quarta-feira, maio 20, 2015

BALZAC, ERIKSON, NELSON, HORTA, DELACROIX, COCKER, NASH & BRINCARTE DO NITOLINO!!!!!


Imagem: Apple-Pickers, do pintor britânico Paul Nash (1889-1946).



Curtindo o álbum Fire It Up (Sony/Columbia, 2012), do cantor britânico de rock Joe Cocker (1944-2014)


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? – Hoje é dia de reprise do programa Brincarte do Nitolino, oriundo do blog homônimo que edito e compreende atividades realizadas nas áreas de Literatura, Música, Teatro, Direito, Educação e Psicologia, voltadas para esse universo. E aproveitamos o embalo para saudar os profissionais da Pedagogia pela passagem do Dia Internacional e Nacional desse profissional, instituído no Brasil por força da edição recente da Lei Federal 13.083/2015, como reconhecimento ao dedicado trabalho na educação. Por essa razão, a reprise do programa de hoje faz sua homenagem a todos aqueles que militam no campo da Pedagogia! A reprise acontecerá em dois horários: a primeira, pela manhã, a partir das 10hs; a segunda, pela tarde, a partir das 15hs; a apresentação fica por conta da simpatia de Isis Corrêa Naves no blog do Projeto MCLAM. Para conferir online acesse aqui ou aqui.

DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL – A teoria da personalidade desenvolvida pelo teórico Erik Erikson é denominada de teoria psicossocial e reside no amplo quadro das teorias psicodinâmicas da personalidade. Trata do desenvolvimento psicossocial, a identidade do ego e a formação da personalidade, a adolescência, a avaliação e a pesquisa para a ciência psicológica e o conhecimento humano. Erik Erikson nasceu em 15 de junho de 1902, Frankfurt, Alemanha e faleceu nos Estados Unidos em 1994. Foi uma criança com problemas e depois que se formou na escola, tornou-se artista: pintor. Viveu como rebelde até seus 25 anos, quando começou a dar aulas de artes. Graduou-se no Instituto Psicanalítico de Viena, em 1933, e se especializou em psicanálise infantil. Tornou-se um psicanalista de renome que fez grandes contribuições no campo psicológico: focalizou o desenvolvimento contínuo da personalidade através de toda a vida e se envolveu em estudos sobre a influência da cultura e da sociedade no desenvolvimento infantil. Sua teoria se inscreve no contexto da abordagem dos estágios contínuos, concentrando-se no desenvolvimento da personalidade durante toda vida e denomina-se Teoria de Desenvolvimento Psicossocial por ter tentar explicar o comportamento e o crescimento humanos, por meio de etapas ou estágios, que compreendem desde o nascimento até a morte, considerando as diferenças individuais, a adaptação e o ajustamento, os processos cognitivos, a sociedade, as influências biológicas e o desenvolvimento da criança, dos adolescentes e dos adultos até à velhice que são vistas no desenrolar de oito estágios do homem que compreendem uma análise do desenvolvimento global do ser humano. Esses estágios psicossociais são reveladores e constituem indispensáveis conteúdos da teoria psicodinâmica da personalidade. Entre as fases, a adolescência é uma crise normativa, fase normal de conflito e flutuação na força do ego. Além disso, desenvolveu seu método de avaliação da personalidade baseado em técnicas de terapia com brinquedos, estudos antropológicos e analises psicohistóricas. A dimensão dada pelo autor para o ego, ao dimensionar o ego criativo, torna-se de relevante questão para melhor entendimento do seu pensamento. Mais importante ainda é sua perspectiva sociocultural adotada e que permeia toda a sua teoria, dando destaque para a interação entre o sujeito e o seu meio. Veja mais aqui.

A MULHER DE TRINTA ANOS – O romance A mulher de trinta anos (Companhia das Letras, 2015), do escritor do Realismo francês Honoré de Balzac (1799-1850) trata das contradições da sociedade moderna e da mulher no sec. XIX, dividido em seis partes e classificado nas Cenas da vida privada da monumental A comédia humana. Da obra destaco o trecho: [...] Parecia demonstrar vaidade com a filha, e talvez desfrutasse mais que ela dos olhares que os curiosos lançavam para seus pezinhos calçados com borzeguins de seda cinza, para uma cintura deliciosa desenhada por um vestido de corpete fino e para o pescoço viçoso que uma gola bordada não escondia inteiramente. Os movimentos do andar às vezes levantavam o vestido da moça e permitiam ver, acima dos borzeguins, uma perna roliça finamente modelada por uma meia de seda rendada. Assim, mais de um passante ultrapassou o casal para admirar ou rever o rosto jovem em torno do qual balançavam alguns cachos de cabelos castanhos, e cuja alvura e encarnado eram realçados tanto pelos reflexos do cetim rosa que forrava um elegante chapéu como pelo desejo e impaciência que cintilavam em todas as feições dessa linda criatura. Uma suave malícia animava seus belos olhos pretos, amendoados, dominados por sobrancelhas bem arqueadas, debruados por longos cílios que banhavam num fluido puro. A vida e a juventude exibiam seus tesouros nesse rosto travesso e num busto ainda gracioso, apesar da cintura então marcada sob o seio. Insensível às homenagens, a moça olhava com uma espécie de ansiedade o castelo das tuileries, provável objetivo de seu petulante passeio. Faltavam quinze para meio-dia. Por mais matinal que fosse essa hora, várias mulheres, que todas queriam se mostrar com bonitas toaletes, voltavam do castelo, não sem virar a cabeça com ar amuado, como se estivessem arrependidas de terem ido tarde demais desfrutar de um espetáculo desejado. Algumas palavras que escaparam do mau humor dessas belas passantes desapontadas, e agarradas no ar pela linda desconhecida, a haviam inquietado singularmente. O velho espiava com um olhar mais curioso que zombeteiro os sinais de impaciência e temor que se alternavam no rosto encantador de sua companheira, e a observava talvez com muito cuidado para não ter nenhuma segunda intenção paterna [...] Veja mais aqui.

OS DOZE GOZOS – O livro As palavras do corpo (Antologia de poesia erótica, 2012), da escritora portuguesa Maria Teresa Horta, reúne as poesias eróticas numa obra ousada e corajosa da libertação do corpo das mulheres por meio do gosto, prazer, modo de amar. Da obra destaco os dose poemas do Gozo: (I) Linho dos ombros / ao tacto / já tecido / Túnica branda / cingida sobre as / espáduas / Os rins despidos / no fato já subido: / as tuas mãos abrindo a madrugada / Linho dos seios / na roca dos sentidos / a seda lenta sedenta na garganta / a lã da boca / cardada / no gemido / e nos joelhos a sede / que os abranda / Linho das ancas / bordado / de torpor / a boca espessa o fuso da garganta (II) Desvia o mar a rota / do calor / e cede a areia ao peso desta rocha / Que ao corpo grosso / do sol do meu corpo / abro-lhe baixo a fenda de uma porta / e logo o ventre se curva / e adormece e logo as mãos se fecham / encaminham e logo a boca rasga / e entontece nos meus flancos / a faca e a frescura / daquilo que se abre e desfalece / enquanto tece o espasmo o seu disfarce / e uso do gozo / a sua melhor parte (III) Põe meu amor teu preceito / teu pênis / meu pão tão cedo / de vestir e de enfeitar / espasmos tomados por dentro / e guarnecer o deitar / daquilo que vou gemendo / Meu amor por me habitares / com jeito de teu / invento / ou com raiva / de gritares / quando te monto e me fendo (IV) Que tenhas de mim / o contorno incerto / acertado nas linhas do teu corpo / os dentes nos lóbulos e no pescoço / os lábios a língua a cobrirem os ombros (V) Vigilante a crueldade / no meu ventre / A fenda atenta / e voraz / que devora o que é / dormente a febre que a boca / empresta a vela que empurra o vento / a vara que fende / a carne a crueldade que entende / o grito sobre o orgasmo /que me prende e me desprende (VI) São de bronze os palácios do teu sangue / de cristal absorto / ensimesmado / São de esperma os rubis que tens no corpo / a crescerem-te no ventre / ao acaso / São de vento – são de vidro / são de vinho os liquidos silencios dos teus olhos / as rutilas esmeraldas que sozinhas ferem de verde aquilo que tu escolhes / São cintilantes grutas / que germinam / na obscura teia dos teus lábios / o hálito das mãos a língua – as veias / São de cupulas crisálidas / são de areia / São de brandas catedrais / que desnorteiam / (São de cupulas crisálidas são de areia) / na minha vulva o gosto dos teus espasmos (VII) São as tuas nádegas / na curva dos meus dedos / as tuas pernas atentas e curvadas / O cravo – o crivo / sabor da madrugada no manso odor do mar das tuas espáduas / E se soergo com as mãos as tuas coxas / e acerto o corpo no calor / das vagas logo me vergas e és tu então / que tens os dedos agora em minha nádegas (VIII) Em cada canal a sua veia o veio que entumesce no fundo da sua teia / Em cada vento o seu peixe no tempo que a água tenha sedosa na sua sede viciosa em sua esteira / Da seda o tacto e o suco dos lábios à sua beira como se fosse um beiral do corpo p'ra língua inteira ou o lugar para guardar o punhal que se queira / Em cada punho o seu ócio um cinzel de lisura com a doçura do pranto da prata e bronze a secura / O travesseiro não apoia as pernas já afastadas mas ajusta as ancas dadas / Escalada que se empreende na pele das tuas nádegas / Em cada corpo há o tempo no gozo da sua adaga / Mas só no teu há o espasmo com que o teu pênis me alaga (IX) Ondula mansamente a tua língua de saliva tirando toda a roupa... / já breves vêm os dias dentro de noites já poucas. / Que resta do nosso gozo se parares de me beijar? Oh meu amor... devagar... até que eu fique louca! / Depois... não vejas o mar afogado em minha boca! (X) São de alumínio os flancos e de feltro a língua de felpa ou seda a abertura incerta que cede breve a humidade esguia presa no quente do interior da pedra / Ou musgo doce de haste sempre dura de onde pendem seus dois mansos frutos que a boca aflora e os dentes prendem a tatear-lhes o hálito e o suco (XI) Conduzes na saliva um candelabro aceso um chicote de gozo nas palavras / E a seda do meu corpo já te cede neste odor de borco em que me abres / Sedenta e sequiosa vou sabendo a demorar o tempo que se espraia ao longo dos flancos que vou tendo: / as tuas pernas vezes teu ventre / A tua língua vezes os teus dentes na pressa veloz com que me rasgas (XII) São tuas as pálpebras dos meus dias tal como a laranja do lago estagnado é a lua do lago ao meio dia quando o sol dos ombros está rasgado / São teus os cílios que as noites utilizam é tua a saliva dos meus braços é teu o cacto que no ventre incerto debruça levar os seus orgasmos / Não tenho mais que te dizer das coisas que tudo o mais te faço eu deitada enquanto sentes que o teu corpo cresce por dentro do mundo na minha mão fechada. Veja mais aqui.


BONITINHA MAS ORDINÁRIA – A peça teatral Bonitinha mas ordinária ou Oto Lara Rezende (Nova Fronteira, 2006), escritor, dramaturgo, jornalista e comentarista de futebol, Nelson Rodrigues (1912-1980), tem seu início marcado pela frase “O mineiro só é solidário no câncer”, atribuída pelo autor a Otto Lara Resende, carregada de ironia e sátira sobre os desvios comportamentais da sociedade e definindo com amargor a essência humana, num enredo que envolve as hesitações de Edgar entre aceitar a proposta de casamento com a filha do dono da empresa em que é empregado, ou manter-se fiel à Ritinha, o seu verdadeiro amor que é uma moça pobre que se prostitui para sustentar a mãe louca e as três irmãs. Em 1963 a peça foi transformada em drama cinematográfico com direção de J. P. Carvalho, sendo refilmada em 1981 e em 2008. O destaque no cinema é para a atriz e cineasta Lucelia Santos. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.



IMAGEM DO DIA


A liberdade guiando o povo, pintura do artista plástico do Romantismo francês Eugène Delacroix (1798-1863), em comemoração à Revolução de Julho de 1830, com a queda de Carlos X. Veja mais aqui e aqui.


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do Programa Quarta Romântica, a partir das 21hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre emocionante de Meimei Corrêa. Para conferir ao vivo e online ligue o som e clique aqui.

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