quinta-feira, março 07, 2013

PENSAMENTO GREGO: ANAXÁGORAS




ANAXÁGORAS DE CLAZOMENA (500-428 a.C.) - Filósofo, biólogo, astrônomo, físico e matemático grego de Clazomenas, na Jônia, colônia grega na Ásia Menor, Fenícia, de grande tradição no comércio marítimo, que levou para Atenas a filosofia jônica de tendência mecânica e onde fundou, sob os auspícios de Péricles, seu discípulo e protetor, a primeira escola de filosofia da cidade. De espírito prático, foi um dos responsáveis por mudanças fundamentais na matemática do século V a. C, de ter elaborado teorias de indiscutível profundidade, exercer notável influência sobre a filosofia grega posterior a ele e de ter introduzido em Atenas as concepções desenvolvidas pelos pensadores das colônias helênicas. Fiel descendente da escola jônica de Tales, em função de suas opiniões científicas chocarem-se com as concepções religiosas da época, foi preso em Atenas por pregar que o sol não era uma divindade, mas uma grande pedra incandescente e que a lua era uma terra habitada sem luz própria. Foi durante este período que se dedicou com mais ênfase a pesquisa matemática. Julgado por ateísmo, foi posteriormente libertado graças a intervenção de Péricles de quem tinha sido professor, indo morar em Lâmpsaco, na Mísia, até morrer, onde fundou uma escola de filosofia e ganhou muita estima e fama junto a população local. Historicamente de suas idéias foi publicado o primeiro best-seller científico na época, Sobre a natureza. Mais filósofo da natureza que matemático, marcou-se pelo motivo grego típico: o desejo de saber. Descobriu os processos de respiração dos peixes e das plantas, explicou a inteligência dos homens e parece ter dado a explicação correta para os eclipses e acreditava que a matéria era composta de átomos. Morreu no ano do nascimento de Arquitas e um antes do de Platão e um antes da morte de Péricles. Sua obra, cuja interpretação, em parte por causa da escassez de fragmentos, é muito controvertida, pode ser situada na confluência entre a tradição milésia e o pensamento de Parmênides. Com os filósofos de Mileto, sustentava que a experiência sensorial põe o ser humano em contato com uma realidade cambiante, cuja constituição última ele pretendia encontrar. Com Parmênides, afirmava que só o ser é e o não-ser não é, porque ao ser, enquanto totalidade, não se pode acrescentar nem tirar nada. Considerava, em conseqüência, que "nada vem à existência nem é destruído, tudo é resultado da mistura e da divisão". Defendeu também a idéia de que, junto à matéria, existe um princípio ordenador, uma inteligência como causa do movimento , por isso, foi chamado de o primeiro dualista. Platão saudou com entusiasmo essa inovação, mas criticou o filósofo de Clazômenas por fazer uso insuficiente dela. Haveria um número infinito de elementos que Anaxágoras chamou de homeomerias, ou sementes invisíveis, que diferiam entre si nas qualidades. Todas as coisas resultariam da combinação das diferentes homeomerias.
Foi Anaxágoras-(+ ou - 499-428 a. C) um filósofo da escola jônica e o primeiro a se transferir para Atenas, de onde foi banido por considerar o sol uma pedra incandescente e a lua uma Terra, negando a divindade desses corpos celestes. Interessava-se muito por astronomia. Houve um processo que acabou por condena-lo, apesar de ser amigo de Péricles, seu mestre e protegido. Péricles foi um grande líder político. Sócrates que nasceu cerca de trinta anos depois de Anaxágoras também foi condenado. Atenas considerava a novidade, a filosofia, uma impiedade e ateísmo.
Anaxágoras se recusava a prestar culto aos grandes deuses gregos. Era filho de Hegesibuldo. Disse que as coisas corpóreas eram infinitas, e elas pareciam engendrar-se e destruir-se pela combinação e dissolução. No início, todas as coisas seriam infinitas em quantidade e pequenez, pois o pequeno também era infinito. Toda a matéria estava condensada. O ar e o éter são o maior conjunto de coisas. Muitas coisas de todas as espécies são contidas em todos os compostos e sementes. Em tudo há um pouco de tudo. Em cada minúscula partícula, ou semente, há uma parte de todas as coisas, pois todas as coisas são formadas por essas sementes.
Essas coisas se resolviam e separavam pela força e rapidez, a força é a rapidez que produz. E o espírito começou a se mover, e em todo movimento havia uma separação, e as partículas se desdobravam, o espírito sempre é, sempre afirma. O compacto, o fluído, o frio e o sombrio se colocaram onde se formou a terra, e o ralo o quente e o seco forma para longe do éter. As visões das coisas invisíveis são aparentes, a lua reflete os raios de sol, em sua filosofia. E as coisas, que estavam juntas foram separadas por esse espírito inteligente e puro (nous), que ordenava a matéria e se movia, separando os opostos e criando os seres diferenciados. Os graus de inteligência dos seres animados (animais e plantas) dependem da estrutura do corpo em que o nous está ligado sem se misturar. Para Hegel, Anaxágoras foi um sóbrio entre os ébrios. Fundamenta sua crítica dizendo que ele foi o primeiro a dizer que o pensamento é universal, em si e para si, o puro pensamento é verdadeiro. Universal pela noção de causalidade. Essa noção, se não é universal, se não considera a coisa em si, costuma dizer coisas como: a causa da existência do capim é servir de alimento para os herbívoros, e a destes é servir de alimento para os carnívoros, os troncos fluem para determinado lugar, pois estão precisando deles lá e assim por diante.
O nous de Anaxágoras é universal, move-se para diante. Cada idéia é um círculo de si mesma, e o bem universal de sua espécie. O nous é a alma que a tudo move, que liga e separa, uma atividade que põe uma primeira determinação como subjetiva, mas essa é feita objetiva, e assim se torna outra, e de novo esta oposição é sobreposta, assim até o infinito. Isso é dialética.

FONTES:
ARANHA, Maria Lucia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: Introdução à Filosofia. São Paulo: Moderna, 1994.
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Atica, 2002.
MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.
PADOVANI, Umberto; CASTAGNOLA, Luis. Historia da Filosofia. São Paulo: Melhoramentos, 1978.
PESSANHA, José Américo Motta (Org). Os pré-socraticos. São Paulo: Abril, 1978.
SOUZA, José Cavalcante. Os pré-socrático. São Paulo: Abril, 1978.
WEATE, Jeremy. Filosofia para jovens. São Paulo - Callis, 1999.




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