quinta-feira, março 07, 2013

PENSAMENTO GREGO: PARMÊNIDES




OS ELEATAS: PARMÊNIDES DE ELÉIA – Filósofo pré-socrático, matemático e poeta grego, natural de Eléia, hoje Vélia, na Magna Grécia, sul da Itália, entre o pontal Licosa e o cabo Palinuro, que inaugurou o pensamento metafísico que, sistematizado no platonismo, entende como ilusório o mundo dos sentidos. Reconhecido já na antiguidade como um sábio importante, a maior figura da escola a que pertenceu, talvez o mais profundo de todos pressocráticos. Sabe-se que como legislador em Eléia, deu leis aos seus concidadãos, o que significa haver ocupado posição de destaque em sua cidade, uma então recente fundação dos jônios. Lá teria também fundado uma escola semelhante aos institutos pitagóricos, para o ensino da dialética, foi discípulo do pitagórico Amínias e seguidor de Xenófanesde Cólofon. Seus seguidores, os eleáticos, entre os quais o mais famoso foi Zenão (também escrito Zeno ou Zenon) de Elea, opunham-se às idéias numéricas dos pitagóricos, ao mobilismo de Heráclito e à toda a filosofia jônica, atacando os conceitos de multiplicidade e divisibilidade, defendendo, em oposição, a unidade e a permanência do ser. Admirado por Aristóteles e por Platão, que deu seu nome a um dos Diálogos e em O Sofista o denominou de O Grande Parmênides. Formulou pela primeira vez o princípio de identidade, segundo ele o que está fora do ser não é ser, o não-ser é nada, portanto o ser é um. Sua principal e única obra conhecida e da qual ainda restam fragmentos, é um longo poema filosófico em duas partes e 150 versos, Da natureza ou Sobre a verdade, onde dois terços se referem à metafísica e um terço à física. Defendia a forma esférica da Terra. É a doutrina mais profunda de todo o pensamento socrático, mas tambem a mais difícil interpretação. O poema divide-se: o prólogo, o caminho da verdade e o caminho da opinião. Parmênides afirma que a única coisa eterna é o ser; as mudanças são ilusórias. Não haveria, por conseguinte, mudanças nas coisas. Para conhecer o conteúdo verdadeiro e objetivo das coisas é necessário pensar. Conhecer o ser é conhecer a verdade. Parmênides combateu Heráclito que diz que tudo flui. Para Parmênides é absurdo e impensável considerar que uma coisa pode ser e não ser ao mesmo tempo. Parmênides considera que o movimento existe apenas no mundo sensível, e no mundo inteligível o ser é imóvel. Aceita o ser uno e imutável de Xenofanes, despojando-o, porém, dos atributos divinos e religiosos, que em Xenófanes ainda tinha, de sorte que fica um puro principio metafísico e cosmológico. Parmênides distingue a ciência, que nos dá a verdade, a saber, o ser como sendo uno e imutável, e é construída mediante a razão, da opinião, de que provem o erro, a saber, o ser como sendo múltiplo e mutável, depende do sentido. A substancia, o principio primordial das coisas, é, portanto, segundo Parmenides, o ser, uno, idêntico, imutável, eterno, limitado, concebido como uma esfera finita: finito não no sentido de contraposto à perfeição do infinito, mas a imperfeição do indeterminado.
Sendo um filósofo da escola eleática, da região de Eléia, hoje Vília, Itália, Parmênides conheceu a filosofia de sua época, sucedendo a Heráclito. Escreveu um poema, cujo preâmbulo tem duas partes, a primeira trata da verdade, a segunda da opinião. Suas conclusões são contrárias às de Heráclito, seu contemporâneo. Na primeira parte do poema proclama a razão absoluta, que é o discurso de uma deusa. Para se chegar à verdade não podemos confiar nos dados empíricos, temos de recorrer à razão. Desta forma nada pode mudar, só existe o ser, imutável, eterno e único, em oposição ao não ser. Teve como discípulo Zenão, também de Eléia.
Segundo Nietzsche, foi em um estado de espírito que Parmênides encontrou a teoria do ser, considerando o vir a ser. Pensou: algo que não é pode vir a ser? Não. - Temos de ignorar os sentidos e examinar as coisas com a força do pensamento. O que está fora do ser não é o ser, é nada, o ser é um. Ao colocar como "imperativo categórico" o ser, e com ele a verdade que se chega na razão, Parmênides inaugura uma manifestação humana de conseqüências funestas. A refutação dos dados empíricos, em favor do que pode ser comprovado com a razão age sobre o resultado final dos mesmos. Assim, com o possível de ser explicado em primeiro plano, deixamos de lado um aspecto da percepção: a mudança, pois mudar é deixar de ser. O devir, nesses parâmetros é uma ilusão, o fluxo da natureza também e o que é confiável é aquilo que é assimilado e compreendido. Põe se barreiras na percepção pura, que provêm da mente aberta, para usar um termo de Aldous Huxley.
Parmênides dizia que a realidade só podia ser entendida através do pensamento. Para ele, a realidade era uma enorme bola invisível. É o primeiro pensador a discutir questões relativas ao Ser, e a partir do seu poema intitulado Sobre a Natureza, ele nos traz as possibilidades de conhecê-lo, tendo em relação a ele um conhecimento verdadeiro e universal, e para chegarmos a este conhecimento, torna-se necessário o desvencilhamento dos sentidos, pois o verdadeiro não pode ser percebido pelo nosso campo sensorial e sim pensado, inteligido por nossa razão.
O Eleata nos apresenta, então, que a nossa frente encontramos dois caminhos: o primeiro que é a via da verdade e o segundo, a via da opinião. O segundo caminho, nos diz Parmênides, temos que nos afastar, pois é o caminho do não-ser, do nada, do que não existe, do inominável, do impensado e do indizível. O não ser, é o que captamos pelo nosso campo sensorial, e os sentidos só nos trazem o ilusório, o que não existe; a percepção, é o campo da doxa, a opinião é o não-ser, o nada. A alétheia é o Ser, o Ser é o verdadeiro, e é na vida da verdade que nós temos que caminhar, e pela razão atingirmos o Ser que é Uno, indivisível, imutável, intemporal. O ser é pensado, se ele é pensado, ele existe, pois só podemos pensar sobre algo que tem existência, portanto, ele pode ser nomeado, pois só podemos dar nomes a coisas existentes; tendo nome ele pode ser dito, sendo tido podemos utilizar a persuasão para afastar os homens mortais do falso, da segunda via, da opinião. "O Ser é, e o não ser não é" É na máxima elaborada por Parmênides: O Ser é e o não-ser não é, norteará todas as discussões ulteriores sobre o Ser, as respostas variadas serão dadas para defender ou refutar a tese parmenediana do Ser Uno e imutável.
A teoria de Parmênides, de que só existe o que pode ser pensado, que o Ser é, e o não ser não é, foi o que mais me atraiu nele, pois minha idéia é a de que tudo o que existe é reflexo da nossa mente, a mente é o criador de todas as coisas, e somente existe o que é verdadeiro, e o que é verdadeiro não deixa de existir, ou seja, o Ser é eterno e imutável, eu posso mudar, minhas idéias podem evoluir, mas na verdade nada muda, o que ocorre é que o ser é perfeito, nos possuímos uma capacidade infinita no nosso interior, só que muitas vezes o ser perfeito e imutável esta encoberto, e quando mudamos, na verdade, não estamos mudando estamos exteriorizando o ser perfeito e absoluto que antes estava adormecido. O não-ser não existe porque é falsidade, os opostos "presença" / "ausência", "falsidade" / "realidade", "treva/luz", "morte / vida" e ilusão / realidade" não são opostos verdadeiros. O que faz crer que sejam opostos é o modo de pensar distorcido do homem. Embora se diga que a "presença" (o ser) se opõem à "ausência" (o não ser), não há como isto acontecer, pois uma dela é ausência, portanto, na verdade, a presença (o ser) é existência única, é existência absoluta. Da mesma maneira, treva (ausência de luz), morte (ausência de vida) é ilusão (ausência de sabedoria) nada mais são que sinônimos do nada.

FONTES:
ARANHA, Maria Lucia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: Introdução à Filosofia. São Paulo: Moderna, 1994.
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Atica, 2002.
MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.
PADOVANI, Umberto; CASTAGNOLA, Luis. Historia da Filosofia. São Paulo: Melhoramentos, 1978.
PESSANHA, José Américo Motta (Org). Os pré-socraticos. São Paulo: Abril, 1978.
SOUZA, José Cavalcante. Os pré-socrático. São Paulo: Abril, 1978.



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