quinta-feira, março 07, 2013

THEODOR ADORNO




THEODOR ADORNO (1903-1969) – Filósofo e musicólo alemão,Theodor Wiesengrund Adorno nasceu em Frakfurt, em 1903, e morreu na Suiça, em 1969. Um dos filósofos de maior influencia sobre a sociedade européia e norte-americana na década de 60, foi ainda agudo critico musical, defendendo o dodecafonismo de Schonberg e Webern contra o neoclassicismo de Stravinski. Juntamente com Walter Benjamim, Max Horkeheimer, Herbet Marcuse e Siegfried Kracauer formou o chamado Instituto de Frankfurt. O grupo trabalhou no Instituto de Pesquisas Sociais e na revista Arquivo para a História do Socialismo e do Movimento Operário. Em Viena, Adorno estudou música, especialmente composição, com Alban Berg e escreveu uma tese sobre Kierkgaard. A ascensão de Hitler ao poder levou Adorno a exilar-se na Inglaterra em 1933. Em 1937 mudou-se para os Estados Unidos, onde integrou o grupo encarregado de fazer pesquisas sociais, o qual haveria de iniciar a elaboração de um trabalho sobre o autoritarismo. Em 1950, Adorno retorna à Alemanha e, juntamente com Max Horkheimer, reconstitui o Instituto de Frankfurt. Os dois e Samuel Flowerman publicam a obra clássica A personalidade autoritária, em 1950. Adorno é considerado um dos mais importantes críticos de meados do sec. XX. Interessou-se pelos aspectos sociais da arte, especialmente a sociologia da música, tendo abordado, ainda, questões sobre a sociedade de consumo. Defendeu um novo método dialético, em parte hegeliano, em parte marxista, de modo que seus críticos mais radicais, especialmente entre os estudantes, o combateram como revisionista.
Através da Escola de Frankfurt, a análise e compreensão da comunicação é discutida de maneira objetiva, fazendo entender que todo processo de dominação, manipulação saiu da esfera física, biológica para o universo psiquico controlando consciências. Entre os principais conceitos elaborados pela Escola de Frankfurt estão o da industria cultural que é o nome genérico que se dá ao conjunto de empresas e instituições cuja principal atividade econômica é a produção de cultura, com fins lucrativos e mercantis. No sistema de produção cultural encaixam-se a TV, o rádio, jornais, revistas, ect; que são elaborados de forma a aumentar o consumo, modificar hábitos, educar, informar, podendo pretender ainda, em alguns casos, ter a capacidade de atingir a sociedade como um todo.
O conceito de cultura de massas elaborado pela escola, é conseqüência das tecnologias de comunicação aparecidas no século XX, e das circunstâncias geopolíticas configuradas na mesma época, a cultura de massa desenvolveu-se a ponto de ofuscar os outros tipos de cultura anteriores e alternativos a ela.A chegada da cultura de massa, porém, acaba submetendo as demais "culturas" a um projeto comum e homogêneo — ou pelo menos pretende essa submissão. Por ser produto de uma indústria de porte internacional (e, mais tarde, global), a cultura elaborada pelos vários veículos então surgentes esteve sempre ligada intrinsecamente ao poder econômico do capital industrial e financeiro. A massificação cultural, para melhor servir esse capital, requereu a repressão às demais formas de cultura — de forma que os valores apreciados passassem a ser apenas os compartilhados pela massa.O que a indústria cultural percebeu mais tarde (e Adorno constatou, pessimista), é que ela possuía a capacidade de absorver em si os antagonismos e propostas críticas, em vez de combatê-los. Desta forma, sim, a cultura de massa alcançaria a hegemonia: elevando ao seu próprio nível de difusão e exaustão qualquer manifestação cultural, e assim tornando-a efemêra e desvalorizada.
O conceito de reprodutibilidade técnica da obra de arte, possibilitada com os avanços tecnológicos consolidados na atualidade, gerou novas formas de encarar a arte, tanto do ponto de vista do espectador, quanto do criador. Conforme Walter Benjamin, pensador da Escola de Frankfurt, essa possibilidade "multiplicativa fere os valores que convertiam, até agora, a obra numa espécie de sucedâneo de uma experiência religiosa". A arte seria suportada por 3 elementos: aura, valor cultural e autenticidade. Esses três valores geravam a noção de beleza sobre a qual a estética clássica repousava.
O conceito de teoria crítica é uma teoria sociológica que se contrapõe aos conceitos da Teoria funcionalista. A Teoria crítica tem seu início a partir de 1923, com a fundação do Instituto de Pesquisa Social, que ficou mundialmente conhecido como Escola de Frankfurt.Um dos principais objetivos do Instituto era o de explicar, historicamente, como se dá a organização dos trabalhadores. Entretanto, os pressupostos teóricos da Escola de Frankfurt se estenderam à diversas áreas das relações sociais, entre elas a Comunicação Social. A teoria parte do princípio de uma crítica ao caráter cientificista da ciência, ou seja, crítica à base de dados empíricos e a administração destes dados para explicar os fenômenos sociais (crítica ao funcionalismo). A preocupação, pautada pela organização dos trabalhadores, está centrada, principalmente, em entender a cultura como elemento de transformação da sociedade. Neste sentido, a Teoria Crítica utiliza-se de pressupostos do Marxismo para explicar o funcionamento da sociedade e a formação de classes, e da Psicanálise para explicar a formação do indivíduo, enquanto elemento que compõe o corpo social. Esta postura se fortalece, principalmente, com o Nazismo e o Fascismo na Europa. Um dos principais questionamentos se dava no sentido de entender como os indivíduos se tornavam insensíveis à dor do autoritarismo, negando a sua própria condição de indivíduo ativo no corpo social.
O conceito de comunicação social é um campo de conhecimento acadêmico que estuda a comunicação humana em sociedade. Entre as subdisciplinas da comunicação, incluem-se a teoria da informação, comunicação intrapessoal, comunicação interpessoal, marketing, propaganda, relações públicas, análise do discurso, telecomunicações e Jornalismo. A comunicação é um processo que envolve a troca de informações, e utiliza os sistemas simbólicos como suporte para este fim. O estudo da Comunicação é amplo, e sua aplicação é ainda maior. Para a Semiótica o ato de comunicar é a materialização do pensamento/sentimento em signos conhecidos pelas partes envolvidas. Estes símbolos são então transmitidos e reinterpretadas pelo receptor.
O PENSAMENTO DE ADORNO - Embora devendo a maior parte de suas reflexões a Benjamin, Adorno acreditava que passou despercebido àquele que a técnica se define em dois níveis: primeiro "enquanto qualquer coisa determinada intra-esteticamente" e, segundo, "enquanto desenvolvimento exterior às obras de arte". Para ele, ao visarem à produção em série, à homogeneização e as técnicas de reprodução, eles acabavam com aquilo que tornava aquela "peça", uma obra de arte e, por conseguinte, a técnica começa a exercer uma força tão grande na sociedade mostrando que quem gerencia as obras são aqueles economicamente mais fortes dentro desse grupo. Enquanto negócios, seus fins comerciais são realizados por meio metódico e programada exploração de bens considerados culturais. Tal exploração Adorno chamava de "indústria cultural".
Há cinqüenta e dois anos, Adorno formulou o conceitos de indústria cultural, que hoje permanece entre os homens e a cultura. Atualmente o melhor sinônimo para a indústria cultural é a globalização, pois foi à mesma que acelerou o processo de capitalização, iniciado desde a pré-história até a atualidade. Hoje a globalização transforma as relações e influencia o mundo contemporâneo. A globalização intervém e transforma a vida da sociedade, extrapola os limites físicos, além de transformar as representações culturais. O ideário da burguesia nos séculos XVII e XVIII, que tinha a formação como meio de purificação do homem ,como cultivo do espírito, como condição para elevação do homem, em substratos políticos , éticos, com objetivo de integração social, de construção de cidadania, que visava a formação de indivíduos livres e igualitários assim como Adorno "a formação devia ser aquela que dissesse respeito, de uma maneira pura como seu próprio espírito, ao indivíduo livre e radicado em sua própria consciência, ainda que não tivesse deixado de atuar na sociedade e sublimasse seus impulsos.A formação era tida como condição implícita a uma sociedade autônoma: quando mais lúcido o singular, mais lúcido o todo ." [1] Porém,o mesmo não corresponde ao ideário de formação da educação contemporânea.Este foi se degenerando, a própria burguesia revolucionária passou a ser uma burguesia contra-revolucionária, a burguesia do século XX visa à formação voltada aos interesses particulares, ideológicos, políticos e econômicos.Onde a escola como papel principal para a difusão da mesma,contribui para uma educação mercantilista, formadora de indivíduos acríticos, alienados da sua própria condição de cidadão.
Theodor Adorno mostra que a arte é a última barreira, a "reserva ecológica" da sociedade, a esperança para que a massa saia desse mundo alienador. Conseguimos perceberna arte momentos críticos que leva o ser a entender o real nos seus múltiplos aspectos. No desenvolvimento histórico do homem, ou o processo de humanização, que Adorno caracteriza como progresso da civilização, o homem cria melhores condições com os avanços tecnológicos, mas à medida que se humaniza, utiliza-se desses novos recursos para "dominar", cometer atrocidades contra a própria espécie, há um retrocesso que é anticivilizatório ou desumano.
No que tange à educação para a cultura, Adorno adota o sentido de desenvolver a autoconsciência, ele fez sérias criticas sobre os rumos que a educação estava tomando, se colocando a serviço do poder econômico. Apesar dele reconhecer que a escola exerce seu papel como socializadora, adaptadora e transformadora, defende que a educação não deve moldar os indivíduos aos interesses do sistema econômico. Adverte que no pós-guerra a educação estava prestando um serviço no sentido de adaptar o homem transmitindo novos conceitos morais buscando transformar a sociedade conseqüentemente fugindo da sua realidade. Ele defende a educação como libertadora, sendo capaz de tornar o individuo consciente da realidade social na qual ele está inserido, despertando por meio deste conhecimento sua consciência crítica e conseqüentemente a emancipação em busca das mudanças na sociedade. Nesta perspectiva a educação age como instrumento de conscientização e mediação entre o homem e sociedade, contribuindo para seu desenvolvimento. Com isso, a educação deve, simultaneamente, evitar a barbárie e buscar a emancipação humana. Ele questiona a educação autoritária e pensa uma educação emancipatória, mas, ao não apresentar um projeto de transformação social global, deixa de lado uma compreensão da totalidade da sociedade repressiva e realiza um isolamento do processo educacional, atribuindo a ele um papel transformador que dificilmente pode realizar isoladamente.
Segundo Adorno a organização da sociedade impõem dificuldades, se a cultura forma na ordem da dominação, forma deformando por negar a diferenciação. Para ele, o que nos impulsiona a buscar a segurança e lutar pela sobrevivência é o medo da morte, desde os primitivos. As formas de organização social devem proporcionar meios para a elaboração desse medo, assim negam as diferenças e a cisão entre homens e sociedade é intensificada.
Por fim, Adorno criticou o otimismo de Walter Benjamin sobre o poder revolucionário do cinema, pois acreditava que ele não discutia o antagonismo existente no interior da técnica. Discutiu também a indústria cultural como portadora da ideologia dominante e comprometida em determinar o consumo. Veja mais aqui.

BIBLIOGRAFIA
Adorno, T.W . 1995. Educação e Emancipação, Rio de Janeiro, Paz e Terra.
_____. A indústria Cultural. In COHN, G. Comunicação e Indústria Cultural. São Paulo: TA Queiroz, 1995.
_____. Teoria da semicultura.Educação e Sociedade.nº 56,1996.
_____. Teoria Estética. Lisboa/Portugal, Edições 70, 1970.
ARANTES, Paulo Eduardo. Os Pensadores. Benjamin, Habermas, Horkheimer, Adorno. São Paulo: Abril Cultural, 1980.
ASSOUN, Paul-Laurent. A Escola de Frankfurt. Ática, 1991.




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