sábado, maio 09, 2015

GASSET, ASCENSO, REICH, SCRIABIN, ALARCÃO, ESPERANTINA, GARAT & ORGAZMO.


 LA REBELIÓN DE LAS MASAS – Este livro foi um presente do meu amigo espanhol radicado em Pernambuco, José Duran y Duran. Trata-se da obra La rebelión de las masas (A rebelião das massas – Espasa-Calpe, 1964), do filósofo e ativista político espanhol José Ortega y Gasset (1883-1955), autor da célebre frase: "Debaixo de toda vida contemporânea se encontra latente uma injustiça”. O livro trata de temas como o fato das aglomerações, a ascensão do nível histórico, a altura dos tempos, o crescimento da vida, um dado estatístico, começa a dissecação do homem-massa, vida nobre e vida vulgar ou esforço e inércia, porque as massas intervêm em tudo e porque só intervêm violentamente, primitivismo e técnica, primitivismo e história, a época do “mocinho satisfeito”, a barbárie do “especialismo”, o maior perigo: o Estado, quem manda no mundo: desemboca-se na verdadeira questão, quanto ao pacifismo, dinâmica do tempo, as vitrinas mandam, juventude, masculino e feminino, entre outros importantes assuntos. Da obra destaco o trecho: Há um fato que, para bem ou para mal, é o mais importante na vida pública européia da hora presente. Este fato é o advento das massas ao pleno poderio social. Como as massas, por definição, não devem nem podem dirigir sua própria existência, e menos reger a sociedade, quer dizer-se que a Europa sofre agora a mais grave crise que a povos, nações, culturas, cabe padecer. Esta crise sobreveio mais de uma vez na história. Sua fisionomia e suas conseqüências são conhecidas. Também se conhece seu nome. Chama-se a rebelião das massas. Para a inteligência do formidável fato convém que se evite dar, desde já, às palavras “rebelião”, “massas”, “poderio social”, etc. um significado exclusivo ou primariamente político. A vida pública não é só política, mas, ao mesmo tempo e ainda antes, intelectual, moral, econômica, religiosa; compreende todos os usos coletivos e inclui o modo de vestir e o modo de gozar. Talvez a melhor maneira de aproximar-se a este fenômeno histórico consista em referir-nos a uma experiência visual, sublinhando uma feição de nossa época que é visível com os olhos da cara.  Simplicíssima de enunciar, ainda que não de analisar, eu a denomino o fato da aglomeração, do “cheio”. As cidades estão cheias de gente. As casas cheias de inquilinos. Os hotéis cheios de hóspedes. Os trens, cheios de viajantes. Os cafés, cheios de consumidores. Os passeios, cheios de transeuntes. As salas dos médicos famosos, cheias de enfermos. Os espetáculos, desde que não sejam muito extemporâneos, cheios de espectadores. As praias, cheias de banhistas. O que antes não era problema, começa a sê-lo quase de contínuo: encontrar lugar. Nada mais. Há fato mais simples, mais notório, mais constante, na vida atual? Vamos agora puncionar o corpo trivial desta observação, e nos surpreenderá ver como dele brota um repuxo inesperado, onde a branca luz do dia, deste dia, do presente, se decompõe em todo o seu rico cromatismo interior. Que é o que vemos e ao vê-lo nos surpreende tanto? Vemos a multidão, como tal, possuidora dos locais e utensílios criados pela civilização. Apenas refletimos um pouco, nos surpreendemos de nossa surpresa. Mas quê, não é o ideal? O teatro tem suas localidades para que se ocupem; portanto, para que a sala esteja cheia. E do mesmo modo os assentos o vagão ferroviário e seus quartos o hotel. Sim; não há dúvida. Mas o fato é que antes nenhum destes estabelecimentos e veículos costumavam estar cheios, e agora transbordam, fica fora gente afanosa de usufruí-los. Embora o fato seja lógico, natural, não se pode desconhecer que antes não acontecia e agora sim; portanto, que houve uma mudança, uma inovação, a qual justifica, pelo menos no primeiro momento, nossa surpresa. Surpreender-se, estranhar, é começar a entender. E o esporte e o luxo específico do intelectual. Por isso sua atitude gremial consiste em olhar o mundo com os olhos dilatados pela estranheza. Tudo no mundo é estranho e é maravilhoso para umas pupilas bem abertas. Isso, maravilhar-se, é a delícia vedada ao futebolista e que, ao contrário, leva o intelectual pelo mundo em perpétua embriaguez de visionário. Seu atributo são os olhos em pasmo. [...] A aglomeração, ou cheio, antes não era freqüente. Por que o é agora? Os componentes dessas multidões não surgiram do nada. Aproximadamente, o mesmo número de pessoas existia há quinze anos. Depois da guerra pareceria natural que esse número fosse menor. Aqui topamos, entretanto, com a primeira nota importante. Os indivíduos que integram estas multidões preexistiam, mas não como multidão. Repartidos pelo mundo em pequenos grupos, ou solitários, levavam uma vida, pelo visto, divergente, dissociada, distante. Cada qual – indivíduo ou pequeno grupo – ocupava o lugar, talvez o seu, no campo, na aldeia, na vila, no bairro da grande cidade. Agora, de repente, aparecem sob a espécie de aglomeração, e nossos olhos vêm por toda a parte multidões. Por toda a parte? Não, não; precisamente nos lugares melhores, criação realmente refinada da cultura humana, reservados antes a grupos menores, em definitiva, a minorias. A multidão, de repente, tornou-se visível, e instalou-se nos lugares preferentes da sociedade. Antes, se existia, passava inadvertida, ocupava o fundo do cenário social; agora adiantou-se até às gambiarras, ela é o personagem principal. Já não há protagonistas: só há coro. O conceito de multidão é quantitativo e visual. Traduzamo-lo, sem alterá-lo, à terminologia sociológica. Então achamos a idéia de massa social. A sociedade é sempre uma unidade dinâmica de dois fatores: minorias e massas. As minorias são indivíduos ou grupos de indivíduos especialmente qualificados. A massa é o conjunto de pessoas não especialmente qualificadas. Não se entenda, pois, por massas só nem principalmente “as massas operárias”. Massa é “o homem médio”. Deste modo se converte o que era meramente quantidade – a multidão – numa determinação qualitativa: é a qualidade comum, é o mostrengo social, é o homem enquanto não se diferencia de outros homens, mas que repete em si um tipo genérico. Que ganhamos com esta conversão da quantidade para a qualidade? Muito simples: por meio desta compreendemos a gênese daquela. E evidente, até acaciano, que a formação normal de uma multidão implica a coincidência de desejos, idéias, de modo de ser nos indivíduos que a integram. Dir-se-á que é o que acontece com todo grupo social, por seleto que pretenda ser. Com efeito; mas há uma diferença essencial. [...]. Veja mais aqui.

Imagem: Orgasmo, do designer gráfico e ilustrador Renato Alarcão.

Ouvindo o poema sinfônico Le Poeme De L'Extase, Op. 54 (1905-1908, Deutsche Grammophon), do compositor e pianista russo Alexander Scriabin (1872-1915), com a Boston Symphony Orchestra sob a regência de do maestro Claudio Abbado. Veja mais aqui.

EU VOLTAREI AO SOL DA PRIMAVERA – O livro Eu voltarei ao sol da primavera (Fundação Hermilo Borba Filho/SE-PE/Depto. Cultura, 1985), do do poeta modernista Ascenso Ferreira (1895-1956), organizado por Jessiva Sabino de Oliveira, reúne sonetos e outros poemas do autor, entre os quais destaco Banquete de Beijos (I): Dos beijos ao banquete apaixonado / em sonhos o amor levou-me um dia. / Ah! Foi tão doce o gozo que eu fruia! / Ah! Foi tão doce e tão alcandorado, / que me julguei, por certo, transportado / nas asas do prazer e da alegria / às sublimes regiões onde apoesia / edificou seu fúlgido reinado. / Na taça do prazer e da ternura, / taça dos lábios cheios de doçura / de uma donzela, o símbolo do pejo / eu fruia do amor e da paixão / o néctar, que suaviza o coração / - Supremo néctar que oferece o beijo. (II): Tudo era puro, santo e sublimado, / em tudo se notava essa magia / tão suave, que ao meu ver só existia / no céu deista tão glorificado. / Muitos convivas via do meu lado / no meio da puraza desta orgia / também sorvendo o néctar que eu sorvia, / - Néctar do amor, nos beijos encarnado. / Sim, foi tão doce, tão divina e pura / deste meu sonho a mágica ventura / que de outra igual jamais eu tive ensejo. / Sim; foi tão doce a minha sensação, / que eu inda guardo a sã recordação / desse banquete mágico de beijos. Também o seu Estrelas é meritório de destaque: Em mil constelações, estrelas luminosas / espagerm-se no céu a brilhar, a brilhar... / Reflete-se em meu dorso o portentoso mar, / que na praia desfaz-se em ondas espumosas. / Sentindo o perpassar das brisas rumorosas / e as estrelas fitado, eu começo a exclamar: / “Quem m´as dera a prender! Quem m´as dera pegar! / Ao menos conseguir uma entre as mais formosas! / Ouvindo-me falar, diria alguém assim: / “P´ra que queres pegar uma estrela formosa? Não vês que elas de nós estão léguas sem fim?” / Mas eu responderia: “Eu quisera prendê-las / somente p´ra adornar a fronte luminosa / de uma Estrela terra, estrela entre as estrelas”. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

O ORGASMO DE ESPERANTINA – Numa cidade da região Norte do Piauí, no Baixo Parnaíba, distante 180 quilômetros da capital, denominada Esperantina, que desde 1943 deixou de ser Boa Esperança, há uma comemoração para lá de ótima. A população esperantinense, segundo IBGE 2010, de 37.765 habitantes, comemora no dia de hoje o seu Dia do Orgasmo, depois que uma lei municipal decretou: Fome Zero, Orgasmo Dez”. Imagino como será a comemoração! U-hu! O Piauí já é quente, dá pra sentir o calor na bacorinha. O projeto do vereador proposto no início dos anos 2000, virou polêmica na cidade, ganhando as páginas dos principais jornais do Brasil. Instado pela imprensa nacional, o vereador informou que o propósito de tal comemoração é levar a educação sexual a todos os recantos da cidade. Como o poeta Manuel Bandeira queria ir pra Pasárgada, eu que sou um poeta menor tão ínfimo bem miúdo, quero é ir pra Esperantina! Veja mais aqui.

A FUNÇÃO DO ORGASMO – O livro A função do orgasmo: problemas econômico-sexuais da energia biológica (Brasiliense, 1975), do médico, psicanalista e cientista natural Wilhelm Reich (1897-1957), trata da descoberta do orgônio, a biologia e a sexologia antes de Freud, Peer Gynt, lacunas na psicologia e na teoria do sexo, o prazer e o instinto, sexualidade genital e não genital, fundação do seminário de técnica psicanalítica de Viena, dificuldades psiquiátricas e psicanalíticas na compreensão da enfermidade psíquica, o desenvolvimento da teoria do orgasmo, suplemente a ideia freudiana da neurose de angustica, potência orgástica, a extase sexual: fonte de energia das neuroses, análise do caráter, dificuldades e contradições, a economia sexual da angústica neurótica, a couraça do caráter e a estratificação dinâmica dos mecanismos de defesa, destruição, agressão, sadismo, o caráter genital e o caráter neurótico, o principio de auto-regulagem, revolução biológica abortada, a higiene mental e o problema da cultura, origem social da repressão, o irracionalismo fascista, a irrupção no campo biológico, a solução do problema do masoquismo, o funcionamento de uma bexiga viva, a antítese funcional de sexualidade e angustia, energia biopsiquica, a fórmula do orgasmo, a tensão, a carga, descarga, relaxação, prazer (expansão) e angustia (contração), antítese principal da vida vegetativa, o reflexo do orgasmo e a técnica da vegetoterapia de análise do caráter, a atitude muscular e a expressão corporal, a tensão abdominal, o reflexo do orgasmo, o estabelecimento da respiração natural, a mobilização da pélvis morta, enfermidades psicossomáticas típicas e resultados da simpaticotonia crônica, psicanalise e biogênese, a função bioelétrica do prazer e da angustia, solução teórica do conflito entre mecanismo e vitalismo, a energia biológica é energia do orgônio atmosférico (cósmico). Da obra destaco o seguinte trecho: [...] Até 1923, ano em que nasceu a teoria do orgasmo, apenas as potências ejaculativa e eretiva eram conhecidas da sexologia e dos psicanalistas. Sem a inclusão dos componentes funcionais, econômicos e experimentais, o conceito de potência sexual não teria existido. Potência eretiva e ejaculativa eram apenas pré-condições indispensáveis da potência orgástica. Potência orgástica é a capacidade de abandonar-se, livre de quaisquer inibições, ao fluxo de energia biológica; a capacidade de descarregar completamente a excitação sexual reprimida, por meio de involuntárias e agradáveis convulsões do corpo. 
Nem um único neurótico é orgasticamente 'potente, e as estruturas de caráter da esmagadora maioria dos homens e mulheres são neuróticas. No ato sexual livre de angústia, de desprazer e de fantasias, a intensidade de prazer no orgasmo depende da quantidade de tensão sexual concentrada nos genitais. Quanto maior e mais abrupta é a "queda" da excitação, tanto mais intenso é o prazer. A seguinte descrição do ato sexual orgasticamente satisfatório refere-se apenas ao desenvolvimento de algumas fases e modos de comportamento típicos e naturalmente determinados. Não levei em conta o prelúdio biológico, determinado pelas necessidades individuais, e que não apresenta um caráter universal. Além do mais devemos observar que os processos bioelétricos da função orgástica não foram explorados e, portanto, esta descrição é incompleta. Fase de controle voluntário da excitação 1. A ereção não é dolorosa como no caso do priapismo, espasmo da região pélvica ou do duto espermático6. É agradável. O pênis não está superexcitado, como após um período prolongado de abstinência ou em casos de ejaculação prematura. O genital feminino torna-se hiperêmico e úmido de forma específica, pela profusa secreção das glândulas genitais; isto é, no caso de funcionamento genital não perturbado, a secreção tem propriedades químicas e físicas que faltam quando a função genital está perturbada. Uma característica importante da potência orgástica masculina é o desejo de penetrar. Podem ocorrer ereções sem esse desejo, como em certos caracteres narcisistas eretivamente potentes, e na satiríase. 2. O homem e a mulher mostram-se ternos um para com o outro; não há impulsos contraditórios. São os seguintes os desvios patológicos desse comportamento: agressividade proveniente de impulsos sádicos, como em alguns neuróticos compulsivos eretivamente potentes, e inatividade do caráter passivo-feminino. A ternura também está ausente no "coito onanista" com um objeto não amado. Normalmente a atividade da mulher não difere de modo algum da do homem. A passividade da mulher, embora comum, é patológica e resulta habitualmente de fantasias masoquistas de violação. 3. A excitação agradável, que permaneceu mais ou menos no mesmo nível durante a atividade do anteprazer, aumenta subitamente em ambos, no homem e na mulher, com a penetração do pênis na vagina. O sentimento do homem de "estar sendo absorvido" é o corresponde do sentimento da mulher de "estar absorvendo" o pênis. 4. Aumenta o desejo do homem de penetrar mais profundamente, mas não assume a forma sádica de "querer transpassar" a mulher, como ocorre no caso dos caracteres neuróticos compulsivos. Pela fricção mútua, gradual, rítmica, espontânea e sem esforço, a excitação vai-se concentrando na superfície e na glande do pênis, e nas partes posteriores da membrana mucosa da vagina. A sensação característica que precede e acompanha a descarga do sêmen está ainda totalmente ausente (não nos casos de ejaculação prematura). O corpo ainda está menos excitado que o genital. A consciência está inteiramente dirigida para a assimilação das sensações ondulantes de gozo. O ego participa ativamente, na medida em que tenta explorar todas as possíveis fontes de prazer e atingir o mais alto grau de tensão antes do momento do orgasmo. Intenções conscientes obviamente não têm lugar aqui.  
Tudo acontece espontaneamente com base nas experiências de anteprazer individualmente diferentes, por uma mudança de posição, pela natureza da fricção, pelo ritmo, etc. Segundo a maior parte dos homens e mulheres potentes, quanto mais lentas e delicadas são as fricções, e mais estreitamente sincronizadas, mais intensas são as sensações de prazer. Isso pressupõe um alto grau da afinidade entre o homem e a mulher. Um correspondente patológico disso é o desejo de fazer fricções violentas, especialmente pronunciado nos caracteres sádicos compulsivos que sofrem de anestesia do pênis e da incapacidade de descarregar o sêmen. Outro exemplo é a pressa nervosa dos que sofrem de ejaculações prematuras. Os homens e mulheres orgasticamente potentes nunca riem ou falam durante o ato sexual exceto, possivelmente, para trocar palavras de carinho. Falar e rir indicam sérias perturbações da capacidade de entregar-se; entregar-se pressupõe completa concentração na ondulante sensação de prazer. Os homens que sentem o entregar-se como "feminino" são sempre orgasticamente perturbados. 5. Nesta fase, a interrupção da fricção é em si mesma agradável por causa das sensações especiais de prazer que acompanham essa pausa, e não exigem esforço psíquico. Dessa forma, prolonga-se o ato. A excitação diminui um pouco durante a pausa. Não desaparece inteiramente, entretanto, como nos casos patológicos. A interrupção do ato sexual pela retração do pênis não é desagradável na medida em que ocorra após uma pausa tranqüila. Ao continuar a fricção, a excitação aumenta firmemente além do nível anteriormente atingido. Toma gradualmente, mais e mais, posse do corpo inteiro, enquanto o próprio genital mantém um nível mais ou menos constante de excitação. Finalmente, como resultado de um novo aumento habitualmente repentino de excitação genital, inicia-se a fase de contração muscular involuntária. Fase de contrações musculares involuntárias 6. Nesta fase, o controle voluntário do desenvolvimento da excitação não é mais possível. Apresenta os seguintes traços característicos: a) O aumento da excitação não pode mais ser controlado; antes, a excitação domina a personalidade total e causa uma aceleração do pulso e uma exalação profunda. b) A excitação física torna-se cada vez mais concentrada no genital; ocorre uma suave sensação que se pode descrever melhor como um eflúvio de excitação do genital para outras partes do corpo. c) Em primeiro lugar, essa excitação causa contrações involuntárias de toda a musculatura das regiões genital e pélvica. Essas contrações se experimentam sob a forma de ondas: a elevação da onda coincide com a total penetração do pênis, enquanto a descida da onda coincide com a retração do pênis. Mas logo que a retração ultrapassa um certo limite, ocorrem imediatamente contrações espasmódicas, que aceleram a ejaculação. Na mulher é a musculatura lisa da vagina que se contrai. d) Neste estágio, a interrupção do ato é totalmente desagradável, tanto para o homem como para a mulher. Havendo interrupção, as contrações musculares que levam ao orgasmo na mulher e à ejaculação no homem são espasmódicas em vez de rítmicas. As sensações causadas são sumamente desagradáveis e, 'ocasionalmente, sentem-se dores nas regiões pélvica e sacra. Além do mais, como resultado do espasmo, a ejaculação ocorre mais cedo que no caso do ritmo imperturbado. A prolongação voluntária da primeira fase do ato sexual (1 a 5) não é dolorosa quando levada até um certo ponto, e tem um efeito intensificador do prazer. 
Por outro lado, a interrupção ou mudança voluntária do seguimento da excitação na segunda fase é dolorosa por causa da natureza involuntária dessa fase. 7. Por meio de nova intensificação e do aumento de freqüência das contrações musculares involuntárias, a excitação sobe rápida e intensamente em direção ao clímax (III a C no diagrama); isso coincide, normalmente, com as primeiras contrações musculares ejaculatórias no homem. 8. Neste ponto, a consciência se torna mais ou menos nublada; seguindo-se a uma pequena pausa no "auge" do clímax, as fricções aumentam espontaneamente e o desejo de penetrar "completamente" se torna mais intenso com cada contração muscular ejaculatória. As contrações musculares na mulher seguem o mesmo curso que seguem no homem; há apenas uma diferença psíquica, isto é, a mulher sã quer "receber completamente" durante, e logo após, o clímax. 9. A excitação orgástica toma conta do corpo inteiro e produz fortes convulsões da musculatura do corpo todo. Auto-observações de pessoas sãs de ambos os sexos, e também a análise de certas perturbações do orgasmo, provam que o que chamamos alívio da tensão e experimentamos como uma descarga motora (curva descendente do orgasmo) é, essencialmente, o resultado da reversão da excitação do genital ao corpo. Essa reversão é experimentada como uma súbita redução da tensão. Por isso, o clímax representa o ponto decisivo no seguimento da excitação; isto é, antes do clímax, a direção da excitação é para o genital; após o clímax, a excitação reflui do genital. Essa completa volta da excitação do genital para o corpo é que constitui a satisfação. Isso significa duas coisas: refluir da excitação para o corpo inteiro, e relaxação do aparelho genital. 10. Antes de ser alcançado o ponto neutro, a excitação desaparece em curva suave e é imediatamente substituída por uma agradável relaxação física e psíquica. Habitualmente há também grande vontade de dormir. As relações sensuais se abrandam, mas permanece em relação ao companheiro uma atitude "saciada" e terna, a que se junta o sentimento de gratidão. Ao contrário, a pessoa orgasticamente impotente experimenta um esgotamento plúmbeo, desgosto, repulsa, aborrecimento ou indiferença e, ocasionalmente, aversão ao companheiro. Nos casos de satiríase e ninfomania, a excitação sexual não desaparece. A insônia é uma das características essenciais da falta de satisfação. Não se pode, entretanto, concluir automaticamente que uma pessoa experimentou a satisfação quando cai no sono imediatamente após o ato sexual. Se reexaminarmos as duas fases do ato sexual, veremos que a primeira fase é essencialmente caracterizada pela experiência sensorial de prazer, enquanto a segunda fase é caracterizada pela experiência motora de prazer. [...] (Imagens: Orgasmic Soul nº 2, by Michael G Quain/Foto: La petit mort, by Santillo). Veja mais aqui.

ORGAZMO – A comédia Orgazmo (1997), escrito e dirigido por Trey Park e produzido por Matt Stone que mais tarde vão criar a série animada South Park, conta a história de um missionário mórmon que encontra hostilidade para realizar seu trabalho religioso, até encontrar um diretor pornô desprezível, finda contratado para estrelar no papel principal de um super-herói pornográfico. Nessa hora entra em choque o milionário salário e a sua fé religiosa, enquanto se vê famoso com sucesso surpreendente. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Imagem: Orgasmo y Una Mujer Que Disfruta, do artista plástico argentino Pablo Garat.


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Todo homem que maltrata a mulher não merece jamais qualquer perdão, Aracelli de José Louzeiro. Violência doméstica e sexual de Lucidalva do Nascimento, a música de Geraldo Azevedo & Neila Tavares, Violência contra a Mulher, Gershwin & Geneviève Salamone, a arte de Yukari Terakado & Nina Kuriloff, Marcha das Vadias & O desenlace da paquera entre Melzinha & Brothão aqui.
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