quarta-feira, agosto 29, 2007

BALZAC, GODARD, JUVENAL, MONTAIGNE, SWEDENBORG, DANOS DE AMOR, WOLTER, SUZANA SALLES, CLEVANE LOPES & MUITO MAIS!



RATADAS & ATASSALHADURAS - Conheci Barretinho não lembro quando, acho que por volta de 75, por aí, só da gente se apresentar tocando violão nas escadarias da igreja presbiteriana da praça Maurity. Ele tinha umas músicas belíssimas e abafava com sua munganga Roberto Carlos de cantar. O cara era jeitoso. A gente estreitou a amizade quando ele me peitou para encenar uma peça do pai dele, o memorável teatrólogo Fenelon Barreto. A peça era “Resignação”, parece que este o título mesmo. Peguei a coisa e adaptei, chamei Gulu, Célio e a gente foi trabalhando a trilha sonora. Depois consegui convocar Leia Almeida, Guarino, Givanilton Mendes e outras pessoas que já havia experienciado o teatro. O local de ensaio era o Fórum local, que fora cedido pelo Promotor de Justiça, Dr. Laércio Duá de Castro Pacheco. Ensaiávamos todos os dias. Quando estávamos prontos para a estreia, deu-se o chabu. O Barretinho chegou macambúzio porque os irmãos todos haviam se reunido e exigiam uma vultosa fortuna para liberar a peça. Não havia dinheiro para isso e o projeto foi por água abaixo. A gente só ficava rindo das dificuldades. Depois disso Barretinho conseguiu me passar várias peças de Fenelon porque parecia que os familiares haviam concordado em ceder os direitos para apresentações. Afinal, a gente fazia mesmo teatro amador. A maior parte das peças, umas quinze ou mais, acho, era tragédia da braba, como essa Resignação. Mas teve uma comédia incrível que fiquei apaixonado: “O náufrago do Mafalda”. Não havia como fazer a peça, a arenga dos herdeiros era grande. Até que um dia Barretinho me aparece com um convite de um dos irmãos dele, Fernando Barreto, de Gravatá, para conversar. Chegando lá, Fernando me presenteou um desenho seu e alguns escritos que ele havia feito para eu publicar nos espaços que dispunha. Conversa vai, almoço vem e Fernando dá a palavra de que a gente pode encenar qualquer peça de Fenelon, sem exigêcnias do espólio. Tudo de boca, não havia um taco de papel sequer assinado. Quando eu resolvi montar “O náufrago da Mafalda” chega de novo Barretinho com a lengalenga de antes. Tem jeito não, devolvi-lhe todas as peças de Fenelon e parti para outra. Anos depois fiquei surpreso de encontrar o Luiz Barreto um paisagista danado, ilustrando todas as ruas de Palmares. De Roberto Carlos ele passou a ser o Picasso. Coisa da boa. Muito bom isso, saravá Barretinhamigo. (Luiz Alberto Machado). Veja mais aqui e aqui

Imagem: The Bathers (1830), do pintor francês Louis Hersent (1777-1860). Veja mais aqui e aqui.


Curtindo o álbum As sílabas (Dabliu/Eldorado, 2001), da cantora do movimento cultural Vanguarda Paulista, Suzana Salles, a maior intérprete brasileira atual da obra de Brecht e Kurt Weill. Veja mais aqui.

EPÍGRAFEOccultum quantiens animo tortore flagellum, frase do poeta satírico e retórico romano Juvenal (Décimo Júnio Juvenal – 55-127), com relação ao chicote da consciência. Foi utilizada em um dos capítulos capítulo dos Ensaios (Abril Cultural, 1987), do jurista, filósofo, escritor e humanista francês Michel Eyquem de Montaigne (1533-1592): Tal é o maravilhoso esforço da consciência! Ela nos faz trair, acusar e combater a nós mesmos. Entre os provérbios recolhidos por Mario Lamenza ela é apresentada como sendo: A consciência, cedo ou trade, será o mais severo acusador do culpado. O místico sueco Swedenborg, na sua obra Acana Coelestoa, escreveu que: A consciência é a presença de Deus no homem. Já nos versos dos Chatiments, Victor Hugo expressou: A consciência do homem é o pensamento de Deus. Veja mais aqui, aqui e aqui.

DIREITO DE AMAR & DANOS DO AMOR – No livro Responsabilidade civil nos relacionamentos afetivos pós-modernos (Russel, 2007), de Ana Cecília de Paula-Soares Parodi, destaco o trecho que ela fala do direito de amar e danos do amor: [...] Uma inovação jurídica, pela atribuição de uma designação para os danos próprios das investigadas demandas indenizatóricas com fulcro na operação irregular dos relacionamentos afetivos. Denominaremos tais lesões de – dano de amor – em alusão à principal característica desses prejuízos, independendo se de ordem material ou moral, mas sempre diferente de todos os outros danos civis pleiteáveis pela origem causal de uma relação romântica, demandada exclusivamente pelos respectivos parceiros. Os danos indenizáveis, ou lesões reparáveis são dos elementos mais controversos [...] Dado que, no direito privado é lícito às partes praticarem todos os atos que não lhes sejam defesos em lei, é de se lembrar que não há regra no arcabouço normativo brasileiro, que impeça a postulação reparatória por danos patrimoniais, sejam de ordem material ou exclusivamente moral, inclusive de forma concomitante. [...] será de carga de ônus do autor, provar que o dano efetivamente existiu e foi sofrido pela vítima. De maneira obrigatória, deverá ser certo e atual, não comportando a aplicabilidade de uma teoria preventiva, nem englobando ao dano futuro, incerto, eventual. Há que ser economicamente apreciável ou pecuniariamente arbitrado. Quando se tratar de dano material, comportará o pleito pelo dano emergente e pelo lucro cessante, sendo ainda controverso o pedido fulcrado na perda de chance. Incluirá, ainda, a perda de capacidade laborativa, em caso de lesão corporal. [...] Referindo-se ao dano moral, englobará as lesões clássicas sobre os reflexos da personalidade da vítima e sua esfera espiritual, sem prejuízo do dano estético e dano corporal, quando houver. Acresce à especialidade do tema, que no casamento e união estável, os danos materiais, via de regra, são afetos à sociedade conjugal; por sua vez, os danos morais, identificam-se com o vinculo conjugal. Nos demais relacionamentos afetivos podemos dizer que o fenômeno se repete, distinguindo-se o verdadeiro liame e escopo da relação – o romance -, dos impendentes efeitos jurídicos. [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.

UM CONCHEGO DE SOLTEIRÃO – No romance Um conchego de solteirão, do escritor francês Honoré de Balzac (1799-1850), encontro o trecho que expressa: Florentina e Giroudeau, ele para fazer a feliciedade de seu comarada e ela para dar um protetor à sua amiga, impeliram Marieta e Filipe a realizar um casamento por detrás da igreja. Essa expressão “por trás da igreja” equivale à de casamentop morganático empregada pelos reis e rainhas. Hoje, tais casamentos possuem outros nomes, são casamentos por escritura, casamentos no Uruguai, no México, na Bolívia, e no Brasil resultou de uma expressão pitoresca como sendo “Casar na igreja verde”, que se aplica aos casais que não contraíram matrimonio legalmente. A igreja verde é o bosque, o mato, o lugar dos encontros clandestinos. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

HARUKO – Entre os poemas da escritora, psicóloga, ilustradora, conferencista e consultora Clevane Pessoa de Araújo Lopes, destaco a serie de haicais denominados Haruko: I – Quimono da aurora / sete camadas vermelhas / da rosa ao carmin. II – Árvores abortam / folhas, tapetes no chão / que renascerão. III – Chega a primavera / um festival colorido / encanta meus olhos. IV - Por cima das nuvens / as dançarinas do sol / sacodem as saias. V – Memória no olhar / um gato preto na neve, / ameixa em manjar. Veja mais aqui, aqui e aqui.

A ESTRELA AUSTRÍACA – A atriz austríaca Charlotte Wolter (1834-1897), começou sua carreira artística em Budapeste, em 1857. Atuou em pequenos papeis em Viena e logo seguiu para obter sucesso em Berlim, no teatro Victoria, mantendo-se até o final de sua vida no teatrão Hufburg, de Viena. Foi nesse palco que ela se tornou uma das grandes atrizes trágicas da era vitoriana, com repertório que envolveu representações de personagens como Medea, Safo, Lady Macbeth, Mary Stuart, entre outros, tornando-se expoente das heroínas de Dumas, Sardou, Hebbel, entre outros autores. Veja mais aqui.

ÉLOGE DE L’AMOUR – O drama preto-e-branco Éloge de l'amour (Elogio de amor, 2001), dirigido pelo cineasta Jean-Luc Godard, inverte a ordem do presente e do passado, contando a história de um homem que trabalha em um projeto indefinido sobre as quatro fases do amor, reunião, paixão física, separação e reconciliação, envolvendo tres pessoas em diferentes fases da vida, juventude, adulto e velhice. Ele realiza uma série de entrevistas sem saber na verdade o que aparecerá por resultado de seu trabalho, contatando uma mulher que trabalha em diversos empregos e cuida do filho de tres anos. A segunda parte do filme se desenrola sem que ele saiba como será finalizado o seu projeto, mas acontecimentos farão situações futuras bastante complexas. O destaque do filme é para a atriz francesa de teatro, cinema e televisão Cécile Camp. Veja mais aqui e aqui.


Veja mais Chico Buarque, a Pedra de Roseta, Aníbal Machado, António Pedro, Maura de Senna Pereira, Otto Maria Carpeaux, Todd Solondz & Selma Blair aqui
E mais também O sonho de Orugan, James Joyce, Ayn Rand, Elisa Lucinda, Lenine, Enrique Simonet, Alina Zenon & Paula Burlamaqui aqui.


(Foto: Parada em NY aponta o problema brasileiro, recolhida por Clélia Barbieri.) TÁ NA HORA, TÁ NA HORA!!!! QUANDO O REBUCETEIO FICA DESCABELADO, O MELHOR MESMO É PEGAR O BONDE DO ENTERRO VOLTANDO PRA VER DEPOIS COMO É QUE VAI FICAR, HIHIHIHIHI! Gentamiga, realmente desde 1500 que as elites brasileiras, acoloiadas com forças retrógradas & conservadoras fincaram pé no atraso do Brasil. Esses Fabos sempre atrapalharam e, na força do mando e dos caprichos, só fizeram engordar seus bolsos em detrimento da nossa cidadania e dignidade. Por isso falta educação, falta saúde, segurança, transporte, vida digna, salário, tudo! Tudo mesmo previsto no art. 5º da Constituição Federal vigente. A vida toda a gente só fez dar uma de lagartixa e deixar-pra-lá as coisas que nos arrombaram a alma e a vida. Mas agora é tempo da gente fazer valer a nossa vez. Precisamos colocar em prática nosso vocativo resistente pra dizer que: BASTA! CHEGA DESSA GENTE PERFUMADA ROUBAR O BRASIL!!!! Vamos aprumar a conversa & tataritaritatá!!! Veja mais aqui.



IMAGEM DO DIA

A arte do fotógrafo Milo Moiré.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: Allegory Of Peace, de Louis Maeterlinck.
Veja aqui e aqui.

segunda-feira, agosto 27, 2007

DE PINDORAMA À CARTA DE CAMINHA



DE PINDORAMA À CARTA DE CAMINHA

Luiz Alberto Machado

Prest´enção!

Dando prosseguimento ao aprazível e engalobador Festival, aos não sei mais que dias do ano da graça de mil e quinhentos e cipapau primeiro, a farra comendo no centro corria solta na maior farofada em Pindorama, ao som do verso de Virgílio que já havia virado sucesso na voz de Caetano Veloso, “Navegar é preciso, viver não é preciso”, quando lembraram lá pras tantas que já deviam ter informado à sua majetade el rei de Portugal da descoberta da grande ilha, a Ilha de Santa Cruz. Não, não era uma ilha, era a Terra dos Papagaios. Isso. Não, não era, era a terra d´além mar, do pau-brasil! Eita! Não, não era. Peraí, afinal o que porra que era? Arre égua! Fala sério, que droga é nove? Era, depois de todas as nomeações cavoucadas possíveis e sequer imagináveis no quengo deles, enfim, o Monte Pascoal na Terra de Vera Cruz, pronto. Isto porque até o nome Brasil, muita água ainda vai heraclitamente rolar e depois eu conto, nessa não, só na outra, tá?

Definida então como Terra de Vera Cruz, Cabral revestido dos poderes de deidade corporificada mais sisuda e autorizada, afiando a lucidez antes que tomasse na tarraqueta, ordenou seu escrivão juramentado, oficial bastante nomeado, Pero Vaz de Caminha, que escrevesse em bom termo e forma apropriada à boa nova ao rei, lavrando a certidão de nascimento da terra descoberta. Ih! O negócio começou a feder. Tanto é que com cara de poucos amigos e daquela expressão sei não, o tal Caminha fulo mais injuriado que as intrigas do Joaquim com Manuel, ficou matutando o que dizer, quase fundindo a cuca já imaginando os maus bofes do rei cheio das perguntas:

- Sim, mas tem o que?

Lá ia letárgica e desmunhecadamente escrevendo – ai que preguiça boa! -, que a terra chã com grandes arvoredos, grandes em tudo, povoada por ingênuos índios todos uns pardos tanto avermelhados com seus arcos e setas, nus de corpo e alma, de bons rostos (ui!), bons narizes, bem feitos (ai!), sem nada cobrindo as vergonhas e nem aí (uiuiuiuiui!!!)....

- Sim e o que mais? -, já se imaginava que era assim que o rei peiticava. E ele prosseguia escrevendo caprichosamente que havia moças gentis dos cabelos compridos e muito pretos e que, cá pra nós, suas vergonhas são tão altas, tão cerradinhas e tão limpinhas das cabeleiras, cheirosinhas, gostosinhas, que, ave!... ah, são todas tingidas de baixo a cima de uma tintura colorida e certo era tão bem feitas e tão redondas das vergonhas tão graciosas... ah, maior trupé pro juízo do cristão!!!!

- Ah, tá, sim, sim. E o que mais?

Enfim, o escrivão narrou para a majestade, trocando em miúdos dos mais trocados que porventura possa deixar como prova dos nove, a terra “em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo”. Que boquinha de praga, hem? Findo com um ponto final mais na marreta que na necessidade.

Foi quando Américo Vespúcio depois de dar uma rasteira no Colonbo, meteu o bedelho tentando dar um outro ponto mais reticente na lenga-lenga: “Pelo visto, nessa terra não tem nada que se aproveite”. Ôxe, ele iria desistir da América do Norte por coisa mais absurda pras bandas de baixo? Tá doido é? Botou foi gosto ruim mesmo. Já deu para sentir, né? Foi quizília por anos e décadas. E como uma cagada nunca vem sozinha, os tolotes redundaram aos pipocos e a torto e a direito. Pois foi.

Enquanto arengavam pra saber o que tinha e o que não havia em Pindorama, os lusitanos nem se tocaram que o Brasil já existia antes mesmo de ser descoberto por eles. U-huuuuu!!! Isso mesmo, pois já estava sacramentado em tombo juramentado pelo Papa Eugenio IV que assinara já em 1445, a bula confirmatória das doações feitas ao príncipe D. Henrique pelos reis D. Duarte e D. Afonso V, quanto à jurisdição espiritual das conquistas religiosa e militar em favor da Ordem de Cristo, cuja sede, na época da descoberta do Brasil, já estaria situada na cidade de Thomar. Confusão dos diabos. Eita, porra! Aí, lascou. Perdeu completamente a graça, né não? Nunca que eu imaginasse que uma coisa já fosse dada por nascida antes mesmo de ser conhecida. Ou acho que é como a cornagem ao postulante à peruca de touro, este sendo o último a saber do seu próprio uso, quando toda paróquia nem levava mais a sério de tão comum se tornara. Ou seja, para mim, no frigir dos ovos, era o começo da maior roubada. E a pagação de mico fica mais evidente quando vem a comprovação de que, na vera, a coisa já era nascida mesmo e também conhecida por todos, menos por eles. Fodeu Maria-preá! E o pior que era mesmo!

Provam isso Alonso de Hojeda e Vicente Ianez Pinzon, bem como os maíres que já vasculhavam tudo na região. Verdade, os franceses já eram íntimos dos daqui. Eita, pau! E como falei no antes deste, fenícios, vikings, celtas, iberos, gauleses, bretões, anglos, saxões, francos, germanos, neerlandeses e o escambau fizeram, pintaram e bordaram por aqui muito antes dessa besteirice portuguesa virar essa zona toda.

Também não deixam por mentira o fato da existência do Tratado de Tordesilhas assinado entre as coroas de Portugal e Espanha em 7 de junho de 1494, partilhando as terras do Novo Mundo recém descoberto, incluindo o Brasil.

Pois bem, conversa vai, enrolança vem, para desembananar tudo, ficou certo que os portugas tomariam conta da terra de Pindorama e fim de papo. Mas a confusão não finda por ai. Verdade, a cagada prossegue e quem pagar pra ver, verá.

Veja mais Fecamepa aqui.



Veja mais o Projeto de Extensão Infância, imagem e literatura, Hermilo Borba Filho, Horácio, Ixchel, Diego Rivera, Jean Sibelius, Epicuro de Samos, Anne-Sophie Mutter, Irene Ravache & Maria Luísa Mendonça aqui.



E mais também Camargo Guarnieri, Umbigocentrismo, Denise Levertov, Johan Huizinga, Philippe Ariés, Lauri Blank, Kim Thomson & Emil Nolde aqui.



CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja aqui e aqui.


HERMILO, JESSIE BOUCHERETT, LUIZ BERTO, PINTANDO NA PRAÇA & SERRA DO QUATI – CAPOEIRAS

SERRA DO QUATI, CAPOEIRAS - Imagem: Serra do Quati/Capoeiras/Raimundo Lourenço. - Nasci na beira do Una, andejo do dia singrando na vida. ...