sábado, junho 25, 2016

DOS BICHOS DE TODAS AS FERAS E MANSAS

DOS BICHOS DE TODAS AS FERAS E MANSAS – Imagem Forró dos bichos, xilogravura de J. Borges. – Faz tempo eu vi um forró, um trupé muito arretado, de não sair da memória. A função era medonha, da Perereca de Paranapiacaba na sanfona, Ararajuba no triângulo e o Bugio na zabumba. Eita! Era a Arara-azul ditando o ritmo e a Jararaca-ilhoa só balançando, dava início toda na festa com a Ariranha e Mico-leão-preto que falava da Baleia-franca-do-sul reclamando das cobras dormideira-da-queimada-grande. Aí o Macaco-prego-de-peito-amarelo, não querendo nem saber, chamou do Cervo-do-Pantanal pra namorar as Jararaca-de-alcatrazes. Essas por sua vez, conversavam com o Gato-maracajá que se ria do Mico-leão-de-cara-preta e do Lobo-guará. Foi aí que apareceu todo apressado o Rato-candango falando que o Macaco-aranha havia saído com o Peixe-boi-marinho atrás da Jiboia-de-cropan pra fazer um rastapé com Mico-leão-dourado dançava agarrado na Tartaruga-de-couro, ao lado do Muriqui-do-norte que se enxeria com a Onça Pintada. Ela toda pabulosa pras bandas do Tamanduá-bandeira, não sabia que a Saíra-militar era prima do Sauim-de-coleira que era cunhado do Sapo-folha que se achava ao lado da Jaguatirica que se dizia Gato-maracajá. A conversa estava solta quando o Soldadinho-do-araripe reclamou do Macaco-aranha porque o Tamanduá-bandeira junto com Uacari-branco, comiam de tudo na maior gulodice e não deixavam nada pra ninguém. A reclamação aumentou quando a Onça Parda, mais pra lá de injuriada, reclamou que a Tartaruga-de-couro havia se acoloiado ao Tucano de Bico Preto inventando passo diferente pras bandas do Peixe Boi da Amazônia. Foi aí que a Onça Pintada, toda braba de abusada quis fazer conciliação e chamou o Pirarucu e o Papagaio-verdadeiro, foi dizendo para todos: - Vamos botar ordem no terreiro! Concordante a Tartaruga-oliva, mais que atrevida disse: - Pra quê tanta festa separada, se a gente pode fazer tudo junto? Foi aí que Harpia mais o Uacari-branco, convocou de todo mundo, se juntar com a Arara de Barriga Amarela que se dizia Arara Canindé e conversava toda folgada com o Udu-de-coroa-azul e com a Arara Vermelha. No fim deu tudo certo, acabou a reclamação, a fofoca era grande, mas tudo na maior santa paz, todos só queriam comemorar os festejos juninos. Mas isso faz tempo, hoje quase nem vê, é que um tal do bicho-homem, todo metido a caçador, achou por bem de virar no meio deles o maior dos desmancha prazeres. Com pouco tempo da presença deles, findou de mais ninguém se vê, só eles mandavam tudo, fazendo a maior guerra, chega matarem um Gorila, aprisionarem a Pomba da Paz e ainda por cima traficarem outros tantos animais pra outras tantas safadezas. Logo que deram pressas bandas, fizeram só desmatamento, atocharam nas queimadas, construíram coisas e hidrelétricas, fizeram caça predatória e, sem deixar por menos, promoveram só poluição. Aí não deu outra, cadê os outros? Oxe, só se escafederam de ninguém saber se vivos ou mortos, ou se arribaram pra salvação. Assim não dá pra ser feliz! Esses estão barrados de vez, mas mesmo assim, não tem maios Forró dos Bichos. Tomara um dia possam ainda xotear, porque era festa boa, sem pantim nem bafafá. Glória a tudo dessa fauna, e Paz na Terra aos bichos de boa vontade! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 Imagem: a arte da artista visual Natalia Fabia.

 Curtindo o álbum Cantiga (Café Maestro, 2014), do Duo Backer, formado pela dupla Rafaela Backer Gonzalez (voz) & Marcela Backer Gonzalez (violão).

PESQUISA
O livro Cantadores: poesia e linguagem do sertão cearense (Cátedra, 1978), do escritor, professor, advogado, jornalista e historiador Leonardo Mota (1891-1948). Veja mais aqui.

LEITURA 
O romance da besta fubana (Itatiaia, 1984), do escritor Luiz Berto. Veja mais aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA:
Imagem: Xilogravura de J. Borges.
Quando pego no braço da viola
Sinto a força quem vem da inspiração
E é por isto que digo com razão
Que meu verso alimenta e me consola
Pelo menos, não peço por esmola
Porque vivo a vender minha poesia
Sou cigarra que, aos poucos, se atrofia
Na cantiga que a vida lhe consome
Se eu deixar de cantar, morro de fome
Que a cantiga é meu pão de cada dia.
Estrofe de Martelo alagoano, do poeta cantador alagoano Manoel Chelé. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA 
Todo dia é dia da ex-militante política e ex-integrante da organização de extrema-esqueda alemã (Grupo Baader-Meinhof), Brigitte Mohnhaupt.

Veja mais sobre Pechisbeque, País de Cucanha, Renata Pallottini, George Orwell, Martins Pena, Tales de Mileto, Antoni Gaudí, Sam Francis, Theo Tobiasse, João Carlos Martins, Lucas Cranach, Sidney Lumet, Sophia Loren & Jean-Jacques Henner aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Statue of a naked Woman – Barcelona, do arquiteto espanhol Antoni Gaudí (1852-1926).
Recital Musical Tataritaritatá.
Veja aqui.


ESPINOZA, AHMADOU KOUROUMA, TOULOUSE-LAUTREC, PSICANÁLISE & DIREITO, GERUSA LEAL, CLARA REDIG, OVÍDIO POLI JÚNIOR & LAJEDO

COMO QUEM ESPERA E JÁ FOI – Imagem: The Hangover , do pintor francês Henri de Toulouse-Lautrec (1864-1901). - Como quem espera tal pedra...