
CORPO A CORPO DE FERREIRA GULLAR
A história humana não se desenrola apenas nos
campos de batalhas e nos gabinetes presidenciais. Ela se desenrola também nos
quintais, entre plantas e galinhas, nas ruas de subúrbios, nas casas de jogos,
nos prostíbulos, nos colégios, nas usinas, nos namoros de esquinas. Disso eu
quis fazer a minha poesia. Dessa matéria humilde e humilhada, dessa vida
obscura e injustiçada, porque o canto não pode ser uma traição à vida, e só é
justo cantar se o nosso canto arrasta consigo as pessoas e as coisas que não
tem voz.
Trecho
extraído da obra Corpo a corpo com a linguagem (Museu/Arquivo da Poesia Manuscrita, 1999),
premiado
e aplaudidíssimo poeta, crítico de arte, tradutor e ensaísta maranhense Ferreira
Gullar (1930 – 2016). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
Veja
mais sobre:
Sujeito,
indivíduo, quem?, Folhas da
relva de Walt Whitman, Ecce Homo de Friedrich
Nietzsche, Princípios fundamentais de filosofia de Politzer, Besse
& Caveing, a música de Emmanuelle Haïm, a pintura de Lasar
Segall & Carolyn Anderson, a arte de Emerson Pingarilho, Kate Wiloch, Sally Trace & Claudio Adrian
Natoli aqui.
E mais:
Entrega
& vamos aprumar a conversa, O indivíduo na sociedade de Emma Goldman, A metamorfose de Franz Kafka, a
música de Isaac Albéniz, Auto da barca
do inferno de Gil Vicente, o cinema de Sam Mendes & Annette Bening, a pintura de Fritz von Uhde & a fotografia de Freddy Martins aqui.
Bolero, Gertrudes
& Cláudio de John Updike, a música
do Trio Images, Os degraus de Roberto Calasso, Engraçadinha
de Nelson Rodrigues, a pintura de Norman Engel, o cinema de J. B. Tanko
& Irma Álvarez, a poesia de Frederico Barbosa & Aecio Kauffmann aqui.
As
trelas do Doro: o testamento de bocó aqui.
O xote
no auto de natal, Conto de Natal de Rubem Braga, a música de Ernesto
Nazareth & Maria Teresa Madeiram a pintura de Wilhelm Marstrand & Aprendendo
a viver com a lição do natal aqui.
Pode até
ser, mas se não for, nunca será, a música de Lina Cavalieri, a fotografia de
Chris Maher & a pintura de Eloir Amaro Júnior aqui.
A
desmedida correria para perder o bom da vida, Novum
Organum de Francis Bacon, a pintura de Fúlvio Pennnacchi, a música de Heitor
Villa Lobos & Quarteto Amazônia aqui.
O
maravilhoso mistério da vida, A literatura de Rebecca West, a música de Ana
Torroja, a pintura de Marie-Louise Garnavault, o cinema de Alan Bridges & Julie
Christie aqui.
Quem
quer diferente tem que fazer diferente, a pintura de Cândido
Portinari, a música de Xiomara Fortuna, o ativismo de Marcus Garvey, a
escultura de Emmanuel Villanis aqui.
O prazer
de amar e de ser amado, o cinema
de Bigas Luna & Aitana Sánchez-Gijón, a música de Joyce & Maurício
Maestro & a arte de Luciah Lopez aqui.
Todo dia
um novo ano feliz, a fotografia de John
Poppleton, a música de Egberto Gismonti, Sy Miller & Jill Jackson aqui.
&
O MANICÔMIO DE PATRICK MCGRATH
[...] O céu estava claro, a brisa, morna, e o
mundo que se estendia abaixo de nós, os terraços, o Muro, a charneca, tudo
estava quieto e esmaecido sob o luar. A voz de Stella chegou-nos claramente
através do ar morno da noite. Ah, conheci muitas mulheres elegantes e
adoráveis, mas nenhuma seria capaz de comparar-se a Stella naquela noite. Ela
envergava um vestido preto decotado de seda canelada, um gorgorão primoroso que
eu nunca tinha visto antes. O decote era quadrado e mostrava a curva dos seios.
O vestido se agarrava ao corpo e se abria na cintura, abaulando-se sobre cada
joelho como uma tulipa, com uma fenda intermediaria. Stella calçava sapatos de
saltos muito altos e tinha uma echarpe jogada sobre os ombros. Ela estava
perguntando a Jack sobre seu último par de dança, e eu, ao ter ouvido o nome de
meu paciente, revi brevemente na memória os homens e mulheres que haviam se
arrastado na pista de dança com suas roupas desajeitadas, e em todos havia algo
ligeiramente distorcido – menos nele. [...] Jack gostava de Stella pelas mesmas razões que eu: sua vivacidade, sua
compostura, sua aparência atraente. Sei que era considerada linda; havia muitos
comentários sobre seus olhos, e tinha pele pálida, quase translúcida, e cabelos
louros espessos, quase brancos, cortados bastante curtos e escovados para trás.
Era uma mulher bastante carnuda, de seios grandes, mais alto do que a média, e
naquela noite usava um colar de pérolas que realçava bem a brancura de seu
pescoço, ombros e seios. Na época eu a considerava uma amiga e, com freqüência,
especulava sobre sua vida inconsciente. Perguntava-me se haveria paz e ordem
por debaixo daquele exterior contido, ou se ela simplesmente controlava suas
neuroses melhor do que outras mulheres. [...] Nesse momento ela se voltou e me contemplou. Puxou a alça do vestido,
que escorregara do ombro. “Caridosa?”, perguntou, e vi Max olhar em nossa
direção, limpando distraidamente os óculos sem que suas feições tristonhas se
alterassem nem um pouco. Ela também o notou e, voltando-se, murmurou: “E
suponho que minha recompensa esteja no céu”. [...].
Trechos do
romance Manicômio (Planeta De
Agostini, 2004), do escritor britânico de ficção gótica Patrick McGrath, contando a história de um médico
psiquiatra que trabalha no tratamento de um artista assassino da esposa e há
cinco anos internado em hospital com diagnóstico de psicose paranóia e que se
envolve com a atraente esposa do vice-superintendente da clínica, um caso de
amor, obsessão e loucura.
CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
A fotografia moderna deve fazer mais do que divertir, deve incitar o
pensamento e por suas claras declarações de realidade, cultivar uma compreensão
compreensiva de homens e mulheres e a vida que eles vivem e criam.
A arte do fotógrafo australiano Max Dupain.
Recital
Musical Tataritaritatá - Fanpage.