domingo, janeiro 11, 2015

HYPATIA, MARY CALKINS, OSWALD, PARMIGIANO, STANISLAW PONTE PRETA & GERALDO AZEVEDO


UMA LIÇÃO DE MULHER – No início dos anos 1900, Mary Whiton Calkins (1863-1930) teve sua matrícula recusada pela Harvard University e teve seu Ph.D. recusado por ser mulher, mesmo tendo sido seus estudos de doutoramento considerado o mais brilhante exame de Ph.D até então realizado em Harvard que só , sete anos depois, ela recebeu a graduação da Radcliffe College pela Havard, colégio esse criado pela própria universidade para oferecer cursos para mulheres. Ela, então, recusou porque havia atendido as exigências da Harvard, não do colégio. A razão da restrição era a crença generalizada na chamada superioridade intelectual masculina, considerando as deficiências intelectuais femininas inatas que não permitiam que tirassem proveito dos benefícios. Grande parte do mito da superioridade intelectual do homem surgiu da chamada hipótese da variabilidade, baseada nas teorias de Darwin a respeito da variabilidade masculina: o cérebro masculino seria mais evoluído do que o feminino. Por isso, a mulher era considerada inferior ao homem, tanto nas qualidades mentais como nas físicas necessárias para se obter êxito na adaptação às exigências do ambiente. Além do mais, havia uma teoria popular de que as mulheres sofriam de danos físicos e emocionais, bem como de que as suas condições biológicas colocavam em risco a maternidade se elas fossem cursar níveis de educação superior. Enfim, Calkins obteve uma graduação honorária da Columbia University e sua experiência é um exemplo da discriminação sofrida pelas mulheres que almejavam a educação superior, condição que persistiu até o século XX. Contudo, ela foi a primeira mulher a tornar-se presidente da Associação de Psicologia Americana, em 1907, e desenvolveu a técnica de associação dos pares, usada no estudo da memória, contribuindo de forma significativa e duradoura para a psicologia. Veja mais aqui

Imagem: Diana, fragmento destacado da obra do pintor do maneirismo italiano Girolamo Francesco Maria Mazzola (1503-1540), mas conhecido como Parmigiano.

Ouvindo: Geraldo Azevedo ao vivo, Geração/BMG Ariola, 1994.

OSWALD DE ANDRADE – Em fins dos anos 1980, já de saco cheio com as aulas do curso de Letras, resolvi, por conta própria, dar continuidade aos estudos que eu já havia começado por volta dos meus 15 anos: estudar a Literatura Brasileira mais a fundo. Foi quando comprei livros e livros de História da Literatura (os de Carpeaux, Manuel Bandeira, Silvio Romero, Afranio Coutinho, Wilson Martins, Nelson Werneck Sodré e outros e outros), estudando, assim, cada autor e lendo suas obras. Leituras de anos. Quando cheguei no Oswald de Andrade (1890-1954), nossa, fiquei admirado! E fui lendo um a um dos seus livros. Cada leitura um êxtase especial. Ficou o Memórias sentimentais de João Miramar, com a pregação e disputa do natural das Américas aos sobrenaturais de todos os orientes: - Tudo é tempo e contratempo! E o tempo é eterno. Eu sou uma forma vitoriosa do tempo, em luta seletiva, antropofágica. Com outras formas do tempo: moscas, eletroéticas, cataclismas, polícias e maribondos! Ó criadores das elevações artificiais do destino eu vos maldigo! A felicidade do homem é uma felicidade guerreira. Tenho dito. Viva a rapaziada! O gênio é uma longa besteira! E também ficou o Música de manivela do Pau-Brasil: Sente-se diante da vitrola / e esqueça-se das vicissitudes da vida / na dura labuta de todos os dias / não deve ninguém que se preze / descuidar dos prazeres da alma. Veja mais aqui.

SÉRGIO PORTO, O STANISLAW PONTE-PRETA – Do Sérgio Porto – leia-se Stanislaw Ponte Preta -, li tudo: o homem do lado, primo Altamirando, Rosamundo, Ria Zulmira, a casa demolida, garoto linha dura, as cariocas, na terra do crioulo doido e, sobretudo, os Febeapás 1 e 2. Confesso que eu sou desse autor um xexéu xucro: influência a ponto de copiar com a maior incapacidade de alcançar o talento dele. Destaco o Era covardia, do Primo Altamirando e elas: Tem sogra até boazinha, que faz o chamado biombo conjugal, isto é, fica aparando os golpes da gente para que a filha não se chateie. O cara some, não aparece pro jantar e a sogra, morando nas aflições da filha, inventa enredo para que ela não dê bronca, aventando hipóteses tais como plantão no escritório, pneu do carro furado, falta de condução e outras desculpas próprias par amenizar a raiva da esposa aflita que vê afrouxar o chamado lado conjugal [...] Ontem lá estivemos, frente ao juiz, servindo de testemunha no processo de anulação do casamento. Jandira, a que suou a camisa nº 11 no time de Primo Altamirando, estava triste, pois adorava o marido (consta que Mirinho tem truques pra mulher que até Deus duvida). Mas a sogra estava mais furiosa que a torcida do Madureira. E tudo porque a separação foi proposta justamente depois do dia em que ela saiu no tapa com o padeiro e Mirinho assistiu a sogra apanhar uma surra bizantina, impávido e – por que não dizer – um tanto ou quanto eufórico. Aliás, o juiz resolveu anular o casamento, por causa desse episódio, revoltado com o cinismo de nosso nefando parente. – O senhor viu sua sogra levar uma surra do padeiro e não ajudou? – quis saber o magistrado. – Não, excelência – respondeu Mirinho. – E por que não ajudou? – estranhou o juiz. – Porque não ficava bem, dois homens batendo numa velha só. Veja mais aqui.

Imagem: Hypátia antes de ser morta na igreja, pintura de Charles William Mitchell, 1885.

HYPATIA DE ALEXANDRIA – A filósofa neoplatonista grega e do Egito Romano, Hypatia de Alexandria (350-415 d.C.), foi a primeira mulher a lecionar filosofia e astronomia e considerada matemática. Ela era ascética e virgem – o seu corpo,para ela, deveria ser sua exclusiva propriedade -, cultuava as ideias do astrônomo e matemático grego, Aristarco de Samos (310-230 a.C.), o heliocentrismo (precursor das ideias de Nicolaus Copérnico), quando ministrava aulas na Biblioteca de Alexandria. Entre os seus feitos estão o aperfeiçoamento do astrolábio, defendendo que o conhecimento devia ser acessível a todos. Uma mulher erudita enfrentando a misoginia dos santos teólogos da igreja cristã, numa época de fanatismo religioso preocupado em apedrejar e esfaquear os descrentes e em sujeitar as mulheres à total submissão. Ela foi acusada em praça pública por atentar contra os costumes morais e bruxa, foi arrastada por uma milícia de fanáticos cristãos até uma igreja, onde foi despida, apedrejada até a morte, esfolada com lascas de vasos de cerâmica, tendo sido arrancado todos os seus membros e jogado os pedaços à fogueira. Tal evento marcou o fim da era do conhecimento e da racionalidade, dando inicio à idade das trevas que perdurou até o Renascimento, no século XVI. Sua vida foi transformada em filme, Ágora, de 2009, direção de Alejandro Amenábar, com roteiro escrito pelo próprio diretor em parceria com Mateo Gil. Veja mais aqui.

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