quarta-feira, fevereiro 22, 2017

RASCUNHO SOLITÁRIO

RASCUNHO SOLITÁRIO – Cada cabeça é um mundo: crenças, costumes, vícios, tudo enquadrado em closes e poses, e desde que o mundo é mundo, não aprendi a lidar direito com certas coisas, eu mesmo desaprendi de muitas, se perto, longe ou equidistante; acima, embaixo, dicotomias paralelas ou convergentes. Mesmo quando a mão ausente pedia passagem, ou o abraço amigo era um copo vazio do que foi bebido ontem, mesmo assim, a esperança se fez um lance de gol desperdiçado na final do campeonato e o desiderato nada mais que tomar posição pro chute de quem precisa aprumar a pontaria. Aprendi doutro jeito, o que vejo, ao fechar os olhos ou apagar a luz. Compreendo o que sinto jamais aos olhos, e posso estar certo ou errado, pouco importa, vale o que se apreende e o sentido além dos sentidos, o imperceptível se desvela. Se antes nem era, agora sou ou já deixei de ser. Talvez perdido mãos à testa para afastar o suor ou ao rim para amainar a sede, sempre vigilante e cauteloso pelos estreitos caminhos intermináveis de lodo pútrido e gritarias inauditas, temores de sempre com seus trechos longíquos em que a chegada mais que ansiada jamais acontece, sempre interrompida por essa ou aquela monotonia desolada de quem espera e mais espera entre as clareiras das covas e do matagal na semeadura infértil de todos os langores e descrenças. A fome invariavelmente bate aguda nas horas mais prementes e a suntuosidade gastronômica ali restava não mais que gravetos secos carregados de formigas entre lembranças repassadas no palimpsesto da memória. Não havia só uma, duas, três, muitas, senão todas remebranças entre visíveis e invisíveis, inventadas ou por criar. Não mais um só caminho, todos; ou uma só canção, todas. É só achar o que é de seu, o que pode ser de muitos ou de todos. A parte que me cabe é a totalidade, a mim e para todos. Apesar de tudo, vou só. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

Curtindo a arte musical do compositor, crítico e produtor musical Edino Krieger.

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DESTAQUE:A CAÇA DA SERPENTE
[...] Repentinamente, ao desembocar numa clareira, o indígena que os guiava gritou, dando um salto para trás: - A cobra! Subitamente os cinco caçadores, que vieram da cidade para uma caçada na fazenda, neofitos nestes transes de cinegética, sentiram que por todo corpo debaixo da pele, lhes corria um vivissimo calafrio. E sem esforço, espontaneamente, desfilaram por suas memórias, atropelando-se, todas as histórias em que as serpentes são protagonistas terríveis. Viam esses fatos com expressão admirável, com nitidez surpreendente. – A cobra! A palavra, soando em seus ouvidos, sob o sol dos trópicos; perdidos naquele mar de espigas douradas, hipnotizados como se o fluido dos olhinhos da serpente – redondos, miudinhos, dominadores – estivessem fixados neles, através das névoas que, condensando-se no tempo, distanciam as épocas em que as fábulas aconteceram [....].
A caça da serpente, extraído da obra Contos e fantasias (1895), do escritor e jornalista salvadorenho Arturo Ambrogi (1875-1936), um dos pioneiros do Modernismo na América Latina.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor realista francês Jean-Baptiste Camille Corot (1796-1875).
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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A VIDA NA JANELA – Imagem: conversando com alunos do Ginásio Municipal dos Palmares - Ainda ontem flores reluziam no jardim ornando muros...