quinta-feira, março 07, 2013

SAÚDE DA MULHER




SAÚDE DA MULHER - Abordar temática a respeito da “Saúde da mulher” sob óticas que envolvam o meio ambiente cultural, a organização da sociedade e o meio ambiente físico, requer uma observância além das questões de caráter meramente biológicos e patológicos, acrescentando-se, necessariamente, correspondências históricas e configurações culturais e sociais, que permeiam a temática e que se articulam no sentido de encontrar uma verdadeira política destinada à saúde da mulher. Há que se considerar, em primeiro lugar, que a partir da década de 60, quando se tornou mais aguda as manifestações contestatórias de liberdade e emancipação feminina, a mulher vem assumindo responsabilidades mais participativas seja no seio familiar, social, cultural e econômico, proporcionando-lhe uma mais abrangente participação além daquela expressão histórica de apenas responsável pela reprodução e perpetuação humanas. Por causa disso, a mulher, devido sua participação ativa no trabalho, na economia familiar, na vida política do país, na educação dos filhos, na condução dos destinos da humanidade, tem sido exposta a um maior acometimento de enfermidades, tendo visto sua jornada de trabalho ser bastante superior à dedicada na tarefa profissional masculina. Isto quer dizer que, além de se dedicar aos afazeres domésticos, ainda se dedica à atividade laboral visando contribuir com o equilíbrio econômico da família que, notadamente, expõe a mulher a um maior desgaste emocional e, consequentemente, maior exposição às enfermidades.
Em estudo elaborado por Aquino, Menezes & Amoedo (1992), constatou-se que a mulher desempenha uma sobrecarga de trabalho bastante pesada, razão porque “(...) as mulheres apresentam maior prevalência de problemas de saúde, maior demanda e maior utilização de serviços de saúde, o que é consistente com a literatura internacional”. Segundo estes estudos, “(...) O maior risco feminino para a maioria das doenças agudas provavelmente está relacionado, em primeiro lugar, às especificidades do trabalho que as mulheres exercem no cuidado da casa e dos filhos. (...) à gestação, ao parto, ao puerpério e a outros problemas gineco-obstétricos” (Aquino, Menezes & Amoedo, 1992). Este mesmo estudo observa que: “A inserção crescente no mercado de trabalho não tem desobrigado as mulheres de suas funções tradicionais, o que implica o acúmulo de tarefas, com maior estresse físico e mental, além dos riscos ocupacionais conseqüentes à dupla inserção”. Assim sendo, chega-se a entender que o processo de emancipação da mulher, a conquista dos direitos e a sua participação mais efetiva fora do foro íntimo da família, têm proporcionado, portanto, uma incansável labuta. Por esta razão, conforme os estudos de Aquino, Menezes & Amoedo (1992), “(...) as mulheres costumam expressar ansiedade e tensão através de sintomas físicos”. Este estudo desenvolvido que foi registrado no artigo “Gênero e saúde no Brasil: considerações a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios”, as autoras observam que: “(...) entre as mulheres, de doenças agudas e das incapacidades advindas destas condições, como a restrição de atividades habituais e a necessidade de permanência no leito, mesmo quando excluídas as complicações ligadas à gravidez, e ao parto”. No entanto, observam que entre as doenças que freqüentemente contribuem para este excesso feminino de problemas de saúde, estão as doenças infecciosas, as condições respiratórias, as doenças do sistema digestivo e outras condições agudas, como as dores de cabeça e de ouvido, problemas de pele, além de “(...) viroses inespecíficas e problemas músculo-esqueléticos”.
No que tange às questões mais associadas ao câncer feminino, Guinar Azevedo e Silva Mendonça, no artigo “Câncer na população feminina brasileira”, observam que, no Brasil, “(...) Os cânceres de mama e útero representaram quase um terço desses óbitos”, considerando que “(...) O aumento da vida média, a queda da taxa de fecundidade, as modificações no estilo de vida e a maior exposição a determinados riscos ambientais são fatores que interferem diretamente no aparecimento de um maior número de neoplasias malignas”. E mais que: “(....) os principais fatores de risco para o câncer de mama são de natureza biológica e dizem respeito à história reprodutiva e familiar da mulher”. Isto quer dizer que além da jornada de trabalho, vem a necessidade de se observar o grande crescimento industrial que sofreram os centros urbanos brasileiros, nas últimas décadas e que isto traz, como conseqüência direta, maior exposição da população a agentes potencialmente cancerígenos.
Azevedo & Mendonça (1993) observam que “O câncer de colo uterino está fortemente associado à atividade sexual, mais especificamente, ao número de parceiros e à idade da primeira relação sexual”. Neste parâmetro, os estudos de Luiz Augusto Marcondes Fonseca, Adriana de Souza Ramaciotti e José Eluf Neto, estes autores observam os índices da mortalidade por câncer de colo de útero, avaliando as taxas ajustadas por idade, levando-se em conta que tal mortalidade não é especificamente alta em São Paulo, concluindo que: “(...) É provável que a expansão do acesso à atenção médica, incluído aí o próprio teste de Papanicolaou, bem como á informação sobre a doença expliquem parte da queda da mortalidade entre as mulheres mais jovens, observada no período estudado; já a maior precisão na atribuição da causa básica da morte pode ser devida à maior disponibilidade de métodos diagnósticos em anos mais recentes” (Fonseca, Ramaciotti & Eluf Neto, 2004:141). Isto quer dizer, portanto, que apesar da queda nas taxas de tal incidência, ainda não se chega ao patamar desejado de atendimento preventivo. Isto porque, segundo Azevedo & Mendonça (1993), se deve ao fato da “(...) desarticulação entre os diversos níveis de assistência à saúde, ociosidade da rede pública, falta de programação e avaliação das ações, impedem que qualquer programa assistencial ou preventivo possa ter melhores resultados”.
Enfim, conforme assinalam Rezende, Moreli & Rezende (2000), “No Brasil, não é conhecida a real magnitude do problema” evidenciado pela mortalidade materna, uma vez que contribuem para tal fato “(...) uma conjunção de fatores de risco, que devem ser enfrentados de forma sistemática e eficiente”.
Partindo para a observação da maneira como o meio ambiente cultural, no que tange aos valores, as crenças e a história, há que se considerar a predominante expressão patriarcal machista, que atua inibindo o processo de desenvolvimento emancipatório da mulher. E nisso encontra-se subjacente a condução observada por Josina Magalhães Roncisvalle & Laís Mourão, em seu artigo “A terra e a mulher: seu ventre e seus frutos”, abordando que em época remota: “O mundo era de fato um cosmo: céu, terra e seres humanos em unidade, movidos por uma cumplicidade em benefício da criação.(...) A interdependência entre todos os reinos da natureza, era uma verdade tão patente para nossos antepassados, é grande demais para nossos cérebros atuais (...) onde somos obrigados a viver num mundo homogeneizado, massificado pelas demandas da produção e do mercado, excluída qualquer disponibilidade para vinculações”. E isto se associa às questões de organização da sociedade, no que concerne às instituições políticas, estruturas econômicas e normas sociais, quando da predominância hegemônica do posicionamento da sociedade patriarcal e machista, aliada ao capitalismo e sua voraz necessidade de acumulação e consumo, possibilitando maiores conflitos na condução do processo emancipatório da mulher, tendo em vista que desta requer maior postura aguerrida de afirmação, além de fazê-la se desdobrar entre os afazeres domésticos e profissionais, sobrecarregando suas atividades cotidianas. E é evidente que isto causa problemas de saúde na mulher.
No que concerne ao meio ambiente físico, seja na questão geográfica, climática e tecnológica, observa-se, ainda, um agudo estado de exclusão, onde em todas as regiões do país se encontram reservas de exclusos sociais, que alijados de uma maior participação social, da educação, da informação e do conhecimento, proporcionam à mulher maiores danos à saúde, seja de natureza ginecológica, como de natureza biológica. Ou seja, a precária disponibilização de atendimentos médicos em várias populações do país, além da má formação de grande parte da população brasileira, carente, então, de educação e atendimento de saúde pública, têm retratado uma deficiência causadora de inúmeras doenças à mulher brasileira. Isto porque, conforme Azevedo & Mendonça (1993), “(...) O aumento da vida média, a queda da taxa de fecundidade, as modificações no estilo de vida e a maior exposição a determinados riscos ambientais são fatores que interferem diretamente no aparecimento de um maior número de neoplasias malignas”, redundando que causam danos à saúde da mulher, indubitavelmente.
Fica, portanto, evidente a necessidade de uma ação educativa mais direcionada à mulher, não exclusivamente nas escolas, mas nas comunidades, nas associações representativas de classe, no ambiente de trabalho e na sociedade em geral, articulada a uma ação médica preventiva que se encontre contemplando aspectos pedagógicos, de saúde pública, meio ambiente e, principalmente, educação e orientação sexual. Tais ações evidenciadas com certeza possibilitarão uma melhor atenção e respeito à saúde da mulher.

BIBLIOGRAFIA:
AQUINO, Estela M; MENEZES, Greice; AMOEDO, Marúcia. Gênero e saúde no Brasil: considerações a partir da pesquisa nacional por amostra de domicílios. Revista Saúde Pública, v. 26, no. 3, São Paulo, jan, 1992
AZEVEDO, Guinar; MENDONÇA, Silva. Câncer na população feminina brasileira. Revista Saúde Pública, v. 27, no. 1, São Paulo, fev, 1993
FONSECA, L A M; RAMACCIOTTI, A S; NETO, José Eluf. Tendência da mortalidade por câncer do útero no Município de São Paulo entre 1980 e 1999. Caderno Saúde Pública. Rio de Janeiro, 20(1) 135-142, jan-fev, 2004
REZENDE, Carlos; MORELI, Daniela; REZZENDE, Irina Maa. Mortalidade materna em cidade médio porte, Brasil, 1997. Revista Saúde Pública, 2000; 34 (4) 323-8
RONCISVALLE, Josina; MOURÃO, Lais. A terra e a mulher: seu ventre e seus frutos. Promoção de saúde, 43-46, xérox de artigo, s/e, s/d.

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