terça-feira, maio 19, 2015

EINSTEIN, SARTRE, FICHTE, SÁ-CARNEIRO, CACÁ DIEGUES, B. B. KING, JORDAENS & MUITO MAIS NO PROGRAMA TATARITARITATÁ!!!!


Imagem: Allegory of Fertility, do pintor flamengo Jacob Jordaens (1593-1678)



Curtindo o cd/dvd B. B. King Live at the Royal Albert Hall (Universal Music, 2011) do guitarrista de blues, compositor e cantor estadunidense B. B. King (1925-2015)


VAMOS APRUMAR A CONVERSA NO PROGRAMA TATARITARITATÁ? – Hoje convido vocês a aprumar a conversa no programa Tataritaritatá, a partir das 21hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre maravilhosa de Meimei Corrêa. Na programação: Geraldo Azevedo, Yes, Gal Costa & Johnny Alf, Djavan, Lee Ritenour, Elis Regina, João Bosco, Zizi Possi, Caetano Veloso, Chico Buarque, Sonia Mello, Wilson Monteiro, Mazinho, Cikó Macedo, Ricardo Machado, Zé Linaldo, Santanna o Cantador, Sonekka, Felix Porfírio, Elisete Retter, Katya Chamma, Marisa Serrano, Ju Mota, Rosana Simpson, Jussanam, Lilian Pimentel, Julia Crystal. Wes Montgomery, Hubert Laws, Jon Lucien & muito mais! Para conferir ao vivo e online clique aqui.

REIVINDICAÇÃO DA LIBERDADE DE PENSAMENTO – O livro Lições Sobre a Vocação do Sábio Seguido de Reivindicação da Liberdade de Pensamento (Edições 70, 1999), do filosofo criador do idealismo alemão Johann Gottlieb Fichte (1762-1814), é uma ponte que transita entre as ideias de Kant e Hegel, tratando de filosofia política e pangermanismo. Da obra destaco o trecho: [...] Não queremos investigar aqui quanta miséria menos sofre a humanidade sob a maioria das suas actuais constituições políticas do que a que sofreria no estado de completa anarquia; basta dizer que sofre – e sofrerá; o reino das nossas constituições políticas é o reino da fadiga e do trabalho; o reino do gozo não é deste mundo. Mas esta miséria deve ser um estímulo que leve a humanidade a exercitar as suas pró prias forças na luta que contra ela sustém e a fortalecer-se na difícil vitória em prol da fruição futura. A humanidade era para ser miserável, mas não para se deter na miséria. As constituições políticas, fontes da sua miséria comum, não podiam ser melhores – caso contrário, tê-lo-iam sido – mas devem melhorar sempre mais. O que aconteceu, tanto quanto podemos rastrear a história passada da humanidade, e acontecerá, enquanto houver história humana, reduz-se a seguir um destes dois caminhos: ou o dos saltos violentos ou o do progresso gradual, lento mas seguro. Com saltos, com violentas convulsões e revoluções políticas, um povo pode progredir mais em meio século do que o teria feito em dez – mas este meio século está também cheio de miséria e de fadigas e, ademais, pode igualmente retroceder e ser atirado para a barbárie dos séculos precedentes. A história universal proporciona exemplos de ambos os casos. As revoluções violentas são sempre um feito audaz e arriscado para a humanidade; se têm êxito, a vitória conseguida compensa os males sofridos; se fracassam, passa-se de uma miséria a outra maior. É mais seguro o progresso gradual para uma ilustração mais ampla e, com ela, para o aperfeiçoamento da constituição política. Os progressos feitos, ao terem lugar, dificilmente são perceptíveis; mas vê-de-lo atrás de vós e divisais o longo caminho percorrido. Assim, no nosso século, a humanidade, sobretudo na Alemanha, percorreu discretamente um longo caminho. é verdade que o perfil gótico do edifício ainda é visível por todo o lado; os novos edifícios anexos ainda estão longe de fazer um todo sólido, mas, enquanto estão aí, começam a ser habitados, ao passo que os antigos castelos, centros de rapina, se desmoronam. Se não forem importunados, os homens desajolá-los-ão progressivamente e cedê-los-ão como morada às corujas e aos morcegos receosos da luz, enquanto os novos edifícios serão ampliados e, pouco a pouco, se agregarão num todo cada vez mais harmónico. Estas eram as nossas perspectivas, queriam por acaso usurpar-no-las mediante a opressão da nossa liberdade de pensamento? E seríamos capazes de no-las deixar arrebatar? Se se impedir o progresso do espírito humano, dois casos são possíveis: o primeiro, mais improvável, em que ficamos como estávamos, abandonamos toda a pretensão de ver diminuir a nossa miséria e aumentar a nossa felicidade; deixamos que nos imponham os limites que não ultrapassaremos; ou o segundo, muito mais provável, em que o curso contido da natureza rebenta violentamente e destroi tudo o que encontra à sua passagem, a humanidade vinga-se do modo mais cruel dos seus opressores e as revoluções tornam-se necessárias. Ainda não se fez a devida aplicação do espectáculo oferecido pelos nossos dias. Receio bem que já não é o tempo nem a hora para, não obstante o espectáculo que temos diante dos olhos, levantar os diques que ainda se opõem ao curso do espírito humano, a não ser que queiramos que os rebente com violência e arrase de modo terrífico todos os campos. [...] Veja mais aqui.

INDÍCIOS DE OIRO – O livro Indícios de Oiro (Presença, 1937), reúne poemas póstumos do poeta do Modernismo português Mário Sá-Carneiro (1890-1916), entre os quais destaco inicialmente o seu poema Salomé: Insónia rôxa. A luz a virgular-se em mêdo, / Luz morta de luar, mais Alma do que a lua... / Ela dança, ela range. A carne, alcool de nua, / Alastra-se pra mim num espasmo de segrêdo... / Tudo é capricho ao seu redór, em sombras fátuas... / O arôma endoideceu, upou-se em côr, quebrou... / Tenho frio... Alabastro!... A minh'Alma parou... / E o seu corpo resvala a projectar estátuas... / Ela chama-me em Iris. Nimba-se a perder-me, / Golfa-me os seios nus, ecôa-me em quebranto... / Timbres, elmos, punhais... A doida quer morrer-me: / Mordoura-se a chorar--ha sexos no seu pranto... / Ergo-me em som, oscilo, e parto, e vou arder-me Na bôca imperial que humanisou um Santo... Também trago o seu belíssimo Certa voz na noite, ruivamente…: Esquivo sortilégio o dessa voz, opiada / em sons cor de amaranto, às noites de incerteza, / que eu lembro não sei de Onde, a voz duma Princesa / bailando meia nua entre clarões de espada. / Leonina, ela arremessa a carne arroxeada, / e bêbeda de Si, arfante de Beleza, / Acera os seios nus, descobre o sexo... Reza / O espasmo que a estrebucha em Alma copulada... / Entanto, nunca a vi mesmo em visão. Sòmente / a sua voz a fulcra ao meu lembrar-me. Assim / não lhe desejo a carne —a carne inexistente... / É só de voz-em-cio a bailadeira astral — / e nessa voz-Estátua, ah! nessa voz-total, / é que eu sonho esvair-me em vícios de marfim... Veja mais aqui.

ENTRE QUATRO PAREDES A peça teatral Entre quatro paredes (Huis clos, 1944), do filósofo, escritor e critico de arte francês Jean- Paul Sartre (1905-1980), expressa o existencialismo do autor poderando sobre a questão da imagem, ilustrando as suas ideias filosóficas concernentes à dialética humana de “ser um com o outro” e é conhecida pela frase: “O inferno são os outros”, ou seja, ver e ser visto corresponde a dominar e a ser dominado. Conta a história dos personagens Inês, Estelle, Garcin e o Criado, que ao morrer vão para o inferno. Garcin, um homem de letras que sonhava ser um herói viu-se atormentado como um covarde para suas companheiras, Estelle – uma fútil burguesa que ascendeu socialmente pelo casamento que assassinou o bebê que teve com seu amante que se suicidou -, e Inês que é homossexual sádica que goza com o sofrimento dos outros. Da obra destaco o trecho: [...] Garcin deixa Estelle e faz alguns passos pela cena. Aproxima-se do bronze. G – O bronze... (Apalpa-o) Pois bem! É agora. O bronze aí está, eu o contemplo e compreendo que estou no inferno. Digo a vocês que tudo estava previsto. Eles previram que eu havia de parar diante desta lareira, tocando com minhas mãos esse bronze, com todos esses olhares sobre mim. Todos esses olhares que me comem. (Volta-se bruscamente) Ah! Vocês são só duas? Pensei que fossem muitas, muitas mais. (Ri) Então, isto é que é o inferno? Nunca imaginei... Não se lembram? O enxofre, a fogueira, a grelha... Que brincadeira! Nada de grelha. O inferno... são os outros. E – Meu amor! G – (Repelindo-a) Deixe-me. Ela está entre nós dois. Não posso amar quando ela me vê. E – Ah! É assim? Pois ela não nos verá mais. Toma a faca-de-cortar-papel, que está sobre a mesa, precipita-se sobre Inês desferindo-lhe vários golpes. I – (Debatendo-se e rindo) Que é que você está fazendo? Que é que você está fazendo? Está louca? Você bem sabe que estou morta. Deixa cair a faca-de-cortar-papel. Um tempo. Inês apanha-a e põe-se a golpear-se com raiva. I – Morta! Morta! Morta! Nem a faca, nem o veneno, nem a força. Está tudo acabado, compreende? E estamos juntos para sempre. Ri. E – (Numa gargalhada) Para sempre, meu Deus! Que engraçado! Para sempre! G – (Que ri, olhando as duas) Para sempre! Caem sentados cada qual sobre o seu sofá. Um longo silêncio. Deixam de rir, e entreolham-se. Garcin ergue-se. G – Pois é, vamos continuar! PANO. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.


BYE, BYE BRASIL – A comédia Bye Bye Brasil (1980), do cineasta Cacá Diegues, contando a história de três artistas mambembes que cruzam o país com a Caravana Rolidei até chegar na Amazônia, tornando-se uma das mais importantes reproduções da década de 1970 no Brasil, ganhador no Festival de Havana (1980) dos prêmios de Melhor Direitor e Prêmio Coral Especial de Gênero de Ficção. Destaques para Zaira Zambelli, Bety Faria e do saudoso José Wilker. Veja mais aqui.






IMAGEM DO DIA

Hoje é dia do Físico em homenagem aos quatro revolucionários artigos publicados em 1905, pelo físico teórico alemão Albert Einstein (1879-1955). Veja mais aqui e aqui.

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