segunda-feira, janeiro 23, 2017

PARA QUEM QUER, BASTA SER!


PARA QUEM QUER, BASTA SER! - Imagem: arte da pintora impressionista francesa Berthe Morisot (1841-1895). - Depois de ter experienciado tudo que viveu, Gilvanícila parecia que havia saído de uma epifania. Não parecia mais aquela mulher fragilizada por perturbadoras adversidades sórdidas por que passara na vida, fatos que a fizera contemplada com a compaixão geral. Não, parecia outra, assim, de repente, altaneira e cativante, reluzente atitude altruísta. Nunca ouvira dela um resmungo ou ato de revolta, mas sempre fora contida, reticente, infeliz, assim sempre me parecera. Agora não mais, diferente de antes, a ponto de, certo dia, ela virar-se pra mim e dizer num tom com certa severidade: - Você precisa encontrar o seu lugar. O que? Suas faces brandas e reluzentes, contrastavam com a afirmação estranhamente prepotente e vingativa. Não, não era, engano meu. Fitei-lhe os olhos e os vi com a placidez dos céus, meigos e generosos. Mantive-me intrigado com o que disse e, mais ainda com a sua sossegada expressão, e falou-me mansa e serenamente o quanto vagueou errante na vida na busca insaciável de agradar as pessoas, com tentativas recorrentes de ser a melhor amiga, a melhor criatura do mundo, a companhia mais agradável para quem quer que fosse, e ser amada, adorada, agradável, feliz, desejada. Apesar de tanto esforço, nunca obtivera êxito. Quando tempo perdido, disse ela sem expressar o mínimo rancor ou frustração, sonhava a felicidade de todos e, com isso, ser feliz. Sempre desapontada por nunca lograr êxito, tornava-se cada vez mais infeliz, angustiada, deprimida. Até o dia que perguntou para si própria se era a pessoa que sonhava ser, se era tão amável quanto queria ser amada, se era capaz de dar felicidade o quanto queria ser feliz, imaginando assim ser outra pessoa avaliando ela própria. Descobriu que apenas possuía o ideal, nada era real. Queria ser amada quando era incapaz de amar; que todos fossem felizes quando era totalmente infeliz; e o pior era que, para ela mesma, o seu próprio conceito de felicidade era tão tacanho quão inútil era a soberba de se achar a pessoa ideal para todas as pessoas e ocasiões. Chegou a conclusão de que para ser feliz de verdade tinha que se tornar a pessoa que idealizava ser de verdade e passou a acreditar que só a felicidade dos outros é que proporcionaria a sua própria. Foi prestando a atenção em tudo, não desperdiçando o menor esforço, que se determinou ao que queria. Encarou o passado e ele lhe falou: - Não deixe de aproveitar o Sol, sinta-se bem! E como a escolha era dela, escolheu por sentir-se bem: - Encontrei meu lugar no plano do Criador. E passou a olhar além da capacidade de ver, passou a ouvir além da capacidade da compreensão. Imaginou-se outra analisando a si própria e descobriu-se coberta de equívocos e incompreensões que a tornavam mais ainda incapaz de amar e de ser amada. Na sua catarse rejeitou a comiseração de todos e partiu para corrigir cada um dos seus defeitos que eram muitos, demandara muito tempo num processo de autossuperação em que passou a amar e respeitar o que julgava antes defeito e erros nos outros, aceitando os outros como são e não como ela queria que fossem todos, convivendo de verdade com a incompreensão do outro para que se pudesse a si própria compreender, sobretudo, a amar, a se amar e a ser amada. Em nenhum momento de seu depoimento senti uma ponta de sarcasmo ou desonestidade. Plenamente briosa e desprendida o tempo inteiro fitando os meus e eu os seus olhos. E foi com isso que ela me ensinou que para quem quer, basta ser. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui e aqui

 Curtindo os álbuns e o talento musical da pianista Karin Fernandes.

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DESTAQUE: A VIAGEM PELO MAR DA VIDA DE JOHN MASEFIELD
[...] O corpo do homem é imperfeito, sua mente indigna de confiança, porém, sua imaginação o tornou um ser extraordinário.
[...] Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver. [...].
Pensamento e trecho do poema Sea Fever (Paul & Co, 1988), do poeta inglês John Masefield (1878-1967).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora impressionista francesa Berthe Morisot (1841-1895)
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