidos / Como viver sem suas lambidas, chupadas / Sua língua solta e desenvolta nos meus ouvidos /Ardendo, sim, estou ardendo, estou febril, estou ardendo / Cada dia passa longe de você, sinto-me morrendo / Até que você chega e me lava de amor para me ressuscitar. Poema da poeta Ísis Nefelibata. Veja mais aqui e aqui.


Veja mais sobre:
Ponte sobre águas turvas na Crônica de amor por ela, Lima Barreto, Luigi Pirandello, Dario Fo, Bigas Luna, Tracey Moffatt, Ana Terra, Aitana Sánchez, Rui Carruço, Consuelo de Paula, Ciberartes & André Lemos & Regine Limaverde aqui.

E mais:
Frineia, Euclides da Cunha, Federico Fellini, Amedée Ernest Chausson, Ana Terra, Antonio Parreiras & Jean-Léon Gérôme aqui.
O Brasil de Caio Prado Júnior, A cultura brasileira de Manoel Diégues Júnior, Sociologia Crítica de Pedri Guareschi & Educação Comparada de Nicholas Hans aqui.
Ezra Pound, Graciliano Ramos, Miguel Torga, Leonardo Boff, Nelson Werneck Sodré, Otto Maria Carpeaux, Silvio Romero, Rogel Samuel, Raúl Castagnino, Oliveiros Litrento, Sindicalismo & Repressão de Paulo Meneses Profeta, Raimundo Carrero, Niraldo Farias & Sheila Maluf, Enaura Quixabeira, Ideograma de Haroldo de Campos, Linguística & Poética, Teoria da Literatura dos Formalistas Russos, Literaturas de Vanguarda de Guilhermo de Torre & Ecos deodorenses de Sebastião Heleno aqui.
Celso Furtado, Economia Popular de Cícero Péricles de Carvalho, Pensamento Econômico, Sociedades Sustentáveis & Questões Ambientais aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: 
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.



QUINTANA, BUKOWSKI, ESPINOZA, CARLOS NEJAR, OTTO FRIEDRICH, SUZANNE VALADON, ARTUR GOMES & O FIM DO MUNDO

SE O MUNDO ACABAR, JÁ ACABA TARDE! - Pra todo lado que eu me virasse, a conversa era uma só. Bastou eu botar a cara na rua logo cedo, apar...